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quinta-feira, 23 de março de 2017 0 comentários

3 EFEITOS BIZARROS DA CULTURA DO STATUS



Uma reflexão sobre a perversidade dessa cultura do 'fazer/ter para o mundo ver' e as aberrações que ela está trazendo ao mundo.


Não é nenhuma novidade o fato de que estamos vivendo e alimentando constantemente a cultura do status - isto é, uma cultura que preza as aparências, mesmo que as aparências não representem muito bem a realidade. Diabos, basta acessar a sua conta do Facebook para observar boa parte dos seus amigos e conhecidos em uma competição acirrada em forma de atualizações de status sobre quem tem o melhor emprego, a melhor família, o melhor namorado, as melhores noitadas, os melhores amigos, o melhor destino de férias, a melhor vida.

“ Agora só falta Melhor Bíceps e Melhor Abdômen. Academia e posts sobre academia: aqui vou eu!”


Eu não digo isso para criticar quem se gaba (sutilmente ou não) da vida que tem no Facebook, até porque eu mesma não posso dizer que nunca caí nessa: por mais atenta e cuidadosa que a pessoa seja, hora ou outra todo mundo escorrega e cai de cara na perversidade da prática do ‘fazer para o mundo ver’. Mas vale, sim, refletir sobre o quanto esta obsessão que leva ao maqueamento da realidade está permeando as nossas vidas e até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para cumprir um determinado papel aos olhos dos outros. Eu posso estar errada - e, por favor, se você discorda, é bem-vindo para se manifestar nos comentários -, mas me parece que algumas bizarrices da vida moderna são consequência dessa cultura do status, em que as coisas, experiências e sentimentos têm que ser validados constantemente em praça pública. Bizarrices como...

Grandes gestos de amor


Eu posso estar errada, mas grandes gestos de amor são uma coisa relativamente recente, certo? Estou falando de gestos como descer de helicóptero na casa da amada para pedi-la em casamento; ou fazer o pedido na frente de uma multidão em um jogo de basquete; ou fazer uma serenata romântica em pleno parque do Ibirapuera - e, claro, gravar tudo para colocar no YouTube e até aparecer no programa da Ana Maria Braga, se tiver sorte (ou azar. Depende do ponto de vista).

Com exceção de uma pequena parcela da internet que está começando a ver esses grandes gestos como uma forma de coerção amorosa, grande parte das pessoas fica babando quando vê um grande gesto de amor em ação (quando é correspondido, claro. Quando não é, ela é uma vadia mal-agradecida aos olhos dessas pessoas, mas isso é tema para outro texto). “Eles devem se amar muito!”, é a ideia que perpassa a multidão que assiste, junto com uma boa quantidade de admiração e inveja em doses iguais. Para o casal fica o grande prêmio - não o amor do parceiro, mas sim o troféu que garante o status de casal perfeito, amado e invejado pelas massas. Um troféu cuja prateleira é uma seleção de redes sociais diversas a seu dispor, que garantem a máxima divulgação do status recém-adquirido. Mesmo quando o amor não é tão certo, ou tão verdadeiro quanto deveria, o grande gesto aparece como uma forma de arrebatamento e de conclusão definitiva que convence até o mais incerto dos amantes. Quem valida o amor, nesses casos, é a multidão, mesmo que ele não tenha amadurecido ainda ou nunca venha a amadurecer.

Não que todos os grandes gestos de amor sejam farsas. Acredito que 99.9% das pessoas que se engajam em um grande gesto de amor o fazem com sinceridade, ou pelo menos pensam assim. Mas cabe a essas pessoas pensar por que sentem a necessidade de incluir e de ter a validação de uma terceira parte - a multidão, no caso - em uma coisa tão privada? Será que elas estão fazendo isso pelo amor ou pelo espetáculo? Quantos relacionamentos se arrastam e quantos casamentos se concretizam para logo se desfazer em nome do espetáculo?


Filhos decorativos


Eu e meu marido somos casados há um ano, cinco meses, três dias e seis horas e há pelo menos um ano, cinco meses, três dias, cinco horas e quarenta e cinco minutos somos perguntados constantemente sobre quando teremos filhos.

