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quinta-feira, 16 de julho de 2015 0 comentários

CAROLINA MARIA DE JESUS




(Sacramento, 14 de março de 1914 — São Paulo, 13 de fevereiro de 1977)

  A catadora de lixo que virou escritora. saiu do quarto de despejo para ganhar o mundo. Em sua época chegou a vender tanto quanto Jorge Amado e hoje, infelizmente, encontra-se no esquecimento.



Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Filha ilegítima de um homem casado, foi tratada como pária durante toda a infância, e sua personalidade agressiva contribuiu para os momentos difíceis pelos quais passou. Aos sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar os estudos dela e de outras crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e a escrever.

A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica quando ainda era jovem. No entanto, ao longo da vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na congregação. Em seu diário, Carolina muitas vezes faz referências religiosas.

Em 1937, sua mãe morreu, e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer coisa que pudesse encontrar. Ela saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Quando encontrava revistas e cadernos antigos, guardava-os para escrever em suas folhas. Começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como era morar na favela. Isto aborrecia seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.

Teve vários envolvimentos amorosos quando jovem, mas sempre se recusou a casar-se, por ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Preferiu permanecer solteira. Cada um dos seus três filhos era de um pai diferente, sendo um deles um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano dos moradores da favela e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que via. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.
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PRINCESA NEGRA DA LITERATURA

CAROLINA MARIA DE JESUS

(Sacramento, 14 de março de 1914 — São Paulo, 13 de fevereiro de 1977)

  A catadora de lixo que virou escritora. Saiu do quarto de despejo para ganhar o mundo. Em sua época chegou a vender tanto quanto Jorge Amado e hoje, infelizmente, encontra-se no esquecimento.

Carolina jamais se resignou às condições impostas pela classe social a qual pertencia. Em uma vizinhança com alto nível de analfabetismo, saber escrever era uma conquista excepcional. Carolina escreveu poemas, romances e histórias. Um dos temas abordados em seu diário foram as pessoas do seu entorno; a autora descrevia a si mesma como alguém muito diferente dos outros favelados, e afirmava “que detestava os demais negros da sua classe social”.

Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero podem levar pessoas boas a trair seus princípios simplesmente para assim conseguir comida para si e suas famílias.



http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/bloco/escritora-carolina-maria-de-jesus-completaria-100-anos





sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0 comentários

VIRA-LATA DE RAÇA




Eu sou só um bicho carente de carinho
Uma criança problema no meio de um dilema
Ou choro sozinho num canto na hora do espanto
Ou banco o palhaço e faço estardalhaço
No fundo, no fundo, no fundo sou um vagabundo
Um vira-lata de raça, raposa no dia de caça
Eu quebro o protocolo, me atiro no seu colo
Eu salvo sua vida quando você se suicida
Minha dor não dói, sou marginal, sou herói
Eu sou Marlon Brando, vivo numa ilha
Não faço papel de santo nem pra minha família
Não posso ser outra coisa se não James Dean
Eu sempre fui mais bonzinho quando sou ruim
Minha dor não dói, sou marginal, sou herói!

Ney Matogrosso



terça-feira, 28 de janeiro de 2014 3 comentários

SOU MALUCA SIM POR UM BRASIL SEM PRECONCEITO



UM MENINO NEGRO ENTRA EM UM MERCADO.
UM HOMEM BRANCO DIZ: "NÃO PERMITO PESSOAS DE COR AQUI"

O MENINO NEGRO DIZ: "EU NASCI PRETO.
QUANDO EU ESTOU CONGELANDO, EU SOU NEGRO.
QUANDO ESTOU DOENTE, EU SOU NEGRO.
QUANDO EU ESTIVER MORTO, ESTAREI NEGRO.
QUANDO VOCÊ NASCE, VOCÊ É ROSA.
QUANDO VOCÊ ESTÁ CONGELANDO, VOCÊ É AZUL.
QUANDO VOCÊ SE SENTIR ENVERGONHADO, VOCÊ FICA
VERMELHO.
QUANDO VOCÊ ESTÁ MORTO, VOCÊ FICA ROXO...
E VOCÊ ESTÁ ME
CHAMANDO DE PESSOA DE COR?"

"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos ainda haverá Guerra"
(Bob Marley)

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BRASIL DE NEGROS E MESTIÇOS


O Brasil, que jamais respeitou negros e mestiços continua desrespeitando, excluindo e desmerecendo a quem hoje chama afrodescendente.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013 1 comentários

CHICO BUARQUE FALA SOBRE RACISMO

 

Chico Buarque fala sobre racismo no Brasil e sobre seu desapontamento ao saber que o neto sofria agressões raciais na escola.



