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quinta-feira, 15 de novembro de 2018 0 comentários

MORTO E ESQUECIDO



Eu procuro dizer o que sinto e o que penso. Isso é muito duro, o sujeito ter um mínimo de autenticidade. 
É preciso todo um esforço, toda uma disciplina, todo um ascetismo, toda uma paciência beneditina porque nós somos os falsários.

O homem falsifica valores, falsifica gestos, falsifica sentimentos. O homem se falsifica pros outros, o homem se falsifica prá si próprio, de forma que o sujeito que consegue um mínimo de autenticidade, esse é um herói. E eu me sinto de vez em quando um pouco herói porque acho que conquistei esse mínimo de autenticidade. E não estou realmente ligando para o que digam agora de mim e para o que irão dizer depois. Eu acho que os cretinos contemporâneos e os cretinos do futuro se equivalem, portanto a posteridade não me interessa em nada.

Se eu tiver de ser esquecido e creio que vou ser esquecido, digo, sem charme que morto esquecido é o único que realmente descansa em paz.

-Nelson Rodrigues, dans "O Óbvio Ululante: Primeiras Confissões."

quarta-feira, 8 de novembro de 2017 0 comentários

O QUE SE SENTE ANTES DA MORTE? ISSO É O QUE SABEMOS...



A morte é um desses enigmas para os quais é impossível organizar uma resposta definitiva. Aceitar e assimilar a ideia de um final absoluto não é fácil. Por isso se trata de um conceito que provoca medo, apreensão ou curiosidade, em qualquer caso. Embora saibamos pouco sobre ela, trata-se de uma experiência pela qual todos vamos passar inevitavelmente algum dia.

As primeiras respostas relacionadas à morte foram proporcionadas pela religião. Talvez a morte (o ponto a partir do qual ninguém deu depoimento) seja exatamente uma dessas razões pelas quais as religiões nascem e se mantêm ao longo do tempo. Muitas delas aceitam a existência de um espírito que transcende a vida biológica e que está em um mundo paralelo, o qual é invisível, imperceptível, mas que está lá, esperando por nós (ou por quem merecer).

“A morte é algo que não devemos temer, porque enquanto estamos vivos ela não existe, e quando existir, nós não estaremos mais vivos.”
-Antonio Machado-

A ciência também tentou decifrar esse enigma. Embora existam muitos cientistas que possuem crenças religiosas, formalmente a ciência trata o homem como um ser puramente biológico, cuja única existência não vai além das batidas do coração. A física quântica explorou outras perspectivas, como a dos universos paralelos, mas até agora tudo não passa de hipóteses.

A ciência progrediu na compreensão de todos os processos físicos e psíquicos que envolvem a morte. Exatamente para ampliar a compreensão desses aspectos, foi realizado um estudo nos Estados Unidos e os resultados foram muito interessantes.

Uma pesquisa sobre a morte

Muitas pessoas já se perguntaram alguma vez o que se sente antes de morrer. Como acontece esse momento de desprendimento da vida? Dói? Envolve sofrimento? O medo de dar o passo definitivo em direção ao desconhecido nos invade por completo? Realmente vemos toda a nossa vida passar diante dos nossos olhos em um segundo?

Para responder a essas perguntas um grupo de pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, liderados pelo professor Kurt Gray, realizou um estudo. Para isso, partiram de dois grupos que estavam vivendo experiências próximas à morte. O primeiro desses grupos era composto por doentes terminais. O segundo era formado por pessoas que estavam presas e condenadas à morte.

Aos membros do primeiro grupo foi pedido que abrissem um blog e que compartilhassem ali seus sentimentos durante um período mínimo de três meses. A publicação deveria conter pelo menos 10 entradas. Paralelamente, foi solicitado algo parecido a um subgrupo de voluntários. Foi pedido que eles imaginassem terem sido diagnosticados com câncer e que escrevessem a respeito desse tema. Quanto ao segundo grupo, formado pelos presos no “corredor da morte”, foram recolhidas suas últimas palavras.

Em ambos os casos se pretendia analisar os sentimentos e as emoções que apareceriam em uma situação de proximidade com a morte. Outro objetivo também era identificar se todo o mundo interno desses indivíduos refletia mudanças com a aproximação do momento final da vida.

Os interessantes resultados do estudo

Uma equipe de psicólogos entrou em ação com a tarefa de analisar as declarações do primeiro grupo, junto com o subgrupo paralelo. Eles elaboraram suas conclusões com base nas palavras que as pessoas usaram para descrever ou fazer referência às suas emoções. A partir disso, eles chegaram a resultados interessantes. O primeiro foi de que os doentes terminais expressaram mais emoções positivas que o grupo de voluntários. Da mesma maneira, quanto mais próximo estava o momento da morte, mais positivas eram as mensagens.

Com os condenados à morte aconteceu algo parecido. Suas declarações finais não estavam baseadas na dor, no arrependimento ou no ódio às autoridades que tinham decretado a pena de morte. Pelo contrário, suas palavras estavam repletas de amor, compreensão e significado afetivo. Em ambos os grupos destacavam-se alusões à religião e à família.

O professor Kurt Gray, chefe da pesquisa, concluiu que “o processo de morte é menos triste e assustador e mais feliz do que se pensa”. Embora a morte em si seja um conceito que gera angústia e medo pela incerteza que a cerca (para além da fé de cada um), na hora de enfrentá-la as pessoas conscientemente tendem a evoluir. Tanto que acabam enxergando a própria morte como algo construtivo e cheio de sentido.

Aparentemente, a capacidade de adaptação do ser humano é gigantesca e se expressa em toda sua plenitude durante os momentos limites, como a morte. Psicológica e fisiologicamente, as pessoas desenvolvem mecanismos que as permitem enfrentar a realidade do fim com sabedoria.

Por isso, Gray afirma, com plena convicção, que “a morte é inevitável, mas o sofrimento não é”.
segunda-feira, 20 de junho de 2016 0 comentários

QUANDO EU MORRER...


''Quando eu morrer, quero que as pessoas toquem minha música, enlouqueçam, percam o bom senso e façam o que der na cabeça.''
Jimi Hendrix

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014 0 comentários

GUERREAR É PRECISO?



A TV mostra quarteirões transformados em ruínas por bombas e foguetes. 
Que sentido tem isso?

Diante das guerras que se travam hoje no mundo, sou obrigado a me perguntar por que, depois de séculos de massacres, o homem continua, como nos primórdios da civilização, a se armar e guerrear. Aliás, não apenas continua, torna-se mais capaz de matar, valendo-se de armas cada vez mais sofisticadas.

Logo me vem à mente a bomba atômica, que só não foi usada na escala que os belicistas pretendiam, porque, neste caso, quase ninguém sobreviveria. E os estadistas querem a guerra desde que ela não os atinja pessoalmente. Eles decidem por fazê-la, mas quem morre são os soldados e o povo em geral. Os chefões, quase nunca.

