2c6833b0-77e9-4a38-a9e6-8875b1bef33d diHITT - Notícias Sou Maluca Sim!: voz
Mostrando postagens com marcador voz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador voz. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 25 de novembro de 2014 0 comentários

Você odeia quando ouve sua voz gravada? A ciência explica por quê



A culpa é da sua cabeça: ouvidos captam a voz de quem fala de dois modos, ‘por fora’ e
 ‘por dentro’, e por isso o som dela fica mais grave do que realmente é.

Registre sua voz em um gravador, e você vai achar que o som está agudo demais, talvez até estridente. Acostume-se com isso. Não importa quão avançada será a tecnologia no futuro, não haverá equipamento que faça você ouvir a voz que imagina ter. Por uma razão simples: ela é do jeito que autofalantes emitem, e não como seus ouvidos captam enquanto você fala.

Voltemos um pouco às aulas de ciência dos tempos de escola. Quando uma caixa de som funciona, ela joga no ar vibrações que são captadas pelos ouvidos. Há dentro dele três pequenos ossos chamados martelo, bigorna e estribo – chamados assim porque se parecem com os objetos. Eles recebem as vibrações e as mandam para uma estrutura espiral cheia de fluido chamada cóclea, que por sua vez as transforma em sinais nervosos e os envia para o cérebro. É assim que sua cabeça distingue cada um dos sons e barulhos do ambiente.

O que acontece é que, quando você fala, seus ouvidos captam vibrações de duas maneiras diferentes. Em uma, elas saem pela boca e entram nos ouvidos. Por fora. Na outra, as vibrações das cordas vocais atravessam os ossos do crânio e chegam aos ouvidos. Por dentro.Aí está o “defeito” da sua cabeça. Quando vibrações atravessam ossos, elas perdem frequência e dão a impressão de ficar mais graves. Por isso a voz emitida por um gravador parece ser mais aguda do que aquela que você ouve enquanto fala. Se você odeia como sua voz soa quando a ouve em áudio ou vídeo, melhor desistir e se conformar. Ela é daquele jeito mesmo.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013 0 comentários

A VOZ DO BRASIL




Como ignorar o que está a acontecer no Brasil? 
(Embora, realmente, a pergunta que se impõe seja: 
o que é que está a acontecer no Brasil?)

Tal como as autoridades brasileiras, fui apanhada de surpresa pelos protestos em São Paulo - e depois no Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, e por aí fora. Eu tenho desculpa: com dez dias de férias para gastar, pareceu-me boa ideia desligar do bulício da vida profissional e escapar às solicitações da cidade, e buscar refúgio no interior transmontano português, ver a sombra das nuvens nos montes, ler os meus livros ao som das andorinhas e do rego da aldeia, talvez pegar sinal no celular e talvez não... As autoridades brasileiras não têm desculpa nenhuma: desde o princípio, quase tudo o que disseram e fizeram merece crítica e censura.

Desprevenida, isolada, fui apanhando no noticiário nacional a descrição dos movimentos nas ruas, as manifestações, a repressão, os gritos, e cartazes, as declarações de dirigentes políticos e cartolas esportivos; fui procurando nas redes sociais as impressões, as anedotas, as denúncias, os manifestos, as opiniões, de quem está a viver in loco um momento que sem dúvida ficará registado como histórico na vida brasileira.

De longe, de fora, é difícil ter um retrato completo; é arriscado com informação tão limitada e desconecta consolidar uma posição, emitir uma opinião. Mas certas coisas parecem ser tão óbvias, tão do senso-comum, que é irresistível não as apontar: por exemplo, que o desenvolvimento da sociedade apela inevitavelmente a maior participação e mais democracia; que o exercício da cidadania, em defesa de uma causa justa, pode ser mais poderoso que a mera repetição do voto; que a crise da representação política é um perigoso salto no abismo; que quem se sente desapossado - do espaço público, do debate público, do orçamento público, do serviço público - acabará por fazer ouvir a sua voz e reclamar as suas queixas; que multidões desagregadas, descontroladas, facilmente podem ficar à mercê de interesses difusos...

Poderia continuar, mas não vem ao caso - estas são apenas generalidades; gente bastante mais habilitada do que eu poderá elaborar pensamento concreto que contextualize o fenómeno em curso no Brasil. Dos ecos que fui lendo, ouvindo, vendo, lá bem atrás dos montes, posso falar de uma sucessão de emoções em poucos dias: a surpresa inicial que deu lugar à incredulidade, a curiosidade, a admiração e o orgulho alheio que evoluíram para a dúvida, a desconfiança e a incompreensão. Resumindo, uma confusão.

Nesta altura, mesmo que as faixas digam que "um professor vale mais do que o Neymar" e que o pessoal faça as contas para comparar quantas escolas, quantos hospitais, quantos programas públicos poderiam ser financiados com o dinheiro aplicado nas grandes obras esportivas, quase já nem faz sentido associar o que se passa com o futebol - o da taça das Confederações ou o da Copa de 2014. Só o pessoal da Fifa parece não perceber nada do que está a acontecer: as declarações dos jogadores canarinhos só podem ser aplaudidas.

De resto, basta ver o arrepiante clip dos 60 mil na bancada da Arena Castelão a cantar o hino nacional (e já agora também o fenomenal drible de Neymar para o segundo golo do Brasil) para perceber que "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Se alguma coisa foi clara e cristalina esta semana foi que os brasileiros nunca deixarão de torcer pela sua selecção e que nunca deixarão de amar e sofrer pelo seu país. Querem ganhar a Copa mas, principalmente, querem um país melhor.

Rita Siza é jornalista do diário português "Público", onde acompanha temas de política internacional, com ênfase na América Latina.

RITA SIZA
 
;