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sexta-feira, 10 de maio de 2013 0 comentários

OMULÚ- O Principio curador



“Oh, Omulú, Mestre da Vida! Proteja seus filhos para que suas vidas sejam marcadas pela saúde.
Eu te suplico, mestre! Me ajoelho diante de Teu poder imenso, pois meu corpo está enfermo, minha alma está imersa na amargura de um sofrimento que me destrói lentamente.
Tome meu corpo e minha alma em teus braços, vós que és o limitador das enfermidades, que és médico dos corpos terrenos e das almas eternas.
Suplico sua misericórdia aos males que me afetam. Que suas chagas abriguem minhas dores e sofrimentos. Se achares porém, que ainda não terminou minha missão nesta encarnação, encoraja-me com o exemplo da tua humildade e da tua resignação. Revigora meu espírito para que possa enfrentar e me curar todos os males e infortúnios da matéria. Alivia meus sofrimentos, para que levante deste leito e volte a caminhar. Atotô meu Pai! Salve Omulú.”

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OXUM - AMOR DIVINO



"Salve Oxum, dourada senhora da pele de ouro, bendita são tuas águas que lavam meu ser e me livram do mal.
Oxum, divina rainha, bela Orixá, venha a mim, caminhando na lua cheia, trazendo em suas mãos os lírios do amor de paz.
Torna-me doce, suave e sedutor como tua és.
Oh! Mamãe Oxum, poteja-me, faça que o amor seja constante em minha vida, e que eu possa amar toda a criação de Olorum.
Proteja-me de todas as mandingas e feitiçarias.
Dai-me o néctar de sua doçura e que eu consiga tudo o que desejo: a serenidade para agir de forma consciente e equilibrada. Que eu seja como suas águas doces que seguem desbravadoras no curso dos rios, entrecortando pedras e se precipitando as cachoeiras, sem parar nem ter como voltar a traz, apenas seguindo meu caminho. Purifique minha alma e meu corpo com suas lágrimas de alento. Inunda-me com sua beleza, sua bondade e seu amor, enchendo minha vida de prosperidade. Ora iêiê ô! Sarava Oxum!”

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IANSÃ




"Iansã, grande guerreira, Orixá dos raios e dos ventos, ajude-me com sua energia a vencer as lutas e as dificuldades.
Oyá, senhora dos ventos e das tempestades, coloco em tuas mãos minhas ações, meus desejos e preocupações.
Em tua Luz, consagro todos os minutos e horas do meu dia, para que eu compreenda todo bem que precise fazer, e tenha força para não ceder ao mal que venha bater em minha porta.
Que eu seja mais fraterno, compreensivo e capaz de perdoar.
Guie meus passos no caminho do bem e do amor; e que hoje, mais que ontem, possa contar com suas orientações e bênçãos. Com sua espada haverei de cortar a inveja e a falsidade de meus inimigos. Retirai as vendas que me impedem de enxergar a verdade. Com a força de seus raios, peço que acenda a chama da vida aos desenganados e dê a força necessária para que continuem lutando na busca da cura de seus males. Êpa, Hei! Sarava Iansã!”

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XANGÔ- A Justiça



"Meu Pai Xangô, o Senhor que é Rei da Justiça, faça valer sempre a vontade Divina, purifique minha alma nas águas de sua cachoeira.
Se errei, conceda-me a luz do perdão.
Faça de seu peito largo e forte meu escudo para que os olhos de meus inimigos não me encontrem.
Empresta-me sua força de guerreiro para combater a injustiça e a cobiça.
Que seja feita a justiça para todo o sempre.
Conceda-me a graça de receber sua luz e sua proteção.
Minha devoção te ofereço. Kawô Kabecile! Salve Xangô!”