É natural, claro, e eu entendo completamente. O próximo passo depois do casamento é ter filhos, sempre foi assim. Mesmo assim, me incomoda um pouco o fato de que se nós resolvermos que vamos ter um filho agora eu tenho certeza que as pessoas vão comemorar ao invés de se preocupar com o fato de que nós não temos condições financeiras de criar um filho no momento. Como pode uma decisão tão irresponsável ser celebrada?

Isso mostra como é forte a visão de que família só é uma família (e, portanto, só pode ser perfeita) com um ou dois pimpolhos populando as fotografias e o fato de eu achar isso normal nos mostra como é forte a programação martelada em nossas cabeças desde a infância - casar e ter filhos. E mesmo que existam milhares de motivos diferentes para uma pessoa querer ter um filho, para algumas delas essa trajetória pré-definida deve ser seguida para que o status chamado de Família Perfeita possa ser alcançado. É desse desejo por um determinado status associado à expectativa social mencionada acima que nasce a bizarrice que eu apelidei de Filhos Decorativos.

Filhos Decorativos são aquelas crianças que nasceram para enfeitar uma família e torná-la digna de ser chamada de Família (com F maiúsculo mesmo) e apresentada na igreja ou na confraternização de fim ano da empresa. Filhos Decorativos geralmente são criados por babás ou por avós e vêem muito pouco dos pais. Como qualquer peça de decoração, Filhos Decorativos têm que ter algum atrativo.

Enquanto são pequenos, a sua existência por si só é o suficiente, com suas mãozinhas e pezinhos lindos e rechonchudos, mas conforme crescem precisam aprender algumas habilidades que os pais possam exibir para o mundo. Por isso não é incomum descobrir que raramente os Filhos Decorativos têm uma tarde livre - eles estão sempre ocupados com aulas de ballet, inglês, piano, mandarim, futebol, basquete, francês, etc, etc, etc, etc. Basicamente, filhos Decorativos são mais uma extensão da vida perfeita que os pais criaram - não necessariamente a que eles vivem, mas a vida perfeita que eles mostram para o mundo. Vale lembrar, no entanto, que os Filhos Decorativos crescem e nem sempre se tornam o que os pais esperavam.

Não quero alarmar ninguém, mas Filhos Altamente Decorativos sempre estão envolvidos em orgias violentas ou são os próprios assassinos em episódios de Law&Order.

Distração Generalizada


Olhe em volta. A cada dia que passa nós parecemos mais e mais como baratas tontas, olhando o celular ao invés de conversar com a pessoa ao nosso lado, tirando fotos loucamente ao invés de olhar a paisagem e listando conquistas ao invés de conhecer novas pessoas. Nossos celulares e redes sociais se tornaram poderosos demais e tomaram controle de nossas vidas como um parasita espertalhão e letal, como aqueles que aparecem naquele programa horroroso da Discovery - Parasitas Assassinos ou algo tenebroso desse tipo.
Mas não tão nojento.

No caso, nós estamos sempre grudados nas nossas redes sociais porque elas são as vitrines de nossas vidas e, através de um raciocínio absolutamente maluco, nós achamos que a vitrine é mais importante do que viver a droga da vida anunciada na vitrine. (Ok, eu perdi completamente o controle dessa analogia da vitrine, mas você entendeu). Isso leva a uma grande ansiedade por status, obviamente, mas também a uma distração generalizada, em que a vida e as pessoas passam como um pano de fundo enquanto você obsessivamente atualiza o seu Twitter.

Nada é realmente aproveitado e absorvido pela pessoa que sofre de distração generalizada. Uma paisagem é admirada por três segundos, que é o tempo de ela tirar o celular do bolso e tirar a foto para postar no Instagram. Uma conversa dura alguns minutos até que alguém solta uma frase muito espirituosa e ela sente a vontade de interromper o papo para postar a “citação” no Facebook. Tudo gira em torno do status divulgado, da própria imagem que vai sendo montada atualização após atualização, como um Frankenstein virtual que nunca vai ganhar vida, porque não é real. Isso sem contar que o interesse que a pessoa acometida de distração generalizada tem pelos outros vai até o momento em que ela avalia se os outros estão melhor ou pior que ela no grande jogo da vida - e normalmente essa avaliação dura uma olhada de dois minutos no Facebook. Depois disso, esquece, amigo. Ela já está tirando fotos. De novo.

