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domingo, 6 de março de 2016 0 comentários

FILME - O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN


Lançamento: 8 de fevereiro de 2002 (2h0min)
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Elenco: Frédéric Mitterrand, Clotilde Mollet, Audrey Tautou mais
Gênero: Comédia
Nacionalidade: França

Simples, ingênuo e engraçado. O filme do cineasta francês Jean-Pierre Jeunet já levou mais de sete milhões de franceses ao cinema e está tendo uma carreira gloriosa fora da Europa. Além de faturar vários prêmios nos Estados Unidos (Melhor Filme estrangeiro pela Broadcast Films Critics Association e pela Online Films Critics Association), ganhador do Oscar 2002.

Mas do que se trata esse filme com nome de menina e sorrisos na tela? O "Fabuloso Destino de Amélie Poulain" ("Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain" - FRA 2001) fala das coisas simples da vida. As neuras de uma família. Os sonhos de uma garota que nunca teve amigos. A busca do amor. Dizem que o quanto mais simples algo é, mais difícil é de se conseguir, certo? Errado, e Amélie está aqui para provar isso. 

Fechada em seu mundo interior, Amélie vê tudo no mais cor de rosa e, impulsionada por uma descoberta em seu próprio banheiro, decide ajudar o mundo. Durante sua caminhada, ela aprende a ajudar a  si mesma. 

O filme tem passagens ótimas logo de cara. Jean-Pierre Jeunet mostra o gosto de cada personagem da família Poulain. A mãe de Amélie, por exemplo, acha o suprasumo da diversão encerar o piso com suas pantufas (as donas de casa de plantão enxergarão um certo exagero aí). Mas no decorrer das cenas, o cineasta mescla humor com ternura. O resultado é que o espectador fica tocado pela inocência de Amélie e se pergunta: será que ainda existem pessoas boas? Pessoas capazes de dar a mão a um ceguinho e ajudá-lo a atravessar a rua? 

E mais: pessoas que descrevem um simples trajeto para alguém que não pode ver? Coisas tão facéis e ao mesmo tempo tão difíceis de se fazer. Amélie anda de metrô e, acredite, dá de livre e espontânea vontade moedas aos mendigos (ótima a passagem em que um deles se recusa a aceitar o dinheiro alegando que não trabalha aos domingos!) 

No mundo moderno, onde todos estão tão preocupados consigo mesmo, tão mergulhados no trabalho, nas contas e no seu mundinho individualizado, Amélie Poulain surge como uma fada madrinha. Poderia ser um conto de fadas, com elfos e anões, como a superprodução "O Senhor dos Anéis". Mas não é. Amélie não precisa de varinha mágica para mudar o mundo. Tudo o que ela faz é prestar atenção no próximo e tocá-lo de alguma maneira. E isso vale, e muito. 

A "Academia Européia de Cinema" entregou o prêmio Felix de melhor filme europeu para "Amélie Poulain". Jean-Pierre Jeunet concorreu com produções de peso como "Os Outros" e "O Quarto do Filho". Jeunet recebeu ainda o prêmio de melhor diretor e o prêmio de melhor filme segundo o público. 

"Amélie Poulain" é adorável, doce, comovente e universal. É simples, ingênuo e engraçado. Se o mundo for realmente perfeito.


Prêmios :O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

OSCAR
2002
Indicações
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Direção de Arte
Melhor Fotografia
Melhor Roteiro Original
Melhor Som

GLOBO DE OURO
2002
Indicação
Melhor Filme Estrangeiro

BAFTA
2002
Ganhou
Melhor Roteiro Original
Melhor Cenografia

Indicações
Melhor Filme
Melhor Diretor - Jean-Pierre Jeunet
Melhor Atriz - Audrey Tautou
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Fotografia
Melhor Trilha Sonora
Melhor Edição

CÉSAR
2002
Ganhou
Melhor Filme
Melhor Diretor - Jean-Pierre Jeunet
Melhor Trilha Sonora
Melhor Cenografia

Indicações
Melhor Atriz - Audrey Tautou
Melhor Ator Coadjuvante - Rufus
Melhor Ator Coadjuvante - Jamel Debbouze
Melhor Atriz Coadjuvante - Isabelle Nanty
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Roteiro
Melhor Som
Melhor Edição

