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terça-feira, 25 de abril de 2017 1 comentários

SINCRONICIDADE: A CIÊNCIA DAS COINCIDÊNCIAS



 “O mundo é um ovo” ou “Que mundo pequeno!” são expressões que certamente você já usou ou ouviu em algum momento. Essas expressões são usadas quando uma situação de coincidência acontece. Um encontro de surpresa com alguém que você conhece em uma cidade diferente da sua pode ser um exemplo de  coincidência. Mas o que aconteceria se soubéssemos que, na verdade, isso tem a ver com uma ciência chamada “sincronicidade”?

Mesma que pareça incrível, importantes pesquisadores estudaram e tentaram identificar as relações que podem existir entre dois fenômenos taxados como muito improváveis ou que parecem não ter conexão alguma. E não foram nomes muito desconhecidos os que tentaram dar alguma explicação para estes acontecimentos. Podemos falar de gente de renome, como Carl Jung, por exemplo, que inventou o termo “sincronicidade”.

“Uma vez é acidente, duas é coincidência, e três é ação do inimigo”.
– Ian Fleming –

O que é a sincronicidade?

Às vezes pensamos que o universo está nos enviando sinais quando acontecem coincidências que são muito surpreendentes. No entanto, para Jung, era simplesmente a sincronicidade, que poderia ser definida como a simultaneidade de diferentes eventos vinculados por um sentido que não é o da coincidência.

Ou seja, podemos resumir esta singular ciência em uma coincidência temporal de uma série de eventos (dois ou mais), que apesar de estarem relacionados entre si, não são influenciados um pelo outro. No entanto, existe uma relação de conteúdo.

Para tentar tornar isso mais fácil, imagine que você tem um bom amigo. Um dia, conversando com o seu pai, você fala para ele sobre essa amizade e comenta seu nome com ele, quem são seus familiares, etc. Assim, do nada, seu pai percebe que seu amigo tem uma relação familiar distante com a sua, porque o avô de seu amigo e a sua avó eram primos de segundo grau.

Observemos no exemplo que o fato de você e do seu amigo serem parentes distantes não tem nada a ver com a sua amizade e nem com como ela aconteceu. No entanto, há uma relação de conteúdo, mas não de coincidência.

Mais detalhes curiosos sobre a sincronicidade

Muitos autores estudaram ou falaram, inclusive sem saber, sobre essa peculiar ciência. Para Friedrich Schiller, por exemplo, o acaso surge de fontes profundas, por isso a coincidência não existe. No entanto, o surrealista André Bretón considerava a existência do acaso objetivo, quando seus desejos convergem com o que o mundo oferece.

Porém, de acordo com Jung, quando falamos de sincronicidade, nos referimos à união de acontecimentos internos e externos. Sendo assim, o indivíduo que vive determinados acontecimentos encontra sentido na unificação de ambos.

Apesar de acudirmos à metafísica para justificar estes acontecimentos, como pode ser o acaso ou a sorte, inclusive a magia, na realidade aconteceriam em forma de atração inconsciente. Uma atração inconsciente que faz com que as coisas aconteçam, pelo menos de acordo com o que Jung considera. Isso nos leva ao reconhecimento de padrões.

É por isso que esta teoria do autor, que nasce da psicanálise, choca-se com movimentos racionalistas e materialistas. Entretanto, o famoso psicólogo estabelecia épocas mais ou menos propícias para o aparecimento das sincronicidades..

O reconhecimento de padrões

Cabe destacar que Jung estabelecia a sincronicidade ou ocorrência como uma busca de padrões reconhecíveis. Por essa razão, segundo o psicanalista, fases após a morte de pessoas queridas ou mudanças no trabalho provocam uma maior energia para a coincidência. Tudo isso se deve às mudanças provocadas em nós após essas situações, que nos levam a buscar padrões reconhecíveis que deem sentido a nossa busca. Assim, este impulso de reconhecimento que parece que todos nós temos, é a base da sincronicidade.

De acordo com alguns estudos, em momentos de elevada quantidade de dopamina no cérebro, caso de situações estressantes ou de grande profundidade emocional, nós tendemos ao pensamento mágico. Porém, essa magia, que seria a coincidência, é na realidade a sincronicidade.