 Em uma das raras entrevistas, o cantor e compositor fala sobre racismo e a sua visão de Brasil. Segundo o artista, não existe branco no Brasil e é uma ilusão o brasileiro querer negar a mestiçagem nacional. Chico também relata casos de racismo sofridos pela família. Ele conta que já foi vítima de piadas racistas por conta do genro, Carlinhos Brown, ser casado com sua filha Helena Buarque. Confira:


“Percebo o racismo no Brasil, é claro. Percebo claramente e até mais diretamente. Depois que a minha filha se casou com o Carlinhos Brown, e brincando ou não, eu ouço referências disso o tempo todo, até mesmo andando na rua. Até mesmo algum tipo de gracinha agressiva.

Primeiro as pessoas pensam que são brancas. Pensam que eu sou branco, por exemplo. Só no Brasil que eu sou branco, ou que minha filha é branca. Um dia eu falei brincando que ninguém no Brasil é branco, a não ser a Xuxa e se ela não casar com o Tafarel, aí vão acabar os últimos brancos brasileiros.

Daquela semana para cá, eu fui num restaurante e tinha uma senhora sentada, com um cabelo amarelo pintado, ela começou a gritar: “eu sou branca!”. E isso num restaurante, supostamente chique.

Isso é uma coisa muito mal resolvida no Brasil. O brasileiro não aceita o fato de ser mestiço, não aceita mesmo. Isso é uma coisa que pega fundo. Todo mundo fala assim: quando é teoricamente, ou fulano fala que tem um pé na cozinha e todo mundo ri, mas não tem não, imagina se um democrata ia falar isso, todo mundo está vendo que ele é branco. Então não dá para ser, quer dizer, a não ser o imigrante filho de imigrante.

A minha família é antiga no Brasil, tanto lado de pai como de mãe. Agora tem essa mania de livros com genealogia. Aí, você vai ver lá e tem uma hora que para de aparecer um nome, as pessoas somem. É impossível imaginar que famílias do século XVI ou XVI não tenham se misturado com índio ou com preto. Não havia como.

Todo mundo diz “eu sou descendentes de fulano, descendente de sicrano, de um barão”. Sim, mas você tem dois pais, quatro avós, vai olhar lá na árvore, são oito bisavós, 16 tataravós. Chega no século XVI, você tem 128 antepassados. Esses 128 não podem ser 128 brancos, não podem ser!

Não é possível que aquela senhora do cabelo amarelo seja branca, não pode ser. E isso a pessoa não quer aceitar. Escravo não, preto não! Quer dizer, sem ser diretamente com os meus netos, já aconteceu uma agressão à casa em que eles moravam. Saíram de lá, a família saiu de lá e foram para a Bahia.

Quando a minha família vem agora, o Carlinhos e os filhos, eles ficam na casa de Marieta (Severo, atriz), porque ficou desagradável conviver e morar num condomínio de classe média na Gávea, onde eles eram claramente indesejáveis, onde foram agredidos. Você não tem o que fazer. Meu ímpeto era ir lá e chamar o síndico. Perguntar “quem foi que fez isso?”. E não adianta, é inútil.

Isso está impregnado, aqueles caras que na praia dizem: “Ô Chico”, “Chico, cadê o genro?”. Aqueles caras ali na praia pensando que são brancos, e não são brancos. Eles pensam que são brancos. Nós não somos brancos.

O que me aborrece é a hipocrisia. A hipocrisia e a ignorância da situação. Isso é ignorância, é incultura. O nosso valor é a miscigenação. As pessoas pensam que não são mulatas, e são mulatas. E estão fazendo muita coisa boa porque são mulatas. A mistura de raças é essencial. No futuro da humanidade, não vai ter como se manter sem isso. Para citar o caso da França. A periferia lá com todos aqueles filhos, netos de árabes. As filhas estão se casando. Elas querem casar com preto, com mulato, e lá também, se a Xuxa não se casar com o Tafarel, daqui a três gerações não vai existir mais o francês puro, de raça branca, né? O ariano, e mais lentamente, a tendência vai ser sempre essa miscigenação.

O Brasil já está adiantado nesse processo, é um exemplo de que a miscigenação dá certo”.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013 1 comentários

MAS RACISMO NO BRASIL NÃO EXISTE




Esse é apenas um dos gráficos que evidencias as condições atuais dos negros no Brasil.
Nesse link http://bit.ly/1bAC7Sj você tem acesso a o estudo completo.

Há quem defenda que não precisamos de um dia da consciência negra.Depois de ler esse estudo me diga se não existe racismo no Brasil.