Costumo dizer que frequentemente me surpreendo com o óbvio, e isso acontece agora, quando a televisão me bombardeia diariamente com o número de mortos pelas bombas e foguetes na faixa de Gaza, na Síria, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia.

Surpreendo-me com a quantidade de dinheiro que os países gastam com armamentos. E não só com armamentos, mas também com as forças armadas. Todos os países têm permanentemente centenas de milhares de soldados que constituem os efetivos militares. Eles fazem parte do Estado, como elemento fundamental dele, e constituem carreiras a que milhares e milhares de pessoas dedicam suas vidas.

Com isso, gastam-se fortunas, com a finalidade de fazer guerra. Claro, se for preciso. Mas a verdade é que essas forças são formadas e mantidas com essa finalidade: a defesa da pátria pelas armas, se for o caso. E por que isso? Porque a guerra é uma possibilidade permanente para os Estados, todos, sem exceção.

Mas por quê? Que os povos selvagens vivessem se matando, dá para entender. Por exemplo, os índios do Brasil neolítico, que eram nômades, viviam do que colhiam na natureza, eram obrigados a se deslocar para outras regiões em busca de alimentos. Se houvesse outra tribo ali, a guerra entre as duas era inevitável. Mas e hoje, por que a guerra?

As razões são as mais diversas. Ou é um louco como Hitler, que sonhava dominar o mundo, ou é concepção religiosa que leva líderes a atacar seus vizinhos, ou disputa de mercado. Mas, depois de tanta guerra que já houve, por essas e outras razões, resultando na morte de milhões de pessoas, parece que muito pouco o homem aprendeu com isso.

É certo que uma boa parte dos países --particularmente aqueles que sofreram na carne as consequências das últimas guerras-- evita lançar mãos das armas para impor seus interesses, mas mesmo estes continuam a produzir armamentos, cada vez mais sofisticados e mais mortais. A cada dia surgem notícias de aviões de guerra invisíveis aos radares, foguetes com velocidade e alcance inimagináveis, armas essas que anulam qualquer possibilidade de defesa.

Que significa isso, senão que a guerra é possível a qualquer momento, embora não se saiba entre que países e por que razão? Para que aquelas armas sejam concebidas e produzidas, os governos investem em pesquisa tecnológica e na formação de cientistas que dedicarão sua inteligência, seus conhecimentos e sua vida a produzir instrumentos de destruição. Mas não só os governos, há também empresas privadas que investem em armamentos, que vendem para diferentes países e com isso ganham fortunas. Muitos desses países mal têm recursos para atender as necessidades básicas de seu povo mas, ainda assim, compram armas e mantêm exércitos prontos para a guerra.

Desse modo, a guerra, quer ocorra ou não, é fator importante da economia mundial. Mesmo o Brasil, que não se caracteriza como um país belicoso, produz e vende armas para outros países. Deve-se concluir, portanto que a hipotética eliminação da guerra, por tornar a produção de armas desnecessária, não conviria a esses países, mesmo porque conduziria a uma grave crise na economia em escala planetária.

Isso, portanto, está fora de cogitação. E a televisão, a cada momento, dia após dia, nos mostra populações em pânico, mulheres desesperadas tentando escapar com seus filhos, das bombas que explodem à sua volta. E mostra também quarteirões inteiros de cidades transformados em amontoados de ruínas por bombas e foguetes. Que sentido tem isso?

FERREIRA GULLAR 
terça-feira, 14 de outubro de 2014 0 comentários

UMA VIDA MELHOR QUE ENCOMODA



"Na vida tudo que dá errado pode dar muito certo."


Que dias! Quantas baixas na nossa literatura. Lamentei a morte de João Ubaldo, pois sempre dói a partida de quem ainda tinha muito a contribuir (a morte de um grande escritor é sua obra inacabada), e estou compadecida com a fragilidade da situação do espetacular Ariano Suassuna (em coma até o momento em que escrevo), porém usarei esta coluna para falar de uma ausência que me tocou mais profundamente: a do mineiro Rubem Alves, por quem eu tinha enorme afeição não só pelo que escrevia, mas pelo seu jeito terno, sua desafetação, sua raridade como ser humano. Quanto mais se grita e esperneia por aí, mais atenção eu dou aos singulares que brilham em voz baixa.

Domingo passado, comentei sobre o documentário Eu Maior, em que Rubem Alves também participou com seu testemunho. Entre outras coisas, ele contou que certa vez um garoto se aproximou dele para perguntar como havia planejado sua vida para chegar onde chegou, qual foi a fórmula do sucesso. Rubem Alves respondeu que chegou onde chegou porque tudo que havia planejado deu errado.

Planejar serve para colocar a pessoa em movimento. Se não houver um objetivo, um desejo qualquer, ela acabará esperando sentada que alguma grande oportunidade caia do céu, possivelmente por merecimento cósmico.

É preciso querer alguma coisa – já alcançar é facultativo, explico por quê.

Uma vez determinado o rumo a seguir, entra a melhor parte: abrir-se para os acidentes de percurso. Você que sonha em ser um Rubem Alves, é possível que já tenha começado a escrever num blog (parabéns, pôs-se em ação). No entanto, esses escritos podem conduzi-lo a um caminho que não estava nos planos. Dependendo do conteúdo, seus posts podem levá-lo a um convite para lecionar no Interior, a ser sócio de um bar, a estagiar com um tio engenheiro, a fazer doce pra fora, a pegar a estrada com um amigo e acabar na Costa Rica, onde conhecerá a mulher da sua vida e com ela abrirá uma pousada, transformando-se num empresário do ramo da hotelaria.

Não é assim que as coisas acontecem, emendando uma circunstância na outra?

A vida está repleta de exemplos de arquiteta que virou estilista, enfermeiro que virou pastor evangélico, estudante de Letras que virou maquiadora, publicitário que virou chef de cozinha, professor que virou dono de pet shop, economista que virou fotógrafo. Tem até gente que almejava ser economista, virou economista, fez uma bela carreira como economista e morreu economista. A vida é surpreendente.

Ariano Suassuna largou a advocacia aos 27 anos, João Ubaldo também se formou em Direito, mas nem chegou a exercer o ofício, e Rubem Alves teve até restaurante. Tudo que dá errado pode dar muito certo. A vida joga os dados, dá as cartas, gira a roleta: a nós, cabe apenas continuar apostando.

MARTHA MEDEIROS
segunda-feira, 13 de outubro de 2014 0 comentários

A ARTE TRANSFORMA





Em vez de campeã de suicídios, minha cidade natal
agora é berço de todo tipo de artista e criador

Nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo, Bernardino de Campos. Meus avós vieram da Espanha e foram colher café em fazendas da região, assim como centenas de imigrantes, italianos também. Estruturada em torno da estrada de ferro, a antiga Sorocabana, onde meu pai trabalhava, a cidade não cresceu de forma expressiva. Antigos cafezais permanecem abandonados em torno dela. A estrada de ferro fechou. O número de habitantes? Cerca de 11 mil. Meus pais se mudaram quando eu tinha 3 anos de idade. Passei todas as minhas férias, quando criança, em Bernardino, na casa de minha avó paterna, Rosa. Ainda reconheço ruas e casas. Há muito tempo não tenho nenhum parente bem próximo na cidade. Meus primos vivem em São Paulo, como eu; meus tios e meus avós já se foram. Mas sinto uma afinidade com Bernardino. Raízes contam na vida de alguém.

