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quarta-feira, 21 de março de 2018 0 comentários

A VERDADES ESTÁ PARA QUEM QUER VER


Quem conhece a realidade das favelas com certeza tem conhecimento de candidatos ou seus representantes risquinhos, branquinhos e de boa família fechar campanha com a milicia, com os trafica e o caralho a quatro. E são eles (políticos) que pagam para fazerem campanha nessas áreas dominadas (dito curral eleitoral).
É Mais vantajoso para Os tubarões do tráfico pagarem a senadores, a grupos empresariais...diz-se q até mesmo juízes. E não a simples vereadores de origem pobre de ação limitada dentro do meio político.

O crime organizado (diferente de alguns idiotas da internet) não é burro e nem quer perde dinheiro, assim como não começa nas COMUNIDADES, é um problema de abrangência internacional.
Então vamos nos informar, nos instruir melhor antes de vomitar asneiras nas redes sociais
Você pode ser preconceituoso e idiota, mas contaminar outras pessoas com sua ignorância já é demais.

LINK INDICADO: QUEM MATOU MARIELLE FRANCO?
terça-feira, 27 de maio de 2014 1 comentários

QUANTO VALE OU E POR QUILO?

O Brasil carrega até hoje  a triste marca de ser o ultimo pais do mundo a abolir a escravidão.


     Quanto vale ou e por quilo? Pergunta comum para quem frequenta o comércio varejista, mas para a nossa reflexão o produto referido aqui  e, a carne humana e negra.

Na produção de Quanto Vale ou e por Quilo, apesar de longa, intercala momentos comuns vivenciados por pretos no passado de escravidão negra no Brasil e momentos do presente, o que da uma certa velocidade e leveza ao filme, principalmente para quem e jovem e não tem paciência para ver filmes de conteúdo histórico e filmagens contínuas.

No período escravista investir na aquisição de negros era um negócio caro, porém muito lucrativo. Por mais de três século o comércio de negros foi a base de sustentação do nosso país, não apenas pelo seu valor como peça, mas pelos serviços que esses realizavam; desde abertura de estradas, a limpeza de dejetos (fezes) dos homens brancos. Possuir muitos negros era um marcador de status social.

E no presente quem são os negros do Brasil? Onde estão e quanto valem para o mercado?

INDÚSTRIA DA SOLIDARIEDADE

Nesse sentido, o filme pega por base moradores de comunidade pobre que desenvolvem suas vidas normalmente, sendo a maioria mestiços, já que o negro brasileiro possui a peculiaridade de ter sofrido  grande miscigenação com outros povos. Envolvidos nesse contexto de moradores de favela, vemos uma rede composta por empresários, políticos e outros representantes das classes sociais mais abastadas, fazendo proveito das misérias e necessidades dos moradores- utilizando-se de Ongs e projetos que seriam de cunho filantrópico para conseguirem verbas do governo, financiamentos, patrocínios de particulares e empresas, mão de obra barata (muitas vezes gratuita) e, é claro, realizar a boa e velha lavagem de dinheiro. Sendo que nesse caso o  retorno desses empreendimentos é quase nulo para a comunidade que realmente precisa desses espaços.

Desejo salientar outro aspecto tomado pelo filme- o negro como algoz do próprio povo. No passado mostra o preto, ou mestiço que chega a ter escravos para si. E aqueles que se associam aos brancos escravistas em troca de dinheiro ou favores, também assumindo papel de algozes- contradizendo a ideia de solidariedade existente entre os negros. No presente há aqueles que realizam o mesmo tipo de associação, mas por meio de milícias e justiceiros, partidos pólicos, e certos "centros comunitários", que de comunitários levam apenas o nome e a ilusão daqueles que por infortúnio os frequentem em meio a tantos jogos de interesses.

Muito bom o filme. Abrangente e polêmico na medida certa.

Como é dito em famoso refrão de musica interpretada por Elza Soares  -  A CARNE MAIS VENDIDA NO MERCADO E A CARNE NEGRA.

 O vídeo algumas vezes demora um pouquinha para carregar (depende da sua internet). depois é só clicar no Play grande no centro da tela. Desculpem, mas foi o único lugar que consegui encontrar, completo e em perfeito estado para compartilhar com vocês. A Matrix não é brincadeira. 

#ppafrorio
#ppafro
#umquilomboprogressista
#JaquelineRamiro
sexta-feira, 22 de novembro de 2013 0 comentários

O PASSADO NÃO PODE SER IGNORADO

 Observem atentamente e desenvolvam suas próprias críticas. 