Pesquisa do IPEA por Daniel R. C.Cerqueira(DIEST/IPEA) e Rodrigo Leandro de Moura
 (IBRE/FGV)
segunda-feira, 18 de novembro de 2013 1 comentários

MULATA EXPORTAÇÃO

Jaqueline ex-BBB




“Mas que nega linda
 E de olho verde ainda
 Olho de veneno e açúcar!
 Vem nega, vem ser minha desculpa
 Vem que aqui dentro ainda te cabe
 Vem ser meu álibi, minha bela conduta
 Vem, nega exportação, vem meu pão de açúcar!
 (Monto casa procê mas ninguém pode saber, entendeu meu dendê?)
 Minha tonteira minha história contundida
 Minha memória confundida, meu futebol, entendeu meu gelol?
 Rebola bem meu bem-querer, sou seu improviso, seu karaoquê;
 Vem nega, sem eu ter que fazer nada. Vem sem ter que me mexer
 Em mim tu esqueces tarefas, favelas, senzalas, nada mais vai doer.
 Sinto cheiro docê, meu maculelê, vem nega, me ama, me colore
 Vem ser meu folclore, vem ser minha tese sobre nego malê.
 Vem, nega, vem me arrasar, depois te levo pra gente sambar.”
Imaginem: Ouvi tudo isso sem calma e sem dor.
 Já preso esse ex-feitor, eu disse: “Seu delegado...”
E o delegado piscou.
 Falei com o juiz, o juiz se insinuou e decretou pequena pena
 com cela especial por ser esse branco intelectual...
 Eu disse: “Seu Juiz, não adianta! Opressão, Barbaridade, Genocídio
 nada disso se cura trepando com uma escura!”
Ó minha máxima lei, deixai de asneira
 Não vai ser um branco mal resolvido
 que vai libertar uma negra:

Esse branco ardido está fadado
 porque não é com lábia de pseudo-oprimido
 que vai aliviar seu passado.
 Olha aqui meu senhor:
 Eu me lembro da senzala
 e tu te lembras da Casa-Grande
 e vamos juntos escrever sinceramente outra história
 Digo, repito e não minto:
 Vamos passar essa verdade a limpo
 porque não é dançando samba
 que eu te redimo ou te acredito:
 Vê se te afasta, não invista, não insista!
 Meu nojo!
 Meu engodo cultural!
 Minha lavagem de lata!

Porque deixar de ser racista, meu amor,
 não é comer uma mulata!


De Elisa Lucinda
(Da série “Brasil, meu espartilho”)


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DEIXAR DE SER RACISTA, MEU AMOR, NÃO É COMER UMA MULATA!

Considerações sobre elogios racistas


Elogio racista é toda demonstração de admiração, afetividade ou carinho que se concretiza por meio de ideias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais conhecidos é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados tanto ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem muito bem os elogios racistas. Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses pequenos monstrinhos, usados inadvertidamente por amigos, familiares. Muitas vezes até por nossos parceiros.
Decidi fazer uma lista com 5 elogios racistas (e sexistas, diga-se de passagem) que muitas de nós escutamos quase que diariamente. Alguns são consenso, acredito. Outros nem tanto. Fico aguardando ansiosa para que você, mulher negra, deixe seu comentário dizendo se também acontece com você. Se concorda, se discorda. E sobretudo, o que você faz para deixar bem claro que o elogio racista pode ser tudo, menos bem-vindo e apreciado.

Adriana Alves é atriz e frequentemente é chamada de morena

01. “Você é uma morena muito bonita”

Esse é o elogio racista que mais escutei em toda minha vida. Minhas primeiras lembranças são do tempo da escolinha. Mesmo mulheres como Adriana Alves ainda são chamadas de morenas, pois se acredita que chamar alguém de negra é uma ofensa racial. Se você precisa se expressar, tente um simples “você é bonita ou atraente”. Ou ainda “você é uma negra linda”, o que, dependendo do contexto pode ser tão ruim quanto.
Mas em hipótese alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Que não é negra. Isto sim é racismo dos graúdos, pura e simplesmente. Quando acontece comigo, digo que não sou morena e nem moreninha, sou n.e.g.r.a. O bom é que, dependendo de como essa resposta é dada, a pessoa já se toca que ela não deveria ter começado o conversê, que simplesmente não estou disponível para esse tipo de diálogo. Nem com conhecidos, muito menos com estranhos.

meu cabelo. Foto Afrobella.

02. “Seu cabelo é muito bonito, posso pegar?”