FESTIVAL DE TORONTO
2002
Ganhou
Prêmio do Público

FESTIVAL DE EDIMBURGO
2002
Ganhou
Prêmio da Audiência
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FILME - A LIBERDADE É AZUL

Trilogia das Cores:A Liberdade é Azul


Primeiro filme da trilogia de Krzysztof Kieslowski dedicada às cores e aos ideais da Revolução Francesa. Os demais foram A Igualdade É Branca (1994) e A Fraternidade É Vermelha (1994).

Mesmo quem diz não gostar de cinema europeu, por achá-lo chato demais,eu indico esse filme. Até porque toda regra tem uma exceção, Krzystof Kieslowski, cineasta polonês, é a exceção desse caso.

Kieslowski fez ao total 23 filmes, dentre os quais se destacam Amator (1979) - que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher - e DECÁLOGO (1988 - feito para tv), dividido em dez partes contando cada uma, um mandamento bíblico. O destaque é o sexto mandamento, Não Amarás, que conta a história de um jovem ("Entre o amor platônico e a violência do desejo", conforme anuncia o cartaz...) que corta os pulsos ao ser rejeitado por uma mulher mais velha.

Mas sua obra-prima ainda estava por vir. Morando em Paris e desiludido com a política, Krzystof resolveu filmar as dores do mundo. A Trilogia das Cores, inspirada nas cores da bandeira francesa, e em seus significados, é um dos momentos mais poéticos do cinema nessa década.




Bleu, A Liberdade é Azul, (1993) é o primeiro e é um drama. Julie (a bela Juliette Binoche de O Paciente Inglês) perde o marido (famoso compositor) e a filha pequena em um acidente de carro. Tenta se matar mas não consegue pois se acha fraca para fazer isso. Fica só. E ser livre é, muitas vezes, difícil. Um flautista de rua lhe diz que é preciso se agarrar a algo mas ela já não quer mais nada pois bens, recordações, amigos, vínculos, são tudo armadilha. Gostaria mesmo é de pular no espaço, no céu azul, mas no fundo sabe que não se pode renunciar a tudo. Kieslowski transforma dor em sublimação. Bleu é um filme silencioso mas todos os sentimentos são para qualquer um tocar. Cada um é livre para fazer o que quiser embora a liberdade maior seja estar vivo. A fotografia é linda e a trilha sonora, do inseparável Zbigniew Preisner, sinfônica e imponente.



INFELIZMENTE O QUE TEMOS DISPONIBILIZADO NO YOUTUBE ESTÁ INCOMPLETO. PROCURE OUTRA FONTES



Se alguém ainda tem dúvidas sobre o filme ser bom:

Prêmios
GLOBO DE OURO
1994
Indicações
Melhor Filme Atriz - Drama - Juliette Binoche
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Trilha Sonora

FESTIVAL DE VENEZA
1993
Leão de Ouro
Melhor Atriz - Juliette Binoche
Melhor Fotografia
Prêmio OCIC
CÉSAR
1994
Melhor Atriz - Juliette Binoche
Melhor Som
Melhor Edição

Indicação
Melhor Filme
Melhor Direção de Fotografia
Melhor Música
Melhor Roteiro
Melhor Diretor - Krzysztof Kieslowski
Atriz Mais Promissora - Florence Pernel

GOYA
1994
Melhor Filme Europeu
quarta-feira, 27 de novembro de 2013 1 comentários

RACISMO PADRÃO FIFA

A FIFA parece não ligar para as inúmeras denúncias de racismo e ameaças de boicote. Como prova mais recente, acaba de substituir Camila Pitanga e Lázaro Ramos por um casal de loiros


lázaro ramos camila pitanga fifa

Jogadores negros ameaçam boicotar a copa do mundo! Assim mesmo, a FIFA decidiu vetar o casal de negros, Camila Pitanga e Lázaro Ramos.

O jogador marfinense, Yaiá Touré, do Manchester City, avisou às autoridades do futebol europeu que os jogadores negros poderão não disputar a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. País com histórico de racismo nos estádios.

