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terça-feira, 21 de janeiro de 2014 1 comentários

À BUNDA



Olha, dessa vez você passou das medidas. Só não boto você para fora, agora, porque é a sua cara dar escândalo.

Estou cheia de você atrás de mim o tempo todo. Fica se fazendo de fofa, enquanto, pelas minhas costas, chama a atenção de todo mundo para meus defeitos. Você está redondamente enganada se pensa que eu vou me rebaixar ao seu nível – o que vem de baixo não me atinge. Mas faço questão de desancar essa sua pose empinada.

Você é, e sempre foi, um peso na minha existência – cada papel que me fez passar...Diz-se sensível e profunda, mas está sempre voltada para aquilo que já aconteceu. Tenho vergonha de apresentar você às pessoas, sabia?

Por que você nunca encara as coisas de frente, bunda? Fica parecendo que, no fundo, tem algo a esconder. Por acaso, faz alguma coisa que ninguém pode saber? O que há por trás de todo esse silêncio?

Você diz que está dividida e que eu preciso ver os dois lados da questão. Ora, seja mais firme, deixe de balançar nas suas posições.
Longe de mim querem me meter na sua vida privada, mas a impressão que dá é que você não se enxerga. Porque está longe de ter nascido virada para a lua e costuma se comportar como se fosse o centro das atenções.

Bunda, você mora de fundos, num lugar abafado. Nunca sai para dar uma volta, nunca toma um sol, nunca respira um ar puro. Vive enfurnada, sem o mínimo contato com a natureza. O máximo que se permite é aparecer numa praia de vez em quando, toda branquela.

Não é de admirar que esteja sempre por baixo. Tentei levar você para fazer ginástica, querendo deixar você mais para cima, mas fingiu que não escutou.
Saiba que você não é mais aquela, diria até que anda meio caída. E vai ter que rebolar para mexer comigo, de novo, da maneira que mexia.

Lembro do tempo em que eu, desbundada, sonhava em ter um pouquinho mais de você. Agora, acho que o que temos já está de bom tamanho. E, pensando bem, é melhor pararmos por aqui antes que uma de nós acabe machucada.

Sei que qualquer coisinha deixa você balançada, então não vou expor suas duas faces em público. Mas fique sabendo que, se você aparecer, constrangendo-me diante de outras pessoas, levarei seu caso ao doutor Albuquerque.

Lamento, isso dói mais em mim do que em você, mas você merece o chute que estou lhe dando. Duplamente decepcionada.

FERNANDA YOUNG
segunda-feira, 2 de setembro de 2013 0 comentários

COBRA AMARELA / SONHO

Estava tudo muito errado, mas eu não estava disposta a me aborrecer ainda mais e eu ainda mantenho o conceito de não responder a minha avó e esse tipo de coisa e do jeito que ela falou comigo eu ia acabar falando algumas coisas que vem sendo guardadas a anos em um bau empoeirado.

Mas depois de algum tempo tive um outro sonho que me deixou impressionada mesmo não tendo a presença da minha mãe.

Sonhei que estava na antiga casa da minha avó e que eu queria passar da varanda para a cozinha, mas no chão tinha uma cobra amarela no caminho. Como eu nunca tive medo de cobra no sonho eu me agachava para apanhar a cobra pela cabeça e tira-la do caminho. A pesar de ter agarrado a danada pela caça eu senti uma fisgada muito forte na parte de cima da minha mão e o sangue escorrendo. E eu olhava para a cobra e me perguntava como ela tinha conseguido me morder se eu a segurava pela cabeça. Para piorar a situação quando eu olhava de novo para a cobra ela era de plástico. Não era real.
De qualquer forma, apanhei a bicha e coloquei no quintal de onde ela sumiu rapidamente da minha vista e sem deixar rastro.

Minha avo estava com um avental branco embaixo da goiabeira e me perguntava raivosa:
- Jaqueline onde está a cobra?
- Não sei vó, ela me mordeu.Eu a coloquei aqui no quintal, mas não sei onde está.

E minha avó queria que eu desse conta da cobra de qualquer jeito como se fosse eu quem tivesse feito algum mal.

quando entrei na casa a cobra estava refastelada comodamente encima do sofá e minha vó diante da minha surpresa disse:
- foi eu que coloquei ela ai.

Três dias depois passei por situação bem parecida. Meu irmão sentindo-se seguro por ter conseguido um bom dinheiro por meio de acordo com ex marido da minha mãe não tinha mais a necessidade me me tratar bem. Praticamente do nada me colocou a baixo de cachorro. Disse que eu era uma passa fome, que meus filhos eram um piolhentos, favelados, que eu não ia receber nada porque a herança era dele.
Quando falei que iria entrar na justiça ele me ameaçou dizendo que ia encher a minha cara de tiros.
Como meu irmão é DESIPE e só anda armado o negócio foi engolir o sapo e ainda ouvir minha avó dizendo na minha cara que eu não presto, pois meu irmão é um menino muito bom. E que deus iria me castigar por não dá valor.
Quando eu tentava argumentar o que ele tinha feito (o indefensável) ela disse, mas isso ´coisa de irmão.
Se eu por alguma razão contrariar as ordens da minha avó deu vai me castigar, mas se meu irmão diz que vai encher minha cara de tiro por causa de dinheiro de herança ai é coisa de irmão.
Eu sempre amei tato minha avó e meu irmão e isso é muita decepção, mas não é o inesperado.
 
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