quarta-feira, 8 de maio de 2013 1 comentários

OXOSSI- O conhecimento


CULTURA AFRO


"Meu Pai Oxóssi, vós que recebestes de Oxalá o domínio das Matas, de onde tiramos o oxigênio necessário à manutenção de nossas vidas.
Inundai meu corpo com vossa energia curando meus males.
Vós, que sois protetor dos Caboclos, dai-lhes a vossa força, para que possam me transmitir toda pujança e a coragem necessária para suportar as dificuldades a serem superadas.
Dai-me paciência, paz de espírito e tranqüilidade para superar todas as ingratidões e calúnias.
Dai-me a sabedoria necessária para transmitir uma palavra de alento e conforto à todos aqueles que estejam sofrendo as enfermidades e aflições deste mundo. Dai-me vossa proteção através de seus Caboclos, que num gesto de humildade, baixam até nós, trazendo toda vossa vibração. Okê Caboclo! Sarava Oxóssi!”
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YEMAnJÁ - A vida

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CULTURA AFRO

"Yemanjá, grandiosa mãe, que os movimentos das ondas transmitam sua paz e seu amor.
Derramai seus fluidos vitais sobre mim purificando meu espírito e meu corpo, para que quando estiver fraco, me sinta protegido no aconchego de vossos braços.
Quando estiver afogado em meu orgulho e arrogância, me torne humilde e benevolente perante sua bondade e grandeza.
Que os doentes recebam de vós, minha Santa Rainha, a cura através das emanações de vossas vibrações vitais.
Que a força de vosso reino seja para mim, um escudo contra as más influências.
Que o vosso sagrado manto agasalhe e traga calor a todos os necessitados. Senhora tende piedade de tantos, que como eu, vos invocamos nesse momento, que vossa misericórdia se estenda a todos os reinos de Olorum. Odo Yá! Salve Yemanjá."
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OGUM- O equilíbrio


CULTURA AFRO




"Ogum meu pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem a Vós em forma de prece.
Que esta prece corra o mundo e chegue aos necessitados em forma de conforto a suas dores.
Que corra os quatro cantos da terra e chegue aos meus inimigos em forma de brado de advertência, pois sei que sendo seu filho e nada tenho a temer.
Ogum, Padroeiro dos Agricultores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis, como o trigo que cresce e alimenta a humanidade.
Ogum, Senhor das Estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor de seu exército e que em minhas caminhadas só haja vitórias. Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja vitorioso, sendo Vosso filho conheço as batalhas, e sei que ao Seu lado a minha vitória será certa. Ogum, meu grande pai e protetor, fazei que meu dia de amanhã seja tão bom quanto o de ontem e hoje; que minhas estradas sejam sempre abertas; que eu trabalhe para que em meu jardim só hajam flores; que meus pensamentos sejam sempre bons e aquele que me procurar consiga sempre o remédio para seus males. Senhor dê luz aos meus inimigos, pois me perseguem porque vivem nas trevas. Pai livre-me das pragas, das doenças, da inveja, da mentira e da vaidade, que só me levam a destruição. Ogum Iê! Sarava Ogum!"

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OXALÁ- o EQUILIBRIO E A FÉ



Cultura Afro


"Oxalá, divina manifestação do bem, Senhor da perfeita sabedoria e do bendito amor.
Oh Pai! Vós que recebestes o poder do supremo doador para tudo e todos, protejei-me das ciladas ilusórias do mundo enganador e despertai-me para a realidade da vida imortal.
Sois a imaculada irradiação do altíssimo, Vosso nome é maravilhoso e compassivo, me guie com ternura e esperança para Aruanda, cidade da Luz.
Eu venho a Vós, preso na mais grosseira materialidade e afogado em sentimentos inferiores, arrependido rogo-te pela salvação de minha consciência.
Junto a Vós, trilho por caminhos iluminados, porque Sois a divina pureza acolhedora e misericordiosa. Santo nome envolva-me em sentimentos fraternos de real amor, afim de que chegue até Vós. Oxalá, meu pai, tende pena e compaixão de mim. Êpa, Babá! Salve Oxalá!”
terça-feira, 23 de abril de 2013 1 comentários

A TRISTEZA DOS ORIXÁS


“Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência uma verdadeira reflexão. Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha se escondido nesse dia e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu–se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram–se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Yemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração: - Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? - ralhou Yemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.