O filme "Preto Velho - Dona Creuza" mostra um pouco do legado da oralidade na difusão da memória e do conhecimento deixado pelo povo africano e incorporado à cultura brasileira. A narrativa é conduzida pelo empoderamento da palavra de anciões presentes em espaços populares do Rio de Janeiro, principal destino de africanos escravizados na diáspora. 


Trabalho Colaborativo

Equipe Canal Molambo: Letícia Santanna, Leonardo Harim, Renan Silva, JV Santos, Gê Vasconcelos, Wagner Novais, Gustavo Guimarães, Eduardo Santos, Jonas Rosa, Marcelo Scofield, Leo Lima, Felipe Vianna, Micael Hocherman, Rafael Martineau, Ciro Mello, Victor Domingues

sexta-feira, 26 de abril de 2013 0 comentários

Atenção: cenas de VIOLÊNCIA gratuita, SANGUE, PALAVÕES...

O SANGUE DO MEU POVO JORRA PELO CHÃO DAS PERIFERIAS. 
O SUBÚRBIO É ZONA DE MEDO ONDE PREVALECE A LEI. 
A LEI DA POLÍTICA SUJA QUE EXCLUI O PRETO, O NORDESTINO E SEUS DESCENDENTES. 

Todos os dias diversos jovens são marcados pela morte violenta e sua escolha preferencial são os pobres.
Aliélson Nogueira, 21 anos, trabalhava em um galpão de reciclagem na comunidade Jacarezinho no Rio de Janeiro; cidade que sediará a próxima Copa do Mundo e Olimpíadas. Além de trabalhar também estudava sonhando com um futuro melhor para ele e o filho que está para chegar ao mundo.
Esse rapaz que não tinha qualquer envolvimento com o crime, sem qualquer antecedente criminal ou qualquer outra ação que venha macular sua imagem foi morto covardemente com um tiro de fuzil pelas costas enquanto comia um cachorro quente com refrigerante.. Um tiro na nuca banalizou definitivamente sua existência.

A polícia apresentou para a imprensa diversas versões para justificar o caso injustificável.
A principio os policiais envolvidos nessa ocorrência estariam perseguindo homens suspeitos de trafico quando iniciou tiroteio e uma bala perdida teria atingido Aliélson Nogueira .
Os moradores do Jacarezinho desmentem essa versão. Dizem que o jovem baleado depois de um dia de trabalho comprava um refrigerante e cachorro quente quando foi abordado de forma truculenta por policiais da UPP e consciente dos seus direitos como cidadão (lembremos que o rapaz era um estudante) teria respondido mal a um dos policiais que ao ser contrariado acabou efetuando o disparo fatal.

A covardia desse ato revoltou os moradores que apesar do medo da repressão e de posteriores represarias não contiveram a indignação e foram á rua protestar e de alguma forma tentar proteger o corpo do Aliélson Nogueira. Infelizmente no Rio de janeiro é comum policiais forjarem autos de resistência.

Como não poderia deixar de ser, para a retirada dos moradores do local cena de guerra. A tropa de choque na rua, todos policiais muito bem armados contra a população local de gente que estava até descalça. Bombas foram atiradas contra o povo, isso mesmo, as bombas de efeito moral. Bombas que reprimem os pobres, os manifestantes, mas não trazem nenhuma ética para a nossa força policial que se coloca superior a própria justiça.

Ou já nos esquecemos que a Juíza Patrícia Aciole foi morta por policiais e olha que ela não era pobre e nem morava em local de pacificação. Foi outra pessoa morta por não obedecer as leis impostas pela polícia.

Tentaram acusar o jovem morto Aliélson Nogueira de ser bandido, mas ele não tinha antecedentes criminais e diante da indignação dos moradores tornou-se complicado sustentar essa história. Em outro momento poderiam dizer que o jovem morto era bandido e que os moradores estão fazendo baderna a mando de traficantes, mas em uma comunidade pacificada fica muito ruim para a representação da polícia fazer uma afirmação dessa, ainda que para justificar uma atrocidade envolvendo os policiais que aqui representam os braços da LEI, o poder público.

Na última versão o jovem trabalhador foi morto DEPOIS de uma confusão entre moradores da comunidade e os PMs da Unidade Pacificadora. (Em outras palavras quem matou Aliélson Nogueira foram os próprios moradores)
O comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, major Cláudio Haliki, afirmou nesta sexta-feira que a população da comunidade deve se acostumar com as abordagens policiais. O major reiterou, a dificuldade deste momento inicial da pacificação e disse não ter informações sobre uma suposta truculência dos PMs. O patrulhamento foi reforçado no local, afirmou o comandante, em entrevista ao RJTV.