Touré, em partida este ano contra o CSKA, foi chamado de macaco pela torcida russa. Em 2012, o Yayá Touré e Ballotelli foram ofendidos pela torcida do Porto que cantava hinos racistas. No início deste ano, Balotelli e Robinho foram ofendidos por alguns torcedores da Fiorentina. Outro dia, a torcida do Roma ofendeu tanto os negros Balotelli e Boateng, do Milan, que o árbitro teve que interromper a partida. Boateng já abandonou o campo certa vez por não suportar as ofensas. Acontece o tempo todo. Em muitos estádios europeus, jogadores negros são ofendidos pela torcida adversária com jocosas imitações de macaco, e até bananas são arremessadas nos gramados.

Mesmo assim, a FIFA não aceitou a dupla de negros sugerida pela Globo.

Na semana passada, a torcida do espanhol Bétis, time do brasileiro Paulão, vaiou o nosso patrício e fizeram macaquices. Torcedores do seu próprio time!

Porém, a FIFA não quis saber do casal de negros e escolheu um casal de loiros sulistas para apresentar a cerimônia do sorteio de grupos para a Copa do Mundo do ano que vem.

Lázaro Ramos, um dos grandes atores brasileiros da atualidade, filho do teatro popular, é da Bahia, onde será realizado o evento no mês que vem. A Bahia é o estado que tem o maior contingente negro do Brasil. Mais: a Bahia é o centro da resistência e do orgulho negro no Brasil.

Mas a FIFA preferiu que os mestres de cerimônia do evento, a ser transmitido para todo o mundo, fossem a apresentadora gaúcha Fernanda Lima e o ator catarinense Rodrigo Hilbert.

O futebol brasileiro, até os anos 20, recusava profissionalizar jogadores negros. O presidente Epitácio Pessoa chegou a vetar a presença de negros na Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1921. Mas os negros não desistiram e foram conquistando o seu espaço. Primeiro no Vasco, transformando o time em uma potência, depois Bangu, Flamengo, Fluminense…

Em ’34, chegou à seleção brasileira o ousado Leônidas da Silva, o Diamante Negro, inventor da bicicleta, a jogada mais espetacular do futebol, a mais criativa, a mais inusitada. Já na Copa do Mundo de ’38, o Diamante Negro comandou o time que encantou o mundo. Um time com branco, mulato e preto. Quatro décadas depois, um negro surge como o maior nome deste esporte em todos os tempos. Em seguida vieram Romário, Denner, Ronaldos, Rivaldo, Robinho, Neymar…

A questão, portanto, não é que a CBF tenha escolhido um casal loiro. É que ela rejeitou o casal de negros.

Na verdade, mesmo sendo o maior exportador de jogadores para o exterior, e sendo negros a maioria deles, o Brasil ainda tem poucos negros nas situações de comando. Após o negro Barbosa ter levado nas costas toda a culpa pela perda da Copa de ’50, demorou muito para vermos um negro novamente com a camisa de goleiro na seleção.

A FIFA poderia ter sugerido mesclar Fernanda Lima e Lázaro Ramos, ou Pitanga e Hilbert. Mas mesmo fazendo campanhas contra o racismo nos estádios, a FIFA não conseguiu compreender a simbologia de termos ali ao menos um negro representando o Brasil; ou não quis compreender.
Na Copa das Confederações no ano passado, durante o jogo entre Uruguai e Itália, devido ao preço exorbitante dos ingressos, o cara mais negro dentro da Arena Fonte Nova, na negra Bahia, era o italiano Balotelli.

A FIFA já quis proibir a venda de Acarajé durante os jogos, e desproibiu a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Ela faz e acontece. Pode até não se importar com o fato de que, no Brasil, o preço do ingresso pode segregar raças.

Se importará em 2018, se Touré levar o seu ativismo adiante.
Eu fui à varanda olhar para o mar, um pensamento passou com a maresia e eu o agarrei: com mil diabos, mesmo com tudo isso sendo do conhecimento de todos nós, a FIFA recusou o casal de negros e contratou o casal de loiros. E eles aceitaram!

Lelê Teles, Viomundo

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