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segunda-feira, 26 de agosto de 2013 0 comentários

O PREÇO A PAGAR


Escolher entre os prazeres da mesa e a vaidade 
é de uma crueldade que deve ter sido inventada pelo demônio

UM DOS PRAZERES da vida é comer, comer o que a gente gosta; e depois que a gastronomia ficou na moda, difícil é decidir entre comer de tudo ou viver fazendo dieta a vida inteira. Pode parecer que este é um tema superficial, só que não é; implica fazer uma opção, o que é sempre um tormento.
As tentações estão em todos os lugares: nas fotos das revistas, nas vitrines, numa conversa no telefone. Onde vamos almoçar domingo, recebi um chouriço e aprendi uma receita nova, venha para cá, você traz o vinho, e quem resiste a um convite desses? E dizer não a troco de quê?

A vida é combate, como sabemos; mas escolher entre os prazeres da mesa e a vaidade de ter um corpinho esbelto é de uma crueldade que deve ter sido inventada pelo demônio. É sempre assim: a cada prazer vem imediatamente a conta, aliás, o castigo, como aprendemos com as freiras. Se num único dia você come tudo que não devia, vai precisar de dez a pão e água -aliás, só água- para voltar ao peso antigo, o que é a prova da injustiça da vida. Se viajou por duas semanas, quando chegar vai encontrar a TV sem funcionar, e se estiver tudo na mais santa paz, desconfie. Tem mais: quanto mais maravilhosa tiver sido a viagem, mais dramáticos serão os problemas; talvez o melhor seja filosofar, imaginando que este é o tal do equilíbrio fundamental da vida -dizem.

Estamos cansados de saber que é preciso comer com moderação, beber com moderação, ser sensata ao passar por uma vitrine, não tomar sol demais, não beber demais, não ler demais, para não cansar a vista, não rir demais -muito riso, pouco siso-, não amar demais para não cair do cavalo, não acreditar demais no ser humano para não se decepcionar, mas também não ser totalmente descrente, pois sem acreditar, a vida não tem sentido. Por sensatez, compreenda-se: o mundo quer que se viva de maneira média -e quando se fala em mundo, fala-se dos pais, dos irmãos mais velhos, das leis, das pessoas com juízo; crianças médias não ameaçam a estabilidade da família, esposas com desejos médios não põem em risco o casamento, cidadãos médios são mais fáceis de ser governados. Mas é possível ser sensata e feliz? É possível ficar na praia olhando o relógio para ver se já são 10h, já que a partir daí não se pode mais tomar sol?

Não, não é; viver medindo tudo, para não ser nem de menos nem de mais, ser equilibrada o tempo todo, a vida inteira, não dá. Às vezes é preciso ser radical, em qualquer dos sentidos, e escolher: ou come tudo que tiver vontade ou passa fome; ou bebe tudo que tiver vontade ou toma água. Água, essa coisa tão sem graça, não só pode, como deve.

Uma coisa é certa: seja qual for sua decisão, você vai pagar por ela. Deve haver um lugar no universo onde se possa ter tudo o que se quer ao mesmo tempo, sem precisar contar as calorias, pesar, medir os prós e os contras, e sem pagar o preço.

Tem alguma graça ganhar uma caixa de chocolates e comer civilizadamente só um ou dois? E sentir de repente uma paixão daquelas incontroláveis e se conter, quando sua vontade é ir para o fim do mundo, se fim de mundo houvesse, e fazer tudo, absolutamente tudo que tem vontade, mandando às favas a tradição, a família, a propriedade e o que mais for preciso? Qual a relação entre uma caixa de chocolates e uma paixão? Teoricamente, nenhuma.

Só que as duas, depois que acabam, costumam deixar uma mulher devastada. No corpo ou na alma.

DANUZA LEÃO
sexta-feira, 2 de março de 2012 0 comentários

Eu tenho um capeta dentro de mim!


Todos os dias a partir das 9:00h da manha vizinha liga o seu som no volume mais alto para louvar ao Senhor. Nesse momento ela incorpora o espirito baladeiro, dai ela louva freneticamente. Tão freneticamente e alto que literalmente as paredes e o chão da minha casa treme.

A necessidade do som no último volume de ser para que o Senhor possa ouvir e curtir o louvor láááá do céu.
São tocadas músicas muito bonitas em voz quase líricas, mas depois de ouvir mais de 10 vezes a mesma música e no mesmo dia só consigo pensar em uma cabra sendo comida por um bode ou algo assim.

Os falsetes me hipnotizam. E fico ali mesmo sem querer prestando atenção e numa dessas quase entrando em transe cheguei a um dado estatístico: para cada um 1 palavra como Deus, Jesus... temos 8 palavras demónio, capeta ou afins.
Porém isso não é culpa minha, como boa cristã eu deveria está achando tudo o máximo, mas tem um capeta dentro de mim que está achando essa música alta o tempo todo um saco. . Ele fica insistentemente dizendo que eu poderia está ouvindo uma outra música que mais me agrade como as canções de Chico Buarque, poderia está assistindo a um bom filme, lendo um livro, estudando, ou simplesmente desfrutando do bom e velho silêncio.

O louvor ao Senhor está me impedindo de realizar coisas simples a qualquer mortal.
Senhor tende piedade desse capeta dentro de mim ele é gente boa. Eu admito não posso contigo. Não estou mais suportando o louvor de 9:00h da manhã as 22:00h.

Por favor Senhor
pega leve comigo e substitui o louvor por um vizinho funkeiro é menos doloroso!
quinta-feira, 16 de setembro de 2010 0 comentários

VULCÃO




Eu sou um vulcão ardendo em chamas, mas sou de natureza fria.
Ainda não raspei e nem lixei toda a tinta que me pintaram. Consegui sim, me arrancar da parede e desfazer a moldura, mas ainda tenho muitas tintas.

Durante a luz sou uma pomba branca trazendo a paz, mas não se esqueça que pombos também trazem doenças, posso me transformar rapidamente em ave de rapina e trazer a sombra de uma noite escura.

Não sou anjo e nem demônio, sou tinta rachada de pinturas mal feita. Entro em erupção com facilidade e consigo me acalmar em plena tempestade. Crio raízes, mas não posso ficar no quintal de sua casa, posso destruir o alicerce dela.
Tudo isso sou eu se você for tudo isso comigo! Caso contraio, sou só uma predadora nata.

Nadja Zanovitch.

Fonte:Eu Sou uma Bruxa
 
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