Lara Vascouto
sábado, 17 de dezembro de 2016 0 comentários

FILHO AUSENTE



Crianças devem decidir se querem ou não a companhia de um de seus pais? Hoje, elas têm esse poder.


Depois da comemoração do Dia dos Pais, algumas famílias tiveram de enfrentar situações muito parecidas com o que chamamos de ressaca. As famílias em questão têm um ponto em comum: o fato de o casamento ter se dissolvido após o nascimento dos filhos. Vamos a dois exemplos que podem servir de referência para a nossa conversa de hoje.

Num dos casos, o rompimento do casamento é recente. Há menos de um ano, o casal decidiu se separar e os filhos - dois, com menos de seis anos - ficaram com a mãe. O pai é muito presente, encontra-se com os filhos pelo menos dois dias na semana ou mais, quando há oportunidade na rotina de todos.

Mesmo a separação tendo ocorrido por desejo dos dois, ainda paira no ar uma tensão e isso quase sempre se revela com os filhos. Foi o que aconteceu no Dia dos Pais.

O filho mais velho, agora com seis anos, resolveu que queria passar o domingo com a mãe. Por mais que ela tenha tentado convencê-lo das mais variadas formas a ficar com o pai, nada o demoveu de sua decisão. Resultado? A menina mais nova ficou com o pai, e o mais velho, com a mãe.

Agora adivinhe o que aconteceu, caro leitor: restou um sentimento de culpa enorme para essa mãe. E a pergunta dela é: "Eu deveria ter obrigado meu filho a ir com o pai, mesmo com todo o escândalo que ele aprontou?"

O segundo caso tem componentes bem diferentes do primeiro, mas a cena final é muito semelhante. O casal separou-se há mais de dez anos de um modo muito conturbado e uma das consequências foi o afastamento do pai durante anos.

Depois de casar-se novamente e ter filhos da segunda união, esse pai tem tentado se reaproximar do filho do primeiro casamento, agora com 13 anos. Inicialmente, o menino aceitou de bom grado a presença do pai, mas no domingo não quis almoçar com ele e sua nova família por ciúme: queria estar sozinho com seu pai.

O sentimento de culpa, agora, é do menino: ele me perguntou se eu acho possível seu pai perdoar sua atitude. É que até agora o pai não deu notícia e ele acha que será novamente abandonado. Um ponto importante dessa situação: a mãe do garoto, segundo ele, apoiou sua decisão.

Uma pergunta pode nortear nossas reflexões: crianças e adolescentes devem ter o poder de decidir se querem ou não a companhia de um de seus pais?

Atualmente, eles ganharam esse poder e devo dizer que eles não têm condições de exercer o poder que ganharam. Por quê? Vamos à resposta mais simples: porque eles ainda não sabem considerar a complexidade das situações que decidem. E, justamente por isso, irão arcar, agora ou mais tarde, de modo mais ou menos comprometedor para eles, com as consequências de suas decisões.
No primeiro caso citado, o garoto de seis anos já dá sinais de que algo não vai bem: tem tido pesadelos quase todas as noites. O interessante é que a mãe, que sente a culpa por ter deixado o filho recusar a presença do pai, entende que os dois eventos estão associados, já que o primeiro pesadelo foi logo no Dia dos Pais.

Pode ser apenas coincidência, mas a relação que a mãe faz já é um sinal de que ela, no fundo, sabe que deveria ter agido de modo diferente com o filho.

No segundo caso, a situação criada pela circunstância vivida pode provocar uma nova ausência do pai na vida do filho adolescente, já que temos tido a tendência de encarar os mais novos como se fossem adultos. Não seria inusitado na atualidade esse pai se magoar com a atitude do filho e decidir se afastar por acreditar que o filho não quer sua presença.

Bem, os mais novos têm o direito de crescer com a companhia de seus pais, estejam eles casados ou não. A questão é que eles não sabem que isso é um direito: somos nós que precisamos garantir isso a eles.