No entanto, não se deve desprezar a necessidade de busca por padrões. Isso é algo natural que temos na mente humana desde o tempo das cavernas. E mais, este tipo de pensamento está ligado à anedonia, cuja inexistência poderia provocar a incapacidade de sentir prazer. Ou seja, essa é, na realidade, uma habilidade que nos ajudou a sobreviver durante milhares de anos.

“Não acredito na coincidência nem na necessidade. Minha vontade é o destino”.
– John Milton

Então não pense na loucura da coincidência e do acidente. Somos propensos a procurar padrões e, em muitas ocasiões, nosso cérebro lida com essa informação de forma inconsciente. Entretanto, é um mecanismo valioso que nos ajuda a tomar decisões. Talvez a magia da coincidência não exista, mas pode ser bonito e útil pensar que sim.
domingo, 16 de abril de 2017 0 comentários

A VIDA MELHORA 100% QUANDO VOCÊ EXPRESSA SUAS VONTADES



“Não quero”. “Não gosto”. “Não enche”. “Fique aqui”. “Faço questão”. “Estou a fim”. “Fale direito comigo”. “Prefiro de outra forma”. “Isso não me agrada”. “Vou ligar, deu saudade”… existem milhões de frases curtas e palavras simples que insistimos em transformar em enormes nós na garganta. Optamos por engolir verdades, abafar afagos e cultivar novelos de mágoa no peito à medida que abrimos mão de verbalizar o que sentimos. Rendidos à teoria furada de que o silêncio é o melhor remédio, sufocamos a solução para boa parte das dores de cabeça que nos assolam: a comunicação.

Em algum momento perdemos a capacidade de dialogar. Instituiu-se a perigosa falácia de que ignorar é a resposta ideal e a consequência disso são mal-entendidos bobos minando relações preciosas. É aí que a piada infeliz que o colega de trabalho soltou, o presente que o marido se esqueceu de levar no aniversário de casamento e a ligação que você esperava do amigo e não recebeu são transformados em rosnadas e ressentimentos. A desconfortável sensação de que erraram conosco se converge em descontentamento prolongado pelo orgulho ferido. Tempos depois você descobre que um mero “ei, algo está me incomodando e preciso falar a respeito” economizaria dissabores e rupturas tolas.

Dizer o que se sente é colocar-se em primeiro lugar e conceder à vida adulta a maturidade que ela requer. É se dar o direito de expor, sem máscaras e jogos, vontades legítimas, que podem (e devem) ser postas na mesa. Não me refiro à verborragia sem freio que confunde falta de limites com liberdade de expressão. Refiro-me à libertadora possibilidade que temos de substituir as entrelinhas pela necessária e eficiente clareza de sentimentos. A vida melhora 100℅ quando a gente aprende que o subtendido é perda de tempo e elege o “preto no branco” como regra de conduta.

É dizer “não quero ir porque estou com preguiça” sem inventar que o carro pifou. É perguntar “qual o problema?” para quem desapareceu do nada. É falar “eu me preocupo e por isso quero estar perto” para quem é importante. É evidenciar para o seu funcionário o que espera dele, pedir para a tia mandona parar de se meter, externar para o companheiro que ele tem sido arrogante, solicitar sem constrangimento a folga de que precisa no trabalho. Combinar encontros, recusar propostas, propalar em alto e bom som desejos adormecidos.

No final das contas percebemos que tudo começa a fluir e que quem realmente se importa ouve, assimila e reconsidera posturas. Percebemos que a vaidade que o ego tem em se calar vale bem menos que as vantagens de soltar o que está reprimido. Entendemos que pagamos um preço alto pela inércia de esperar que o outro aja como gostaríamos sem que tenhamos manifestado o que queremos. No final das contas concluímos que nos estressamos com quem sequer imagina que agiu mal e que é insano esperar que adivinhem. Existe um mecanismo mais eficaz e viável do que bola de cristal — a boa, velha e indispensável conversa.

 Larissa Bittar
segunda-feira, 10 de abril de 2017 0 comentários

POR QUE A CULPA AUMENTA O PRAZER?



