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quinta-feira, 22 de março de 2018 0 comentários

Medicamento Paracetamol P-500 contém o vírus Machupo?



MENTIRA (BOATO DE INTERNET)

O vírus Machupo existe?
O Machupo é um vírus real que provoca febre hemorrágica e pode ser fatal em 30% dos casos! Ela é transmitida através das fezes de um roedor típico da Bolívia e seu contágio entre humanos é bastante raro.

Apesar de ter sido descoberta na década de 30, a febre hemorrágica boliviana, também conhecida como tifo negro ou Febre Ordog, fez 20 vítimas em fevereiro e março de 2007 (3 delas fatais). No ano seguinte, foram notificados pelo menos 200 casos suspeitos (12 fatais) e apenas 2 casos confirmados em em novembro de 2011.

O vírus consegue sobreviver por até duas semanas em amostras de sangue, mas não suporta alguns minutos em ambientes secos. Isso já desmente o boato afirmando que ele estaria ativo dentro de comprimidos!

Cadê as fontes?
O alerta afirma que os médicos teria descoberto que o medicamento estaria contaminado, mas não cita nomes e/ou instituições que teriam feito os testes necessários. Nenhum jornal sério noticiou essa descoberta, o que torna o rumor muito mais suspeito! Afinal, um problemão desses certamente estaria na capa de todos os jornais…

Origens
Não conseguimos rastrear a origem dessa e-farsa, mas identificamos que esse texto nasceu em Angola, em 2015! Só que, na ocasião, o Paracetamol estaria contaminado com o vírus do Ebola!

Esse boato não se restringiu apenas aos países que falam português. Em fevereiro de 2017, o Ministério da Saúde da Malásia teve que vir a público para desmentir o rumor dos comprimidos de paracetamol contaminado com vírus em seu país.

Conclusão
Não espalhe esse tipo de corrente (e nenhum outro tipo, na verdade). Não há nenhum perigo do Paracetamol estar contaminado com o vírus Machupo!
quinta-feira, 20 de abril de 2017 0 comentários

A MELHOR COMPANHIA



Considero saudável estar só na maior parte do tempo. Estar acompanhado, mesmo pelos melhores, cedo se torna enfadonho e dispersivo. Adoro estar só. Nunca encontrei um companheiro tão sociável como a solidão.

Estamos geralmente mais sós quando viajamos com outros homens do que quando permanecemos nos nossos aposentos. Um homem quando pensa ou trabalha está sempre só, deixai-o pois estar onde ele deseja.

A solidão não é medida pelas milhas de espaço que separam um homem e os seus congéneres.

O estudante verdadeiramente diligente de um dos enxames da Universidade de Cambridge está tão solitário como um derviche no deserto.

O agricultor pode trabalhar sozinho no campo ou nos bosques durante todo o dia, mondando ou podando, e não se sentir solitário porque está ocupado; mas quando chega a casa, à noite, não consegue sentar-se numa sala sozinho, à mercê dos seus pensamentos. Tem que ir onde possa «estar com as pessoas», distrair-se e ser compensado pela solidão do seu dia; e, assim, interroga-se como pode o estudante estar só em casa durante toda a noite e grande parte do dia sem se aborrecer ou sentir-se deprimido.

Mas ele não entende que o estudante, se bem que em casa, ainda está a trabalhar no seu campo, a podar os seus bosques, tal como o agricultor o faz nos seus e que, por seu turno, procura a mesma diversão e companhia que este, embora eventualmente de uma forma mais condensada.

Ouvi falar de um homem perdido na floresta e a morrer de fome e de exaustão ao pé de uma árvore e cuja solidão era aliviada pelas visões grotescas com que, devido à fraqueza física, a sua imaginação doente o rodeava, e que ele acreditava serem reais.

Assim também, graças à saúde e à força física e mental, podemos sentir-nos continuamente animados por uma companhia semelhante, se bem que mais normal e natural, e chegarmos à conclusão de que nunca estamos sós.

Henry David Thoreau in 'Walden'
terça-feira, 28 de março de 2017 0 comentários

NÃO VIVA PARA TRABALHAR, TRABALHE PARA VIVER.



Existe um mito muito difundido segundo o qual “trabalhar mais cada dia contribui para forjar um melhor futuro profissional”. É um mito porque embora ter eventualmente longas jornadas profissionais possa contribuir para está comprovado que o excesso de trabalho leva a resultados mais pobres. melhorar os ganhos, com o tempo a única coisa que o excesso de trabalho faz é desenvolver uma fadiga profissional e um rendimento menor nas tarefas.

Trabalhar duro é visto por muitas pessoas como o caminho para o sucesso. Em parte elas têm razão: existem poucas possibilidades de triunfar realmente se não for a partir de um esforço contínuo. Elas se enganam, contudo, no fato de que o trabalho duro não é necessariamente “super-ocupação”.

De fato, está comprovado que o excesso de trabalho leva a resultados mais pobres.

“Uma máquina pode fazer o trabalho de 50 homens comuns. Mas não existe nenhuma máquina que possa fazer o trabalho de um homem extraordinário.”

O mais grave é que muitos descobrem estas grandes verdades quando já é tarde. Quando já adoeceram de estresse ou de qualquer outra patologia mental. Esta descoberta também acontece quando as pessoas percebem que pelo seu grau de exigência perderam momentos que já não poderão recuperar e aos quais nunca teriam renunciado racionalmente.

Encaram um divórcio pelo afastamento emocional dos seus cônjuges, ou percebem que seus filhos já são maiores e jamais compartilharam uma tarde de brincadeiras com eles. Acordam um dia e, ao abrir os olhos, são invadidos por uma profunda tristeza, uma dor que, por outro lado, o dinheiro ou o reconhecimento social dificilmente consolam.


Os efeitos de trabalhar em excesso


Quase todo mundo acha que deveria trabalhar o máximo quando é jovem, com o fim de garantir uma aposentadoria confortável. Contudo, logo percebem que depois de oito horas diárias dedicadas a uma atividade, a mente começa a divagar e a se dispersar. Dá muito trabalho se concentrar no que está fazendo e, às vezes, ter também um sono reparador.

Com o tempo, esses sintomas se transformam em um desânimo geral. Você se sente triste o tempo todo, com angústia de tentar cumprir totalmente com todas as suas obrigações e com sentimento de culpa por não conseguir que tudo seja perfeito.

É então quando você se torna irritadiço. Tudo, ou quase tudo, incomoda. Então, você justifica o seu mal-humor dizendo para si mesmo e para os outros que você é uma pessoa séria, que suas metas são muito altas e que você não pode passar o resto da vida sorrindo para tudo. “Para isso existem os perdedores idealistas”, você adiciona.

Você sente que logo haverá tempo para a sua vida pessoal. A oportunidade está aqui e agora e você não pode deixá-la passar. Claro que você tem que fazer alguns sacrifícios, mas em função dos seus objetivos, vale à pena.

Sem perceber, você está se transformando em uma peça dentro de uma engrenagem da produção e está trocando a sua saúde e a sua felicidade por dinheiro. Um dinheiro que você pensa em aproveitar quando já não tiver mais juventude para fazê-lo.

Não viva somente para trabalhar


Segundo uma pesquisa de Bannai e Tamakoshi, o excesso de trabalho está na base de quase todos os problemas de sono e das doenças coronárias. Também descobriu-se que aqueles que trabalham demais costumam se transformar em consumidores de álcool com mais facilidade, desenvolvem diabetes tipo 2 mais frequentemente e têm maior risco de sofrer da Síndrome de Burnout.

O excesso de trabalho não traz nada de bom, exceto algum dinheiro extra no fim do mês que, de qualquer forma, não é suficiente para pagar o que você está causando à sua saúde física e emocional.

A única saída para se afastar desse círculo carcerário é a mais óbvia: trabalhar menos. O limite de oito horas diárias, cinco dias na semana, está ok, embora existam trabalhos que peçam uma jornada menor.

Se o desgaste físico, mental ou emocional é muito elevado, vale a pena considerar 6 horas como o limite indicado.

Obviamente sabemos que isto não é fácil e que no caminho da mudança podem aparecer duas grandes barreiras. Primeiro: muitos chefes não vão querer que a pessoa trabalhe menos. E segundo que você precisa se persuadir a si mesmo de que trabalhar menos não é sinal de fraqueza e sim de inteligência.

Você pode driblar o primeiro problema organizando o seu trabalho de tal forma que cumpra com a sua jornada dedicando o número de horas indicado para trabalhos difíceis e deixando as outras para as atividades simples. Quanto à segunda, depende unicamente de você.


Três chaves para não trabalhar em excesso


Para evitar que o trabalho se transforme em uma atividade sem fim, que consuma os melhores momentos da sua vida e estrague a sua saúde, estas são três ideias que você pode aplicar:

É melhor economizar mais e trabalhar menos. Na maioria das vezes, quanto mais se ganha, mais se gasta. Por isso o dinheiro nunca alcança. Se, pelo contrário, você decide fomentar o hábito da economia contínua e consistente, poderá se surpreender com os resultados. Talvez você precise aprender a postergar o gosto de gastar e planejar melhor a sua economia.