ROSELY SAYÃO 
domingo, 11 de maio de 2014 0 comentários

FELIZ DIA DAS MÃES! - Texto indicado por MARTHA MEDEIROS



FELIZ DIA DAS MÃES! - Texto indicado por MARTHA MEDEIROS

“Para comemorar o nosso dia, deixei pra lá os textos água com açúcar e resolvi postar uma historinha divertida, mas atenção, atenção, atenção: NÃO É DE MINHA AUTORIA, e infelizmente não sei quem escreveu, recebi como "autor desconhecido". Como produz esse tal de Autor Desconhecido! Please, não passe adiante com o meu nome, ok? Eu apenas estou compartilhando porque acho que as mães, realmente, merecem uma folga. Viva nós!”  Martha Medeiros


MAMÃE.COM – autor desconhecido

1°. Convenção Familiar

Queridos Filhos,

Em primeiro lugar, Mamãe gostaria de agradecer a presença de todos nesta Primeira Convenção Familiar. Mamãe sabe como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês: Papai tinha uma lavagem de carro praticamente inadiável, Júnior já tinha marcado de se trancar no quarto, Carol estava para receber pelo menos três telefonemas importantíssimos de uma hora e meia cada um. Mamãe está comovida. Muito obrigada.

Bem, conforme Mamãe já tinha mais ou menos antecipado, esta convenção é para comunicar ao público interno - Papai, Júnior e Carol - todas as modificações nos produtos e serviços da linha Mamãe. Como vocês sabem, a última vez que Mamãe passou por reformulações foi há 14 anos, com o nascimento do Júnior. De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais. Mamãe precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada. Para começar, Mamãe vai mudar a embalagem. Mamãe sabe que esta é uma decisão polêmica, mas, acreditem, é o que deve ser feito. Mamãe sai desta convenção direto para um spa, e de lá para uma clínica de cirurgia plástica. Nada assim tão radical. Haverá pouquíssimas alterações de rótulo, vocês vão ver. Mamãe vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros. Calma, Papai! Mamãe já captou recursos no mercado. Mamãe vai ser patrocinada por uma nova marca de comida congelada. Lei Rouanet, porque Mamãe também é cultura.

Junto com o lançamento da nova embalagem de Mamãe, no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento. Sinto informar, mas Mamãe vai tirar do mercado o produto Supermãe. Não, não, não adianta reclamar. Supermãe já deu o que tinha de dar. Trata-se de um produto anacrônico e superado, antieconômico e difícil de fabricar. Mamãe sabe que o fim da Supermãe vai aumentar a demanda pela linha Vovó, que disputa o mesmo segmento. Paciência. Você não pode atender todos os públicos o tempo todo. No lugar da Supermãe, Mamãe vai lançar (queriam que eu dissesse 'vai estar lançando', mas eu me recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado. Vocês vão poder consumir Mamãe nas versões Active (executiva e profissional), Light (com baixos teores de pegação de pé), Classic (rígida e orientadora), Italian (superprotetora) e Do-It-Yourself (virem-se, fui passear no shopping). Mas uma de cada vez, sem misturar. Ah, sim, Mamãe detesta esses nomes em inglês, mas me disseram que, se não for assim, não vende.
Mamãe gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar seus novos canais de comunicação. De hoje em diante, em vez de sair gritando pela casa, vocês vão poder ligar para o SAC-Mamãe, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos). Mamãe também aceita sugestões e críticas no endereço mamae@mamae.net
Mais uma vez, Mamãe agradece a presença e a atenção de todos.

LINKS INDICADOS: NADA É MAIS VOLÚVEL QUE O C

domingo, 23 de fevereiro de 2014 0 comentários

PAIS E FILHOS



"DEDICO ESSA CANÇÃO QUE MUITAS VEZES EMBALEI SEU SONO A MEU AMADO FILHO AUGUSTO SANTIAGO. 

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender

Dorme agora
É só o vento lá fora

Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há

Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer

sábado, 29 de junho de 2013 0 comentários

COMO NOSSOS PAIS


Comecei a cantarolar baixinho e o taxista perguntou se eu queria que ele aumentasse o volume. Tocava no rádio nada mais nada menos que "Father and Son", de Cat Stevens, hino de minha adolescência.

Eu e minha amiga Vânia ficávamos deitadas no tapete da sala lendo a letra no encarte do LP, acompanhando Stevens com nosso sofrível inglês e total sofreguidão.

O rapaz aumentou o volume, também adorava a música. "Mas não é ele cantando, é?" --perguntei. Meu amigo taxista não sabia dizer, talvez fosse jovem demais. Havia muito tempo que eu não ouvia a canção. Fiquei esperando a parte de meu maior prazer, quando, quase em esgares, Stevens cantava "How can I try to explain? When I do, he turns away again. And it's always been the same, same old story...". Não vinha. Não veio.