Alguns estudos em psicologia descobriram que a sensação de culpa que temos quando saímos da dieta ou escolhemos uma vida mais descontrolada não nos ajuda a ter uma vida saudável. Em vez de nos desviar das tentações, a culpa frequentemente nos leva a desenvolver vícios. Essa ironia parece ter vários motivos. Uma teoria é de que formas culpáveis de prazer estão tão enraizadas em nossa psique que os sentimentos de remorso detonam pensamentos de desejo em nosso cérebro. Ou seja, nossos vícios são tentadores em parte porque sabemos que eles nos fazem mal.

Para demonstrar a forma como nosso subconsciente realmente funciona de maneira masoquista, Kelly Goldsmith, da Northwestern University, em Illinois, mostrou alguns jogos de palavras a um grupo de voluntários. Eles primeiro tinham que reordenar algumas frases, algumas com palavras como “pecado”, “culpa” e “remorso”, e outras com termos mais neutros.

Na segunda parte do experimento, eles recebiam duas letras e tinham que completar as palavras. Aqueles que antes ordenaram as frases com as palavras condenadoras apresentaram muito mais tendência a criar palavras associadas com desejo. Ou seja, em vez de desviar os pensamentos do pecado, o subconsciente culpado começou a pensar de maneira mais luxuriosa.

Goldsmith descobriu ainda que esses sentimentos se traduziam em experiências realmente sensoriais. Os voluntários que foram incitados com ideias de culpa admitiram mais compulsão por doces ou ter mais prazer em olhar as fotos de um site de encontros.


O efeito “foda-se”

Mas a ironia da culpa não para por aqui. Além de aumentar a atração pelas tentações, o sentimento também pode lançar o chamado efeito “foda-se”.

Esse fenômeno psicológico tão bem estudado é o motivo pelo qual você não consegue parar de comer quando se comprometeu a comer “só uma” fatia de bolo – ao acharmos que fracassamos em algo, logo concluímos que é melhor se entregar completamente.

Roeline Kuijer e Jessica Boyce, da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, recentemente estudaram os hábitos alimentares de um grupo de voluntários que tentava perder peso.

Elas perceberam que aqueles que logo associavam um bolo de chocolate a um sentimento de culpa acreditavam menos em seu autocontrole do que as pessoas que associavam o alimento com coisas mais positivas, como uma festa.

Nos meses que se seguiram, aquilo se tornou uma profecia auto-realizável: apesar das intenções serem as mesmas, as pessoas que se sentiam mais culpadas ao pensar em chocolate conseguiam perder menos peso em comparação àquelas que viam o chocolate com animação. O mesmo aconteceu com outro grupo que estava tentando manter um peso saudável. Em um período de 18 meses, aqueles que inocentemente desfrutavam de sua comida tinham menos tendência a engordar.


Utilidade pública

As descobertas podem evidenciar um problema que ocorre em algumas campanhas de saúde pública. “Quando você pega uma atividade que não era associada com a culpa e, de repente, a faz parecer imprópria, o prazer parece aumentar”, diz Goldsmith.

Sendo assim, um aviso de “É proibido fumar” pode aumentar a vontade dos fumantes. Kuijer e Boyce argumentam que não deve ser coincidência o fato de os Estados Unidos apresentarem uma maior taxa de obesidade que a França, apesar dos americanos se sentirem mais culpados do que os franceses em relação a sua alimentação.

Apesar de nenhuma campanha pública ter sido alterada para experimentar essas teorias, Goldsmith acredita que seria mais eficiente se concentrar nos aspectos positivos, por exemplo, enfatizando os benefícios de escolhas mais saudáveis. Outros estudos concluíram que a liberdade de sentir pequenos prazeres uma vez ou outra é essencial para manter a força de vontade em relação a objetivos de vida maiores.

“Quando usamos nosso auto-controle para resistir a uma tentação ou para continuar com uma tarefa pouco interessante, esgotamos a força desse ‘músculo'”, explica Leonard Reinecke, da Universidade de Mainz, na Alemanha. “Consequentemente, é mais difícil resistir a desejos em outras situações.”

O cientista descobriu que formas de entretenimento menos intelectuais são uma ótima maneira de dar um descanso ao que ele chama de “músculo da força de vontade” e de recarregar o auto-controle. Mas quem sucumbir a esse tipo de lazer não pode se sentir culpado por isso, senão não há benefícios. Até porque, não é para menos que boa parte das maiores empresas do mundo possuem um excelente local de recreação: o descanso é produtivo.

