Mostrando postagens com marcador jornal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jornal. Mostrar todas as postagens
domingo, 2 de fevereiro de 2014
comunicação,
internet,
jornal,
redes sociais,
rolezinho
2
comentários
REDES ANTISSOCIAIS
A publicação de jornais e revistas on-line abriu um importante canal de comunicação com os leitores. Assim que leem um artigo ou reportagem, eles podem enviar seu comentário sobre o texto ou o assunto de que este trata. Publicado ao pé da matéria, o dito comentário desperta a opinião de outros leitores e, em poucos minutos, está criado um fórum de discussão entre pessoas que nunca se viram, nunca se verão e podem estar a milhares de quilômetros umas das outras.
Ainda bem. Pelo teor de alguns desses comentários, é bom mesmo que não se encontrem. Se um leitor discorda enfaticamente do que leu, pode atrair a resposta raivosa de um terceiro, o repique quase hidrófobo de um quarto e um bombardeio de opiniões homicidas na sequência. Lá pelo décimo comentário, o texto original já terá sido esquecido e as pessoas estarão brigando on-line entre si.
O anonimato desses comentários estimula a que elas se sintam livres para passar da opinião aos insultos e até às ameaças. Na verdade, são um fórum de bravatas, já que seus autores sabem que nunca se verão frente a frente com os alvos de seus maus bofes.
Já com as "redes sociais" é diferente. Elas também podem ser um festival de indiscrições, fofocas, agressões, conspirações e, mais grave, denúncias sem fundamento. E, como acolhem e garantem a impunidade de todo tipo de violência verbal, induzem a que as pessoas levem esse comportamento para as ruas. Será por acaso a crescente incidência, nos últimos anos, de quebra-quebras em manifestações, brigas em estádios, arrastões em praias e, última contribuição das galeras, os "rolezinhos" nos shoppings?
São algumas das atividades que as turbas combinam pelas "redes sociais" --expressão que, desde sempre, preferi escrever entre aspas, por enxergar nelas um componente intrinsecamente antissocial.
RUY CASTRO
Deu no jornal. Beatriz, estudante carioca de 21 anos, é uma dos 100 mil inscritos no projeto da empresa holan- desa Mars One, que se propõe a selecionar 40 pessoas e, destas, despachar quatro para Marte em abril de 2023. Não para tomar sol e flanar pelos canais, mas para morar --o bilhete é só de ida-- e contribuir para criar uma colônia humana no nosso vizinho.
Vizinho, em termos. Marte fica a quase 60 milhões de quilômetros --sua menor distância da Terra-- e a viagem tomará sete meses. Nem a volta do trabalho para casa em São Paulo leva tanto tempo. Para isso, os candidatos a colonos-astronautas terão de suportar oito anos de treinamento, passar por centenas de simulações de voo e pouso e se habituar à miserável dieta que terão de praticar por lá. Diante disso, muitos dos selecionados cairão pelo caminho. Beatriz espera chegar às finais --foi até escolhida para estrelar um documentário promocional sobre a viagem.
Mas temo que essa empreitada exija um tipo diferente de pessoa --alguém que já tenha um razoável histórico de resiliência e dê provas diárias de que suporta agruras, revezes e privações sem perder a pose. Alguém que, certo de suas convicções, enfrente a fúria dos elementos em defesa delas. Enfim, alguém sobre quem não reste a menor dúvida.
O pastor Marcos Pereira, por exemplo. Com seu visual de vilão do cinema mudo --a que não faltam as olheiras de rolha queimada-- e acusado de estupro de fiéis, envolvimento com o tráfico, lavagem de dinheiro, participação em homicídio e arrotar sem motivo justo, ele está certo de que um "homem de branco" descerá das nuvens e o libertará dos aposentos de onde está vendo o sol nascer quadrado. "A cadeia não tem como me segurar", diz.
É de homens como ele que Marte precisa.
RUY CASTRO
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
arquivo,
digitalizado,
hora,
jornal,
jornalismo,
ultima,
wainer
0
comentários
Jornal "Ultima Hora"

Projeto de Digitalização do jornal “Ultima Hora” facilita a vida de pesquisadores ao disponibilizar o acervo de um dos veículos de comunicações mais importantes e controversos da história brasileira
A onda de digitalização de arquivos históricos parece não ter mais fim. Além da revista “Sino Azul” e do estadista e político “José Bonifácio” foram parar na internet, quem agora também está no ciberespaço, facilitando a vida de milhares de pesquisadores em todo o país, é o acervo do antigo jornal carioca, “Ultima Hora” (1951-1971). São milhares de exemplares que ajudam a contar uma parte importante da História do Brasil e também sobre a trajetória de um jornal que ajudou a modernizar a imprensa brasileira.
O fundo do jornal encontra-se desde o ano de 1990 sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Desde 2008, por ocasião da celebração dos 200 anos da imprensa brasileira, seu acerco vem sendo digitalizado e colocado à disposição do público, gratuitamente, na internet. Nesta primeira etapa do projeto foram digitalizadas mais de 36.000 páginas correspondentes a 60 meses do jornal. No site do Arquivo, podem ser consultadas edições de toda a década de 1960 e também dos anos de 1955 e 1956. E não pense que isso foi fácil. Para a realização do processo de digitalização dos exemplares, foi realizada uma parceria entre o Arquivo Público e a empresa de tecnologia AMD, que separaram as edições, limparam, microfilmaram e digitalizaram os arquivos, além de colocá-los na web. Mais de 20 funcionários participaram da operação.