Há alguns anos atrás, uma senhora ultrapassou todos os limites de uma convivência pacífica ao se aproximar de mim, cheia de dedos, me tocando sem permissão e dizendo que eu tinha uma “peruca muito bonita”. Não retruquei de caso pensado, antecipando seu constrangimento por jamais ter cogitado que uma mulher negra pudesse ter um cabelo comprido, ao natural. Minha vingancinha, e sou dessas, foi olhar aquela expressão de arrependimento por ter percebido o que fez.
Entendo que simples visão de uma negra com cabelo natural pode ser inebriante. Que persiste a completa desinformação sobre o nosso cabelo. Porém, isso não justifica o toque sem permissão. Não importa se é cabelo natural ou não. A menos que você conheça muito bem a pessoa, não toque em seu cabelo sem consentimento. Eu iria mais longe. Para mim a boa etiqueta simplesmente reza que não se deve nem mesmo pedir para tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida.

Alek Wek também é uma modelo de traços delicados

03. “Você tem os traços delicados”

Dizer que uma negra tem traços “delicados” muitas vezes tem a ver com a ideia de que será bonita se tiver uma expressão “fina”, leia-se semelhante a de uma pessoa branca. Como se determinado tipo de nariz (ou bochechas) fosse exclusivamente dessa ou daquela etnia. Uma de suas variantes é outra expressão igualmente racista – “você é uma mulher negra bonita” – algo que ao meu ver é a mesma coisa de dizer que “você é bonita para uma negra”.
Afinal, qual a dificuldade de dizer que uma mulher negra simplesmente é… Uma mulher bonita? Porque Alek Wek tem de ser descrita como uma “mulher negra bonita” enquanto as mulheres brancas são apenas “mulheres bonitas”? Mais uma vez, toda a sutileza do elogio racista. Ele reconhece que você é uma pessoa admirável, mas sempre fazendo questão de te colocar “no seu lugar”, como se algumas fronteiras jamais pudessem ser cruzadas.

Cena de Vênus Negra, de Abdellatif Kechiche


04. “Você tem a bunda linda”

Essa é uma opinião que certamente não é unânime. Faço questão de expressá-la como uma provocação que representa o pensamento de uma parcela significativa de mulheres negras. Para muitas de nós, esse comentário expressa a hipersexualização a que somos historicamente submetidas como exemplifica a triste biografia de Saartjie, denominada a Vênus Hotentote, exposta como atração circense em função da admiração que suas nádegas causaram na Europa do século XIX.
Apesar de todo respeito que tenho por tudo aquilo que acontece entre duas pessoas, preciso considerar a tradição racista secular desse tipo de discurso. Trata-se de reduzir a mulher a um pedacinho do seu corpo, desconsiderar sua humanidade, transformá-la num pedaço de carne exposto no açougue como aconteceu e acontece diariamente. Meu conselho é pergunte antes se a mulher a quem você pretende cumprimentar tem a mesma leitura desse tipo de elogio.

Mulata do Leandro de Itaquera

05. “Você é uma mulata tipo exportação!”

Esse elogio ainda o tratamento dispensado à mulher negra no seio da senzala, da casa grande. O pensamento que nos reduz em brinquedos sexuais. Dizer que uma mulher negra é uma “mulata tipo exportação” é esquecer uma tradição escravocrata secular, que transforma a mulher negra em “peça” que alcançará boa cotação no mercado onde a carne mais barata é a nossa. O nome desse mercado é exotificação. Em alguns casos, hiperssexualização.
Infelizmente também estamos falando sobre o modo racista com que as mulatas de escola de samba, mulheres que respeito e admiro, são mostradas e consumidas. Mulheres que levam o samba no pé, no sorriso, na raça. Que, ao invés de serem uma referência de beleza, são vendidas como frutas exóticas na temporada do carnaval. Mulheres que recentemente tem sido preteridas por “personalidades da mídia” em nome de uma pretensa “democracia racial” e muitas vezes com a anuências de algumas agremiações.
____________________________________________________________________________

Qual é a sua opinião?

Porém, preciso dizer que os elogio racistas podem (e devem)  subvertidos. Quando o assunto são as mulatas de quem já falei aqui, isso é bastante evidente. Ser uma mulata exportação também atesta um padrão de excelência e traduz qualidades como perseverança, força. Minha professora de dança adora dizer que a graça de uma bailarina é diretamente proporcional à sua força. Mulatas são a expressão mais concreta desse enunciado.
Por isso fiz questão de usar como título desse post, um trecho do poema de Elisa Lucinda, Mulata Exportação, que resume tudo o que tentei dizer até aqui: “deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata” como muita gente gosta de pensar. E acrescento, “opressão, barbaridade, genocídio, nada disso se cura trepando com uma escura!”. Muito menos tecendo elogios racistas, diga-se de passagem. Quem o diz é a mulata exportação do poema. Sou eu, somos todas nós que já ouvimos essas porcarias.