A voz até parecia ser dele, mas quem cantava percorria tão suavemente a crise entre o pai e o filho, talvez até desse mais corpo à voz do pai, que acabei concluindo: "Não, não é ele. Ele cantava o filho que quer sair de casa quase gritando, com muito mais emoção".

Quando a música terminou, o locutor da rádio me desmentiu. Era o próprio. O que teria acontecido? Seria uma regravação? Eu me lembrei de que Stevens tinha se convertido ao islamismo. Talvez tivesse regravado a canção de forma mais branda, coisas de religião, sei lá.

Voltei a olhar pela janela suspeitando que a melhor explicação para a nova versão aguada de meu hino revolucionário talvez fosse só os atuais cabelos brancos do artista. À esta altura, Stevens não era mais filho, e sim pai. Talvez avô.

Eu me entristeci um pouco por saber que a "minha" "Father and Son" havia sido substituída e fui para casa pensando nesse ciclo inevitável no qual percebemos assustados que fazemos muitas coisas como nossos pais.

Antes de começar a escrever, fui pesquisar na internet para ouvir de novo a nova versão. Não achei nenhuma regravação de "Father and Son" pelo próprio Cat Stevens, tampouco por Yusuf Islam, seu atual nome islâmico. Tremi. Muito provavelmente, a versão ouvida no táxi era a mesma da minha adolescência.

Será que foram meus ouvidos de mãe que se tornaram insensíveis à eloquência com que Stevens me fazia acompanhá-lo aos berros, no tapete de minha juventude? Ponho os fones de ouvido e, aos poucos, vai me voltando a emoção e a vontade de cantar junto. Mas que é verdade que hoje também me emociona a parte do pai, lá isso é. Os cabelos brancos são meus.

DENISE FRAGA

              Mucamas do PCdoB

          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
sábado, 19 de janeiro de 2013 1 comentários

PESADELO REAL


Conto para você um sonhe que tive  a muito tempo , mas não consigo esquecê-lo dada a impressão que deixou em mim.
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Chovia torrencialmente, eu estava na casa que pertenceu a minha mãe biológica (lugar de lembranças desagradáveis). Da varanda dessa casa eu percebia o nível da água subindo rapidamente a pesar da rua ser uma ladeira. A água passava com tanta violência que era possível sentir o chão vibrando.
A rua tinha se transformado em um rio lamacento, em meio a isso, avistei um bebê sendo carregado pelas águas. Desci apressadamente a varanda e sem pensar me atirei na água suja e perigosa devido a correnteza para ajudar aquela criança. Á margem do rio meu marido tentava se equilibrar e pedia em vão que eu não me lançasse.

Consegui pegar o bebê. O abracei com muito cuidado e carinho tentando aquecê-lo. Ele devia ter uns 7 ou 8 meses, branquinho e gordinho. Fiquei imediatamente apaixonada por aquela criança. Como era bonita e indefesa, impossível não se encantar. Mas por mais que fosse bela a forma da criança algo estava errado.
Os olhos daquela bebê de pele tão branca eram negros, completamente negros. E mais uma vez meu marido tentava me alertar sobre o aspecto estranho daquela criança, porém eu dizia:
É apenas uma criança e precisa de ajuda. Devo jogá-la novamente na água? Que mal pode fazer?

Daí o sonho tem um sobressalto e me vejo ainda no mesmo dia da enxurrada na parte mais baixa da rua acompanhada de meus 2 filhos e com o tal bebê mostrando uma aparência de 5 anos de idade, vestido com uma camiseta de malha na cor azul Royal. Tudo atrás de mim estava desmoronando como uma avalanche e nós corríamos. Eu de mãos dadas àquela estranha criança. E me perguntava como um bebê num curto espaço de tempo podia ter assumido a aparência de uma criança de 5 anos de idade.