Ouça o seu corpo. Nenhuma doença se apresenta de forma súbita; ela vai sendo cozinhada pouco a pouco e lança diversos avisos antes de aparecer. Não seja insensível ao que o seu organismo lhe diz. Reconheça os sinais de fadiga e preste atenção a eles.
Reconheça e aceite os seus limites.

A maturidade começa quando você é capaz de reconhecer os limites da realidade, começando pelos seus próprios limites. Talvez você queira triunfar mais do que ninguém, mas você não pode fazer isso em troca da sua saúde e do seu bem-estar.

De fato, se você se dedicar com alegria ao que você faz, se você colocar um “até aqui” à sua jornada profissional, terá maiores probabilidades de alcançar a excelência naquilo que faz. O dinheiro, mesmo que demore um pouco mais, provavelmente virá depois.

Fonte: site A mente é maravilhosa

domingo, 26 de março de 2017 0 comentários

VIAJAR TORNA VOCÊ MAIS INTELIGENTE E SAUDÁVEL



 ESTUDOS REVELAM: Viajar pode melhorar sua saúde como um todo e aumentar sua inteligência.


Poucos percebem, mas a verdade é que umas boas férias podem te fazer trabalhar muito melhor. Com elas, você ganha disposição mental e física, além de impulsionar seu lado criativo, resolvendo mais problemas no dia a dia.

Entenda, a partir de agora, como uma viagem pode melhorar a saúde do seu cérebro, do seu coração e até dos seus músculos.


Viajar pode destravar sua criatividade


Você já percebeu que a criatividade nasce das novas experiências?

Quando a parte mais empolgante do seu dia é ficar sentado em frente ao computador ou tomar um café enquanto fala de trabalho, você está impedindo sua mente de buscar inspiração.

O professor e autor Adam Galinsky diz que:
Experiências em países estrangeiros aumentam a flexibilidade cognitiva, a profundidade e a integração dos pensamentos.

E destaca:
Isso melhora nossa capacidade de fazer novas conexões entre assuntos diferentes.

Isto significa basicamente que novos sons, cheiros e paisagens ativam sinapses criativas no cérebro.

E como você pode despertar tudo isso? Simples: viajando.

Muitas pessoas criativas, como os escritores Ernest Hemingway e Mark Twain, utilizaram suas experiências internacionais para aprimorar o seu trabalho.

Os romances de Hemingway são fortemente inspirados pelo tempo que ele passou na França e na Espanha, por exemplo. Sua exposição a novas e diferentes culturas permitiu que ele escrevesse alguns dos seus melhores trabalhos.

Se não é possível sair para outro país, não tem problema, tente ao menos sair para outro estado ou para uma cidade que possua uma cultura um pouco diferente da sua. Isso ajudará abrir sua mente, pois saindo você poderá experimentar outros tipos de comidas, visitar monumentos históricos, fazer amizade com os moradores locais ou mesmo caminhar por outras ruas.

Enfim, conviver um pouco em um ambiente diferente por alguns dias pode inspirar fortemente suas habilidades criativas. E você não só terá mais criatividade, mas também será mais saudável e mais feliz.


Viajar impulsiona sua capacidade cerebral


Saiba que entre os benefícios da viagem, como mencionamos acima, está uma boa saúde mental. Uma pesquisa realizada pela Associação de Viagem dos EUA mostrou que as viagens, especialmente para os aposentados, evitam a demência e o mal de Alzheimer.

A pesquisa também revelou que 86% das pessoas que viajam estão satisfeitas com a sua vida, em comparação com 75% das pessoas que não viajam.


Viajar torna seu coração mais forte


E os benefícios não param, saiba que viajar, além de enriquecer sua capacidade cerebral, também reforça a sua saúde cardíaca.

De acordo com a associação Framingham Heart Study, as pessoas que não tiram férias durante vários anos são mais propensas a sofrer ataques cardíacos do que aquelas que viajam anualmente.

Isso acontece porque pessoas que viajam anualmente diminuem o estresse e ansiedade, reduzindo por consequência, a pressão cardíaca. Os viajantes também informaram que os sentimentos de relaxamento e felicidade continuaram por diversas semanas, mesmo depois de voltar das férias.


Viajar também mantem você em forma


Neste ponto, com tantos benefícios, você já está quase achando que viajar faz milagres, não é? Pois é, mas saiba que sim, a viagem pode te ajudar a emagrecer.

O motivo é que quando você está de férias, seu corpo tende a ficar mais ativo: você explora novos lugares, passeia pelas lojas da cidade, faz trilhas e caminhadas, nada no mar ou piscina e por aí vai.

E mesmo que, porventura, você fique sentado por algumas horas fazendo um tour em um ônibus, ainda assim você ainda estará se movimentando mais do que se estivesse preso no escritório ou assistindo TV em casa.

Em suma, viajar irá te fazer feliz, até mesmo antes da viagem acontecer


De acordo com um estudo da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, as pessoas que sabem que vão sair de férias se sentem mais felizes do que as pessoas que estão indo comprar algum bem material.

Outra pesquisa feita na Universidade de Surrey também revelou que as pessoas são mais felizes quando sabem que têm uma viagem chegando. Ou seja, apenas o ato de planejar uma viagem de férias já melhora significativamente o seu humor e bem-estar.

Imagine você tirando férias, pense em como é divertido fazer o roteiro, arrumar a mala, contar para os seus amigos e família sobre a viagem. Todas essas coisas impactam positivamente o seu estado de espírito.

Então, aproveite. Deixe para comprar um novo celular em outro momento e planeje sua próxima folga, compre a passagem para o destino que você quer conhecer e deixe sua mente e seu corpo aproveitaram todas as vantagens que uma viagem traz. Se estiver com bastante tempo e saúde, nem compre a passagem, vá em seu carro ou moto, curta também o trajeto.

Artigo traduzido e adaptado, do original “Studies Show How Travel Can Make You Smarter And Healthier” publicado no site americano, Life Hack.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016 0 comentários

ANSIEDADE TÓXICA: O QUE É E COMO RECONHECÊ-LA





Sentir-se ansioso não é necessariamente algo ruim, mas quando este sentimento se transforma em uma ansiedade tóxica, crônica e dolorosa, pode prejudicar muito o nosso dia a dia.

O que queremos destacar é que a princípio a ansiedade é normal e saudável, pois nos ajuda a manter uma certa ativação para nos proteger de perigos iminentes ou para desempenhar algumas tarefas.

Contudo, apesar da sua natureza protetora, ela aparece pelo simples fato de termos medo de que a angústia, a preocupação, o nervosismo, as palpitações, os pensamentos intensos, o suor, etc, se perpetuem.

Então, permitimos a criação de um tipo de círculo vicioso por meio do qual sentimos ansiedade quando antecipamos a mesma. Ou seja, o mesmo temor que a emoção em si mesma nos provoca possibilita as mesmas sensações e a mesma realidade que tanto nos causa medo.

Ansiedade tóxica e os monstros da adrenalina e do cortisol


Este estado que denominamos “círculo vicioso da ansiedade” vem acompanhado da atividade de dois hormônios principais: a adrenalina e o cortisol. Para entender como funcionam podemos pensar em como respondemos quando tropeçamos em uma escada. Automaticamente o coração dispara e costumamos procurar o corrimão para proteger a nossa própria integridade física.

Este conjunto de sensações, as quais correspondem à ansiedade saudável, nos dão energia e força para nos proteger. São momentos de intensa e desagradável excitação nos quais o corpo admite, por necessidade, a liberação de uma boa quantidade de adrenalina e de cortisol.

Também poderíamos pensar em um passeio de montanha-russa no qual as sensações o tornam desagradável e violento, ao contrário de divertido. Acontece que quando estamos a ponto de cair da escada ou quando subimos na montanha-russa, sabemos que as sensações são passageiras e que assim como vêm, também vão.

Contudo, quando os perigos respondem a expectativas ou pensamentos que procuram antecipar perigos futuros, não permitimos que o simpático monstro da adrenalina adormeça. Como não deixamos que ele adormeça, o monstro se alimenta de nossas preocupações em forma de adrenalina, o que nos prende cada vez mais nessas sensações de angústia sem que exista nada que o justifique.

Significa dizer que a adrenalina e o cortisol ficam sem nada, nem ninguém para salvar do dragão. Estão ali presentes porque nós os alimentamos com pensamentos de futuro que antecipam más experiências.

Tudo isso fica preso em nosso próprio interior, apesar de procurar sair e se libertar. Por isso acontecem os ataques, por isso a insônia persiste, os pensamentos negativos e as sensações de bloqueio não vão embora.


Algumas máscaras que a ansiedade tóxica usa para se manifestar:


Preocupação crônica


A ansiedade pode se revelar através de uma preocupação incessante sobre a família, a saúde, as metas acadêmicas ou profissionais, a situação financeira, etc. É provável que diante destas preocupações sintamos que o estômago está em plena centrifugação e que exista a sensação de que alguma coisa ruim acontecerá mesmo desconhecendo o que e por quê.

Medos e fobias

Um medo excessivo e irracional de agulhas, do sangue, dos procedimentos médicos, de altura, de elevadores, do dentista, da água, de bichos como aranhas ou répteis, dos cães, das tempestades, dos lugares fechados, etc. Este tipo de máscara é outra dura imagem que a ansiedade escolhe para se mostrar.