Confesso que essa lista tem algo de muito pessoal, cujas entrelinhas tem muitas dedicatórias alimentadas por ironia. Nem por isso menos pertinente. Por isso adoraria ouvir a opinião de vocês. Esqueci algum elogio racista que te incomoda? Que te fez espumar de ódio, revirar os zóios e dizer algumas verdades? Você também acredita que esse tipo de comentário, como tudo aquilo que é racista e preconceituoso, diz muito sobre a pessoa que o faz do que sobre a pessoa a quem se destina?

Me conta!



Por Charô Nunes
quarta-feira, 6 de novembro de 2013 1 comentários

MODELOS TIRAM A ROUPA EM ATO PELA CONSCIÊNCIA NEGRA NO FASHION RIO

CERCA DE 40 MODELOS FIZERAM O ATO NO EM FRENTE AO PÍER MAUÁ.
 PRIMEIRA NOITE DE DESFILES DA TEMPORADA ACONTECEU NESTA QUARTA-FEIRA 06/11/2013


 Durante ato, mulheres tiraram a roupa e ficaram só com calcinhas cor da pele (Foto: Giovana Sanchez / G1)
 Um grupo de cerca de 40 artistas e modelos fez um ato na Zona Portuária, em frente ao Píer Mauá, onde ocorre a primeira noite de desfiles da temporada outono/inverno do Fashion Rio, na noite desta quarta-feira (7). Segundo o diretor do grupo Palco dos Mil Sonhos, Leonidas Lopes, a apresentação é uma celebração pelo mês da consciência negra.
 A apresentação ocorre um dia após a assinatura de um termo de compromisso por parte da empresa que realiza o evento, a Luminosidade, e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, recomendando uma cota de 10% de modelos negros nos desfiles.
 "O termo de compromisso é uma celebração de um passo conjunto que pode trazer um espaço que ainda não há no Rio. O desenho estético vendido pela moda não atende a proposta de consumo da maioria da população brasileira", disse Moisés Alcuña, coordenador de políticas públicas da Educafro.

FONTE:http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/11/apos-cota-para-modelos-no-fashion-rio-ato-celebra-consciencia-negra.html
terça-feira, 5 de novembro de 2013 0 comentários

VIDA URBANA \ mulheres negras 1908

 

"Vivem nas praças, no Campo da Aclamação; dormem nos morros, nos subúrbios, passam à beira dos quiosques, na Saúde, em S. Diogo, nos grandes centros de multidões baixas, apanhando as migalhas dos pobres e olhando com avidez o café das companheiras. Eu encheria tiras de papel sem conta, só com o nome dessas desgraças a quem ninguém pergunta o nome, senão nas estações, entre cachações de soldados e a pose pantafaçuda[11] dos inspetores; e seria um livro horrendo, aquele que contasse com a simples verdade todas as vidas anônimas desses fantásticos seres de agonia e de miséria! Andam por aí ulceradas, sujas, desgrenhadas, com as faces intumescidas e as bocas arrebentadas pelos socos, corridas a varadas dos quiosques, vaia- das pela garotada.

 Nas noites de chuva, sob os açoites da ventania, aconchegam-se pelos portais, metem-se pelos socavões, tiritando... Às vezes, para cúmulo de desgraça, aparecem grávidas, sem saber como, à mercê da horda de vagabundos que as viola, que as tortura, que as bate, sem lhes conceder ao menos a piedade do nojo; e os filhos morrem, desaparecem, levados na tristura do seu soluçante existir, estrangulados, talvez, nos inúmeros recantos que a milícia do nosso duplo policiamento ignora. "

Texto extraído do livro "A alma encantadora das ruas", João do Rio, 1908.

O trecho acima descreve situação passada por mulheres pobres e sobre tudo negras na virada do século XX. Sofridas, marginalizadas e sem qualquer proteção do Estado, 20 anos após a abolição da escravidão negra no Brasil.

Agora passado 125 anos podemos afirmar que os problemas aqui expostos não são mais vivenciados pelas mulheres?





sexta-feira, 13 de setembro de 2013 3 comentários

PARDOS DO BRASIL

Quando te tocaram pela primeira vez...

...qual foi o seu tom?

Minha avó era africana legítima, foi escrava;era negra sinhá,quer dizer, era negra de dentro, que servia em toda parte para os filhos do senhor. É dai que vêm esses filhos, nem branco nem preto, nem preto e nem branco. Os pais eram os filhos do senhor. Minha avó foi negra sinhá, porque era negra criada dentro de casa e servia os senhores, senhorio. Então é isso, eu venho vindo dessa parte aí.(Ondina)

carlos vogt e Peterfry.Cafundó. A africa no Brasil. São Paulo Companhia das letras.
terça-feira, 3 de setembro de 2013 0 comentários

NEGROS


Negros que escravizam
e vendem negros na África
não são meus irmãos.
Negros senhores na América
a serviço do capital
não são meus irmãos.
Negros opressores,
em qualquer parte do mundo,
não são meus irmãos.
Só os negros oprimidos,
escravizados,
em luta por liberdade,
são meus irmãos.
Para estes, tenho um poema
grande como o Nilo.