Pessoas cansadas, esgotadas e/ou entediadas produzem menos. Em outras palavras, perdoar-se por um pouco de diversão ou por se entregar a uma guloseima deve servir para recuperar uma atitude saudável mais rapidamente e, assim, direcionar a força de vontade a algo mais positivo no dia seguinte.

por Demasiado Humano
segunda-feira, 13 de outubro de 2014 0 comentários

BOCEJO: VOCÊ É UM DOS MEUS!




Um dos grandes mistérios da biologia moderna é o bocejo! Existem muitas teorias sobre o bocejo mas a verdade é que até hoje ninguém sabe ao certo qual seria a função desse comportamento exibido por todos vertebrados, dos peixes aos seres humanos. Ou seja, ninguém sabe pra que diabos serve o bocejo. Há teorias que dizem que o bocejo estaria ligado a respiração, outras dizem que é uma forma de obter mais oxigênio quando mais se precisa (no meio de um filme chato?), outras que teria ligação com a coluna vertebral e que seria uma forma de alongá-la. De verdade...ninguém sabe. Mas uma coisa todos sabem: bocejar é um comportamento contagiante. Um boceja aqui, o outro em seguida boceja ali.

Acredita-se que o aspecto contagiante do bocejo seja uma expressão de empatia entre os indivíduos de uma mesma espécie. Seria uma forma de contágio emocional pelo qual o indivíduo mostraria pro outro que ele é capaz de sentir e expressar o mesmo que o outro. Irene, que muito já pensou sobre o bocejo, tem outra teoria. Ela acredita que o bocejo seja uma forma do indivíduo sinalizar pro outro que ele está dando um tempo, o que de fato significaria dizer que não está querendo  nenhuma interação com o outro, seja ela sexo, briga, brincadeira ou assistir uma aula mega chata. E ao contagiar o outro através do bocejo, o indivíduo estaria trazendo o contagiado para a mesma “vibe” que o bocejador. Isso faria com que aquele inicialmente interessado em sexo, briga ou brincadeira também perdesse o interesse pela atividade em questão. Ou seja, o bocejo com seu caráter contagiante seria um modulador da vida em sociedade, um sincronizador de interesses momentâneos. “Se você não está a fim, entendi...Também perdi a vontade”. Assim falaria Irene.

Mas será que esse contágio funciona da mesma forma em outras espécies? Um estudo publicado esta semana na revista PeerJ, que é uma revista com uma nova proposta para o já sabido fracassado processo de revisão de pares, compara o efeito contagiante do bocejo em seres humanos com o de outra espécie de primatas, o Pan paniscus, ou simplesmente chimpanzé.

Os pesquisadores passaram aproximadamente 500 horas observando o comportamento dos macacos moradores de dois zoológicos na Holanda e também de seres humanos (esses não eram moradores do zoológico...). O estudo selecionou cinco variáveis para registro, são elas: A hora que foi dado o bocejo, a identidade do bocejador e daqueles presentes que notaram o bocejo (chamados de observadores), se houve ou não contágio do bocejo num intervalo de até 3 minutos após o bocejo, tempo de latência do bocejo dado pelo contagiado e sexo de todos os envolvidos, do bocejador e daqueles contagiados.


Os pesquisadores observaram que macacos e seres humanos não diferem nem no tempo que levam e nem na forma como respondem ao bocejo de outro indivíduo qualquer da mesma espécie. No entanto, em seres humanos, a resposta ao bocejo é potencializada caso haja uma estreita relação entre o bocejador e o observador. Ou seja, quando o bocejador tem um forte laço com o observador, as chances do observador ser contagiado pelo bocejo do bocejador são muito maiores do que nos casos onde o bocejador não tem relação com o observador. Isso significa que as chances de você responder ao bocejo de um familiar, amigo ou colega são maiores do que as chances de se contagiar pelo bocejo de um desconhecido.