Ansiedade quanto à atitude

Às vezes a ansiedade faz com que fiquemos paralisados diante de uma prova acadêmica, uma atuação, uma competição esportiva ou qualquer outra situação que demande o bom desempenho na execução de uma tarefa.

Ansiedade de falar em público

O medo desproporcional de falar em público é outra das “formas favoritas” que a ansiedade tem de se mostrar. Sentimos que o mundo dá voltas, trememos, ficamos nervosos e achamos que a nossa própria mente ficará em branco na hora em que qualquer deslize evidente ocorrer.

Fobia social

Sentir-se nervoso, tenso e incapaz de articular uma palavra nas reuniões sociais é outra máscara que a ansiedade usa para nos cumprimentar. Pela nossa mente passam coisas como “não tenho nada interessante a dizer”, “não consigo falar com ninguém”, “vão pensar que sou uma pessoa esquisita e fracassada”, “não vale a pena porque ninguém se interessa por mim”, etc.

Ataques de pânico

Suor, tontura, bloqueio, rigidez, fortes palpitações, medo intenso… Você já sentiu isto alguma vez de forma repentina e achou que iria morrer? Se é o caso, nessa ocasião a ansiedade se vestiu com uma fantasia cruel: o ataque de pânico.

Agorafobia

Você tem medo de estar fora de casa? Você tem a clara convicção de uma coisa horrível pode acontecer com você na rua, na fila do supermercado ou no ônibus? Você, por exemplo, sente que vai sofrer um ataque de pânico e que ninguém poderá ajudá-lo? A ansiedade se vestiu de agorafobia ou, o que é a mesma coisa, de um medo intenso de estar em espaços públicos.


Obsessões e compulsões

Existem pensamentos que atormentam você de forma incessante e que você não consegue tirar da cabeça. Ao mesmo tempo, alguma coisa no seu íntimo obriga você a realizar constantes rituais supersticiosos com o objetivo de controlar seus medos.

Por exemplo, você pode sentir a necessidade de lavar constantemente as mãos, de checar várias vezes se fechou a porta com chave ou de rezar 10 pais nossos para proteger a sua família. A ansiedade se disfarçou de obsessões e compulsões, um dos seus trajes mais obscuros.


Transtorno de estresse pós-traumático

Você já viveu um evento traumático (abuso sexual, maus-tratos, presenciar um assassinato, etc.) faz meses ou anos e as imagens dessa situação horrível voltam repetidamente na sua cabeça? Você não dorme bem e não se sente seguro diante disto? Consulte um especialista em saúde mental porque talvez a ansiedade esteja se manifestando como transtorno do estresse pós-traumático.

Preocupação com a aparência física (transtorno dismórfico corporal)

A sua aparência física lhe parece tremendamente anormal, mas só você enxerga o que você sente. O resto das pessoas que o rodeiam dizem que “não é para tanto”, que o seu nariz, seu corpo ou seu cabelo são normais.

É provável que você sinta necessidade de passar por uma cirurgia plástica e que constantemente se olhe no espelho com a intenção de corrigir o seu defeito. Talvez a ansiedade se manifeste na forma de transtorno dismórfico corporal. Considere isto e procure um especialista em saúde mental para consultá-lo.


Preocupação com a saúde (hipocondria)

Dores, fadiga, tonturas, desconforto… Você tem certeza de que existe alguma doença que coloca em risco a sua saúde, mas o médico não enxerga nada nos exames que realiza. Pode até ser que as explicações que ele oferece não tranquilizem mais a sua mente.

É possível que você esteja sendo vítima da ansiedade em forma de hipocondria, e para você curar a sua saúde precisa procurar um bom profissional de psicologia que avalie as suas crenças e o seu jeito de pensar sobre a saúde.
segunda-feira, 29 de junho de 2015 0 comentários

SOLITÁRIOS PRAZERES


Por: Cristina Romualdo

Cercada de preconceitos, muitas vezes interpretada como ato
a masturbação é considerada importante para o conhecimento
do próprio corpo e para o desenvolvimento da sexualidade

pecaminoso ou capaz de fazer mal à saúde, atualmente 


Danae, 1907-1908, óleo sobre tela de Gustav Klimt Falar sobre masturbação costuma provocar constrangimentos, mesmo nos dias de hoje. Apesar de bem informados muitos homens e mulheres não tratam do assunto com naturalidade, seja na intimidade da relação com seus parceiros ou na educação dos filhos. Sem dúvida, falar sobre assuntos relacionados a sexo ainda é difícil para a maioria das pessoas – e a masturbação é um dos temas que mais provoca inibições. Para melhor entendermos o porquê dessas reações é preciso, em primeiro lugar, definir o significado dessa prática.

A masturbação pode ser entendida como uma excitação, habitualmente rítmica, efetuada com as mãos, na zona genital, própria ou do parceiro, com ou sem orgasmo, segundo o psicólogo Juan Carlos Kusnetzof. Já o médico William Howell Masters e a psicóloga Virginia Eshelman Johnson, que na década de 50 iniciaram pesquisas sobre a sexualidade humana, destacam como um dos aspectos definidores deste comportamento a auto-satisfação sexual obtida não só por meio da manipulação dos genitais, mas também pela estimulação de outras partes do corpo.

Conhecer a evolução histórica da sexualidade humana nos ajuda a desmistificar o tema e a entender o papel da prática no desenvolvimento sexual de homens e mulheres como forma de conhecer o próprio corpo – até para tornar o ato sexual partilhado mais prazeroso.

A palavra masturbação parece ter sua origem na expressão latina manusstuprare, que significa “manchar com a mão”, e sempre esteve, erroneamente, associada ao onanismo. Na verdade, o termo refere-se à prática do coito interrompido. Onan foi um personagem bíblico cujo irmão morreu sem ter tido filhos no casamento. Segundo costume do povo hebreu, o irmão que sobrevivia tinha a obrigação de se casar com a viúva para lhe dar filhos. Onan cumpriu a lei, mas por um motivo desconhecido praticava o coitus interruptus, ejaculando fora da vagina da parceira. Por isso, Deus o teria castigado – não por ter se masturbado e sim por não ter fecundado a mulher de seu irmão.

TEMA FREQÜENTE nas artes, representado às vezes com sutileza, a masturbação chegou a ser descrita como “atentado à humanidade” Desde os primórdios da humanidade, muitos mitos surgiram em torno do ato masturbatório e foram transmitidos de geração a geração. Alguns perderam-se ao longo do tempo, mas outros são mantidos até hoje. É o caso, por exemplo, da crença de que a masturbação freqüente traria aos jovens problemas sexuais no futuro; ou ainda, de que a produção de sêmen é limitada e, se esse “estoque” for gasto, o homem não poderá ter filhos. Para compreendermos como falsas concepções foram associadas à prática é necessário contextualizá-la nas diferentes épocas históricas, vislumbrando o cenário no qual se inseria.

Na Antigüidade, festivais egípcios celebravam a vida garantida pelos rios Nilo, Tigre e Eufrates. Nesses rituais, atribuía-se o poder da criação aos deuses e se creditava a eles a capacidade de manter a água corrente, fertilizando as terras por meio da masturbação – um ato considerado sagrado.

ENTRE MULHERES
Já os gregos não viam na prática nenhuma ligação com as divindades, mas também não a tinham como pecaminosa: acreditavam ser um comportamento natural, praticado mais pelas mulheres do que pelos homens, pois naquela cultura, em geral, havia pouco interesse dos homens em ter relações com suas companheiras, a não ser que fosse para gerar herdeiros. Portanto, não cabia a elas nenhum tipo de satisfação sexual, daí a idéia de que buscavam prazer pela masturbação praticada por elas mesmas ou por outra mulher.

Na Idade Média a Igreja Católica conquistou não apenas enorme poder econômico e político, como também predominância ideológica, instituindo mentalidade teocêntrica. Nesse período, em geral somente os padres eram alfabetizados e mantinham o controle das bibliotecas. Conseqüentemente, delimitavam o conhecimento ao qual a população em geral teria acesso. O matrimônio, nessa época, era recomendado pela Igreja por duas razões principais: por propiciar a única situação em que os filhos podiam ser concebidos sem a mácula do pecado e por manter os homens mais “regrados” e distantes de práticas consideradas pecaminosas – como homossexualidade, sexo anal ou oral, zoofilia e masturbação.

Já na Idade Moderna, época de grandes descobertas científicas, o poder sobre o conhecimento passou para as mãos dos médicos e a ciência se colocou a serviço da moral e de questões sociais. A masturbação era vista como atentado contra a humanidade, pois persistia a idéia de que ao “desperdiçar” o sêmen, a perpetuação da vida era impedida. No final do século XIX, uma outra forma de entender o homem e, conseqüentemente, sua sexualidade começou a se delinear. Neurologistas e psiquiatras apresentavam suas concepções sobre o funcionamento mental humano e a sexualidade passou a ser compreendida não apenas em seu aspecto físico, mas também psíquico.

