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quarta-feira, 11 de maio de 2016 0 comentários

NOSSAS TRILHAS SONORAS



Talvez essa nostalgia seja o combustível da onda de sucesso 
dos musicais de teatro sobre Cazuza, Tim Maia, Renato Russo, Raul...

Você não acha que a música brasileira de hoje está pior do que nunca? Ouço essa pergunta há muitos e muitos anos, geralmente vinda de gente com mais de 40, nostálgica do tempo em que era jovem — e se sentia moderna. Envelhecer é da vida, mas ficar antigo é insuportável… rsrs.

Alguns acham que a música popular de massa, como fenômeno tipico do século XX, à medida em que foi aumentando a quantidade de autores e consumidores, foi diminuindo em qualidade artística, se avaliada por critérios técnicos absolutos, acima do tempo e da história. Uma discussão chata e inútil diante da infinidade de músicas de alta qualidade de todos os estilos, antigos e modernos, de todos os lugares, que foi e continua sendo digitalizada e está à disposição de qualquer um. Para quem gosta de música o melhor presente é viver na era da internet.

Trilha sonora de nossa história pessoal e coletiva, a música acompanha nossas vidas e expressa nossos sentimentos, os gostos e desgostos de cada um. Atualmente, com a quantidade torrencial que é produzida e divulgada a cada segundo, fica cada vez mais difícil encontrar excelência musical no meio de tanto lixo sonoro, mas ela está lá. Não é preciso citar tantos novos nomes de talento, nem dizer que os mais velhos continuam produzindo em alto nível. É melhor ouvir do que reclamar.

Talvez essa nostalgia seja o combustível da onda de sucesso dos musicais de teatro sobre Cazuza, Tim Maia, Renato Russo, Raul Seixas, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, e de vários em produção sobre artistas de diversos estilos e gerações. Se a base de um musical é a qualidade das canções, o repertório de sucessos originais desses artistas é insuperável. No Brasil, ou na Broadway.

Hoje, a maioria do publico que lota os teatros é de 40 para cima, mas cada vez mais jovens são atraídos pelos musicais — e são os mais entusiasmados com as velhas novidades.

Mas o musical, pela própria natureza absurda de sua linguagem, de contar uma história cantando e dançando, não pode ser uma biografia, é só fantasia e magia teatral, com o poder de criar beleza e emoção com a memória e a imaginação.

NELSON MOTTA
quinta-feira, 1 de maio de 2014 2 comentários

ALHO: QUANTO MAIS VELHO MELHOR



Você já deve ter comprado um pacote de alho e notado que, com o tempo, um talo esverdeado começa a brotar, certo? Saiba que isso não significa que está na hora de o tempero ir para a lixeira — muito pelo contrário.

De acordo com um estudo recém-publicado no periódico Journal of Agricultural and Food Chemistry, nesse momento a capacidade antioxidante do alho é ainda maior do que quando ele está fresco.

Os pesquisadores acreditam que, ao nascerem essas estruturas, novos compostos são criados, intensificando a presença de substâncias capazes de nos proteger contra o câncer, aumentar a imunidade e contribuir para a saúde cardiovascular.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013 0 comentários

O PASSADO NÃO PODE SER IGNORADO

 Observem atentamente e desenvolvam suas próprias críticas. 



O filme "Preto Velho - Dona Creuza" mostra um pouco do legado da oralidade na difusão da memória e do conhecimento deixado pelo povo africano e incorporado à cultura brasileira. A narrativa é conduzida pelo empoderamento da palavra de anciões presentes em espaços populares do Rio de Janeiro, principal destino de africanos escravizados na diáspora. 


Trabalho Colaborativo

Equipe Canal Molambo: Letícia Santanna, Leonardo Harim, Renan Silva, JV Santos, Gê Vasconcelos, Wagner Novais, Gustavo Guimarães, Eduardo Santos, Jonas Rosa, Marcelo Scofield, Leo Lima, Felipe Vianna, Micael Hocherman, Rafael Martineau, Ciro Mello, Victor Domingues

sábado, 21 de setembro de 2013 2 comentários

A ARTE DE SER VELHO


É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós, latinos da América, e sobretudo, do Brasil. E talvez seja melhor assim; pois se esse sentimento nos subtrai em vida, no sentido de seu aproveitamento no tempo, evita-nos incorrer em desfrutes de que não está isenta, por exemplo, a ancianidade entre alguns povos europeus e de alhures.

Não estou querendo dizer com isso que todos os nossos velhinhos sejam nenhuma flor que se cheire. Temo-los tão pilantras como não importa onde, e com a agravante de praticarem seus malfeitos com menos ingenuidade. Mas, como coletividade, não há dúvida que os velhinhos brasileiros têm mais compostura que a maioria da velhorra internacional (tirante, é claro, a China), embora entreguem mais depressa a rapadura.

Talvez nem seja compostura; talvez seja esse pudor de que falávamos acima, de se mostrarem em sua decadência, misturado ao muito freqüente sentimento de não terem aproveitado os verdes anos como deveriam. Seja como for, aqui no Brasil os velhos se retraem daqueles seus semelhantes que, como se poderia dizer, têm a faca e o queijo nas mãos. Em reuniões e lugares públicos não têm sido poucas as vezes em que já surpreendi olhares de velhos para moços que se poderiam traduzir mais ou menos assim: "Desgraçado! Aproveita enquanto é tempo porque não demora muito vais ficar assim como eu, um velho, e nenhuma dessas boas olhará mais sequer para o teu lado..."
Isso, aqui no Brasil, é fácil sentir nas boates, com exceção de São Paulo, onde alguns cocorocas ainda arriscam seu pezinho na pista, de cara cheia e sem ligar ao enfarte. No Rio é bem menos comum, e no geral, em mesa de velho não senta broto, pois, conforme reza a máxima popular, quem gosta de velho é reumatismo. O que me parece, de certo modo, cruel. Mas, o que se vai fazer?

Assim é a mocidade- ínscia, cruel e gulosa em seus apetites. Como aliás, muito bem diz também a sabedoria do povo: homem velho e mulher nova, ou chifre ou cova.

Na Europa, felizmente para a classe, a cantiga soa diferente. Aliás, nos Estados Unidos dá-se, de certo modo, o mesmo. É verdade que no caso dos Estados Unidos a felicidade dos velhos é conseguida um pouco à base da vigarista; mas na Europa não. Na Europa vêem-se meninas lindas nas boates dançando cheek to cheek com verdadeiros macróbios, e de olhinho fechado e tudo. Enquanto que nos Estados Unidos eu creio que seja mais... cheek to cheek. Lembro-me que em Paris, no Club St. Florentin, onde eu ia bastante, havia na pista um velhinho sempre com meninas diferentes. O "matusa" enfrentava qualquer parada, do rock ao chá-chá-chá e dançava o fino, com todos os extravagantes passinhos com que os gauleses enfeitam as danças do Caribe, sem falar no nosso samba. Um dia, um rapazinho folgado veio convidar a menina do velhinho para dançar e sabem o que ela disse? - isso mesmo que vocês estão pensando e mais toda essa coisa. E enquanto isso, o velhinho de pé, o peito inchado, pronto para sair na física.

Eu achei a cena uma graça só, mas não sei se teria sentido o mesmo aqui no Brasil, se ela se tivesse passado no Sacha's com algum parente meu. Porque, no fundo, nós queremos os nossos velhinhos em casa, em sua cadeira de balanço, lendo Michel Zevaco ou pensando na morte próxima, como fazia meu avô. Velhinho saliente é muito bom, muito bom, mas de avô dos outros. Nosso, não.

VINICIUS DE MORAES

 
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