Por que falo tudo isso?

Há dez anos fui convidado para participar do primeiro Festival de Teatro de Bernardino de Campos (Festar), com grupos de várias cidades do interior. Fui, é claro. Gostei de ver o entusiasmo pelas peças, a alegria dos grupos em participar. Era uma novidade. Conversando com as pessoas, descobri que Bernardino se transformara numa campeã de suicídios. A tal ponto que, quando alguém ia comprar corda, já diziam, meio brincando, meio assustados:

– Vai partir desta para melhor?

É que as pessoas sempre se matavam da mesma maneira, se enforcando. Eu mesmo, ao visitar uma tia-avó, me surpreendi ao constatar que não só ela não me reconhecia, como também, ao despertar, não sabia quem era o próprio filho, devido aos remédios que tomava. Fiquei triste, é claro. Olhei aquelas ruas desertas, onde a partir das 20 horas nada acontecia, e pensei:

– Que esperança, que perspectiva de vida há aqui?

Os anos se passaram, e não voltei à cidade. Para minha surpresa, no último fim de semana fui convidado a participar da nova edição do Festar, agora comemorando dez anos. É de admirar um festival de teatro no interior que dura dez anos. Soube depois que outras cidades também têm seus festivais, uma iniciativa que vale a pena aplaudir. Fui bem contente. Além de também escrever para teatro, penso que todos nós, da televisão, temos nossa primeira pátria nas artes cênicas. Ao chegar, descobri que Bernardino continua com suas dificuldades econômicas. Mas o prefeito apoia as artes. A secretária de cultura, Cibele, já montou uma escola de dança, teatro, para crianças e adolescentes – totalmente gratuita. Criou-se um baile para a terceira idade que, soube, bomba todos os fins de semana. Durante a semana do festival, as peças, infantis e adultas, tiveram casa cheia, mesmo às 23 horas, um dos horários de apresentação. Esperava, inicialmente, textos ingênuos, bem amadores. Preconceito meu. Entre os principais, havia Casa de bonecas, de Ibsen, sobre a independência e a dignidade da mulher; Pterodáctilos, criação de um grupo de Registro que vem arrebatando prêmios em festivais; e a peça Um pequeno animal selvagem, do grupo Os Cogitadores, de São José do Rio Preto, escrita por Zeno Wilde, autor paulista de vanguarda que já morreu. Era uma montagem forte, intensa, que não ficou em cima do muro. Pelo contrário, os atores não tiveram medo de chocar. Surpreso, pensei: “Arte não é só para encantar, também pode chocar, abrir uma janela para um universo que os espectadores não conhecem”. Aplaudi a peça de pé. Também vi uma montagem de um auto de São João, escrita e dirigida por uma garota da cidade, bem divertida. O que mais me impressionou foi ser um texto escrito, dirigido e interpretado por um grupo local. Teve de pedir roupas emprestadas para o figurino, ajuda de todos os tipos e até uma carroça para colocar no palco. (Como vão tirar, não me perguntem.)


Em certo momento, nas conversas, perguntei sobre os casos de depressão e suicídio. Estranharam. Alguém lembrou que isso acontecia, sim, em Bernardino há um certo tempo, mas agora não se ouve mais falar. Óbvio. As pessoas estão criando! Mexer com as cabeças não é tão tangível como construir um viaduto. Vi essas pessoas convivendo com música, teatro, dança, trocando experiências. A arte tem um profundo poder de transformação. É um lindo caminho, que começa a acontecer. E que com certeza cria novas consciências e um jeito novo de viver.

WALCYR CARRASCO
quinta-feira, 9 de outubro de 2014 0 comentários

MAS DEUS FALA!



Quando meu pai ficava sabendo de um crime brutal, principalmente os que envolviam crianças, perguntava, com desgosto, pelo paradeiro de Deus. Por onde andava o Todo-Poderoso no momento da tragédia? Como Ele foi permitir que tal desgraça acontecesse debaixo do céu que Ele mesmo criara? Em resumo: por que tantas vezes Deus se escondia, não se manifestava, não segurava a mão criminosa que se abatia sobre inocentes e indefesos? E minha mãe, fazendo o sinal da cruz e olhando para ele com piedade cristã, respondia, invariavelmente, que Deus não se escondia, que estava em todos os lugares, mas que dentro de nós só entrava quando lhe abríamos as portas do nosso coração e mente, pois dispomos do livre-arbítrio, que significa, muito simplesmente, a liberdade de escolher entre o bem e o mal.

Minha mãe tinha uma formação religiosa bastante coerente, embora não combinasse muito com o que ensina a Igreja Católica. Por exemplo: ela acreditava pacificamente no céu e no purgatório. Um para premiar os bons, o outro para castigar os maus até que bons se tornassem. O purgatório seria assim uma espécie de exame de admissão à entrada no céu. E a imagem que tínhamos — nós, crianças — dessa teoria era
de um corredor palmilhado de brasas, por onde teríamos de caminhar descalços ao encontro da felicidade do outro lado. Resumindo: não se alcança a Graça sem sofrimento. Inferno? Não. Minha mãe não acreditava.

— Deus é misericórdia — argumentava ela. — Como pode condenar alguém ao fogo eterno? Nada é eterno a não ser o próprio Deus.

Mesmo com essas discordâncias da Igreja, minha mãe era de uma fé inabalável em todos os ensinamentos da religião católica. A tal ponto que uma vez, quando eu participava de uma aula como congregado mariano, um religioso franciscano, amigo da família, confessou que tudo que ele queria e pedia a Deus para conseguir era a fé absoluta, total, sem questionamentos, da minha mãe.

— Mas ela questiona — provoquei. — Tanto que não acredita no inferno.

— Eu também não — respondeu ele. — Mas negar o inferno não é questão de fé, e sim de bom-senso.

Eu me lembro que isso mexeu com a minha cabeça de criança, abalando um pouco a minha fé, que era (só mais tarde percebi) uma homenagem que eu prestava à minha mãe.

E mesmo hoje — 22 anos depois de ela ter morrido — eu ainda faço coisas pensando apenas em agradar a ela e evito fazer outras que sei que ela não aprovaria.

Aprendemos muito com os nossos pais, mesmo, ou principalmente, quando discordamos deles. E o que aprendemos na infância sobrepõe-se ao que virá depois, na juventude e na idade madura. À medida que vou vivendo, vou me lembrando, mais nitidamente, do que ouvi deles — da minha mãe principalmente — sobre a vida e o viver.

Sobre a morte e o morrer.