Sem dúvida, o maior representante dessa nova forma de conceber as manifestações sexuais foi Sigmund Freud. Ele demonstrou interesse pelo tema da masturbação em 1892, buscando compreender o papel dessa atividade na vida do indivíduo, sua relação com os distúrbios psíquicos e questionando se a prática poderia originar traumas sexuais. Freud não via a masturbação como um vício a ser eliminado por meio de tratamento, mas a entendia como um comportamento inerente ao desenvolvimento sexual, que traria danos ao indivíduo, somente se sua estrutura psíquica já fosse propensa a distúrbios. Contudo, também acreditava que sua continuidade na vida adulta levaria à diminuição da potência sexual.

Em 1920, Wilhelm Stekel, colaborador de Freud até uma década antes, publicou o livro Impotência masculina – Perturbações psíquicas na função sexual do homem, no qual afirma que a masturbação, em si, não causa dano à saúde física ou psicológica. Tal atividade só provocaria distúrbios neuróticos que poderiam afetar o desempenho sexual quando vivenciada com culpa e sentimentos de autopunição provocados por proibições morais e religiosas.

Essa nova visão da sexualidade, que se afastava de uma óptica moralista e procurava se aproximar de uma concepção anatomofisiológica do funcionamento sexual, contribuiu para que surgisse uma proposta de tratamento para as disfunções sexuais, desenvolvida por Masters e Johnson no fim da década de 50. A proposta terapêutica baseava-se em uma seqüência de tarefas prescritas aos pacientes, cujo objetivo era devolver a eles a capacidade de concretizar, satisfatoriamente, a relação sexual. Posteriormente, a sexóloga Helen Singer Kaplan utilizou técnicas de compreensão psicodinâmica da problemática sexual, procurando identificar resistências intrapsíquicas e motivações inconscientes, bem como problemas de relacionamento conjugal que poderiam originar disfunções sexuais.

O psiquiatra e antropólogo Phillippe Brenot sintetiza bem a evolução pela qual a prática masturbatória passou ao longo da história da humanidade, em seu livro Elogio da masturbação. De pecado a ser condenado e doença a ser tratada, o ato transformou-se em recurso utilizado por especialistas para melhor conhecer a sexualidade humana e, cada vez mais, tem se tornado aceito como comportamento inerente ao desenvolvimento sexual saudável – que permitiu avanços científicos no estudo da sexualidade humana.

DURANTE A PUBERDADE
A primeira observação de espermatozóides num microscópio, feita no século XVII pelo holandês Anton van Leeuwenhoek, por exemplo, só foi possível graças à masturbação. Masters e Johnson conseguiram descrever a fisiologia da resposta física sexual graças a pessoas que consentiram em participar do estudo – se masturbar. E, por fim, tanto o exame de espermograma como a fecundação in vitro, usados respectivamente para diagnosticar e para contornar problemas de esterilidade, utilizam o esperma obtido pela masturbação.

A prática costuma ocorrer em diferentes fases do desenvolvimento humano. Na infância, é entendida como manipulação que assume caráter de autoconhecimento. Nesse processo descoberta de si, os pequenos buscam repetir as vivências prazerosas e evitar as que causam algum tipo de sofrimento, seja ele psíquico ou físico. Com a exploração do próprio corpo a criança descobre as regiões que lhe dão prazer ao serem tocadas. Sensações e emoções experimentadas durante essa exploração servirão de base para vivências sexuais futuras. Nessa fase, ela ainda não tem a mesma capacidade do adulto para compreender o que faz e por que o faz; não consegue identificar o toque em seus genitais como prazer erótico; não tem intenção de se estimular sexualmente. Se há algo de errado nessa situação é somente aos olhos do adulto que, confrontado com as próprias questões sexuais, pode se incomodar com a atitude da criança. Na verdade, podemos dizer que, nessa etapa, ela apenas se manipula para obter satisfação – esse ato somente se transformará de fato em masturbação quando atingir a puberdade.

Na adolescência, as alterações hormonais levam ao amadurecimento dos genitais, provocando novas sensações, o que intensifica a busca de prazer por meio da estimulação do próprio corpo. A maior conquista dessa fase é a aquisição do pensamento abstrato, o que possibilita o uso de fantasias como fonte de excitação sexual. Neste sentido, a masturbação antecipa a realidade no plano imaginário, abrindo caminho à concretização de futuras relações afetivo-sexuais e favorece o processo de amadurecimento sexual.
Ainda é muito comum ouvirmos homens e mulheres afirmando, equivocadamente, que a masturbação só é praticada por adultos que não têm vida sexual ativa, pois ainda prevalece a crença generalizada de que o amadurecimento do indivíduo leva à primazia e à exclusividade do ato sexual. Entretanto, não há nenhum motivo que justifique tal concepção; cada prática traz diferentes sensações prazerosas, não excludentes entre si.

Em geral, o início da vida a dois é cheio de novidades e existe muita energia para ser investida no relacionamento sexual. Nesta etapa da vida, a masturbação solitária pode tornar-se para alguns uma atividade rara. Contudo, é possível se beneficiar dessa prática por meio da estimulação mútua, o que pode ser um interessante instrumento de descoberta erótica para o casal, pois permite que cada um dos parceiros conheça melhor o corpo e a sexualidade um do outro.

UM JEITO DE APRENDER
Uma outra situação na qual a masturbação costuma ser utilizada como forma de manter a atividade sexual é quando um dos parceiros adoece ou sofre acidente que o impossibilite de ter relações de maneira convencional. Tal incapacidade não implica, necessariamente, privação de prazer para o casal. Na velhice, a manutenção do comportamento também costuma ser muito saudável.

Há ainda um longo caminho a ser percorrido para que as pessoas possam reconhecer a masturbação não apenas como uma manifestação sexual, mas também como um processo de aprendizado que o indivíduo tem sobre si mesmo.

Afinal, a excitação se apresenta com inúmeras variedades de ritmos e intensidades; está presente a todo o momento em nossa vida: por exemplo, ao saborearmos um alimento gostoso; ao ouvirmos um som suave; ao inspirarmos um aroma agradável; ao apreciarmos a beleza da natureza; ao sentirmos o calor do contato da pele de uma pessoa querida. Com a masturbação não é diferente, o ato possibilita a descoberta da própria sexualidade, por meio da experiência do auto-erotismo. Quando praticada sem culpas ou temores, fortalece a autoconfiança, eleva a auto-estima e proporciona o autoconhecimento.

CONCEITOS-CHAVE
- Muitas vezes vista como pecado ou doença ao longo da história, a masturbação transformou-se em recurso usado por médicos e especialistas em saúde mental para melhor compreender a sexualidade humana, desmistificar o tema e entender o papel da prática no desenvolvimento sexual.

- Segundo o psicólogo Juan Carlos Kusnetzof, a masturbação pode ser entendida como excitação sexual provocada por movimentos ritmados na zona genital.

- Freud questionou a relação do comportamento com os traumas sexuais, como se julgava no fim do século XIX (e até hoje ainda se acredita em alguns meios). Para ele, não se tratava de “vício” a ser curado, mas sim de comportamento inerente ao desenvolvimento sexual, que somente traria danos ao indivíduo se sua estrutura psíquica já fosse precocemente propensa a distúrbios.

Durante muito tempo predominou a intensa preocupação com a sexualidade – e principalmente com sua repressão. Nesse contexto, a masturbação deveria ser evitada a qualquer custo, até mesmo com o uso de trajes que dificultassem a prática. Ao analisar as formas de exercício de poder, o filósofo francês Michel Foucault ressaltou que no século XVIII a Igreja Católica cedeu, gradativamente, seu lugar ao saber médico e o corpo humano tornou-se objeto de novas técnicas de controle: além de culpabilizar aqueles que se deleitavam com a manipulação dos próprios genitais, o saber dominante os ameaçava com os mais terríveis prognósticos a respeito de sua saúde física e mental. No Dicionário das ciências médicas, de Serrurier, considerado obra de referência do início do século XIX, “o jovem masturbador” era descrito como um ser de “pele terrosa, língua vacilante, olhos cavos, gengivas retraídas e cobertas de ulcerações que anunciavam uma degeneração escorbútica. Para ele, a morte era o termo feliz de seus longos padecimentos”.

PELOS MEANDROS DA CULPA
“Pode-se falar em um retorno terapêutico à masturbação. Muitos, como eu, terão efetuado a experiência que representa um grande progresso quando o paciente, no decorrer do tratamento, volta a se permitir a masturbação, ainda que sem a finalidade de permanecer nessa fase infantil”, escreveu Sigmund Freud, em 1912.

Ainda hoje, na clínica, relatos de pacientes referentes a masturbação freqüente aparecem vinculados não só à vergonha, mas também à culpa. Tocar de forma erotizada o próprio corpo expressa a busca do prazer – sem o álibi da reprodução ou do ímpeto de satisfazer o desejo do outro – e revela o caráter subjetivo da sexualidade. Já a culpa decorre do reconhecimento, ainda que a contragosto, da lei à qual somos subordinados e se insere numa dimensão simbólica. No caso da masturbação, é preciso assinalar a estreita relação da culpabilidade com o mito da impossibilidade de gerar descendentes. A culpa sempre traz a impotência: haja vista o gesto simbólico de “lavar as mãos”, praticado por personagens (fictícios ou não) assolados por esse sentimento, como Lady Macbeth e Pilatos. O ato “limparse” também pode ser associado à idéia de que há algo de muito sujo no próprio sexo.
Revista Cérebro&Mente 
terça-feira, 13 de maio de 2014 0 comentários

A PRIMEIRA MORTE



A pequena tragédia de um homem comum
diante do exame de colesterol.