(Solano Trindade)
domingo, 16 de junho de 2013 0 comentários

A ORIGEM DO DIA DA CRIANÇA AFRICANA OU DIA DA JUVENTUDE AFRICANA:


Assinala-se hoje o Dia da Criança Africana, celebrado em homenagem às vítimas do massacre de Soweto, a 16 de junho de 1976, durante uma manifestação contra a falta de qualidade no ensino.
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Hoje é o Dia da Criança Africana, efeméride que se assinala em memória das centenas de crianças negras do bairro Soweto (na África do Sul) que, neste dia, em 1976, foram mortas numa manifestação onde reivindicavam o direito à qualidade do ensino e a aprender na sua língua materna.

Esse protesto transformou-se em massacre. Além de centenas de mortos, provocou milhares de feridos, sendo que nos dias posteriores ainda se registaram mais perdas humanas (cerca de 100), numa luta sangrenta que durou duas semanas.

Para homenagear essas vítimas e defender as crianças daquele continente, cujos direitos fundamentais não eram respeitados, nasce o Dia da Criança Africana, instituído em 1991 pela Organização da União Africana.

A origem desta data está numa reivindicação, mas a UNICEF faz um alerta à comunidade mundial, no sentido de que se perceba que as crianças são o eixo do desenvolvimento, a gênese do futuro de África e de qualquer continente.

Apesar de todos os apelos, o certo é que continuam a morrer de fome milhares de crianças, vítimas de pobreza extrema, em virtude de doenças provocadas pela subnutrição.

A 16 de junho, lembra-se ainda outro tipo de dramas que atingem as crianças, com a AIDS, sobretudo na África subsariana. Os conflitos armados, que obrigam famílias inteiras a abandonar o local de residência, suscitam, mais do que nunca, a preocupação dos países.

A Organização das Nações Unidas aprovou ‘Declaração dos Direitos da Criança’, que um ano depois do Dia da Criança Africana se tornou lei internacional.

Fonte: ptjornal.com

              Mucamas do PCdoB

          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
quinta-feira, 30 de maio de 2013 0 comentários

RACISMO É BURRICE


Assista ao vídeo RACISMO e reflita: 

O Brasil foi o país de maior tráfico negreiro do mundo. Tendo a maioria dos negros escravizados entrado pela cidade o Rio de janeiro que hoje é conhecida como cidade maravilhosa.Agora responda:  

existe racismo no Brasil. 

Onde você guarda o seu preconceito? 

Assista ao vídeo RACISMO,reflita e responda. 




              Mucamas do PCdoB
          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB

segunda-feira, 25 de março de 2013 1 comentários

LEMBRA DA ESCRAVIDÃO, AS LUTAS DOS NEGROS E DOS TRABALHADORES: uma caminhada pelo centro do Rio




Nós da Juventude Às ruas, queremos fazer um resgate da história de luta dos negros e dos trabalhadores que recebe uma pá de cal. Às vezes de cal viva (soda caustica) como sofreram os marinheiros presos na Revolta da Chibata. Caminharemos por diversos marcos da história da escravidão, da luta dos negros, dos marinheiros, dos trabalhadores no Rio.

Walter Benjamin falava que se os vencedores seguissem vencendo nem os mortos estariam à salvo. Lembrando os mortos que não estiveram a salvo, passaremos pelo Cais do Valongo recém desenterrado, pelo Cemitério dos Pretos Novos (maior cemitério de escravos do planeta, recém descoberto), pelas ruas das barricadas da Revolta da Vacina, dos primeiros sindicatos do Rio.

Precisamos recuperar a história dos negros e da classe trabalhadora para salvar os mortos e erguer um futuro sem exploração capitalista e sem racismo.


Sábado, 30 de março de 2013.
Horário: 13:00h.

Nos encontraremos em frente a bilheteria das Barcas na Praça XV e de lá seguiremos nosso caminho pelo centro e Gamboa.



              Mucamas do PCdoB
          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB


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MINHA DOR E VIDA





Sou negro
Sou gente
Que dá jeito e que constrói.
Fizeram de mim
Injustiças migrações que não pude caminhar
E sim, apanhar.

