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terça-feira, 4 de outubro de 2016 0 comentários

VÔ JOÃO E SUAS PERIPERCIAS



Já falei para você o quanto eu adorava as tardes passadas na varanda ouvindo meu avô João contar histórias. O que não contei do meu vô é que quando ele se achava com razão ninguém mais a tinha. o velho não aceitava ser contrariado. 

Certa vez passei quase 1 mês juntando dinheiro para comprar uma bermuda de catálogo. Usei apenas uma vez e deixei secando na corda. No fim da tarde quando fui recolher as roupas reparei a bermuda marrom totalmente manchada de azul. Fiquei passada, quis chorar.

Vô joão tinha pintado as cadeira do quintal e precisou de um pano seco para passar querosene e limpar a mãos. Apanhou a primeira coisa que viu pela frente, minha bermuda cara. 

Quando perguntei o porquê tinha feito isso o danado ficou muito zangado e começou a praguejar como fazem os velhos.

Mas vô o senhor não viu que a roupa era de uso, que está nova? 

- Minha filha, vai pra merda e pare de frescura. É só passar uma água que sai.(Vô João embravecido).

Ai eu pergunto á vocês, qual água no mundo seria capaz de tirar mancha de tinta óleo em tecido? 

MEU AVÔ ERA UMA COMÉDIA. 

No próximo post conto o dia que ele passou a espoja de banha de minha avô na bunda e não lavou. KKK
quinta-feira, 18 de abril de 2013 0 comentários

ALMA LUZ




Minha alma tem O peso da luz
Tem o peso Da música
Tem o peso da Palavra nunca dita
Tem o peso de Uma lembrança
Tem o peso de Uma saudade
Tem o peso de Um olhar.
Pesa como Pesa uma Ausência
E a lágrima Que não se chorou
Tem o imaterial Peso de uma Solidão no meio de outras.

(Clarice Lispector)
quarta-feira, 23 de novembro de 2011 0 comentários

BARRACO DE MADEIRA, GENTE DORMINDO NO CHÃO



Continuação...

No fundo vi uma cama de casal cheia de crianças e nela também tinha uma senhora mulata de olhos vivos e bem castanhos. Ela se inclinou e pediu para que eu fosse até ela. Tive dificuldade de passar por entre as pessoas que estavam no chão e todas apesar de caladas me espiavam. Ela me abraçou, me beijou e sorrindo dizendo:
- essa é a minha neta, minha netinha querida. Eu sabia que ela viria.

Tirou minha sandália e me deitou na cama junto com ela. Não tinha sono, mas como de costume fiquei o mais quieta que podia até o sono chegar. Senti saudade da minha outra avó, mas não chorei. Desde sempre a vida me ensinou a ser forte. 

A parti daqui sinto-me obrigada a falar de Theresa minha querida avó. Hoje  falecida, mas foi uma das pessoas que Deus colocou no meu destino para me dar e mostrar grandes lições. Poucas pessoas conheci que sofreram tanto como essa mulher, mas ela era de um dignidade sem comparação. Nem o sofrimento, nem a pobreza extrema, ou mesmo os problemas causados pelo alcoolismo do fim de sua vida, foram capazes de anular sua beleza.

Minha vó foi muito querida por todos. Quase nada tinha de seu, mas nuca se negava a prestar ajuda a quem a pedisse. Pouco pude conhecer de seu passado, porém o que pude ficar sabendo me gela o coração. E mesmo assim ela sempre sorria, sempre tinha um abraço, um carinho. E o mais importante para mim. Foi uma das poucas pessoas que tiveram convivência comigo e nunca tentou de alguma forma me prejudicar, me humilhar ou tirar vantagem disso. Acho que minha avó realmente acreditava que eu era uma princesa. Bom, se eu era uma princesa ela era uma rainha.

Na minha próxima passagem contarei o pouco que sei sobre ela.
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O HOMEM NEGRO NO PORTÃO DISSE QUE ERA MEU PAI






Era noite e um homem alto e negro chamou no portão da varanda. Me afastei e chamei a minha como era de meu costume fazer quando chegava algum estranho. O homem perguntou se eu não o conhecia, se eu não lembrava dele. Disse imediatamente que não e fiquei um pouco assustada. Ele disse que era o meu pai.

Pensei: ????????????
Se fosse hoje o pensamento seria algo como: que Porra é essa?
Bom, era do meu conhecimento que eu tinha um pai, só não entendia muito o que era, e para que servia isso.

Assim que chegou, minha avó mandou ele entrar. Conversaram um pouco sem qualquer sobressalto e depois de algum tempo minha  materna me arrumou com o melhor vestido, penteou meus cabelos, passou perfume e disse para eu sair com aquele homem. Não teve santo para me convencer a sair dali, até hoje não sei se foi por medo do estranho ou por presságio. Porém não teve jeito, minha avó me obrigou a ir.

O homem de cabeça baixa e sem graça disse mais uma vez que era meu pai. Perguntei o nome dele, tive por resposta o nome Carlos. Perguntei a onde estávamos indo, respondeu que iriamos tomar sorvete.
Passamos pela padaria e nada de sorvete. Continuamos a andar.

Ele carregava uma bolsa grande e pesada de duas alças e camuflada hoje sei que era uma bolsa de quartel (militar).
Apanhamos um ônibus. Tive ainda mais medo. Sempre associei ônibus a longas distâncias. Quis chorar e perguntei mais uma vez para onde íamos. Ele disse que estava me levado para conhecer minha outra avó. 

Dessemos do ônibus em um lugar que eu não conhecia e andamos muito. Fiquei cansada. O homem parecia cansado também e trocava a bolsa de um lado para o outro do ombro, a toda hora, mas mesmo assim me carregou no colo por algumas partes do nosso trajeto.

Entramos em uma rua de pessoas muito pobres, cortada transversalmente por um rio e cheia de barracos, muita agitação, muitas pessoas. Entramo em uma viela que ficava de frente para um boteco cheio de bêbados. Fiquei ainda mais assustada. No chão havia algumas tabuas e corria uma água preta e fedida. Até hoje quando passo por esgoto aberto recordo imediatamente desse lugar.

Naquele lugar estreito e fedorento caminhamos até o ultimo barraco que era feito apenas de telha e madeiras.
O homem bateu na porta improvisada, quando essa foi aberta, para a minha surpresa estava cheia de gente, deitadas umas amontoadas sobre as outras e alguns tiveram de se levantar para que eu e o homem pudéssemos entrar.

links indicados: BARRACO DE MADEIRA, GENTE DO

 
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