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domingo, 10 de novembro de 2013 1 comentários

A LENDA DO UIRAPURU

 

CARACTERÍSTICAS E CANTO


O nome Uirapuru aplica-se a vários pássaros da mesma família: uirapuru-de-peito-branco; uirapuru-veado; uirapuru-de-asa-branca; e o uirapuru-verdadeiro.
Esse tipo de pássaro é conhecido, também, como corneta, ou músico. Entretanto, o termo Uirapuru refere-se ao uirapuru-verdadeiro.

O Uirapuru é uma ave pequena de aproximadamente 12,5cm, de plumagem pardo-avermelhada e bem simples, tendo às vezes, nos lados da cabeça, um desenho branco. Tem bico forte, pés grandes e de comportamento irrequieto, movendo-se rapidamente no meio da folhagem ou do solo.
Pássaro típico da Amazônia e raramente visto, pois vive habitualmente na parte mais alta das copas das árvores da selva. Alimenta-se de frutas e insetos.

Durante o ano todo, o Uirapuru canta apenas cerca de quinze dias, pois seu cantar longo e melodioso só acontece para atrair a parceira para o acasalamento e durante a construção do ninho. Cantos que duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer.

O canto do Uirapuru ecoa na mata virgem com um som puro e delicado, como o de uma flauta. Parece ser emitido por uma entidade divina. Quando canta o uirapuru, a floresta silencia. Todos calam para reverenciar o mestre, todos seduzidos pela beleza do seu trinado.

Quem tiver o privilégio de ouvir seu canto, jamais o esquecerá.

 

A NARRATIVA SOBRE A PAIXÃO DO JOVEM ÍNDIO


Existe a lenda amazônica sobre o Uirapuru. Nos registros existem, basicamente, duas narrativas, entretanto, ambas revelam que a origem do Uirapuru foi a compensação dada pela divindade ao grande sofrimento causado por amor de impossível realização.
Uma das narrativas conta que um jovem índio apaixonou-se perdidamente pela esposa do grande cacique da tribo. Incapaz de viver este amor impossível pediu a Tupã, que o transformasse em ave, para amenizar a sua dor. Desde então, às noites, passou a cantar bela melodia, para fazer a sua amada dormir.

O cacique ficou tão fascinado pelo canto que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru voou para a floresta e o cacique, na perseguição, nela se perdeu para sempre.
Todas as noites o Uirapuru voltava para acalentar os sonhos do seu amor, esperando, também, que um dia, a índia pudesse reconhecê-lo e despertá-lo do seu encanto.

 

A NARRATIVA SOBRE A PAIXÃO DE DUAS ÍNDIAS


A outra narrativa conta que duas índias muito amigas apaixonaram-se pelo mesmo guerreiro da tribo. A história do amor das duas se espalhou pela aldeia, e os mais velhos resolveram perguntar ao índio qual das duas ele amava. A resposta surpreendeu a todos , confessou seu amor pelas duas.

Pelas tradições da tribo não era permitido o casamento com as duas índias e, assim, o conselho de anciões da tribo decidiu: “o guerreiro casaria com aquela que primeiro conseguisse flechar um marreco voando”.

O casamento foi realizado. A índia que perdeu foi ficando cada vez mais triste, pois não suportava a impossibilidade de realizar seu grande amor e a saudade da amiga Procurou um lugar distante e começou a chorar. Chorou tanto, que suas lágrimas se transformaram num riacho.

Inconformada com aquela situação implorou a Tupã para ser transformada num pássaro.
Tupã compadecido atendeu-a dizendo: “de hoje e para sempre serás o Uirapuru. Terás um canto tão lindo e harmonioso que te livrarás de teu sofrimento. Quando cantares a floresta silenciará”.

 

SUPERSTIÇÕES


Devido às lendas, uma pena ou um pedaço do ninho, ou o próprio uirapuru, mesmo morto, são tidos como precioso talismã ao amor.
Nesse mundo de desencontros, o homem tornou-se o maior predador do uirapuru-verdadeiro, por acreditar que, por meio dos poderes atribuídos ao pássaro, realizará seus sonhos de amor.