Amor de mãe, que tive.
Sendo escrava, ela me disse.
Amamentou o filho do branco.
Fraca, sofrida e dando a vida.

Lá vou eu...
Derramando o meu sangue por toda essa terra
Que eu ajudei.

Tiraram nossas vidas.
Espancaram-me de dor
Com essa violenta burguesia
Somos sem valor.

Hoje sou discriminado,
Não sou aceito,
Não tenho valor no cargo,
E sou marginalizado.

Vivo sofrendo,
Sempre escutando e sem alegria
No dia-a-dia.

Quero romper.
Criar asas e voar.
Unidos iremos formar
Liberdade irá conquistar.

Formaremos a vida pura
Formando a nossa cultura,
Nossa organização e nosso futuro.

Meu corpo cansado e torturado,
Mas não fracassado
Pra lutar e se unir
Sempre ao teu lado.

Tenho tanto amor.
Como tenho valor,
O sistema é contra nós porque nos deve favor.

Vamos levantar as mãos
Dando grito para libertação
De dentro e fora do coração
Formamos essa nação.

É muito bonito quando a gente vai à luta
Pra esse povo humilde que sofre escravidão.
Hoje, multiplicaremos a união,
Para que haja libertação
Dessa raça negra que sofre escravidão.


de Gilberto Soares da Silva
Montanhas - RN



              Mucamas do PCdoB
          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
terça-feira, 25 de setembro de 2012 1 comentários

Mucamas do PCdoB



"Uma elite enriquecida no suga-suga das verbas públicas, não se conforma com nenhuma ascensão do negro na sociedade. Quer seja em empregos de maiores salários, na política ou nas universidades."


Não há medida para o meu aborrecimento com o PCdoB. Sou uma mulher negra e como a maioria da minha cor, conheço e sofro na pele com o preconceito á Brasil. Uma moda de preconceito camuflado e por tanto consentido o qual dificulta sua identificação e ainda mais as possibilidades de ser combatido.
Mas apesar de viver essa realidade não aceito e nunca aceitarei ser denegrida, desvalorizada por ser negra. Minha cor não me faz inferior a absolutamente ninguém.

Saibam os desavisados que a escravidão negra no Brasil foi abolida desde 1888, então, por que minha palavra, honra, dignidade para o PCdoB vale menos do que a de um homem branco?
Como na música da Vanessa da Mata canto com o peito inflado de orgulho: eu sou neguinha!
Sim, eu sou uma mulher negra. Mas não estou aqui para servir os apetites sexuais dos dirigentes e lideranças do PCdoB.

Sou negra sim, porém não sou cativa de nenhum senhor de engenho. Por tanto diferente do que me passaram as senhoras Mara Marciel e Claudia Vitalino na falsa comissão de controle, que deveria chamar de “comissão de controle a Jaqueline”, não tenho a intenção e menos ainda obrigação de me deitar com nenhum dirigente em troca de cargo público.

Sou negra, mas não sou mucama. 
Sou uma mulher livre. Quem decide com quem faço amor sou eu e não um partido político.
Ao denunciar a prostituição de luxo a qual nós mulheres, sobre tudo as negras, estamos sendo expostas no PCdoB, ouvi entre outras coisas, em tom de ameaça que eu deveria calar a boca porque isso é política e sempre será assim... Desde de então estou sendo constantemente ameaçada de morte.

O que mais dizer? 

"A elite faz do racismo o seu entretenimento".






sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 0 comentários

Desigualdade de genero


Mulheres x homens

No Brasil, as mulheres são mais da metade da população e já estudam mais que os homens, mas ainda têm menos chances de emprego, ganham menos do que o universo masculino trabalhando nas mesmas funções e ocupam os piores postos. Nos últimos anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a distribuição de renda melhorou, mas a desigualdade entre homens e mulheres, ainda é muito significativa.

Embora ao longo das últimas décadas a participação das mulheres no mercado de trabalho tenha deixado, aos poucos, de ser percebida como secundária ou intermitente, esta inserção é ainda marcada por diferenças de gênero e raça, conclui o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na última edição do estudo “Retratos das Desigualdades de Gênero e Raça”, produzido anualmente desde 2004. Isto é, quando se combinam desigualdades, as diferenças ficam ainda mais acentuadas.

“Além de estarem menos presentes do que os homens no mercado de trabalho, as mulheres ocupam espaços diferenciados e estão sobrerrepresentadas nos trabalhos precários”, diz estudo do Ipea. A trajetória feminina rumo ao mercado de trabalho não significou a redivisão das tarefas entre homens e mulheres, mesmo quando se tratam de atividades remuneradas.