Outro sobressalto e agora me vejo na vila da antiga casa da minha avó materna (lugar de ótimas recordações) e a criança branca de olhos completamente negros agora tem a aparência de um menino de 8 anos, vestido com a mesma camiseta azul Royal, encontrasse diante a mim.
Meus filhos estavam afastados mais para o fundo da vila querendo falar comigo, porém não se aproximavam, pareciam receosos. Fiz um sinal dizendo que já estava indo até eles. Porém o menino não gostou da minha ação e pude perceber um brilho estranho naqueles olhos completamente negros. Pela primeira vez tive medo sem saber exatamente a razão.

Percebendo o perigo disfarçadamente fiz sinal para que meus filhos se afastassem ainda mais e rápido. O menino claramente mostrava ter ciúme dos meus filhos e eu tinha de preservá-los de qualquer mal.
Nisso saiu das costas do menino sombras negras que cresciam ramificadas como raízes. Dispostas como patas de aranha e se direcionavam para mim e sugavam minhas energias enquanto eu só conseguia pensar se meus filhos ficariam bem. 
terça-feira, 5 de junho de 2012 0 comentários

DIRIGENTE DO PCdoB/CEPERJ FOGE DA POLÍCIA parte2


Que cresçam logo as crianças.
Segundo João Carlos de Carvalho sua ex mulher o estava confundindo com o atual namoradinho dela, mas se quisesse dinheiro que pedisse ao paspalho e não a ele.
Disse:
- caral** eu sei que ele não dá, então, que pelo menos pague os luxos da madame. Não posso resolver todos os problemas dela.
É uma maluca, passional!
Quando dei o “chute na bunda dela” ela ficou até doente. Mas eu já estava tendo um caso com a amiga dela.
Enche o meu saco o tempo todo e ainda acha que vai me tira dinheiro?
O máximo que ela vai arrumar, é que as crianças (os 2 filhos), não venham mais ficar comigo nem mesmo de 15 e 15 dias. Não adianta fazer pressão sobre mim. Se continuar com isso vou deixar de ver as crianças e pronto. Já fiz isso antes por causa dela.
Arrumou uma advogadinha de merda e pensa que vai se dá bem. Mas quero ver o que ela vai poder fazer contra o melhor advogado da OAB!

Continua...
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domingo, 1 de abril de 2012 0 comentários

COMISSÃO DE CONTROLE



Mesmo com toda as dificuldades por que tenho passado fiz meus filhos faltarem a escola e deixei-os em casa com apenas com 1 pão e meio para comer. Apenas isso!

Fui com dinheiro de passagem emprestado para a tal comissão de controle do PCdoB. A comissão que enfim iria acolher as minhas denuncias, quanto as condutas completamente arbitrárias dos dirigentes do partido.
Infelizmente cheguei atrasada já que tive de esperar o amigo que me arrumou o dinheiro da passagem.

A primeira coisa que achei muito estranha foi o fato da comissão não permitiu que meu marido acompanha-se a minhas denuncias. Disseram que todos teriam de falar individualmente por uma questão de protocolo...

Bom, de qualquer forma, lá foi eu para o interrogatório.

Pensei que eu seria só ouvida mas quase o tempo todo tive de responder a contra pontos, e por vários momentos pensei ter passado de vitima, para réu.

Já na sala antes de começarmos, fui enformada que deveriam ser 4 os membros da comissão porém 1 teria sido afastado por ser irmão de um dos acusados, o Senhor Carlos Henrique de Carvalho(Kique). Então, essa comissão se constituiu em 3 membros.
Sendo eles:
Mara... dirigente por anos do distrital Méier Feudo do João), amiga intima do João Carlos de Carvalho. Intima a ponto de uma amizade "colorida". Mas depois falo sobre isso!

Igor Bruno que se beneficiou diretamente de dinheiro da campanha do Kique Carvalho( a campanha das milicias). Também amigo e advogado.
Nos dias de pagamento (conhecido dia do malote) Igor bruno aparecia no comitê para receber a sua parte.

Claudia Vitalino figura carimbada no partido, que despensa apresentações. Pensou em mutreta em instituição publica, o nome da camarada se destaca. També amiga pessoal dos Carvalhos.

Fui obrigada a tirá fotos, assinar um termo dizendo que autorizo o uso da minha imagem, quando não queria de jeito algum tirar foto. Questionei sobre essa exigência e alegaram que seria apenas para uso no processo interno da comissão do contrário a comissão seria encerrada.

No máximo que eles poderiam permitir é que sendo da minha vontade, eu deveria escrever a punho a minha restrição ao uso da minha fotografia para publicações. E obviamente que alguém falou algo como: quem não deve não teme!