O delegado da 25ª DP (Engenho Novo), Antenor Lopes disse: “Ouvimos dois (obs: apenas 2 moradores) moradores e sete policiais. Uma abordagem gerou essa confusão. Os policiais alegam ser vítimas de disparo e vamos investigar”, contou. Segundo ele, Alielson não tinha passagens pela polícia.

ALGUÉM TEM ALGUMA DUVIDA DO PORQUE ESSE ESTUDANTE DE 21 ANOS FOI ASSASSINADO COM UM TIRO DE FUZIL PELAS COSTAS?

O lanche comprado com o suor do ardo trabalho ficou no chão junto a poça de sangue que jorrava livremente da cabeça de um jovem estudante, mas o que se esvaia era a dignidade HUMANA.

Bem, esse assunto todo me deu fome, vou comprar um cachorro quente e assistir “Tropa de Elite 2” No vídeo tudo é mais bonitinho e despreocupante. Afinal, eu sou do Rio de Janeiro cidade MARAVILHOSA.

Fonte: Jornal O Dia
Diário Oficial



domingo, 3 de fevereiro de 2013 2 comentários

FAVELA SENDO REPRESENTADA NO CINEMA DE 1935




Lançado em 1935,quando atrizes eram mal vistas e mesmo hostilizadas pela sociedade,

Favela dos Meus Amores foi produzido por Carmen Santos e dirigido por Humberto Mouro.
Tendo por conhecimento que mesmo nos dias atuais o mundo das produções cinematográficas é quase exclusivamente masculino o fato de termos uma mulher como produtora torna o filme no minimo curioso. No entanto o que desejo salientar é o pano de fundo onde se desenvolve a trama - FAVELA- denuncia o título.

Enquanto o governo do Brasil representado por Getúlio Vargas esforçava-se por meio da censura para camuflar a massiva presença de negros e a pobreza existente no país, principalmente em respeito a capital tupiniquim. E o mercado brasileiro estava sendo tomado por produções norte americanas que impunham seu modelo de cinema hollywoodiano com mocinhas, bandidos e lugares de estética perfeita, Favela dos Meus Amores usa por cenário o morro. Não como um lugar de triste desordem ou violência, e sim como lugar de suavidade, beleza e musicalidade.


A impressa da época destacou a interpretação de Armando Louzada como "Nhonhô", alusão clara o a sambista carioca Sinhô.As canções apresentadas no filme  fizeram sucesso por longos anos consagrando a dobradinha música e cinema.A ousadia de mostrar nas grandes telas a favela agradou o público e a crítica, mesmo entre as elites, porém infelizmente essa importante  película não existe mais.

Segundo Alex Viany:

"primeiro filme carioca a aproveitar um dos mais trágicos, exuberantes e musicais da vida na capital do Brasil. o morro (...) marco importantíssimo não só por construir a coisa mais séria dos primeiros anos do per[iodo sonoro , mas também por seu sentido popular, que apontava um rumo verdadeiro a nossos homens de cinema".

Segundo Jorge Amado:

"Em relação as virtudes de Favela dos Meus Amores. O que Humberto conseguiu tirá da favela(fotografias absolutamente admiráveis) com motivo de emoção humana é simplesmente extraordinário. o grande morro legendário não aparece nesse filme com sua fisionomia deturpada. Muito ao contrário Humberto mouro soube conservar o ar próprio do morro, a sua vida miserável e, no entanto com tanta beleza os pretos e as mulatas do morro que movimentam o filme se revelam além de tudo artistas admiráveis. Estão de uma naturalidade espantosacomo se diante deles não estivesse a câmera.os efeitos da fotografia conseguido com as ruas das favelas estão além de toda e qualquer expectativa. nota-se também, com todos os louvores, a introdução das escolas de Samba, o maxixe dançado no cabaré, e todas as músicas do filme que são muito boas. o som também está bom, perdendo-se um numero relativamente pequeno de palavras."

Obs.: Mesmo com a maioria dos atores sendo brancos ou morenos Favela do Meus Amores acabou sendo censurado por mostrar muitos pobres e conseqüentemente negros.


