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sábado, 11 de outubro de 2014 1 comentários

NÃO POSSO PARTIR



O que vai ser de ti
Quando a saudade de mim te sufocar, quando faltar teu cigarro,
Quando você sentir dor de cabeça durante a noite,
Quando você quiser cantar para mim,
E eu não estiver mais aqui para amar tua voz

O que vai ser de ti
Quando chegar em casa e o meu silêncio te invadir,
Quando a tua poesia me buscar e não me achar,
Quando não tiver camisa limpa no armário,
Quando tiver que almoçar sozinho

O que vai ser de ti
Quando quiser encostar teu corpo no meu
Apenas prá me alucinar de desejo antes de dormir,
Quando me quiser pelo simples prazer do meu gozo,
Me fazendo quase morrer de amar, entregue em tuas mãos.

O que vai ser de ti
Quando se lembrar do meu sorriso,
Quando seus cachinhos quiserem meu colo,
Quando não puder me mostrar Paris de novo,
Quando eu te fizer mais falta...

E o que vai ser de mim
Se você sobreviver ao fim?

Nan S-Claire

segunda-feira, 23 de junho de 2014 0 comentários

CADA ENCONTRO



Cada encontro está carregado de perda. Ou de perdas.
As vezes duas pessoas que se amam (amigos, casados, solteiros, amantes, namorados) se encontram e são felizes.
Ao fim da felicidade, um deles chora. Ou fica triste.
Ou baixa os olhos. Ou é invadido por uma inexplicável melancolia.
É a perda que está escondida no deslumbramento de cada encontro.
O encontro humano é tão raro que mesmo quando ocorre, vem carregado de todas as experiências de desencontros anteriores.

Quando você está perto de alguém e não consegue expressar tudo o que está claro e simples na sua cabeça, você está tendo um desencontro.
Aquela pessoa que lhe dá um extremo cansaço de explicar as coisas é alguém com quem você se desencontra.
Aquela a quem você admira tanto, que lhe impede de falar, também é um agente de desencontro, por mais encontros que você tenha com as causas da sua admiração por ele.
A pessoa que só pensa naquilo em que vai falar e não naquilo que você está dizendo para ela é alguém com quem você se desencontra.
Alguém que o ama ou o detesta, sem nunca ter sofrido a seu lado, é alguém desencontrado de você.

Cada desencontro é perda porque é a irrealização do que teria sido uma possibilidade de afeto.
É a experiência de desencontros que ensina o valor dos raros encontros que a vida permite. A própria vida é uma espécie de ante-sala do grande encontro (com o todo? o nada?).
Por isso talvez ele nada mais seja do que uma provocação de desencontros preparatórios da penetração na essência DO SER.

Mas por isso ou por aquilo, cada encontro está carregado de perda.
E no ato de sentir-se feliz associa-se a idéia do passageiro que é tudo, do amanhã cheio de interrogações, da exceção que aquilo significa.
A partir daí, uma tristeza muito particular se instala.
A tristeza feliz. Tristeza feliz é a que só surge depois dos encontros verdadeiros, tão raros.
Encontros verdadeiros são os que se realizam de ser para ser e não de inteligência para inteligência ou de interesse para interesse.
Os encontros verdadeiros prescindem de palavras, eles realizam em cada pessoa, a parte delas que se sublimou, ficou pura, melhor, louca, mas a parte que responde a carências e às certezas anteriores aos fatos.

É mais fácil, para quem tem um encontro verdadeiro, acabar triste pela certeza da fluidez da felicidade vivida do que sair cantando a alegria da felicidade vivida ou trocada.
Quem se alegra demais se distancia da felicidade.
Felicidade está mais próxima da paz que da alegria, do silêncio do que da festa. Felicidade está perto da tristeza, porque a certeza da perda se instala a cada vez que estamos felizes.
É esta certeza - a da perda - que provoca aquela lágrima ou aquela angústia que se instala após os verdadeiros encontros.

Há sempre uma despedida em cada alegria.
Há sempre um E depois? após cada felicidade.
Há sempre uma saudade na hora de cada encontro.
Antecipada.
Disso só se salva quem se cura, ou seja, quem deixa de estar feliz para ser feliz, quem passa do estar para o ser.

Arthur da Távola

sexta-feira, 29 de março de 2013 2 comentários

POEMA DE RESISTÊNCIA


~
[

Suma!
Me esqueça!
Evapore!
Desapareça!
Cansei de te confortar
Mal sabes conciliar
Tua vida, irregular
Por que então tendes a me sufocar?
Preciso de ti me livrar
Minh'alma desinfetar
Não desejo teu querer bem
Na ausência do fazer bem
Cansei de ceder
De você
De colher o consequente somado ao excedente
Tu não venhas ao meu lar
Nem te convides a entrar
Não suporto observar
Por um minuto o teu olhar
Não consegues perceber
Que recebeste um parecer
Em que a reciprocidade recorreu
A um recesso eterno
Cansei de tentar
De tentar me aproximar
De tentar agradar
A tudo o que houvera de gostar
Não vou me repreender
E assim te dizer
Algo que não vais responder:
Nunca mais quero te ver!
(Trícia Tanaka)




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          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 0 comentários

Fique em paz



Quando eu lembrar de você. Vou lembrar do tempo que tomávamos banho de piscina juntos. Vou lembrar de você subindo na árvore para amarrar a corda do balanço.
Da gente correndo atrás de manga. Dos super saltos que você dava na cachoeira.
Dos passeios de carroça. Do dia que o cavalo empinou e nos quase caímos.
Dos abraços, dos carinhos. Da coca-cola com pipoca doce. De roubar doce da barraca da tia Leda. Das festinha de rua. Do baile de carnaval que você pagou para que eu podesse entrar, mesmo você ficando do lado de fora. Das conversas até a madrugada.
De me levar ao ponto de ônibus...
Quero lembrar de você do tempo em que eramos crianças e que todos os problemas podiam ser resolvidos. Quero lembra apenas disso e nada mais.

Boa viagem e até...

Obrigada pela pichação. Dei uma bronca em você mas a verdade é que gostei.
Te amo!


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