A notícia veio em um exame de rotina, aberto na página do laboratório na internet enquanto tomava um chocolate quente. Na verdade, leite com um chocolate em pó cheio de porcarias que ele toma desde a infância e, por isso, aos 43 anos, é uma fonte de alegria permanente na prateleira da cozinha. Quando bateu na minha porta, os olhos escancarados, avisando que tinha uma má notícia, eu pensei logo em câncer. No nosso tempo, é o que a gente sempre pensa, mesmo que não diga. “Meu colesterol está alto”, ele disse. “Muito acima do péssimo.” Amoleci inteira e até esbocei um sorriso. “Ah, mas isso não é tão grave.” Mas era. Eu não fui capaz de perceber logo, mas era a primeira morte de meu melhor amigo.

Não era uma doença incurável, não era um drama humanitário, não era nada que alterasse a ordem do mundo. Era só a pequena tragédia dele. Comezinha e cotidiana. A tragédia de um homem comum, com uma vida comum, que sentia a primeira fisgada do fim.

No percurso de uma vida, quando temos a sorte de ter uma existência longa, passamos por várias pequenas mortes e renascimentos. É importante que partes de nós morram para que outras possam nascer – ou apenas para que esses pedaços mofados de nossas crenças sobre nós ou da crença de outros sobre nós saiam do caminho. É triste quando alguém é uma coisa só a vida toda – perdendo a chance de acolher todos os outros de si. Quando alguém anda pela vida apertado em uma roupa que nunca lhe serviu direito, mas que foi vestida nele ou nela por seus pais ainda na infância, como se fosse o único modelo que lhe coubesse.

É importante que, em algum momento, de preferência mais cedo do que tarde, a gente descubra que essa roupa não serve – ou que apenas algumas partes servem e outras precisam ser jogadas fora, para que novas possam ser inventadas. É essencial que nos libertemos dos dogmas impingidos sobre nós para podermos criar uma vida que faça mais sentido – e para nos sentirmos livres para recriá-la o tempo todo. O olhar do outro sobre nós, a começar pelo dos nossos pais, às vezes é redenção, em outras é prisão, em geral é ambos.
Por isso me parece que uma vida é mais rica quando morremos e renascemos muitas vezes. Mas esta é a existência psíquica, é o que se passa em nossas porções invisíveis, naquela parte da nossa geografia que não se pode tocar com as mãos. Poucas coisas ou nenhuma são mais assustadoras do que ousar se libertar de um jeito de ser cujo funcionamento conhecemos. Porque ainda que esse jeito nos sequestre o desejo, nos parece mais seguro do que enfrentar o vazio de descobrir formas de viver mais próximas de nossos anseios. Mas, se tivermos essa coragem que anda de mãos agarradas com o medo, nós nos responsabilizamos pelas nossas escolhas, seguimos e criamos e morremos e renascemos. Muitas vezes.

Em algum momento, porém, o corpo anuncia uma morte da qual não é possível renascer. A rigor, começamos a morrer desde o nascimento. De fato, nosso declínio físico começa aos 20 e poucos anos, mas esses sinais podem ser ignorados. E são. Por volta dos 40 – um pouco depois, para quem tem mais sorte, um pouco antes, para quem tem mais azar –, recebemos a notícia da primeira morte que não podemos ignorar. A primeira morte do corpo.
Foi o que aconteceu com meu melhor amigo. Para não morrer nos próximos anos de enfarte ou AVC por causa das artérias entupidas de gordura, ele matou com um só golpe um mundo inteiro dentro de si. Não é uma mera mudança de hábitos, como médicos e nutricionistas tentam nos convencer em consultas, reportagens e sites da internet. É um mundo inteiro que se extingue como se o Sol explodisse de repente, muito antes dos bilhões de anos calculados pelos astrônomos. Para quem vive nesse planeta, é uma hecatombe. Para a imensidão do universo, é um nada, estrelas morrem o tempo todo sem que a ordem da vida dos outros se altere. 

Para o planeta humano que é meu melhor amigo, foi uma hecatombe. Acabaram-se as feijoadas, o churrasco, a pizza, o hambúrguer, a batata frita, os pastéis, os bolos, os bolinhos, as tortas, os chocolates. Mas não só. Encerrou-se a possibilidade de renovar a qualquer momento a memória de uma vida de afetos: a receita de bacalhau da mãe que morreu, a torta de morangos que só a sogra sabe fazer, o feijão gordo que a mulher prepara toda quinta-feira e havia se tornado um acontecimento, a noite com o amigo de infância recheada de cumplicidade, chope e frituras.

Acabou-se a possibilidade de degustar territórios ainda não desbravados. As experiências gastronômicas com um amigo chefe de cozinha. O acesso às dores de alma e as alegrias de outros povos e terras através da comida, dos ingredientes e dos temperos, que o instigavam a jamais perder nenhuma chance de viajar. Suas próprias invenções com as panelas que reuniam os mais próximos em alegres descobertas na mesa da cozinha. Agora, ele terá de recusar pratos em almoços e jantares – e será um problema na cozinha alheia. 
Um mundo dentro do mundo morreu em um segundo. E a notícia dessa morte o lembra o tempo todo de que é só a primeira das muitas que virão. “Tenho medo de morrer de repente”, ele diz. Porque sente que uma parte dele teve morte súbita tendo ele mesmo por testemunha. “Eu não fumo, não uso drogas, só bebo em ocasiões especiais”, ele diz, traído. Eu quase digo: “A vida não dá garantias”, mas me contenho a tempo. 

Sei que dentro dele toca o réquiem de Verdi, dramático e grandiloquente, mas só ele escuta. Porque sua tragédia é prosaica, acontece com muitos, não é notícia nem na família. Ele é só mais um homem diante do parapeito da ponte – sem vontade de atirar-se dali, mas apavorado porque um dia vai estar lá embaixo.

Pesquisamos juntos na internet, tentamos inventar receitas, descobrir novos ingredientes, criar um mundo novo dentro do universo restrito ao qual ele foi confinado. Cheiramos desconfiados uma linguiça de soja, passamos retos pela manteiga, enchemos o carrinho de coisas verdes. Depois vamos ao cinema para esquecer seu pequeno drama diante da grandeza do drama maior de um outro, mas quando estaqueamos diante da pipoca, o luto desce sobre ele, inexorável. Sabemos que é preciso aceitar essa morte, assim como todas que virão, com o excesso de perdas que ela contém. Em geral não se morre de uma vez só, mas aos poucos. E é o corpo que nos ensina a brutalidade dessa verdade.

O colesterol não encolheu apenas a largura das artérias de meu melhor amigo, mas também a largura da sua vida. Ele sabe que não pode escapar dos limites impostos pelo corpo. Pode, como todos nós, no máximo adiá-los. No exame do laboratório o tal do LDL avisa que a juventude, aquele tempo no qual era possível fingir que não havia limites, acabou. Mas a gordura que entulha as artérias de meu melhor amigo não lhe obstrui o espírito. Porque morreu e nasceu muitas vezes ao longo de seus 43 anos, há nele uma vida dentro da vida que se amplia também nesse choque com os limites. Enquanto o corpo falha, sua mente recolhe suas lágrimas, sua surpresa e sua dor e os transforma em uma experiência a mais. 

Sempre foi assim, afinal. É no confronto com a miséria da condição humana que produzimos o melhor do humano. Condenados eternamente ao fracasso de nosso embate com a morte, inventamos essa vida dentro da vida. Que, se tivermos a ousadia de morrer e nascer várias vezes no espaço de uma existência, será uma vida maior que a vida.

Não tenho dúvidas de que meu melhor amigo seguirá suspirando de saudades de uma picanha gorda ou de um feijão com costelinha de porco. Mas, nesse último final de semana, ele já havia colado um cartaz patético na cozinha, com imagens suas de a.C. e d.C. – “C” não de Cristo, mas de colesterol. Estava entrouxado de roupas porque acreditava que os 100 gramas que tinha perdido desde que abriu o exame tornaram-no “mais friorento”. E tentava inventar uma maionese caseira sem ovos nem óleo.

Soube então que estava salvo. Não do colesterol, mas de algo muito pior: uma vida pequena.

ELIANE BRUM
quinta-feira, 1 de maio de 2014 2 comentários

ALHO: QUANTO MAIS VELHO MELHOR



Você já deve ter comprado um pacote de alho e notado que, com o tempo, um talo esverdeado começa a brotar, certo? Saiba que isso não significa que está na hora de o tempero ir para a lixeira — muito pelo contrário.

De acordo com um estudo recém-publicado no periódico Journal of Agricultural and Food Chemistry, nesse momento a capacidade antioxidante do alho é ainda maior do que quando ele está fresco.

Os pesquisadores acreditam que, ao nascerem essas estruturas, novos compostos são criados, intensificando a presença de substâncias capazes de nos proteger contra o câncer, aumentar a imunidade e contribuir para a saúde cardiovascular.
terça-feira, 18 de março de 2014 0 comentários

SEXO TÂNTRICO: MAIS PRAZER E ENERGIA!