O que eu não queria é ser obrigada a tirá as tais fotos e menos ainda dá autorização de uso de imagem. Mas como não existiu essa possibilidade...
Não entendo as razões deles e acho que não se faz isso nem em delegacia. Principalmente com quem está indo prestar a queixa. Porém, segundo a dita comissão faz parte do protocolo.

Falei quase catatônica tudo o que tinha para falar, respondi a toda enxurrada de perguntas, tive de escrever a punho, datar e assinar o resumo da minha denúncia quando não tinha condições para isso, já que estava nervosa. O tempo passando e meus filhos em casa com fome e sozinhos. Minha mãe tinha falecido apenas a alguns dias. O que serviu de piada entre a Sra. Claudia Vitalino e a Mara do Distrital Méier.

Os celulares dos presentes estavam ligados e um foi mantido no centro da mesa, o que me faz suspeitar que gravaram toda a conversa. Porém, eu não pude deixar o meu ligado e também não tive acesso a uma cópia do meu próprio depoimento. segundo eles por questão de sigilo e protocolo.

Em fim a tortura acabou, pensei eu, poderei ir para casa e tentar sobreviver mais um dia desse pesadelo que estou vivendo junto ao PCdoB.

Que engano o meu. Sai da sala e fui beber um pouco de água, não estava me sentindo bem. Enquanto meus filhos não tinham o que comer em casa por conta do golpe que me foi dado pelo dirigentes do PCdoB. Os membroa da comissão ficaram falando propositadamente de restaurantes caros, comida e das suas viagens e casas alugadas para passar o feriadão. Enquanto isso era a vez de meu marido dá o seu depoimento.

Apanhei a aguá para beber, Olho para o lado e quem eu vejo:
O maldito do Carlos Anjos Estrela (Charuto).
Aquele desgraçado estava ali diante a mim.
Deus, que ódio. Se eu pudesse o matava naquele momento.
Meus filhos passando fome em casa e o desgraçado dentro do Comitê Municipal do PCdoB tirando onda. Sentado confortavelmente mexendo no computador. Colocaram ele confortavelmente em uma sala mexendo no MSN.

Eu sem ter podido tomar o café da manhã, com fome, trite, cansada ainda me vi obrigada a está frente a frente com aquele filho da P...

Me falaram sobre um monte de coisinhas que faziam parte do protocolo. Exigiram que eu não mais fala-se a ninguém sobre esse caso ou fizesse qualquer publicação do assunto no meu blog, ou em qualquer outro lugar.
Do contrario eles encerrariam a comissão.

Será que a comissão é um favor que estão me prestando?

Porém, ninguém teve o cuidado de evitar que eu ficasse desnecessariamente frente a frente com Carlos Anjos Estrela. Tudo foi muito bem planejado para humilhar-me.

Ser humilhada por ser negra e pobre para a corja do PCdoB não era o suficiente. Para eles eu não tenho o direito de falar ao mundo o que verdadeiramente ocorre no partido.
Quem é Jaqueline Ramiro para denuncia desvio de verbas públicas, prostituição?

Como as outras mulheres do partido eu deveria aceitar a me prostituir e receber um cargo fantasma ou ficar recebendo dinheiro da CEPERJ. Concurso público é um dos lugares onde mais se tira dinheiro para o PCdoB.

Frente a frete com o Carlos Anjos Estrela (Charuto), perdi completamente o controle, não vi mais nada. Voei na direção do Carlos Estrela (Charuto) e pena que não deixaram eu matar aquele desgraçado. Já que me deixaram frente a frente com aquele filho da ... podiam me deixar matar ele. Dou a certeza que ele depois disso não iria mais cantar mulher nenhuma nessa vida. Não vai mais se aproveitar de ninguém. Desviar dinheiro publico nem empregar parente em altos cargos do estaduais e federais. Eu estaria fazendo um favor ao mundo.

Obviamente que ele por ser homem me bateu. Passei tanto mal que tive de ir para o hospital e meus filhos em casa...

Perguntem no comite municipal do PCdoB o que foi feito quanto essa situação.

Fui fazer a minha parte, enfim, fazer formalmente a minha queixa que se arrastava por quase 1 ano e o partido fingia desconhecer.