A tendência é o desaparecimento dessa crendice pois , mais cedo ou mais tarde, entenderemos que os poderes atribuídos ao pássaro, existem no interior de cada um de nós. Esses poderes não são nada mais do que nossa capacidade de amar, capaz de realizar todos os sonhos  de amor, até mesmo os considerados impossíveis.

“Uirapuru”  são nossas rimas e nosso canto, sem quaisquer pretensões de silenciar a floresta, mas  a de registrar  mais uma das encantarias do imaginário amazônico.




FONTES:
Livro "Cultura Amazônica" de João Paes Loureiro; e dos
Sites: shvoong.com/humanities; portalamazonia.globo.com; saudeanimal.com.br; uirapuru.agr.br; contoselendas.blogspot.com.
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SONHO DO MACACO QUE ERA PASSARINHO

Vou contar para vocês mais um dos meus sonhos malucos.

Dessa vez sonhei que estava vivendo na mesma casa que a minha mãe. Ela estava na varanda com o ultimo ex-marido e eu caminhava em direção a saída quando vi um pequeno macaco passando por cima do muro. O animal andou até parar na minha frente e entrar em um tipo de casinha, como as feitas para marionetes. Minha mãe apontava para o animal chamando minha atenção e achei -o muito estranho, pois era colorido certos momentos parecia ter plumas e macaco não tem pena.
Dentro da casinha olhando para mim o macaco começava a balançar o corpo e a cantar uma melodia.
Fiquei assustada com um bicho bonito e estranho, não sabia se queria me fazer mal ou bem. Mas sei que não era o que parecia ser. Apesar de um certo medo não consegui sair do lugar e fiquei assistindo.

A MELODIA QUE O MACACO CANTAVA É A DO VIDEO ABAIXO.



Se alguém poder me ajudar a interpretar esse sonho é só deixar comentário.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 0 comentários

SENHORAS E SENHORES: Beto Guedes


Beto Guedes
De Montes Claros, Minas Gerais, para o Mundo
[1951]
 Beto Guedes. Aniversário de um ano
de vida.


"Quando entrar setembro/ e a boa nova andar nos campos/
quero ver brotar o perdão/ onde a gente plantou/ juntos outra vez.

Já choramos muito/ muitos se perderam no caminho/ a lição/ sabemos de cor/ só nos resta aprender".

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos)


Beto Guedes não nasceu em setembro, nasceu em agosto, exatamente no dia 13, do ano 1951.

Tantas canções, tantos chorões herdados de seu pai, tantos e tantos compositores amigos, letristas, a falar aqui de Ronaldo Bastos e Fernando Brant, primeiro parceiro amigo na composição de Feira Moderna, música classificada para V Festival Internacional da Canção. Não venceu com sua música, mas , ela, a música, venceu os anos por vir, sendo executada até os dias de hoje nas rádios, na voz do próprio Beto Guedes, com o arranjo original e por vários músicos e cantores da atualidade. Sua vida musical, o grupo (posso dizer assim) Som Imaginário, que na verdade, era um grupo de músicos, que encontravam, compunham e tocavam pra valer, tendo também como integrante, o saudoso Zé Rodrigues, o som perfeito de Nivaldo Ornellas, Wagner Tiso, amigos que hoje fazem parte do Grupo de pop rock "Roupa Nova", mais quem ia vindo para se juntar ao Som Imaginário. Eram uma família de idéias e sonhos.
                                                A Página do Relâmpago  Elétrico
                                                             O primeiro LP.


"Abre a folha do livro/ que eu lhe dou para guardar/ e desato o nó dos cinco sentidos/ para se soltar"

Assim começa a letra da faixa 1, do LP "A Página do Relâmpago Elétrico". Título e letra completamente inusitadas para época de 70, em pleno regime militar, apesar de Beto Guedes nunca ter escrito uma música que falasse diretamente ao regime, à ditadura, mas, nas entrelinhas, estava a folha do livro aberta para pessoas, gente, habitantes brasileiros com um pouquinho de inteligência de percepção. Soltar os sentidos nada mais é que, liberte-se primeiro dentro de si, logo em seguida, junto de seus amigos pensantes (Fernando Brant, por exemplo), para depois cantar aos quatro ventos sem que a burrice comandada viesse calar-te.