A filosofia tântrica é baseada na consciência corporal e intimidade,
prometendo um orgasmo intenso e mais longo.


“Havia incorporado a ideia de transar para aliviar o estresse em vez de usá-lo para me aproximar do parceiro. Hoje sei me vincular, sustentar uma intimidade.” É assim que a terapeuta corporal Isabelle Moura, 27 anos, relata sua experiência com o sexo tântrico. Profissional formada em técnicas de massagem, ela se especializou no atendimento tântrico há dois anos.

Popularmente conhecida como uma técnica que retarda o orgasmo e potencializa o prazer, o sexo tântrico é mais que isso. A prática proporcionaria um movimento de energia sexual capaz de se expandir e circular pelo corpo, passando pelos canais de energia chamados de chakras. “Não tem qualquer urgência, você aproveita aquilo, se nutre. Isso tira a nossa afobação”, relata Isabelle. De acordo com os praticantes, um orgasmo “tântrico” pode durar mais de uma hora - e com o tempo o organismo aprende a lidar com essa intensidade. Além disso, a sensação tende a ser diferente do sexo comum, porque em vez de expulsar a energia e acabar logo, o prazer se espalha para o resto do corpo. No caso dos homens isso significa que não há ejaculação durante o clímax. Mas nada disso é conquistado em um passe de mágica: exige disposição, treino e um olhar diferente sobre o sexo. O trabalho terapêutico pode ser realizado junto a especialistas em atendimentos individuais, para casais ou em vivências de grupo, e envolve técnicas de respiração e massagens (algumas delas na região genital). Esse processo ajuda na redescoberta do corpo e desenvolve a intimidade das pessoas com a excitação, apontam os profissionais.

Redescoberta do prazer        
Quem pratica sexo tântrico também muda os hábitos sexuais e a forma como vê a transa, se desprendendo de imagens, conceitos e atitudes como a do homem dominador, mulher submissa ou esposa responsável pela satisfação sexual do parceiro. “Todos já têm um jeito de fazer a relação sexual, um condicionamento, um vício. Acham que, quanto mais forte o sexo, mais intimidade terão. Mas o afeto é o caminho da relação sexual - e não se vestir de enfermeira ou mulher samambaia”, diz Gabriel Saananda, terapeuta. A excitação, nesse caso, acontece em um processo de relaxamento e não por fetiches, fantasias ou tensão. É menos mental e baseada no toque do outro. “É mais sensorial, refinado. A maioria dos homens ainda é muito machista, e o tantra tira isso”, diz Celi Shakti, terapeuta tântrica. “Você aprende a ter soltura, falar o que deseja”, completa ela.

Para conhecer novas formas de fazer sexo, não são as posições que se tornam fundamentais, mas explorar áreas do corpo e brincar com as sensações usando mais que genitais, mãos e boca. Parte do treinamento, inclusive, consiste em retirar a penetração do sexo. Nesse processo, a pele tem um papel importante, produzindo fluxos e espalhando estímulos pelo corpo. “É o maior órgão que temos. A gente cuida, enche de creme, mas ela está congelada sensorialmente. Não temos uma educação sexual para estimular a pele”, aponta Saananda.

Orgasmo potencializado
No tantra há a possibilidade de atingir um “multiorgasmo”, uma finalização que não deixa o casal cansado, e sim cheio de disposição, como explica Saananda. Treinando a ter pulsos de orgasmo, a sensação é prolongada. “A mulher é capaz de ter vários orgasmos. Tem que aprender a fazer essa energia subir pelo corpo, se abrir e confiar em si mesma”, diz. Assim como ele, Shakti também ressalta a feminilidade do Tantra, já que ele é baseado na energia vital que provém da mulher. Entre os benefícios do tantra estão a consciência corporal e a confiança.

Na vida sexual ele promete ajudar mulheres na menopausa ou com outras dificuldades sexuais, homens que sofrem com ejaculação precoce e impotência. “Foi há muito anos que me encontrei pela primeira vez com uma mulher tântrica que não me deixava ejacular. Para um argentino, engenheiro e com ejaculação precoce foi um susto. Mas deu um clique na minha vida”, conta Saananda.

O trabalho com a energia sexual não beneficia os praticantes apenas entre quatro paredes. Além de melhorar a qualidade dos relacionamentos, o fluxo de energia dá mais vitalidade, disposição e lucidez para todos os momentos do dia, segundo os terapeutas. “Você leva isso na forma de estar no mundo. A energia sexual é a energia vital. Quando você não joga ela fora em uma ejaculação ou orgasmo, muda seu padrão”, diz Saananda. Já Shakti explica que a libido tem que estar presente em todas as áreas da vida, até no trabalho: “O tantra te ensina a ser sensual o tempo todo, seduzir as coisas para você”, aponta. Para Julia Sakamoto, o tantra a ajudou a driblar a timidez e ser mais segura com o próprio corpo. Aos 41 anos, a profissional de estética se aproximou do tantra há três anos e nos últimos sete meses intensificou as terapias. “Com as vivências sei me amar, tocar, me ver como sou. Hoje me olho de corpo inteiro no espelho”, diz ela. O trabalho tântrico a ajudou a quebrar bloqueios sexuais que ela carregava pela religião e formação familiar.

O tantra no dia a dia: Fazer sexo tântrico exige prática e estudos. Mas é possível introduzir um pouco desse conhecimento no seu dia a dia. Os terapeutas tântricos dão dicas para melhorar o sexo: - Sair para jantar e tomar um vinho parece muito romântico, mas o álcool e estômago cheio atrapalham no desempenho - Reserve um momento do seu dia para o sexo, quando não tiver muito cansada ou estressada. É preciso estar disposta e não fazer por obrigação. O horário da manhã é recomendado - Arrume o quarto para fazer massagens um no outro. Brinquem de explorar os corpos digam o que desejam sem receio - Aposte em trilhas sonoras mais femininas ou calmas - Respire fundo no durante, puxando o ar pra dentro em vez de soprando forte para fora. E seja muito feliz!
segunda-feira, 26 de agosto de 2013 0 comentários

O PREÇO A PAGAR


Escolher entre os prazeres da mesa e a vaidade 
é de uma crueldade que deve ter sido inventada pelo demônio

UM DOS PRAZERES da vida é comer, comer o que a gente gosta; e depois que a gastronomia ficou na moda, difícil é decidir entre comer de tudo ou viver fazendo dieta a vida inteira. Pode parecer que este é um tema superficial, só que não é; implica fazer uma opção, o que é sempre um tormento.
As tentações estão em todos os lugares: nas fotos das revistas, nas vitrines, numa conversa no telefone. Onde vamos almoçar domingo, recebi um chouriço e aprendi uma receita nova, venha para cá, você traz o vinho, e quem resiste a um convite desses? E dizer não a troco de quê?

A vida é combate, como sabemos; mas escolher entre os prazeres da mesa e a vaidade de ter um corpinho esbelto é de uma crueldade que deve ter sido inventada pelo demônio. É sempre assim: a cada prazer vem imediatamente a conta, aliás, o castigo, como aprendemos com as freiras. Se num único dia você come tudo que não devia, vai precisar de dez a pão e água -aliás, só água- para voltar ao peso antigo, o que é a prova da injustiça da vida. Se viajou por duas semanas, quando chegar vai encontrar a TV sem funcionar, e se estiver tudo na mais santa paz, desconfie. Tem mais: quanto mais maravilhosa tiver sido a viagem, mais dramáticos serão os problemas; talvez o melhor seja filosofar, imaginando que este é o tal do equilíbrio fundamental da vida -dizem.

Estamos cansados de saber que é preciso comer com moderação, beber com moderação, ser sensata ao passar por uma vitrine, não tomar sol demais, não beber demais, não ler demais, para não cansar a vista, não rir demais -muito riso, pouco siso-, não amar demais para não cair do cavalo, não acreditar demais no ser humano para não se decepcionar, mas também não ser totalmente descrente, pois sem acreditar, a vida não tem sentido. Por sensatez, compreenda-se: o mundo quer que se viva de maneira média -e quando se fala em mundo, fala-se dos pais, dos irmãos mais velhos, das leis, das pessoas com juízo; crianças médias não ameaçam a estabilidade da família, esposas com desejos médios não põem em risco o casamento, cidadãos médios são mais fáceis de ser governados. Mas é possível ser sensata e feliz? É possível ficar na praia olhando o relógio para ver se já são 10h, já que a partir daí não se pode mais tomar sol?

Não, não é; viver medindo tudo, para não ser nem de menos nem de mais, ser equilibrada o tempo todo, a vida inteira, não dá. Às vezes é preciso ser radical, em qualquer dos sentidos, e escolher: ou come tudo que tiver vontade ou passa fome; ou bebe tudo que tiver vontade ou toma água. Água, essa coisa tão sem graça, não só pode, como deve.

Uma coisa é certa: seja qual for sua decisão, você vai pagar por ela. Deve haver um lugar no universo onde se possa ter tudo o que se quer ao mesmo tempo, sem precisar contar as calorias, pesar, medir os prós e os contras, e sem pagar o preço.