— Deus fala — garantia minha mãe. — Quando não ouvimos, é porque estamos surdos.

MANOEL CARLOS

terça-feira, 13 de maio de 2014 0 comentários

A PRIMEIRA MORTE



A pequena tragédia de um homem comum
diante do exame de colesterol.


A notícia veio em um exame de rotina, aberto na página do laboratório na internet enquanto tomava um chocolate quente. Na verdade, leite com um chocolate em pó cheio de porcarias que ele toma desde a infância e, por isso, aos 43 anos, é uma fonte de alegria permanente na prateleira da cozinha. Quando bateu na minha porta, os olhos escancarados, avisando que tinha uma má notícia, eu pensei logo em câncer. No nosso tempo, é o que a gente sempre pensa, mesmo que não diga. “Meu colesterol está alto”, ele disse. “Muito acima do péssimo.” Amoleci inteira e até esbocei um sorriso. “Ah, mas isso não é tão grave.” Mas era. Eu não fui capaz de perceber logo, mas era a primeira morte de meu melhor amigo.

Não era uma doença incurável, não era um drama humanitário, não era nada que alterasse a ordem do mundo. Era só a pequena tragédia dele. Comezinha e cotidiana. A tragédia de um homem comum, com uma vida comum, que sentia a primeira fisgada do fim.

No percurso de uma vida, quando temos a sorte de ter uma existência longa, passamos por várias pequenas mortes e renascimentos. É importante que partes de nós morram para que outras possam nascer – ou apenas para que esses pedaços mofados de nossas crenças sobre nós ou da crença de outros sobre nós saiam do caminho. É triste quando alguém é uma coisa só a vida toda – perdendo a chance de acolher todos os outros de si. Quando alguém anda pela vida apertado em uma roupa que nunca lhe serviu direito, mas que foi vestida nele ou nela por seus pais ainda na infância, como se fosse o único modelo que lhe coubesse.

É importante que, em algum momento, de preferência mais cedo do que tarde, a gente descubra que essa roupa não serve – ou que apenas algumas partes servem e outras precisam ser jogadas fora, para que novas possam ser inventadas. É essencial que nos libertemos dos dogmas impingidos sobre nós para podermos criar uma vida que faça mais sentido – e para nos sentirmos livres para recriá-la o tempo todo. O olhar do outro sobre nós, a começar pelo dos nossos pais, às vezes é redenção, em outras é prisão, em geral é ambos.
Por isso me parece que uma vida é mais rica quando morremos e renascemos muitas vezes. Mas esta é a existência psíquica, é o que se passa em nossas porções invisíveis, naquela parte da nossa geografia que não se pode tocar com as mãos. Poucas coisas ou nenhuma são mais assustadoras do que ousar se libertar de um jeito de ser cujo funcionamento conhecemos. Porque ainda que esse jeito nos sequestre o desejo, nos parece mais seguro do que enfrentar o vazio de descobrir formas de viver mais próximas de nossos anseios. Mas, se tivermos essa coragem que anda de mãos agarradas com o medo, nós nos responsabilizamos pelas nossas escolhas, seguimos e criamos e morremos e renascemos. Muitas vezes.

Em algum momento, porém, o corpo anuncia uma morte da qual não é possível renascer. A rigor, começamos a morrer desde o nascimento. De fato, nosso declínio físico começa aos 20 e poucos anos, mas esses sinais podem ser ignorados. E são. Por volta dos 40 – um pouco depois, para quem tem mais sorte, um pouco antes, para quem tem mais azar –, recebemos a notícia da primeira morte que não podemos ignorar. A primeira morte do corpo.
Foi o que aconteceu com meu melhor amigo. Para não morrer nos próximos anos de enfarte ou AVC por causa das artérias entupidas de gordura, ele matou com um só golpe um mundo inteiro dentro de si. Não é uma mera mudança de hábitos, como médicos e nutricionistas tentam nos convencer em consultas, reportagens e sites da internet. É um mundo inteiro que se extingue como se o Sol explodisse de repente, muito antes dos bilhões de anos calculados pelos astrônomos. Para quem vive nesse planeta, é uma hecatombe. Para a imensidão do universo, é um nada, estrelas morrem o tempo todo sem que a ordem da vida dos outros se altere. 

Para o planeta humano que é meu melhor amigo, foi uma hecatombe. Acabaram-se as feijoadas, o churrasco, a pizza, o hambúrguer, a batata frita, os pastéis, os bolos, os bolinhos, as tortas, os chocolates. Mas não só. Encerrou-se a possibilidade de renovar a qualquer momento a memória de uma vida de afetos: a receita de bacalhau da mãe que morreu, a torta de morangos que só a sogra sabe fazer, o feijão gordo que a mulher prepara toda quinta-feira e havia se tornado um acontecimento, a noite com o amigo de infância recheada de cumplicidade, chope e frituras.

Acabou-se a possibilidade de degustar territórios ainda não desbravados. As experiências gastronômicas com um amigo chefe de cozinha. O acesso às dores de alma e as alegrias de outros povos e terras através da comida, dos ingredientes e dos temperos, que o instigavam a jamais perder nenhuma chance de viajar. Suas próprias invenções com as panelas que reuniam os mais próximos em alegres descobertas na mesa da cozinha. Agora, ele terá de recusar pratos em almoços e jantares – e será um problema na cozinha alheia. 
Um mundo dentro do mundo morreu em um segundo. E a notícia dessa morte o lembra o tempo todo de que é só a primeira das muitas que virão. “Tenho medo de morrer de repente”, ele diz. Porque sente que uma parte dele teve morte súbita tendo ele mesmo por testemunha. “Eu não fumo, não uso drogas, só bebo em ocasiões especiais”, ele diz, traído. Eu quase digo: “A vida não dá garantias”, mas me contenho a tempo. 

Sei que dentro dele toca o réquiem de Verdi, dramático e grandiloquente, mas só ele escuta. Porque sua tragédia é prosaica, acontece com muitos, não é notícia nem na família. Ele é só mais um homem diante do parapeito da ponte – sem vontade de atirar-se dali, mas apavorado porque um dia vai estar lá embaixo.

Pesquisamos juntos na internet, tentamos inventar receitas, descobrir novos ingredientes, criar um mundo novo dentro do universo restrito ao qual ele foi confinado. Cheiramos desconfiados uma linguiça de soja, passamos retos pela manteiga, enchemos o carrinho de coisas verdes. Depois vamos ao cinema para esquecer seu pequeno drama diante da grandeza do drama maior de um outro, mas quando estaqueamos diante da pipoca, o luto desce sobre ele, inexorável. Sabemos que é preciso aceitar essa morte, assim como todas que virão, com o excesso de perdas que ela contém. Em geral não se morre de uma vez só, mas aos poucos. E é o corpo que nos ensina a brutalidade dessa verdade.