Se o bocejo de fato é uma expressão de empatia, o achado é então muito claro. Estamos pouco nos lixando para a forma como o outro, que não tem um estreito laço com a gente, está se sentindo. Mas quando o assunto diz respeito a um dos nossos, a coisa muda de figura. Isso ilustra bem o caráter sectário e separatista do ser humano e a supervalorização daquele que nos é próximo. É possível que este comportamento tenha sido fundamental para manter as famílias, tribos e grupos unidos ao longo da evolução humana.


Pode ser também que o efeito contagiante do bocejo tenha funcionado como uma linguagem pela qual o contagiado diria ao bocejador: eu reconheço você. Você é um dos meus!

 Marcia Triunfol Elblink
terça-feira, 13 de maio de 2014 0 comentários

O ENAMORAMENTO, SEGUNDO SCHOPENHAUER.



Tese: O sentimento de amor é central para o homem. Certamente o tema mais abordado por todas as artes e pela cultura em geral.
A filosofia deve ocupar-se do amor, afirma Schopenhauer. Mas exatamente nesse elevado nível, em que o homem parece exprimir melhor a própria individualidade e espiritualidade, descobre-se uma ilusão. Por trás de toda manifestação de amor, mesmo a mais pura, sincera e sutil, está o instinto procriador. Uma determinação biológica voltada ao acasalamento e à reprodução da espécie. 

A tese de Schopenhauer, que terá grande interesse para Freud e Jung, é de que não existe amor sem sexualidade. O enamoramento está voltado para a continuidade da espécie, onde o amor é um mero instrumento da natureza. De fato, se o homem não fosse movido por um instinto erótico jamais colocaria filhos no mundo. Ninguém seria tão maldoso a ponto de desejar que qualquer ser viva neste vale de lágrimas. O orgasmo é uma tática para driblar a culpa de gerar uma nova vida. 

Todo o enamoramento, por mais que queira se mostrar etéreo, tem a sua raiz unicamente no instinto sexual; ou melhor, em tudo e por tudo, é somente um impulso sexual determinado, especializado e rigorosamente individualizado...
O êxtase encantador que arrebata o homem à vista de uma mulher cuja beleza lhe apraz e que o leva a imaginar a união com ela como o supremo bem é exatamente o sentido da espécie, que, reconhecendo o seu caráter claramente impresso nela, desejaria perpetuá-lo com a mesma. Dessa decidida inclinação para a beleza depende a conservação do tipo da espécie: por isso ele age
com tamanha força... 

Portanto, o homem é realmente guiado por um instinto que tende ao melhoramento da espécie, mesmo que se iluda ao pensar que busca somente um aumento do próprio prazer. De fato, o que temos é um instrutivo esclarecimento sobre a íntima essência de todo instinto, que quase sempre, como aqui, coloca o indivíduo em movimento para o bem da espécie...
Em conformidade ao exposto caráter do assunto, todo enamorado, depois do gozo finalmente alcançado, experimenta uma estranha desilusão e se surpreende de que aquilo que tão ardentemente desejou não ofereça nada mas do que qualquer outra satisfação sexual; tanto que agora já não se sente mais por ele impelido. 

Com freqüência se vê um homem de boa constituição, espirituoso e delicado ser preterido em favor de um outro feio, estúpido e grosseiro. Igualmente são feitos casamentos por amor entre pessoas extremamente diferentes sob o ponto de vista do espírito:por exemplo, ele é rude, forte e estúpido; ela, delicada, impressionável, instruída, de pensamento refinado, senso artístico; ou então ele, é muito sábio, talentoso enquanto ela é uma néscia. Como a sensibilidade, a boa constituição e a sabedoria são características femininas, as mulheres rejeitam tais qualidades nos homens pois elas mesmas podem passar à prole. Por isso as mulheres rejeitam freqüentemente os eruditos, pois o amor é questão de instinto e não de razão, intelecto ou bom senso.
Logo, aquele desejo estava para todos os seus demais desejos na mesma relação em que a espécie está para o indivíduo –ou seja, entre uma coisa infinita e finita. A satisfação, ao contrario, só se realiza propriamente para o bem da espécie e não cai, portanto, na consciência do indivíduo, o qual, animado pela vontade de espécie, servia com todo o sacrifício a um fim que não era o seu próprio. 

