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sexta-feira, 31 de março de 2017 0 comentários

BEBER TODA TERNURA





Não ter morada
habitar
como um beijo
entre os lábios
fingir-se ausente
e suspirar
(o meu corpo
não se reconhece na espera)
percorrer com um só gesto
o teu corpo
e beber toda a ternura
para refazer
o rosto em que desapareces
o abraço em que desobedeces

Mia Couto
quinta-feira, 30 de março de 2017 0 comentários

O INSTANTE ANTES DO BEIJO



Não quero o primeiro beijo:
basta-me
O instante antes do beijo.

Quero-me
corpo ante o abismo,
terra no rasgão do sismo.

O lábio ardendo
entre tremor e temor,
o escurecer da luz
no desaguar dos corpos:
o amor
não tem depois.

Quero o vulcão
que na terra não toca:
o beijo antes de ser boca.

Mia Couto
quarta-feira, 23 de outubro de 2013 0 comentários

OS LÁBIOS QUE NÃO BEIJEI



Nostalgia. Esta palavra às vezes soa feia, dolorosa. Odeio sentir nostalgia, querer incondicionalmente que um momento no tempo e no espaço se repita; pior, não apenas se repita como tenha um desfecho diferente do ocorrido na realidade. Senti nostalgia por causa de uma ragazza que tentei beijar numa boate, numa sexta-feira de inverno no hemisfério norte.


Eu já estava na boate quando ela chegou. Estrategista, esperei que ela entrasse no clima antes de abordá-la. Havia observado-a durante a semana e me interessado pelo corte de cabelo meio punk que usava. Negros, curtos e com parte da lateral raspada. Cabelo de quem tem algo a dizer. Falei isso pra ela durante o flerte. Ela deve ter gostado, porque começamos a dançar juntos. Cheek to cheek …


Afoito, tentei beijá-la. Ela desviava os lábios, recusava bebida, mas continuava a me abraçar. Margarida era o nome dela. Margarida, eu dizia, imitando a entonação italiana. Marco, respondia ela, ignorando a letra S a pedido meu.


Por várias vezes tirou a bebida das minhas mãos. Por um momento falei que por ela não beberia nunca mais. Falou que não trabalhava na Itália, e disse sim quando a chamei para morar comigo no Brasil. Acariciava minhas costas, meu cabelo, mas continuava a evitar meus lábios. Elogiei seus olhos, seu cabelo exótico, seu nome. Ela me mostrou algumas das suas oito tatuagens, explicou o significado de duas delas e perguntou se eu tinha alguma. Respondi que tatuaria o nome “Margarida”. Ela, claro, não acreditou e repetiu a frase que me dizia desde o início do contato: “you are a badboy”. Nunca uma frase simples com pronúncia elementar havia soado tão bonita. “You are a lier, you are a badboy”, dizia ela, com um apaixonante sotaque italiano. Eu respondia em italiano pré-elementar porém sincero e apaixonado: “piu bella ragazza”.


Margarida perguntou minha idade e disse que faz pilates e yoga. Perguntei se ela casaria comigo. Ela aceitaria, mas sem filhos. Concordamos em ter um cachorro. Nos abraçamos, meus dedos se perderam em seus cabelos, mas os lábios não se tocaram. Ela sabia que aquela era minha penúltima noite por ali e dentro de dois dias eu embarcaria de volta ao Brasil. Passou para mim o número do seu telefone e pediu que eu ligasse ou mandasse mensagem no dia seguinte. Fomos embora juntos e rachamos um táxi. No outro dia mandei uma mensagem, sem resposta. Mais tarde, telefonei e não fui atendido.


No dia seguinte, já com as malas fechadas, resolvi mandar outra mensagem de texto para ela. Só para que ela lembrasse de mim. Escrevi uma breve despedida e o trecho da música de uma banda dos anos 90, Semisonic. O trecho falava de um sorriso secreto que ela teria só para mim. Não esperava resposta, apenas que ela visse a mensagem e se lembrasse, por alguns minutos, da noite que passamos juntos.


Para o meu azar, ela respondeu. Com um verso adaptado da música “We Are Young”, desejou-me boa viagem e escreveu que iria sorrir para mim. Golpe baixo. Voei horas pensando nela. Fiquei aguardando a conexão com a italianinha de cabelo punk na cabeça, torcendo para que ao voltar ao Brasil ela fosse apenas uma recordação distante.

De volta pra casa, recuperando-me da jet lag, fui resolver questões inadiáveis do cotidiano. Para mim, o trabalho é um bom antídoto para curar síndrome do coração partido e certamente uma série de obrigações enfraqueceria a presença da ragazza na minha mente.


A possibilidade de esquecer da italiana que não beijei me motivava a empreender essas atividades ordinárias. Parecia funcionar. Ações como desfazer as malas, separar roupas para lavar e pagar contas ofuscaram a presença da moça em minhas lembranças. Já me considerava curado quando fui verificar meu saldo bancário pela internet.


Ao acessar, descobri que tinha uma nova gerente de relacionamento. O nome dela: Margarida…

MARCOS SACRAMENTO
sábado, 9 de março de 2013 0 comentários

TENSÃO...




Em cinco minutos é possível colocar em prática algumas idéias que te ajudarão a aliviar a tensão em qualquer lugar.

Toque os lábios
Eles são dotados de terminações nervosas que ativam o sistema nervoso parassimpático e propagam ondas calmantes pelo corpo. É por isso que comer e beijar têm poder
tranquilizante, entendeu?

Tire o sapato
Como os pés são repletos de terminações nervosas, pisar descalça no chão ou massageá-los energiza e equilibra o organismo, todo representado por pontos sensíveis na planta e nos dedos. Ao chegar em casa, no auge do stress no trabalho, durante uma viagem longa, liberte seus pés e relaxe.

Fonte: MdeMulher



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