Os exemplares – que pode ser conferido no endereço http://www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital/pesquisa.php - incluem preciosidades históricas, como a morte do presidente Getúlio Vargas, a visita de Fidel Castro ao Brasil, a primeira vez em que o homem pisou a lua, a inauguração de Brasília, o bicampeonato mundial de futebol e o Golpe de 1964, entre outros fatos marcantes do Brasil e do mundo. O time de colunistas que fizeram parte da publicação é grande e conta com nomes como Nélson Rodrigues, Agnaldo Silva, Arthur da Távola, Inácio Loyola Brandão, Jô Soares, Jaguar (caricatura), Juca Chaves, Nelson Motta, Rubem Braga, Walter Negrão.
No total, o fundo é constituído por 160.000 cópias fotográficas, cerca de 700.000 negativos, 2.160 ilustrações originais e uma coleção de jornais. Também compõe o acervo um conjunto de microfilmes produzidos na época de circulação do periódico. O Arquivo do Estado microfilmou os exemplares originais que, com os microfilmes de época, constituem uma coleção quase completa.
A trajetória de um jornal diferenciado
Criado em 1951 pelo jornalista Samuel Wainer, o Última Hora foi política e tecnicamente diferenciado de seus concorrentes da época, como é o caso do jornal O Globo, Jornal do Brasil ou do Diário Carioca. A começar por sua fundação, que deveu muito a ajuda providencial do então presidente Getúlio Vargas. O jornal de Wainer era o único na capital federal, Rio de Janeiro, a apoiar Vargas. Defendeu o presidente brasileiro dos ataques constantes da Tribuna da Imprensa, do jornalista Carlos Lacerda, antigo amigo de Wainer, mas do qual nasceria uma grande inimizade. Aliás, a desavença entre os dois jornalistas na década ao longo de suas vidas expuseram os bastidores da política brasileira da segunda metade do século XX. São histórias e casos inacreditáveis que foram revelados há mais de vinte anos em uma autobiografia deixada por Samuel Wainer antes de morrer, intitulada “Minha Razão de Viver”.
O jornal de Wainer também trouxe inovações de ordem técnicas: manchetes em tipos fortes, destaque a temas antes deixados de lado, além de novidades como concursos e distribuição de prêmios como estratégia para alavancar vendas e sair da crise financeira que sofreu nos primeiro meses de vida. As tiragens cresceram de forma impressionante. Em março de 1952, pouco mais de um ano depois de sua fundação, o Última Hora já chegava a cem mil exemplares.
O jornal trazia inovações em vários setores. Surpreendeu em sua diagramação, com o uso da cor, trabalhada de forma até então inédita. Tais recursos foram de extrema necessidade e importância para o jornal de Samuel Wainer, que tinha que causar impacto para conseguir rapidamente um público cativo e conseguir se manter como uma publicação diária. Sua primeira página chamava a atenção com sua manchete, composta por apenas duas palavras, que ocupava as oito colunas com tipos fortes. Valorizou o suo de fotografias e, por isso, estabeleceu a parceria entre jornalista e fotógrafo tão comum hoje no jornalismo no Brasil.
A cor azul compunha o logotipo, que usava uma tipologia exclusiva, e dois títulos. Isso acabava por manter uma homogeneidade da página que tinha as demais partes impressas em preto. A cor já era utilizada na imprensa, mas coube à Última Hora inovar seu uso, dar maior destaque e importância a este componente. O jornal também se valia de outros recursos gráficos como o uso de setas, o que o tornava muito didático, e fios de diversas espessuras.
Quando o fim chegou...
Alguns momentos foram memoráveis para o jornal. Após o atentado da Rua Toneleros, em Copacabana, Rio de Janeiro, em agosto de 1954, contra o dono do Tribuna da Imprensa, Carlos Lacerda, o cerco contra Getúlio Vargas aumentou. Wainer, a pedido do presidente, fez uma manchete como título “Só morto sairei do Catete”. Que foi modificada para “Ele cumpriu sua palavra: só morto sairei do Catete” , quando, na madrugada do dia 24 de agosto, Getúlio Vargas comete suicídio. A Última Hora publicou ainda um editorial intitulado “Pela ordem”, no qual Wainer pedia a manutenção da ordem para que repressões violentas não ocorressem. A tiragem chegou a 600 mil exemplares e foi o único jornal a circular, pois a distribuição dos demais foi impedida pela população.
Em 1961, a Última Hora continuava crescendo: já possuía cadeia de publicações formalmente organizada que cobria seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Guanabara, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Samuel Wainer era o presidente e Luís Fernando Bocaiúva, seu vice.
Com a chegada da Ditadura Militar, entretanto, o jornal caiu em desgraça, atolado em dívidas e muito mal visto pelos militares, devido às antigas alianças de Wainer com Goulart e Juscelino. Em 1971, Wainer é forçado por dificuldades políticas e financeiras a vender o jornal para a Empresa Folha da Manhã S/A. Mesmo assim, Wainer não desiste de seu projeto. Sem demonstrar orgulho ferido, volta ao seu jornal, mas desta vez como funcionário. O Ultima Hora circular até meados dos anos 1980, quando finalmente saiu de circulação para, parodiando Vargas, entrou definitivamente para a história. História essa que começa a ser contada também em formato eletrônico em uma internet perto de você. Confira esse acervo e conheça a trajetória deste incrível veículo.
Assinar:
Postagens (Atom)



- Follow Us on Twitter!
- "Join Us on Facebook!
- RSS
Contact