O colesterol não encolheu apenas a largura das artérias de meu melhor amigo, mas também a largura da sua vida. Ele sabe que não pode escapar dos limites impostos pelo corpo. Pode, como todos nós, no máximo adiá-los. No exame do laboratório o tal do LDL avisa que a juventude, aquele tempo no qual era possível fingir que não havia limites, acabou. Mas a gordura que entulha as artérias de meu melhor amigo não lhe obstrui o espírito. Porque morreu e nasceu muitas vezes ao longo de seus 43 anos, há nele uma vida dentro da vida que se amplia também nesse choque com os limites. Enquanto o corpo falha, sua mente recolhe suas lágrimas, sua surpresa e sua dor e os transforma em uma experiência a mais. 

Sempre foi assim, afinal. É no confronto com a miséria da condição humana que produzimos o melhor do humano. Condenados eternamente ao fracasso de nosso embate com a morte, inventamos essa vida dentro da vida. Que, se tivermos a ousadia de morrer e nascer várias vezes no espaço de uma existência, será uma vida maior que a vida.

Não tenho dúvidas de que meu melhor amigo seguirá suspirando de saudades de uma picanha gorda ou de um feijão com costelinha de porco. Mas, nesse último final de semana, ele já havia colado um cartaz patético na cozinha, com imagens suas de a.C. e d.C. – “C” não de Cristo, mas de colesterol. Estava entrouxado de roupas porque acreditava que os 100 gramas que tinha perdido desde que abriu o exame tornaram-no “mais friorento”. E tentava inventar uma maionese caseira sem ovos nem óleo.

Soube então que estava salvo. Não do colesterol, mas de algo muito pior: uma vida pequena.

ELIANE BRUM
sexta-feira, 9 de maio de 2014 1 comentários

UM GRITO NO AR



Vou conta a minha história
Aconteceu de verdade
Às vezes sinto tristeza 
E outras sinto saudade

Meu nome é Ana Amélia 
Nascida nessa cidade
Vou contar toda história
Sem esconder a verdade
Sou filha de ex-combatente
Da grande Segunda Guerra 
Que foi herói na Itália
E mendigo em sua terra

Um cargo de funcionário
foi tudo o que conseguiu
este herói resistente 
Quando voltou ao Brasil

Boa noite companheiros
Estou aqui relatando
A maldade de grilheiros 
Pela qualç passamos

se tens o mesmo problema
Vamos dar as mãos 
Para enfrentar esta guerra
Em nome da habitação

Aconteceu na Cavanca 
N°1.201
Um terrível pesadelo
Que maltratou um por um

A terra onde eu morava
Era posse muito antiga
Não podia imaginar
Que fosse dar tanta briga

Era um lugar tranquilo
Todos viviam contentes 
A vida era só alegria 
Nada incomodava a gente  

Mesmo depois de casar 
Continuei morando
Neste lugar tão lindo
E os meus filhos criando

Agora prestem atenção
Em tudo que aconteceu
Este lugar tão alegre
Um dia entristeceu

No ano de 84 
As coisa aconteceram
Quatro terríveis grilheiros 
Aqui apareceram

não eram os companheiros
Querendo nos ajudar
Mas sim terríveis grilheiros 
Querendo nos expulsar

Nos chamaram de invasores
da nossa própria terra
Sem saber que nela
Os filhos dos filhos criamos 

Começamos uma luta 
Em nossa associação
Com ajuda de amigos
Na mesma situação

Mas não é só aqui
Que isto está ocorrendo
Por causa de moradia 
Tem companheiro morrendo

Não confunda a pobreza com burrice, companheiro
Pois está sendo mais burro
Quem tem tanto dinheiro

Pra que pressa desta terra 
Não viverás eternamente
pode ficar sossegado 
Que dela serás semente 

O sinismo dos grilheiros 
Era demais transparente 
Comandavam a quadrilha
Que assustava a gente 

Foram momentos terríveis 
Eu nem gosto de lembrar
Cada lado que se olhava 
Via casa desabar

Sem teto e sem esperança
Ver pessoas mudando 
Carregando as crianças 
Que de medo iam chorando

Estas lagrimas sofridas
Que destes rostos desceram
Foram gotas de esperança
Que em cada um floreceram

Através do sofrimento
Aprendemos a lutar
Para sermos respeitados 
E ter onde morar

O pior de tudo isto
Foi que logo correu a notícia 
Os grilheiros agiram  
Com ajuda da policia 

ficamos muito assustados 
Pedir ajuda a quem?
Se quem devia ajudar 
veio destruir também

Resolvemos dar um basta 

Em toda essa ausadia 
E fomos todos à luta
Por direito a moradia 

Esta terra nos pertence
Está na constituição
Dez anos residente 
Queremos usocapião

Por que perseguir o pobre?
Que quer apenas morar 
E deixar impunes os ricos
Que de avião vão roubar?

Não entregue a sua casa 
A bandidos desfarçados 
Que não passam de grilheiros 
vestidos de advogados 

Até hoje não sabemos 
Como que terminou
Aquele monte de pedras
Que o tal marajá roubou

Eram pedras preciosas 
Brilhavam, brilhavam, sim
Estamos só querendo saber 
Quem a estas pedras deu fim 

O pior aconteceu
No mês de outubro passado
Era manhã muito fria 
Eu mal havia acordado 

Destes dias companheiros 
Não gosto nem de lembrar 
De um homem que me chamava 
Com uma folha a mostrar 

Eu sou um oficial
E trago uma sitação
Ponha tudo no quintal
Vai haver demolição

Foi tudo tão derrepente 
Não pude buscar socorro
Algemada e agredida
Não pude deixar o morro

O pior de tudo isto 
Que pude presenciar 
Foi a própria polícia
Que veio nos espancar 

Um sargento da poícia 
Abusando do poder
Usando de toda a malicia 
para tentar me ofender

Parecia que eu era
Uma criminosa vulgar 
Jogou-me de rosto na terra 
Para em meu corpo pisar 

Naquela hora senti
O mundo desmoronar 
Saber que quase morrir 
Por defender meu lar 

Quando vêm as eleições 
As promessas são diárias 
Sobre o usocapião 
E a reforma agrária 

Dizem defender as crianças 
Beijão mãos de favelados 
Promovem grandes festanças 
Para serem mais votados 

Foi o nosso presidente 
Quem disse que acabaria 
Com os marajás existentes 
E a violência do dia 

Depois de ter sido eleito 
A história se inverteu 
O rico ficou mais rico 
O médico empobreceu 

É assim que o governo
Quer acabar com a violência 
Jogando o pober na rua 
Sem poder e sem decencia 

Não tinha um palacete
Mas me sentia rainha 
A minha casa modesta 
Era tudo o que eu tinha 

Levamos quase dez anos 
Para a casa construir 
Em alguns minutos 
Vi tudo se destruir 

Foi ai que começou 
O meu grande sofrimento
A minha pobre família 
Ficou jogada ao relento 

Naquele dia senti 
o mundo desmoronar
Meus filhos me perguntavam 
Mãe, onde vamos morar?