E olhem pelo que tive de passar!

A Sonia Lategé (presidente municipal do PCdoB), mulher, assim como Eu. o que fez para me ajudar?

No PCdoB dirigente faz o que quiser. Só tem voz que tem dinheiro para pagar pela sua fala.

Eu estou fazendo o impossível para conseguir justiça.Não basta toda essa via cruzes que tenho passado para me fazer ser ouvida? Diante desse absurdo todo só pedi uma retratação desses Camaradas e até agora nada.
Será que toda vez que me dirigir ao PCdoB terei por resultado mais uma vez ser humilhada?

Complemento:
Texto do email enviado por mim a Presidência do PCdoB/Rio no Na manhã de 04/04/2012 já que fui obrigada a assinar um termo de autorização de uso de imagem.

Eu Jaqueline da Silva Ramiro portadora do nome político Jaqueline Ramiro comunico ao PCdob/Rio
e demais direções do partido aqui mencionado que não autorizo qualquer reprodução, uso ou cópia de minha imagem,
gravação ou som, escrita integral ou parcial de minha pessoa para uso público.

Observando e fundamentada em provas de que o desenvolvimento dessa comissão de controle cuja a finalidade deveria ser o acolhimento de minhas denúncias, foi arbitrária.
Me eximo desde já de toda e qualquer participação.


Rio de Janeiro, 04 de abril de 2012
Por: Jaqueline Ramiro

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segunda-feira, 26 de março de 2012 0 comentários

Realidade X Surrealismo


É estranho começar o seu dia fazendo visita a uma comunidade extremamente carente. Conversar com crianças na sua maioria magras, tendo por seu o único alimento do dia o que é oferecido com precariedade pela creche improvisada.
Ainda não esqueci aqueles sorrisos, os olhinhos brilhantes, as pequenas mãos me tocando e fazendo festa para mim.

Me choco com essa realidade, não porque sou humana, ou porque seja muito triste. Já estive no lugar daquelas crianças algumas vezes em minha vida.
E como chorei nesse dia. Observando a tudo acabei me  sentindo tão indigna que não consegui comer. 

Como eu queria alguma forma de poder ajudar. Deus, como eu ainda quero poder ajudar!

A vida é completamente louca.
Na tarde desse mesmo dia tive outro grande choque no meu mundo.

Eu me vi diante de uma mesa repleta de pacotes de dinheiro, era muiiiiito dinheiro.
Eu não sou pessoa de me abalar com isso, dana-se que é dinheiro, mas em quantidade assim eu só tinha visto em filme.
Eram montes e montes de pacotinhos azuis enrolados com fita branca. Era tanto dinheiro, que a sala ficou com cheiro de dinheiro novo, mas aquilo ali minha gente, não era uma instituição bancária. 

E toda aquela grana foi apenas para pagar meia dúzia de gente. Nessa altura das coisas eu já estava me sentindo um lixo, pois só consegui  R$ 100,00 para ajudar na festinha das crianças da comunidade! Quanto dinheiro será que tinha em um único pacotinho daqueles? 

O João Carlos de Carvalho falou que tinham case 1MILHÃO de Reais ali encima daquela mesa. 

Como eu fui me enfiar nisso? Porque aquele babaca me mostrou isso? Porque me fez entrar naquela maldita sala? Para demonstrar poder?

É surreal. Eu não queria ter visto todas as coisas que vi. São lembranças ruins.
A gente ouve uma série de coisas por ai sobre política, mas ver com os próprios olhos trouxe-me uma decepção insuperável, um descontentamento. Alguma coisa no meu mundo ruiu e agora não sei como colar.

Se eu pudesse adivinhar todas as consequências que aqueles malditos dias iriam me trazer eu teria caído fora e sem exitar. Mas agora já cai e rolei nessa lama. Tenho de me levantar, lavar a alma dessa sujeira fétida.

Por que esse babaca me enfiou nesse lixo? O que ele pretendia de fato? Por que simplesmente não me deixou no meu canto vivendo a minha vida? Ao invés disso, ao final desse processo que parece não acabar, não sinto ter ganhado nada. A sessação e de terem me levado até o que eu não tinha.




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terça-feira, 13 de dezembro de 2011 0 comentários

OS FILHOS

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

(KAHLIL GIBRAN)
 
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