Canções apresentadas em Favela dos Meus Amores:

Título: Ao luar;
Autor da canção: Barroso, Ari;
Intérprete: Santos, Carmen;

Título: Favela dos meus amores;
Autor da canção: Nássara;

Título: Quando um sambista morre;
Autor da canção: Barroso, Ari;

Título: Favela;
Autor da canção: Mesquita, Custódio;

Título: Fado, O;
Autor da canção: Vivas, maestro;
Intérprete: Orfeao Português;

Título: Todinha;
Autor da canção: Mesquita, Custódio;

Título: Ironia torturante;
Autor da canção: Caldas, Silvio;
Intérprete: Caldas, Silvio;

Título: Quase que eu disse
Autor da canção: Caldas, Silvio
Intérprete: Caldas, Silvio  



fontes:
Cinemateca Brasileira
Viany, Alex. introdução ao cinema brasileiro. rio de janeiro, MEC/INL,1956. p. 107-8.
Gomes, P.E. Salles, e Gonzaga, A. 70 anos..., op. cit., p. 90.
amado, Jorge. Favela dos Meus Amores. Boletim de Ariel, s. d. p. 30.
Filmografia: Censura Federal, Rio de Janeiro, entre 01 e 15.10.1935; renovação de Censura Federal (com metragem de 2.600m), para a Brasil Vita Filmes, entre 16 e 31.08.1946.




segunda-feira, 29 de outubro de 2012 0 comentários

LARICA


João me contou pedindo aconselhamento:
- Eu tenho um “amigo” que não é bem assim rico, mas é estabilizado. Classe média. Ele está mantendo um relacionamento com uma mulher moradora de comunidade. Ele é viciado, precisa de drogas e essa moça muitas vezes acaba pegando a droga para ele e até mesmo fazendo os pagamentos das dividas. Ela desenrola com os caras.
O problema é que ele está dando uma ajuda de custo para essa mulher e a família do meu “amigo” acabou descobrindo. Então como ele não se afasta dela a família dele está falando em dar um jeito de matar a moça. Como ela é de comunidade não vai ter ninguém que corra atrás do prejuízo.
 - Matar a mulher como assim? Seu “amigo” vai para a favela, arruma uma namorada, enche a cara de drogar e para resolver o problema a família mata a moça?Já que é para resolver o problema  então seria melhor mandar matar o seu amigo, você não acha?
Ah, o homem ficou mais branco do que já é. E disse gritando: Meu amigo nem gosta mais dessa mulher, mas não se afasta porque está a ajudando.
João e suas aventuras. Ninguém merece!

João solta na Praça Saens Peña, então anda até a frente do mercado Mundial, ali faz sinal para o taxi. Seu destino a comunidade do Fallet.
Pede para o taxista o esperar. Acelera o paço até a boca de fumo.  Alucinado pela droga vai para casa onde passará mais uma madrugada sofrendo de insônia. Muitas vezes pela manhã no apartamento na Tijuca, a cocaína é substituída por maconha. É de onde vem a fome popularmente conhecida como larica.
A droga influencia diretamente não só no comportamento como na alimentação. Consome-se cocaína fica sem apetite, se consome maconha (segundo João para amenizar os efeitos da cocaína) sente muita fome.
Bem , como vocês devem saber a Comunidade do  Fallet sofreu ocupação policial (UPP) o que acredito ter feito o nosso amigo procurar outro lugar para saciar seu vicio. Outra coisa, não quero ser injusta, o João depois de ter quase morrido algumas vezes e chegando ao descontrole da agressão está se esforçando para ao menos diminuir o uso das drogas. Deixando até mesmo de consumir bebidas alcoólicas na tentativa de evitar os descontroles que acabam no uso de cocaína.
Éh,João apesar de você ser fraco e mau caráter, mesmo depois de todo mal que ocasionou propositadamente a muitos do que te cerca sem qualquer piedade, ainda que por pressão de sua família espero que você consiga se livrar desse vicio maldito. E quem sabe você até consiga engordar um pouquinho mesmo estando doente.


segunda-feira, 26 de março de 2012 0 comentários

Realidade X Surrealismo


É estranho começar o seu dia fazendo visita a uma comunidade extremamente carente. Conversar com crianças na sua maioria magras, tendo por seu o único alimento do dia o que é oferecido com precariedade pela creche improvisada.
Ainda não esqueci aqueles sorrisos, os olhinhos brilhantes, as pequenas mãos me tocando e fazendo festa para mim.

Me choco com essa realidade, não porque sou humana, ou porque seja muito triste. Já estive no lugar daquelas crianças algumas vezes em minha vida.
E como chorei nesse dia. Observando a tudo acabei me  sentindo tão indigna que não consegui comer. 

Como eu queria alguma forma de poder ajudar. Deus, como eu ainda quero poder ajudar!

A vida é completamente louca.
Na tarde desse mesmo dia tive outro grande choque no meu mundo.