Dados sobre a distribuição por setor de atividade apontam uma clara segmentação ocupacional, tanto relacionada ao gênero, quanto à raça. As mulheres – especialmente as negras – estão mais concentradas no setor de serviços sociais (aproximadamente 34% da mão de obra feminina), grupo que abarca serviços de cuidado em sentido amplo (educação, saúde, serviços sociais e domésticos). Já os homens, sobretudo os negros, estão sobrerrepresentados na construção civil. Em 2009, esse setor empregava quase 13% dos homens e menos de 1% das mulheres, indica o estudo do Ipea.

Salários

O mais recente Censo Demográfico (2010) do País mostra que o rendimento médio mensal dos homens com Carteira Profissional assinada foi de R$ 1.392, ao passo que o das mulheres foi cerca de 30%

abaixo disso, atingindo R$ 983. Esse quadro deixou o Brasil atrás de 79 países em um ranking de 146 nações elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), um dos indicadores complementares ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), colocou o País no ano passado na 80ª posição, atrás do Chile, Argentina, Peru, México, Venezuela e até dos árabes, como a Líbia, Líbano e Kuwait. Os melhores índices são da Suécia, dos Países Baixos e da Dinamarca. O cálculo do IDG considera, além do mercado de trabalho, indicadores como a saúde reprodutiva e capacitação.

Mas não é só o ranking do Pnud que mostra as diferenças. De acordo com o Global Gender Gap Index/2011 (Desigualdade Global de Gênero/20011), do World Economic Forum (WEF), o País aparece em 82º lugar numa lista de 135 nações. Na região, o Brasil só não é mais desigual que Bolívia, México, Ilhas Maldivas e Guatemala. O estudo avalia a diferença entre gêneros nas áreas de participação econômica e oportunidades, de educação, capacitação política e de saúde e sobrevivência.

A trajetória do Brasil tem sido de queda. Em 2006, ano da primeira edição do ranking da WEF, quando foram avaliados 115 países, o Brasil havia ficado no 67º lugar. O que mais tem puxado o País para baixo são as diferenças salariais e a distribuição por setor de atividade no mercado de trabalho, de acordo com os relatórios anuais do World Economic Forum.

Poder

De acordo com o último relatório (2009/2010) do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, cujo tema-foco foi “Mulheres, Poder e Decisão”, as mulheres representam mais da metade da população e do eleitorado, tem maior nível de escolaridade, representa quase 50% da população economicamente ativa do País, mas não chegaram a 20% nos cargos de maior nível hierárquico no Parlamento, nos governos municipais e estaduais, nas secretarias do primeiro escalão do Poder Executivo, no Judiciário, nos sindicatos e até nas reitorias.

A proporção de mulheres dirigentes (4,4%) também é inferior à proporção de homens dirigentes (5,9%). Essa diferença de 1,5 pontos percentuais é a mesma desde o ano de 2003, de acordo com o mesmo estudo, elaborado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). “Quando essas proporções são analisadas regionalmente, percebe-se que as maiores disparidades da proporção de homens e mulheres dirigentes encontram-se nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto que nas regiões Norte e Nordeste as proporções são mais próximas”, conclui o relatório.

Em 2010, nas eleições gerais, as mulheres ficaram com 12,9% das cadeiras nas Assembleias Legislativas, com 8,5% das vagas na Câmara dos Deputados e com 9,8% no Senado e 7,4% dos governadores. Mas o fenômeno não é apenas nacional. No mundo, apenas 35 países (19%) contam com mulheres no Parlamento, enquanto que outras 152 nações (81%) não têm sequer uma mulher em seus Parlamentos, de acordo com a União Interparlamentar (IPU).

O estudo da Secretaria de Políticas para as Mulheres avalia ainda que o problema da baixa participação de mulheres em espaços de poder tem relação estreita com o limitado acesso feminino à esfera pública. Mas, acrescenta o documento, essa não é a única explicação. Fatores culturais estão entre as principais causas dessa disparidade: a cultura de divisão sexual do trabalho, o não compartilhamento de tarefas domésticas e familiares e o preconceito de gênero, entre outros fatores.

No setor privado, o quadro não é muito diferente do que no setor público. Pesquisas tendem a confirmar essa proporção de 20% a 30% de mulheres nos postos de chefia. Levantamento feito em 2009 pela Catho Online com um total de 89.075 empresas apontou que as mulheres ocupavam apenas 21,4% dos cargos de chefia. Da mesma forma que em outras esferas – a sindical e os cargos de livre nomeação e exoneração do Poder Executivo, por exemplo, quando se analisam os diferentes cargos compreendidos no conceito de chefia, percebe-se, novamente, que quanto mais alto o cargo, menor o percentual de mulheres.

Fontes:
Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
World Economic Forum (WEF)
 
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