Tem alguma graça ganhar uma caixa de chocolates e comer civilizadamente só um ou dois? E sentir de repente uma paixão daquelas incontroláveis e se conter, quando sua vontade é ir para o fim do mundo, se fim de mundo houvesse, e fazer tudo, absolutamente tudo que tem vontade, mandando às favas a tradição, a família, a propriedade e o que mais for preciso? Qual a relação entre uma caixa de chocolates e uma paixão? Teoricamente, nenhuma.

Só que as duas, depois que acabam, costumam deixar uma mulher devastada. No corpo ou na alma.

DANUZA LEÃO
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SOBRE O PROPÓSITO DA VIDA


Não me refiro aqui à vida de cada um, que envolve nossas escolhas e esperanças, os planos que traçamos no decorrer dos anos. Nossas vidas, claro, têm, ou deveriam ter, um ou mais propósitos.

Falo da vida como fenômeno natural, essa estranha organização da matéria dotada de autonomia, capaz de absorver energia do ambiente à sua volta e de se preservar por meio da reprodução.

O tema gera confusão. Precisamos ter cuidado. Todas as formas de vida têm um propósito essencial: sobreviver. Esse é ainda mais importante do que o outro propósito, reprodução. Afinal, bebês e vovôs estão vivos, mas não se reproduzem. Pode-se até dizer que a vida é uma forma de organização material que tem o ímpeto de se preservar.

Essa é uma diferença essencial que distingue seres vivos de outras formas de organização material, como estrelas ou rochas, que não têm o ímpeto de se preservar: apenas existem, passivamente, entregues aos processos físicos que definem suas interações. No caso das rochas, a existência é delimitada pela sua interação com a erosão --água mole em pedra dura tanto bate até que fura. No caso das estrelas, existem enquanto têm combustível suficiente no seu centro (hidrogênio) para resistir à atração gravitacional, que levará à sua implosão.

Todas as formas vivas têm o propósito de preservar sua existência. Essa é a diferença essencial entre o vivo e o não vivo.

A confusão com relação à questão do propósito vem quando nos deparamos com a diversidade das formas de vida. Dada tanta riqueza, tanta criatividade, fica difícil de aceitar que tudo surgiu sem um propósito maior, sem a intenção de criar criaturas cada vez mais complexas.

A coisa complica ainda mais quando aprendemos que a história da vida na Terra mostra uma complexidade crescente. A vida aqui surgiu há pelo menos 3,5 bilhões de anos. Desses, os primeiros 2,5 bilhões foram dominados por seres unicelulares, bactérias apenas. Apenas cerca de 600 milhões de anos atrás é que a diversificação começou para valer. Na famosa explosão do Cambriano, em torno de 550 milhões de anos atrás, a complexidade da vida decolou. De lá para cá, mais criaturas foram surgindo no mar, na terra e no ar, com complexidade e diversificação crescente.

Fica difícil de aceitar que não existe um propósito maior na vida, que é o de aumentar sua complexidade. O clímax dessa complexidade seríamos nós, humanos. Esse propósito oculto é chamado teleologia.

Mas essa conclusão é falsa. Não existe um "plano" de tornar a vida complexa a ponto de gerar formas inteligentes. Vejam os dinossauros, que existiram por 150 milhões de anos e permaneceram burros. O que a vida quer é se preservar. Contanto que esteja adaptada ao ambiente, continuará bem, com mutações ocorrendo sem grandes revoluções.

Fundamental nessa dinâmica é o acoplamento da vida ao ambiente. Variações ocorrem quando o ambiente muda. Se mudássemos algo na história da Terra, como a queda do asteroide que eliminou os dinossauros 65 milhões de anos atrás, a história da vida mudaria também. Provavelmente não estaríamos aqui. Na natureza, criação e destruição andam juntas. Mas nessa coreografia não existe coreógrafo. 

MARCELO GLEISER
sábado, 29 de junho de 2013 0 comentários

GENTILEZA GERA SAÚDE

Como uma dieta diária de emoções positivas 
altera o funcionamento do corpo

O trabalho criativo é fascinante. O sujeito está lá, pressionado pelo prazo, pelo cliente, pelo chefe, torturado pela obrigação de traduzir uma ideia em três palavras. Precisa ser uma mensagem sintética e eficaz. Dessas que grudam nos miolos e produzem o movimento desejado: um impulso de consumo, uma sensação, uma mudança de comportamento. O coitado tenta um, dois, três, trinta caminhos e fracassa.

Se tiver sorte, é liberado para pegar umas horinhas de sono. Dorme, acorda, se enfia no chuveiro e, enquanto esfrega o shampoo no couro cabeludo ensebado, pumba! Lá vem ela. Límpida, exata, a mais perfeita tradução do que pretendia comunicar.

Fico elucubrando a respeito dessas etapas sempre que um slogan me conquista. Leio, admiro, sinto e me pergunto qual será o cérebro por trás da ideia. Quem inventou? Como inventou? Com que facilidade ou sofrimento inventou? Foi no chuveiro? Na academia? No momento em que a pasta de amendoim escorregou sobre o pão?

Tendo a achar que as boas ideias nunca surgem no ambiente de trabalho. Comigo é assim. Minhas ideias são rebeldes. Só aparecem quando tenho alguma ilusão de liberdade. Aí agarro um guardanapo, uma caderneta soterrada na bolsa, um lenço de papel, um recibo de cartão de débito para anotar as palavras certas enquanto é tempo.

Sempre achei que algo semelhante tivesse acontecido com o felizardo criador da frase “gentileza gera gentileza”. É uma mensagem perfeita, na forma e no impacto. Ela induz um sentimento de boa vontade em relação aos desconhecidos. Alguém que escolheu usar uma camiseta com essas palavras ou colou no carro esse adesivo deve ser, pelo menos em tese, uma pessoa respeitosa, interessante.

Só recentemente descobri que essa frase não foi criada por um redator profissional. É obra de uma personalidade urbana carioca, conhecida como profeta Gentileza, morto em 1996. Ele andava de túnica branca e barba longa e, nos anos 80, criou 56 painéis sob um viaduto da Avenida Brasil. Um deles trazia a frase genial.

Estou convencida de que gentileza gera gentileza, mas há quem sustente que gentileza gera saúde. Uma delas é a psicóloga Barbara Fredrickson, professora da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ela é uma das tantas pesquisadoras que buscam explicar como o bem-estar emocional produz saúde física.

Pessoas que vivem relações afetuosas e são capazes de encarar a maioria dos desafios com otimismo tendem a viver mais e com mais qualidade. Diferentes estudos sugerem que emoções positivas fortalecem o sistema imune. Por consequência, diminui o risco de contrair resfriados e conviver com processos de inflamação crônica. Outros trabalhos indicaram menor propensão a doenças cardiovasculares, dores de cabeça, fraqueza etc.

Em seu novo trabalho, publicado na revista Psychological Science, Barbara investiga como as emoções afetam o nervo vago. Ele é responsável pela inervação de diversos órgãos, como o coração, o estômago, o pulmão, o intestino delgado, entre outros. Por meio dele, o cérebro é informado sobre o estado das vísceras.

Quando um susto, um stress agudo acelera os batimentos cardíacos e coloca o organismo inteiro em alerta, o nervo vago e seus auxiliares trabalham para restabelecer a normalidade. Eles reduzem a pressão arterial e normalizam os batimentos cardíacos.

Nesses tempos de stress crônico, é fundamental encontrar formas de manter o nervo vago funcionando adequadamente. Do contrário, o corpo inteiro sofre.

Sessenta e cinco voluntários se inscreveram no novo estudo de Barbara. Metade do grupo participou de aulas de meditação compassiva, uma técnica destinada a desenvolver sentimentos como bondade e compaixão.

Durante as sessões, eles foram instruídos a focar a mente em suas próprias preocupações. Aos poucos, deveriam incluir as aflições das pessoas com que se relacionavam.

Em silêncio, deveriam repetir frases como: “Você pode se sentir seguro”; “Você pode se sentir feliz”; Você pode se sentir saudável”. Sempre que a mente vagasse por outros lugares, os praticantes deveriam trazê-la de volta a essas frases.

Fora das aulas, em momentos estressantes ou chatos como ficar preso num congestionamento, eles deveriam se esforçar para fixar a mente nesses pensamentos. “É algo como suavizar o próprio coração para estar mais aberto aos outros”, disse Barbara à revista Time.

Cascata das bravas? Conversinha de autoajuda? Pelo sim, pelo não, vale a pena acompanhar os resultados do trabalho.

Antes do início do estudo e ao final dele, a variação da frequência cardíaca dos voluntários foi analisada. Essa é uma medida da resposta do nervo vago. Quanto mais tonificado é o nervo, maior é a variação da frequência cardíaca. E mais baixo é o risco de doenças cardiovasculares. O nervo também participa do controle dos níveis de glicose e da resposta do sistema imune.

Além de tudo isso, o vago tem papel importantíssimo na forma como nos relacionamos. Está ligado aos nervos que sintonizam nossos ouvidos com a fala humana, coordena o contato visual e regula a expressão das emoções. Também influencia a liberação de oxitocina, um hormônio importante para a formação de vínculo entre as pessoas.