Eu me vi diante de uma mesa repleta de pacotes de dinheiro, era muiiiiito dinheiro.
Eu não sou pessoa de me abalar com isso, dana-se que é dinheiro, mas em quantidade assim eu só tinha visto em filme.
Eram montes e montes de pacotinhos azuis enrolados com fita branca. Era tanto dinheiro, que a sala ficou com cheiro de dinheiro novo, mas aquilo ali minha gente, não era uma instituição bancária. 

E toda aquela grana foi apenas para pagar meia dúzia de gente. Nessa altura das coisas eu já estava me sentindo um lixo, pois só consegui  R$ 100,00 para ajudar na festinha das crianças da comunidade! Quanto dinheiro será que tinha em um único pacotinho daqueles? 

O João Carlos de Carvalho falou que tinham case 1MILHÃO de Reais ali encima daquela mesa. 

Como eu fui me enfiar nisso? Porque aquele babaca me mostrou isso? Porque me fez entrar naquela maldita sala? Para demonstrar poder?

É surreal. Eu não queria ter visto todas as coisas que vi. São lembranças ruins.
A gente ouve uma série de coisas por ai sobre política, mas ver com os próprios olhos trouxe-me uma decepção insuperável, um descontentamento. Alguma coisa no meu mundo ruiu e agora não sei como colar.

Se eu pudesse adivinhar todas as consequências que aqueles malditos dias iriam me trazer eu teria caído fora e sem exitar. Mas agora já cai e rolei nessa lama. Tenho de me levantar, lavar a alma dessa sujeira fétida.

Por que esse babaca me enfiou nesse lixo? O que ele pretendia de fato? Por que simplesmente não me deixou no meu canto vivendo a minha vida? Ao invés disso, ao final desse processo que parece não acabar, não sinto ter ganhado nada. A sessação e de terem me levado até o que eu não tinha.




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quinta-feira, 24 de novembro de 2011 0 comentários

MINHA AVÓ DE NOME THEREZA


























Minha vó Theresa era mineira não me recordo de qual cidade o que sei é que o nome começava com três. Não sei quais as razões a trouxeram ao Rio de Janeiro ainda mocinha. Aos treze anos de idade morava com condições precárias em uma comunidade que prefiro não mencionar o nome. Todos os dias subia e descia essa comunidade acompanhada da mãe para ire junto a essa trabalhar de domestica no que chamamos casa de família.
Imagino que até os dias de hoje muitas moças ainda façam o mesmo.

O problema é que nessas idas e vindas um rapaz mais velho se engraçou por ela e mesmo sem que ela mostrasse qualquer interesse ele estava decidido a obtê-la a qualquer custo. Dizem que minha bisavó ( mãe da menina) pediu a esse rapaz que tivesse respeito. já que, se tratava de uma moça de família. O pedido foi entendido como  desafio  e o rapaz era um dos "cabeças" dessa comunidade, portanto, escolhia a mulher que quisesse ter. 
Nesse caso ele escolheu a mais bonita: minha avó quando menina.

Ao voltarem já ao anoitecer para casa as duas foram apanhadas em emboscada. O rapaz violentou minha vó na frete da própria mãe. Era uma menina de com apenas 13 anos. A partir desse dia minha avó passou a ser posse dele. Poucos meses depois minha bisavó faleceu. Dizem que foi do coração, mas prefiro dizer que foi de desgosto. 

Não sei como as coisas se deram, mas sem pai, mãe ou qualquer parente próximo, minha avó ficou com esse homem até o último dia de vida dele. Minha vó engravidou e seu primeiro filho nasceu com sérios problemas físicos e mentais, morrendo mais ou menos aos 10 anos de idade. O segundo filho veio logo, pois o resguardo não foi respeitado. Esse se tornou meu pai biológico. Dando um total de 9 filhos vivos.

Minha avó apanhava muito do marido e apanhavam também as criança. 

Algo que ainda não comentei: minha avó a pesar de linda tinha duas finas cicatrizes que lhe atravessavam o rosto. Essa foram feitas a corte de navalha pelo meu avô por ele ter se sentido contrariado por ela. Dizem que meu avô era muito ciumento. tinha raiva da beleza de Thereza que não se apagava nem com o sofrimento. 

Minha avó só se livrou do suplicio em que vivia quando meu avô entrou para a igreja e resolveu abandonar a comunidade migrando para uma menor. Viveu quase dois anos assim até que um dia por volta da meia noite, sabe-se lá o que ele estava fazendo em um bairro muito distante do que morava foi reconhecido por alguém que atirou nele. Baleado correu até a porta de um hospital que ficava próximo vindo a falecer na entrada.

Acho que foi a primeira vez que minha parentela paterna apareceu nos jornais. 


 
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