Filho de pai "Chorão", criado entre as músicas de prazer sem fim, Beto Guedes não quis apenas ficar em sua terra natal. Necessitava de mais, clamava em seu íntimo por mais, sem deixar de lembrar sempre, em toda a sua carreira, o berço responsável para sair e casa e vir para a capital mineira, Belo Horizonte, longe ainda de seus ideais; o eixo Rio / São Paulo, onde tudo acontecia.
















Porém, fez morada em Belo Horizonte, nos apartamentos do Edifício Maleta, conjunto habitacional no centro da capital mineira, que, por sorte de muitos viajantes do tempo, havia ali, na época, e, ainda há, a famosa "Cantina do Lucas", no térreo do famoso edifício, onde, intelectuais, poetas, sociólogos, músicos, compositores, escritores, elite, instrumentistas, malucos beleza de todos os cantos, se encontravam para descobrir o novo e fazer do novo, uma atitude, um projeto-sonho, verdadeiro de vida para cada um, sem exceções. Ninguém estava ali , como também o crunner Milton Nascimento, Nivaklo Ornelas, Lô Borges, Noveli, Ronaldo Bastos, Toninho Horta, Zé Rodriguez, Fernando Brant, Márcio Borges, Vermelho, Flávio,  toda uma turma de malucos do bem, somente pelo fato de encontrar alguém, e , sim, encontrar o caminho, a poesia, a música de acordes mirabolantes com sentido melódico perfeito, que acabaria virando o famoso Clube da Esquina, de todos, porém, não na cantina do amável Lucas, mas nas esquinas de tantas ruas de Belo Horizonte, Montes Claros meu segredo, Minas Gerais, meu Amor de Índio.

                                         Diante das câmeras. Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.
                                                                       A consagração

Há canções e há momentos. Beto Guedes soma os, e, as em um nota só para o mundo das canções de amor, das canções de repensar, das canções de outrora, numa casinha de palha, naquela feira moderna, nos contos da lua vaga e porque não no Sal da Terra.

O LP - Beto Guedes - Sol de Primavera, fez de Beto Guedes e de todos que ouviram todas as suas canções até então, uma coisa só: Eis aí, eis aqui, Beto Guedes, admirado, respeitado, criticado pela sua voz única (faço saber que ele canta o que ele compõe) de bebé chorão, como chegou a declarar uma revista de grande circulação no país, a Veja: "O Bebé chorão que deu certo" , já falando deste LP, o Sol de Primavera.
Poucos (na revista veja, por exemplo) esquecem quando o cantor e compositor, coloca em sua música, verdades em forma de belas melodias, como a Canção do Novo Mundo que diz, para o mundo ouvir, como pode um simples canalha mata o rei em menos de um segundo.  Outra faceta nas canções de Beto Guedes, posso citar sua tristeza de saber, de ver, que em "agora eu sou uma estrela", na voz de Elis Regina, partir tão cedo, escrevendo em sua canção No Céu com Diamantes a frase dedicada dói, de tanto medir a distância, saber que não vou te tocar, além da lembrança...Te conhecer, foi saber o melhor...virou a nossa estrela no céu...voz de tal firmamento.










Beto Guedes hoje.

O menino de Montes Claros, filho de Godofredo Guedes, músico e compositor "chorão e seresteiro", veio para ganhar o mundo. Gravou com Zizi Posse, Milton Nascimento, Boca Livre, 14 Bis, MPB4, Paula Toller, Kid Abelha, Zé Renato, Tavinho Moura, Roupa Nova, isso, para citar alguns, da mesma maneira que os mesmos citados, gravaram Beto Guedes.

Todos fizeram de Beto Guedes, um amor de índio, onde tudo que move é sagrado e remove as montanhas com todo cuidado, meu amor. A "massa" que faz o pão, faz a luz do teu suor. E todos soaram as canções de Beto Guedes.

FONTE:  Marcelo Ponteio-http://www.marceloponteio.com.br/
*Fotos: Google.




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