Eu não tinha o que responder 
Para os meus filhos queridos 
Ali eu fiquei parada 
Com o coração partido 

Mas derepente em mim 
Uma coisa aconteceu 
Uma força muito estranha 
Que a todos surpreendeu 

Vou continuar na luta 
Com muita dedicação 
É preciso conquaistar 
A grande transformação 

Depois de toda essa luta
Pensei que estava acabado 
Todo aquele sofrimento 
Que vivi no passado 

Meu marido conseguiu 
Um emprego na Com lurb
Então fez a inscrição 
Para a casa própria da Rio-Urbe

Ficamos muito felizes 
Pois estávamos vencendo
Sem poder imaginar  
Que ele estava morrendo 

Meu marido sofreu muito
Com tudo que aconteceu
Passou a sofrer dos nervos 
E a gastrite apareceu

Continuou trabalhando
Mesmo estando doente 
Era muito preocupado
Com o bem-estar da gente

Até que chegou um dia 
Que ele não aguentou
De tanta dor que sentia 
Um hospital procurou

Foi então que começou
A fazer tratamento 
Mas meu marido já estava 
Todo estragado por dentro

Depois de muito tratar 
Só tinha uma solução
Para acabar com o problema 
Somente uma operação

Logo após a cirurgia
A doença evoluiu
No estômago do meu marido
Maldito câncer surgiu

Quando o médico falou 
Eu perdi a esperança 
Eu ainda não sabia 
Que esperava criança

Fiquei triste e perdida 
Sem saber o que fazer 
Eu ia dar uma vida 
Vendo a outra morrer 

Quando o nené nasceu 
Ele não foi visitar 
Pois estava internado 
Para denovo operar 

Depois destacirurgia 
A doença piorou 
Reclama todo dia 
Pois sentia muita dor 

Não gosto nem de lembrar 
Aquele dia fatal 
O meu marido morreu 
Bem pertinho do Natal

Não posso culpar a Deus 
Por tirar ele de mim
Estava sofrendo muito 
Por isso chegou o fim

Amei-o a vinda inteira 
Nunca pensei em o peder 
Parecia mentira
Assistir ele morrer 

Eu fiquei ali parada 
Não queria acreditar 
Que meu marido estava 
Parando d respirar 

Saí dali desolada 
Querendo um abraço amigo
Me sentindo abandonada
Ninguém que estava comigo

Depois de toda a tristeza 
Não olhaei só para frente 
Olhando também para atrás 
Vi tristeza em muita gente 

Embrulhei o meu passado 
Com um papel de esperança 
Amarrei fazendo uma laço 
Com o que restou das lembranças

Ana Amélia R.Ribeiro
sábado, 3 de maio de 2014 0 comentários

SE POR UM INSTANTE...



Se por um instante, 
Deus se esquecesse de que sou um marionete de trapo
e me oferecesse mais um pouco de vida, 
não diria tudo o que penso mas pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem.
Ouviria quando os outros falam e desfrutaria um bom sorvete de chocolate!
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma

Meu Deus,

se eu tivesse um coração,
escreveria o meu ódio sobre o gelo
e esperaria que nascesse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh
sobre as estrelas de um poema de Benedetti
e uma canção de Serrat seria a serenata
que eu ofereceria à Lua!
Regaria as rosas com as minhas lágrimas
para sentir a dor dos seus espinhos
e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida...
não deixaria passar um só instante sem dizer
às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e
viveria apaixonado pelo amor..

Aos homens
provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar!

A uma criança,
dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha.

Aos velhos,
ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice,
mas com o esquecimento.

Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se...
Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens !
Aprendi que todo mundo quer viver em cima da montanha,
sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta...
Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, 
pela primeira vez, o dedo de seu pai,o tem agarrado para sempre.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me irão servir realmente de muito, porque, quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo...

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
domingo, 6 de abril de 2014 0 comentários

HOMENAGEM A O ATOR JOSÉ WILKER



A homenagem do Sou Maluca Sim ao ator e diretor José Wilker em uma de suas memoráveis contribuições ao cinema nacional em um filme que ficou por muito tempo proibido de ser exibido no Brasil.

Que descanse em paz.

Sinopse: 
Segunda metade do século XVIII. Xica da Silva (Zezé Motta) era uma escrava que, após seduzir o milionário João Fernandes (Walmor Chagas), se tornou uma dama na sociedade de Diamantina. Ela passou a promover luxuosas festas e banquetes, algumas contando com a exibição de grupos de teatro europeus. Sua ostentação fez com que sua fama chegasse até a corte portuguesa.




segunda-feira, 10 de março de 2014 0 comentários

A LENDA DA BORBOLETA BRANCA


Certa vez, numa aldeia no interior do Japão, um homem já muito idoso, que sempre vivera sozinho, chamou sua irmã viúva e seu sobrinho para irem morar com ele. Como estava com a idade avançada e muito doente, fez um testamento, deixando a propriedade de herança para o jovem sobrinho. Até mudar-se para a casa do tio, o rapaz pouco o conhecia, pois o homem vivia sozinho e não visitava os parentes. 

Um dia, quando o rapaz estava sentado ao lado do leito de seu tio, fazendo-lhe companhia, viu uma enorme borboleta branca entrar no quarto. A borboleta voou em círculo e pousou no travesseiro do idoso, que dormia. Ali ficou pousada alguns instantes, depois levantou voo e saiu pela janela. O rapaz achou aquilo muito estranho e resolveu seguir a borboleta. Esta voou em direção ao cemitério, que ficava do outro lado da rua, bem próximo da casa. Foi diretamente para um túmulo e, ali, desapareceu misteriosamente. O jovem procurou, mas não viu mais nada. Somente viu um velho túmulo, com o nome Akiko, já  quase apagado. Quando voltou para casa, seu tio havia falecido tranquilamente.

Após os funerais, conversando com a mãe, ele contou sobre o estranho episódio da borboleta, pouco antes da morte do tio. Então sua mãe lhe contou que, quando jovem, o irmão dela tinha uma noiva que  amava muito. Porém, alguns dias antes do casamento, a moça morreu de uma doença misteriosa. Ele, então, comprou uma casa perto do cemitério onde ela estava enterrada, para ainda depois da morte permanecer junto dela. E assim, durante mais de 50 anos, tinha diariamente limpado, colocado flores e rezado pela alma de Akiko. Então o rapaz, espantado, disse que a borboleta havia desaparecido exatamente num túmulo com o nome Akiko gravado.

Sua mãe, então, ficou feliz,  dizendo que a noiva viera buscar seu irmão e agora estavam juntos por toda a eternidade. Pois, na crendice popular japonesa,  as borboletas brancas são as almas de pessoas que amamos.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 0 comentários

QUEM MORRE?