Imaginava-se que o instinto tinha pouco império sobre o homem, ou que pelo menos não se manifestava mais quando o recém nascido instintivamente tratava de procurar e sugar os seios de sua mãe. Porém, na realidade, há um instinto muito determinado, muito atuante, e muito complexo que nos guia na eleição tão fina, tão séria, e tão particular da pessoa que se ama, e de possuí-la com tal voracidade. Por sinal, esta relação instintiva ao nascer deve ser muito marcante. Isso explicaria a causa de quase todos os homens se interessarem por mulheres dotadas personalidade parecida com a da mãe.
Schopenhauer divide a natureza da Vontade em três níveis de importância: Vontade (geral); vontade individual e vontade da espécie.

Vontade - A Vontade é o único elemento permanente e invariável do espírito, aquele que lhe dá coerência e unidade, que constitui a essência do homem. A vontade seria o princípio fundamental da natureza, independente da representação, não se submetendo às leis da razão. Schopenhauer afirma que o real é em si mesmo cego e irracional, enquanto Vontade. "A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta". O inconsciente apresenta assim, um papel
fundamental na filosofia de Schopenhauer. A vontade é, acima de tudo, uma vontade de viver e de viver na máxima plenitude. Desde que o mundo é essencialmente vontade, não pode deixar de ser um mundo de sofrimento. A vontade é um índice de necessidade, e como ela é imperecível, continua sempre insatisfeita. A aparente satisfação da vontade conduz ao tédio. A satisfação de um desejo é como a esmola que se dá ao mendigo, só consegue manter-lhe a vida para lhe prolongar a miséria. Por isso mesmo a vontade é um mal e a origem de todos os males.

Vontade de Individual - É o poderoso impulso que impele todo ser a perpetuar o máximo possível a sua existência e condição na condição atual. Está presente de modo consciente, como instinto de sobrevivência, no homem e nos animais. Uma de suas características é sua luta contra o devir(mudança) e à própria morte.

Vontade da Espécie - Como o mundo é um constante devir, a vida, para continuar existindo, precisa igualmente mudar para evitar o perecimento. Para tanto criou as espécies e as dotou de uma vontade própria de conservação e vida. É através do instinto das espécies que os seres singulares podem adiar ou sacrificar suas vontades individuais em prol da perpetuação da espécie e da vida.

Bibliografia:
SCHOPENHAUER, Metafisica del Amor. Madrid: Don Quijote, 1993.
NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada de Filosofia. São Paulo: Editora Globo, 2005.

LINKS INDICADOS: PENSAMENTOS DE FILÓSOFOS CLÁSSICOS: A
quarta-feira, 20 de março de 2013 3 comentários

A CONTRUÇÃO DO SER MULHER



A maturidade chega a face, porém não me agride, estamos entrando num acordo eu acho.
Quando eu era criança queria ser Bina ou Mônica essas duas irmãs meigas, bonitas e delicadas, agora não quero mais ser nada além de Jaqueline Ramiro. Apenas clamo a senhora maturidade que venha trazendo ao mundo com todos os seus encantos a mulher dentro de mim, pois se fecho os olhos percebo ainda sonhos de menina.

Observo encantada ao meu lado marido e filhos e ainda não me convenço do contrário, não cheguei ao final de minha busca. Antes a essência da feminilidade estava na Bina e Mônica, mas meu desejo é conhecê-la na sua plenitude. Como mulheres sempre deixam impressões por onde passam ou por quem passam, vasculho os fragmentos em cada uma que cruza o meu caminho chegando muitas vezes a encontrar partículas em  em alguns homens.
Femininas, caças e presas.    

Tento compreender suas razões o que faz delas fortes, frágeis.
Singelas partes de chocolate e sorvete para reprimir desejos encadeados pelo perfume amadeirado do completo estranho que remete a intimidade daquele que deixou saudade.
Examino o fundo do pote, o que acreditamos ser sempre o último pedaço de felicidade principalmente para aquelas que resolveram travar guerra contra o tempo.



Quantas tristezas pode haver por baixo de uma maquiagem perfeita? E quanto prazer disfarçado no olhar aparentemente absorto de quem contempla a paisagem.


Vejo homens atônitos procurando pela mulher, não encontrando julgam estarem todas loucas e sem piedade nos ferem a alma, então as meninas choram, choram, choram...

Por: Jaqueline Ramiro





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