 - Desculpe, sabe, ando meio ocupado - Respondeu um triste Ogum. - Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste. - É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãezinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles… Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria vida por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida. Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, à direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna. Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que se utiliza de sua espada para resolver qualquer situação.

 E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer os trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muita das vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso se torna uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual. Isso magoava Ogum. Como magoava. Continuou Ogum: - Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade?

A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando–a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição. Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulú apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não aguentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra ela. Magoava-se por sua falange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua Falange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo se via o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que se irradia de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica aquela que recolhe todas as almas que se perderam na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem-se disso.

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir-se de suas vestimentas sagradas, além de as deixarem ao pé de Yemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isso em respeito a Ogum e Omulú, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxóssi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém se lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro. Um a um, todos foram despindo-se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Yemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exú. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado pela Pomba-gira, sua companheira eterna de jornada. Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam-se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor! E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Yemanjá. Despiram–se de tudo. Exu e Pomba-gira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando-o a figura do Diabo: - Há, há, há, lamentável essa situação, há, há, há, lamentável! - Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.

Yemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer: - Espere! - pensou Yemanjá - Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação. E logo Yemanjá colocou-se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou–se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também se despiu de sua roupa sagrada, pra igualar-se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

- Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse, às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade
verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e nos buscam dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos.

Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir… Quando Oxalá calou-se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos eram os que os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros se juntariam nesse ideal. E aquilo os alegrou tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram-se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, preto-velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também se despiram e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás. Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem-aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram suas armas. Apenas sorriam e se abraçavam. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pomba-giras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz. Miríades de espíritos foram retiradas do baixo-astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador.

E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente. Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou-se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as agrégaras de paz e luz deram-se as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos se esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem-se disso. E quanto a todos aqueles que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem-se das palavras de Oxalá ditas linhas acima. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não têm olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem-se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado. Os honrem. Sejam luz, assim como Eles! Axé ê o babá.”


Autoria Espiritual: Vovó Maria Conga
Transcritor: Humilde e desconhecido
Local: Algum terreiro da Bahia





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OGUM -EQUILÍBRIO (cultura afro)



Ogum é o Orixá guardião do ponto de força que mantêm o equilíbrio entre a Luz e as Trevas, entre o Positivo e o Negativo, a Paz e as Discórdias, por isso é chamado “O Senhor das Demandas” e é conhecido como Orixá da guerra.

"Ogum meu pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem a Vós em forma de prece.
Que esta prece corra o mundo e chegue aos necessitados em forma de conforto a suas dores.
Que corra os quatro cantos da terra e chegue aos meus inimigos em forma de brado de advertência, pois sei que sendo seu filho e nada tenho a temer.

Ogum, Padroeiro dos Agricultores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis, como o trigo que cresce e alimenta a humanidade.
Ogum, Senhor das Estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor de seu exército e que em minhas caminhadas só haja vitórias. Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja vitorioso, sendo Vosso filho conheço as batalhas, e sei que ao Seu lado a minha vitória será certa. 

Ogum, meu grande pai e protetor, fazei que meu dia de amanhã seja tão bom quanto o de ontem e hoje; que minhas estradas sejam sempre abertas; que eu trabalhe para que em meu jardim só hajam flores; que meus pensamentos sejam sempre bons e aquele que me procurar consiga sempre o remédio para seus males. Senhor dê luz aos meus inimigos, pois me perseguem porque vivem nas trevas. Pai livre-me das pragas, das doenças, da inveja, da mentira e da vaidade, que só me levam a destruição. 

Ogum Iê! Sarava Ogum!"

Toda proteção aos meus amigos.




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