Quem Morre?
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de 
marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os pontos sobre os "is" em detrimento de um 
redemoinho de emoções justamente os que resgatam os brilhos dos olhos, sorrisos dos bocejos, orações aos tropeços e 
sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir 
atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde 
quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de 
respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 0 comentários

ENTREVISTA DE ELIS REGINA

Entrevista de Elis Regina, feita pela TV Cultura, 14 dias antes da morte dela, em 19 de janeiro de 1982.  


Elis fuma o tempo todo. Volta e meia, levanta o maço de Charme e tira mais um. Está viva, lúcida e agitada como nunca – “É muita loucura e eu sou mais louca do que a loucura que está solta”.  Ninguém diria que aquela mulher inquieta  – “Nasci, fui jogada em um formigueiro e nunca mais consegui parar” –  de inteligência aguda e humor mordaz, falando gatos e cachorros das gravadoras e dando risadas gostosas, estaria morta duas semanas depois, vítima da dobradinha cocaína/álcool, quando ainda não havia completado 37 anos.

 Ironicamente, a certa altura da entrevista, respondendo a uma pergunta, ela diz: “Eu não quero morrer atropelada por um carro qualquer, numa noite qualquer, numa viela escura de São Paulo. Eu tenho três filhos para criar”. Esta é uma entrevista imperdível, sobretudo para quem admirava a maior cantora que o Brasil já produziu.

Não deixe de ver:





No dia 5 de janeiro de 1982, Elis Regina era a convidada do programa Jogo da Verdade apresentado pelo jornalista Salomão Esper . O formato sugeria 3 entrevistadores e perguntas de outras personalidades . Um êxito em matéria de interatividade . Recurso usado até hoje . 
Estão no programa Zuza Homem de Melo e Maurício Kubrusly conceituados jornalistas atentos a cena artística brasileira . 
É sabido por todos que 14 dias depois , Elis nos deixaria portanto esta é sua última entrevista ; Daí a importância em divulgar o registro . É documento histórico .
ATENÇÃO !!! 
Aconteceram cortes durante o tratamento digital para a fonte de origem , mas neste mesmo canal MATEUSGENTE existe a entrevista completa com qualidade ótima de VHS . 
Boa pesquisa . 
Vale a pena conferir também pois são trechos importantíssimos .

Elis mostra lucidez impecável e fala com absoluta propriedade sobre os assuntos apresentados . 

Nossa cultura agradece .

Direitos de imagem da TV CULTURA . 
terça-feira, 26 de novembro de 2013 0 comentários

NOTA DE FALECIMENTO - GLEISE NANA





 A ativista Gleise Nana, 33 anos, que havia denunciado o sargento Emerson Veiga, do 15 BPM de Duque de Caxias, faleceu na madrugada dessa segunda-feira, 20 de novembro, após um incêndio suspeito no apartamento da ativista.

A poetisa e diretora teatral havia denunciado o sargento após ele ter postado insultos no inbox da ativista. Em um deles o PM a chamava de "maconheira,vagabunda e anarquista de merda, responsável pela desordem no Rio de Janeiro." Com medo, Nana repassou as mensagens para os amigos. Passou, desde então, a receber telefonemas estranhos.

Com a ativista também havia muitas filmagens dos conflitos desde o começo, em junho. Nana tinha um vasto material com denuncia sobre abuso de PMs. Em um deles, o tenente-coronel Mauro Andrade admite que a PMERJ se excedeu.

Em um incêndio suspeito, no dia 18 de outubro, a ativista teve 35% do seu corpo queimado. O misterioso incêndio em seu apartamento também afetou os órgãos internos de Nana. Após quase 40 dias de coma, a ativista não resistiu e faleceu.

Cabe frisar que, num primeiro instante, a Polícia Civil trabalhou apenas com a hipótese de incêndio acidental. Mas após insistência de amigos e o trabalho dos advogados da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, a própria Polícia Civil admitiu que o incêndio pode ter sido criminoso.

Resta agora um empenho de todos para que a apuração ocorra da maneira mais transparente possível, pois sabemos que existem jogos de interesse escondidos por trás desse misterioso acidente.

Nossos sinceros sentimentos...

Pedimos aos nossos leitores que compartilhem essa nota de falecimento para que mais pessoas saibam a verdade.

Texto:Israel Montezano
Foto: O dia
SEPULTAMENTO HOJE, ÀS 13.HORAS, NO CEMITÉRIO SÃO FRANCISCO XAVIER (CAJU), CAPELA C. 
NOSSO ADEUS A GLEISE NANA
sexta-feira, 25 de outubro de 2013 2 comentários

O MITO DE ER

Platão, discípulo de Sócrates, dizia que o poder da virtude era tal que teria repercussões para além da própria e limitada vida de um individuo, ou seja, depois da morte.


O pastor Er, da região da Panfília, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando, encontra as almas dos heróis gregos, de governantes, de artistas, de seus antepassados e amigos. Ali, as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro. Er fica sabendo que todas as almas renascem em outras vidas para se purificarem de seus erros passados até que não precisem mais voltar à Terra, permanecendo na eternidade. Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que terão.

Algumas escolhem a vida de rei, outras de guerreiro, outras de comerciante rico, outras de artista, de sábio. No caminho de retorno à Terra, as almas atravessam uma grande planície por onde corre um rio, o Lethé (que, em grego, quer dizer esquecimento), e bebem de suas águas. As que bebem muito esquecem toda a verdade que contemplaram; as bebem pouco quase não se esquecem do que conheceram. As que escolheram vidas de rei, de guerreiro ou de comerciante rico são as que mais bebem das águas do esquecimento; as que escolheram a sabedoria são as que menos bebem.

Assim, as primeiras dificilmente (talvez nunca) se lembrarão, na nova vida, da verdade que conheceram, enquanto as outras serão capazes de lembrar e ter sabedoria, usando a razão.

(Platão, República. Livro X)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013 1 comentários

História das palavras: o Canto do Cisne


 

De Sócrates aos dias de hoje, a expressão perpetua um engano

O “canto do cisne” é o último testemunho de um homem, a última obra de um artista, a declaração final de um poeta antes de morrer. Essa expressão tem sua origem na Antiguidade, com o filósofo Platão, que põe em palavras os últimos instantes da vida de Sócrates, por meio do diálogo Fédon. Condenado à morte pela cidade de Atenas em 399 a.C., sob a acusação de “corromper a juventude e introduzir novos deuses”, Sócrates foi chamado por seus discípulos para tomar a palavra.
O grande filósofo, com 70 anos de idade, teria declarado, antes de tomar o veneno mortal – a tristemente famosa cicuta –, que ele desejava realmente responder uma última vez, pois não se sentia invadido por pensamentos sombrios.

Sócrates se compara aos cisnes que lançam um último canto antes de sua morte: “Quando sentem a hora da morte se aproximar, essas aves, que durante a vida já cantavam, exibem então o canto mais esplêndido, o mais belo; eles estão felizes de ir ao encontro do deus do qual são os servidores. (...) Eu, pessoalmente, não acredito que eles cantem de tristeza; acredito, ao contrário, que, sendo as aves de Apolo, os cisnes possuam um dom divinatório e, como pressentem as alegrias que gozariam no Hades, cantam, nesse dia, mais alegremente do que nunca”.