Todos os participantes (os que meditaram e os que não participaram das aulas) registraram as emoções positivas e negativas vividas no cotidiano durante 61 dias.

Resultado: quem meditou registrou um aumento de emoções positivas, como alegria, interesse, serenidade e conexão com outras pessoas. Essas sensações foram acompanhadas de uma melhoria na função do nervo vago.

É um sinal de que uma dieta diária de emoções positivas favorece a saúde. E o mais interessante: esses benefícios podem ser mensuráveis.

Só meditar, no entanto, não adianta. A alteração na função do nervo só ocorreu naqueles em que a prática realmente ajudou a melhorar as emoções. Não houve mudança no padrão fisiológico entre os que meditaram, mas emocionalmente continuaram na mesma.

É um bom começo. Resta saber se os benefícios fisiológicos da prática e da mudança de olhar sobre os fatos são sustentáveis no longo prazo. Novos estudos estão em andamento.

Enquanto eles não ficam prontos, que tal colocar um pouquinho de gentileza no seu dia? Responder ao bom dia que alguém lhe deseja. Segurar a porta do elevador e oferecer passagem. Não avançar sobre a travessa de comida assim que o garçom a coloca sobre a mesa se decidiu dividir o prato com uma colega de trabalho – principalmente se você é homem e ela tiver idade quase suficiente para ser sua mãe.

Recentemente, recebi todas essas demonstrações de falta de gentileza. Nenhum dos autores as interpretou como gafe ou deslize. Se essas são as novas regras de convivência, prefiro viver à moda antiga.

Gentileza gera gentileza. Gentileza gera saúde.

CRISTIANE SEGATTO

              Mucamas do PCdoB

          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
terça-feira, 25 de junho de 2013 0 comentários

O Brasil está no osso, inflação, PIB pífio, endividado, o povo endividado...


A MODA AGORA É FALAR SOBRE A POSSIBILIDADE DE IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA,ou melhor "presidenta". Mas o maior problema não é a pessoa, e sim, o sistema que tem que mudar.

Por favor minha gente, não adianta destrona-la e deixar toda a quadrilha com o dinheiro que nos foi tirado, as refinarias da Petrobrás tomadas pela Bolívia, as Universidades doadas na África quando aqui criam um sistema nojento de cotas para os alunos da rede pública poderem cursar uma faculdade, dívidas perdoadas, caças doados, mensalão, como o BMG que até 2004 poucos sabiam que existia, agora patrocina campeões, como o Itaú criou um monopólio financeiro da noite pro dia passando a ser o maior banco do hemisfério sul?

O que na verdade precisamos, é fazer com que ela e os demais governantes coloquem o país no eixo, com medidas equilibradas e projetos sociais seguros; precisamos parar com as roubalheiras nas obras faraônicas e fantasmas, e concluir as que já está em curso. Precisamos de saúde de qualidade boa com investimentos controlados; precisamos de uma educação bem programada para atender aos anseios dos jovens na construção do futuro do país; precisamos extirpar a corrupção com atitudes firmes e sem o jeitinho brasileiro; precisamos acabar com a fome e a miséria, dando oportunidade de estudo e trabalho aos que estão abaixo da linha da pobreza. Enfim, precisamos de um país sério de verdade.


              Mucamas do PCdoB

          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
quinta-feira, 30 de maio de 2013 0 comentários

PARALISIA DO SONO: O QUE É, E COMO TRATAR.



A paralisia do sono é um acontecimento pouco conhecido e que é responsável por causar muito espanto e vários mitos. Ela consiste em uma condição caracterizada por paralisia temporária de todo corpo, que se sucede imediatamente após o despertar, ou mais raramente, logo após adormecer. Entenda melhor o que é a paralisia do sono e como tratar.

Entendendo a paralisia do sono
Durante o sono mais profundo, chamando de REM, ocorre uma paralisia fisiológica do corpo, conhecida como “atonia REM”, que é responsável por preservar a integridade física do organismo, uma vez que a pessoa pode se mexer enquanto dorme e acabar se machucando.
Esse evento está intimamente relacionado com a paralisia do sono, que ocorre quando o cérebro desperta do estado REM, mas a paralisia corporal persiste. O resultado é que a pessoa fica totalmente consciente, mas incapaz de se movimentar. Para piorar a situação, o indivíduo pode literalmente sonhar acordado, sofrendo alucinações hipnagógicas.

Sonho ou realidade?
Não é incomum pessoas que sofreram a paralisia do sono relacionarem o episódio como sendo apenas um sonho. Na verdade esse evento explica muitos relatos de sonhos onde as pessoas se veem deitadas na cama e impossibilitadas de se moverem e, de acordo com os cientistas, justifica até mesmo alguns relatos de abduções alienígenas e encontros com fantasmas.
Normalmente as alucinações que costumam acompanhar a paralisia do sono ajudam a aumentar as chances das pessoas que passam pelo problema acharem que tudo não passou de um sonho, pois objetos imaginários aparecem no quarto, se misturando com os objetos normais.

Sintomas da paralisia do sono
O principal sintoma do problema é a paralisia, onde a pessoa é incapaz de mover as partes do corpo ou falar, tendo apenas um controle mínimo sobre a respiração e os olhos. Geralmente ela ocorre assim que a pessoa desperta repentinamente, pois o cérebro pensa que ela continua dormindo e mantém a atonia REM com a pessoa consciente. As alucinações são outro sintoma frequente, mas que não ocorre em todos os casos. É possível que o paciente escute sons estranhos ou sinta a presença de alguém. Essas manifestações são muito parecidas com sonhos.

Tratamento
A maioria das pessoas não precisa de tratamento para a paralisia do sono, sendo o suficiente apenas a mudança e eliminação de alguns hábitos simples, que se relacionam com o desenvolvimento do problema. A medida mais importante é melhorar a qualidade do sono, dormido por, no mínimo, 6 horas por noite e tratamento problemas como a ansiedade e insônia, que atrapalham o descanso noturno. Em alguns casos o uso de medicação, como os antidepressivos e estimulantes do sono, podem ajudar a tratar outras doenças de base e prevenir o problema, mas devem ser indicadas por médico especialista.
A paralisia do sono é um problema pouco conhecido e que resulta em episódios extremamente desconfortáveis e assustadores, que muitas vezes podem ser confundidos com sonhos e até mesmo com encontro com fantasmas. Geralmente o problema pode ser prevenido com boas noites de sono e, em casos persistentes, é necessária uma consulta médica para melhor investigação.

Fonte: Mundo das Tribos, 22 de janeiro de 2013

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sexta-feira, 15 de março de 2013 0 comentários

5° CASA - A ARVORE


         


                                                                   5- A ARVORE 

É uma carta positiva, porém de longa espera. Uma arvore demora para crescer até se formar uma arvore de verdade. Uma carta de projetos a longo prazo, algo que demora a acontecer,mas quando a acontece tem raiz profundas, realizações duradoras. 

É também a carta da boa saúde, da cura e da família. 

Na umbanda é  a carta do orixá Oxossi

Atribulação profissional: Qualquer atividade

Saúde: Pé / Garganta – cura própria

Prosperidade geral / Crescimento / Evolução / Saúde / Vida longa / Frutos / Capacidade de materializar ideias/ Pés no chão

Link indicado: 6° CARTA - AS NUVENS

terça-feira, 12 de março de 2013 0 comentários

Novena da Prosperidade



Novena da Prosperidade, tem que ser iniciada no primeiro dia de Lua Cheia e, feita por 9 dias . Eu gosto de fazer com uma vela branca acesa. Uso a mesma vela durante os 9 dias e no ultimo, deixo queimar ate o fim.

Que a divina ordem tome conta da minha vida hoje e todos os dias. A partir de hoje, todas as coisas funcionaram para o meu bem! Sou guiado de forma divina e tudo o que eu fizer vai prosperar. O amor divino me cerca e me absorve e eu caminho em paz. Sempre, que a minha atenção se desviar do que é bom e construtivo, imediatamente eu a trarei de volta para a contemplação do que é admirável e de boa fama, sou um ímã mental e espiritual atraindo todas as coisas boas que me abençoam e me fazem prosperar. A partir de hoje, alcançarei um sucesso maravilhoso em todas as minhas tarefas, a partir de agora, eu serei realmente feliz durante o dia inteiro e a noite inteira, porque o Universo Conspira ao meu Favor, porque Todas as Coisas Contribuem para o Meu Bem, porque:

• Eu sou Paz e eu transmito Paz;
• Eu sou Saúde e eu transmito Saúde;
• Eu sou Equilíbrio e transmito Equilíbrio;
• Eu sou Harmonia e transmito Harmonia;
• Eu sou Amor e transmito Amor
• Eu sou Luz e transmito Luz;
• Eu sou Auto Controle e transmito Auto Controle;
• Eu sou Humildade e transmito Humildade;
• Eu sou Integração e transmito Integração;
• Eu sou Sabedoria e transmito Sabedoria e,
• Eu sou Essência e transmito Essência
- Deus habita em meu coração!
- Deus habita em seu coração!
- Deus habita em nossos corações!
E QUE ASSIM SEJA!


Fonte: Eu Sou uma Bruxa



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