Qualquer que seja a veracidade dessa afirmação socrática, visto que foi diversas vezes assinalado pelos ornitólogos que essas aves não produzem nenhum canto melodioso, a literatura se apossou dela e construiu esta expressão, o “canto do cisne”, que se perpetuou. Ela entrou para o Dictionnaire de l’Académie Française em 1762.
A metáfora já se encontrava em 1604 em Otelo, de Shakespeare, quando Emília, sua heroína trágica, no momento da morte, grita: “Ouça! Você pode me ouvir? Vou fazer como o cisne e morrer cantando...”.

No início do século XIX, o editor de Schubert deu o título O canto do cisne a uma coletânea póstuma de 14 Lieder de tonalidade bastante melancólica, pois ele os considerava o testamento musical do artista. Quanto a Tchekhov, ele escolheu esse mesmo título para sua peça publicada em 1886. Ele coloca em cena o personagem de Svetlovidov, corroído pela doença e pela nostalgia, propondo uma última interpretação magistral dos papéis principais de sua vida para encerrar a carreira de ator.

Essa expressão, que permite imaginar as últimas palavras ou os últimos instantes de criação artística, se apossou em seguida de outros universos; ela foi retomada particularmente pelos jornalistas para qualificar as reformas de um homem político em fim de mandato ou a última invenção tecnológica de uma empresa ultrapassada pelos concorrentes.

(Revista História Viva, por Sonia Darthou mestre de conferências da Universidade de Évry-Val-d’Essonne)

Links indicados: SOBRE OS POETAS E A MENTIRA

DIFICULDADE PARA A BUSCA DA VERDADE

ESPANQUEMOS OS POBRES!

ILHA DAS FLORES (curta)
terça-feira, 15 de outubro de 2013 2 comentários

EU PREFIRO A MORTE A TER DE RENUNCIAR Á FILOSOFIA



Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são.


Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembleia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno - a cicuta - e obrigado a suicidar-se.

 Por que Sócrates não se defendeu?


Links indicados: SOBRE OS POETAS E A MENTIRA

DIFICULDADE PARA A BUSCA DA VERDADE

ESPANQUEMOS OS POBRES!

ILHA DAS FLORES (curta)
segunda-feira, 2 de setembro de 2013 0 comentários

REGADOR O SONHO


Quando viva eu quase não sonhava com a minha mãe, mas depois da morte ela tem sido presença contante em meus sonhos e sempre com algum alerta o que me causa muita estranheza, já que nunca foi minha amiga. 

sonhei que estava muito cansada subindo com meu marido a estrada do lugar onde ela morava quando era viva.No meio do caminho eu a encontrei vestida com uma camisa de malha rosa e uma bota branca igual a dos açougueiros. Eu ia passar direto para não ter qualquer pertubação nem para ela, nem para mim, mas ela parou de regar as plantas e me chamou como um grito.

Então disse: 
- minha filha eu deixei uma coisa para você e as crianças lá na casa da sua vò você buscou? 

- Não, não busquei nada. Não estou sabendo de nada. 

_ Como não buscou Jaqueline? Eu deixei na casa da sua avó. Era para você ter apanhado ontem, agora quando você chegar não vai ter mais nada. Sua avó e seu irmão já devem ter acabado com tudo. Corre minha filha o que você está esperando vai lá buscar enquanto ainda te sobra alguma coisa.  

Fiquei pensando sobrar o que? No meu sonho continuei andando pela estrada com o meu marido e logo acordei.


Eu sei que minha mãe deixou herança, mas essas coisas são muito complicadas. Eu não queria saber disso, mas na noite seguinte tive outro sonho similar com ela brigando comigo  e dizendo que eu tinha pegar alguma coisa com a minha avó. 

Pois bem, liguei para a minha avó que me contou mil ladainhas e quando perguntei sobre as casas da minha mãe ela respondeu que minha mãe doou todo o restante do terreno sobrando apenas a casa de frente para a rua a qual meu irmão colocou para a  venda. 

Perguntei:
Mas vó, meu irmão colocou a casa a venda sem falar comigo antes? E a minha parte? Pela lei eu também sou herdeira. 

- Minha filha disso eu não sei, mas seu irmão é um homem muito bom e assim que a casa for vendida vai escolher uma quantia que vai ser depositada em uma conta para  os meninos(meus filhos).

Mas vó eu acho que não é assim. Se eu sou a herdeira o dinheiro tem que vir para a minha conta e não uma conta para duas crianças e não é o meu irmão que tem de determinar a quantia, não é assim. Sinceramente acho que ele nem pode por a venda algo que não é só dele. 

Minha avó ficou enfurecida. 

- Saiba que seu irmão é um ótimo menino, tem o coração muito bom...

QUER DIZER É ISSO QUE MINHA MÃE QUERIA QUE EU VISSE? ERA ESSA A
VONTADE DELA? Eu estou igual ao Caqui do desenho do Fudencio: Só me F... nessa merda. 
segunda-feira, 22 de julho de 2013 0 comentários

CAIXÃO OU A MORTE


Está é a carta da transformação, renascimento e renovação.

Muitos a consideraram uma carta de perdas e realmente é, A PERDA DO PASSADO E DAS VELHAS OPINIÕES.Essa carta fala das transformações de crenças e mudança de padrão de comportamento. É mais uma questão psicológica, por tratar-se de um novo olhar, ou seja, resinificar os paradigmas.


O caixão representa as mudanças que fogem ao nosso controle,é a verdadeira transformação, pois são reações da vida, ou melhor, uma fase que necessita acontecer,já que ela fala de fins, de separações, perdas, mudanças, enfim, tudo aquilo que não deve continuar, que não tem mais vida mais utilidade hoje vão ficar no passado.
Costumo dizer quando tiro o Arcano XIII-A morte no baralho cigano é o dia da faxina.
AQUELE DIA EM QUE TUDO QUE FOR INÚTIL DEVE SER ELIMINADO.

Outro significado desta carta é o mundo interno do consultante, pois o caixão anuncia (ou denuncia) como o consulente se sente, como o consulente se encontra no momento da consulta com As Cartas Ciganas.

Às vezes o consulente encontra-se no meio do olho do furacão, num verdadeiro turbilhão, por encontrar-se numa forte transição em sua vida. Às vezes se sente perdido ou inseguro, mas não sabe como demonstrar isso e acaba se fechando. Outras vezes o consulente está paralisado, por não saber como agir.


Sabe aquelas decisões que você está se arrastando a muito tempo para tomar, pois então você demorou tanto que a vida está tomando a decisão por você, mas Olhe para a frente, vislumbre uma nova etapa com valores renovados e atitudes mais positivas.Não tenha medo das transformações, pois elas são necessárias para o seu amadurecimento.
Outra coisa: tenha muita atenção e guarde segredo de projetos importantes.
 
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