2c6833b0-77e9-4a38-a9e6-8875b1bef33d diHITT - Notícias Sou Maluca Sim!: filósofos
Mostrando postagens com marcador filósofos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filósofos. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 29 de março de 2017 0 comentários

A ORDEM DAS COISAS



Natura deficit, fortuna mutatur, deus omnia cernit.


A natureza trai-nos, a sorte muda, um deus vê do alto todas estas coisas.

Apertava ao dedo a mesa de um anel onde, num dia de amargura, mandava gravar estas palavras tristes; ia mais longe no desengano, talvez na blasfémia; acabava por achar natural, senão justo, que devíamos perecer.

As nossas letras esgotam-se; as nossas artes adormecem; Pâncrates não é Homero; Arriano não é Xenofonte; quando tentei imortalizar na pedra a forma de Antínoo não encontrei Praxíteles.

Depois de Aristóteles e de Arquimedes, as nossas ciências não progridem; os nossos progressos técnicos não resistiriam ao desgaste de uma longa guerra; mesmo os nossos voluptuosos desgostam-se da felicidade.

O abrandamento dos costumes, o avanço das ideias no decorrer do último século é obra de uma infima minoria de bons espíritos; a massa continua ignara, feroz, quando pode, de qualquer forma egoísta e limitada, e há razões para apostar que ficará sempre assim.

Procuradores a mais, publicanos ávidos, demasiados senadores desconfiados, demasiados centuriões brutais comprometeram adiantadamente a nossa obra; e os impérios, como os homens, já não têm tempo para se instruírem à custa das suas faltas.

Onde quer que um tecelão remendar o seu pano, onde um calculador hábil corrigir os seus erros, onde o artista retocar a sua obra-prima ainda imperfeita ou apenas danificada, a natureza prefere repartir sem intermediário a argila e o caos, e esse esbanjamento é o que se chama a ordem das coisas.

 Marguerite Yourcenar
terça-feira, 13 de maio de 2014 0 comentários

PENSAMENTOS DE FILÓSOFOS CLÁSSICOS: Aristóteles, Sócrates, Platão, Cícero, Sêneca, Epiteto, Virgílio, Demóstenes, Eurípedes, Plutarco e Epícrates.



É lícito afirmar que são prósperos os povos cuja legislação se deve aos filósofos. (Aristóteles)

A filosofia é o melhor remédio para a mente. (Cícero)

O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro. (Plutarco)

A filosofia é um bom conselho. (Sêneca)

A vida feliz consiste na tranqüilidade da mente. (Cícero)

A alma reluta em ser privada da verdade. (Epiteto)

Nada se espalha com maior rapidez do que um boato. (Virgílio)

Só a educação liberta. (Epiteto)

Quem foi expulso do reino da verdade jamais poderá ser tido como um homem feliz. (Sêneca)

O que você tem capacidade de fazer, tem capacidade também de não fazer. (Aristóteles)

Em tudo o que fazemos, temos em vista alguma outra coisa. (Aristóteles)

Deixe que cada um exercite a arte que conhece. (Aristóteles)

Aquilo que é verdadeiro, simples e sincero é bastante compatível com a natureza do homem. (Cícero)

A verdadeira nobreza está na bondade. (Epícrates)

Ninguém acredita em um mentiroso, mesmo quando ele diz a verdade. (Cícero)

Nosso caráter é resultado de nossa conduta. (Aristóteles)

Todo homem é atingido pelos próprios crimes. (Cícero)

Projetos conjuntos têm mais chance de sucesso quando beneficiam ambos os lados. (Eurípedes)

Você será avarento se conviver com homens mesquinhos e avarentos. Será vaidoso se conviver com homens arrogantes. Jamais se livrará da crueldade se compartilhar sua casa com um torturador. Alimentará sua luxúria confraternizando-se com os adúlteros. Se quer se livrar de seus vícios, mantenha-se afastado do exemplo dos viciados. (Sêneca)

É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja. (Demóstenes)

Os cidadãos não terão alívio do mal, meu querido Glauco, nem a raça humana, creio, a não ser que os filósofos governem as cidades ou que os que hoje chamamos de reis e governantes estudem filosofia verdadeira e genuinamente, até que o poder político e a filosofia coalesçam e as diversas natureza dos que hoje perseguem alguém até a exclusão do outro sejam forçosamente impedidas de fazê-lo. (Sócrates, segundo Platão)

LINKS INDICADOS: 


O ENAMORAMENTO, SEGUNDO SCH
segunda-feira, 21 de abril de 2014 0 comentários

O MAL



Sou fascinada pela afirmação de que ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância'


"As crianças nascem más, elas melhoram crescendo, pois a cultura pode civilizá-las." Ao ler essa frase,
apareceu-me a velha questão da "verdadeira essência" da nossa espécie.

Rousseau, filósofo suíço, século 18, achava que nossa natureza era originalmente boa, e que a cultura a corromperia (o "bom selvagem", como se os nascidos na selva não tivessem cultura).

Hobbes, filósofo inglês, século 16, acreditava na infinita capacidade de violência do ser humano, obrigado a
contê-la para viver na civilização (na cidade, encontrando desconhecidos sem poder matá-los, como seria seu impulso de origem).

A frase não segue Hobbes, portanto. Ela seria mais o inverso perfeito da crença de Rousseu. Nossa espécie teria uma essência má, que a bondade da cultura amorteceria... um pouco.

Que maldade é essa? O que é o mal? O tema é vasto. Vamos pensar apenas na maldade humana. Ela teria a ver com infligir dano e sofrimento de maneira intencional e injusta (se você mata em legítima defesa, não praticou o mal).

No entanto, encontrar justificativa para a prática do mal é a coisa mais comum, não à toa Hannah Arendt escreveu sobre a banalidade do mal ao perceber que o nazista Adolf Eichmann acreditava que seu trabalho de extermínio de judeus era completamente justificado como o correto exercício do dever, e que não conflitava com o bom chefe de família que ele era.

A ética contempla os costumes. Depois do julgamento de Nuremberg não mais se justificam atos danosos pelo "cumprimento de ordens" --assim como, na época em que foi composta, "Nega do Cabelo Duro" não
ofendia ninguém.

Lembrei-me dos pecados capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. O curioso é que eles não são pecados em si, mas "capitis" (cabeça) de pecados, daí "capitais". Todos temos, como Hobbes observou, capacidade para eles, mas só quando a partir deles causamos dano/sofrimento intencional, cometemos pecado (ou crime), fazemos o mal com eles.

Mas, fazer o mal com a preguiça? Sim, pela omissão, pelo dane-se. A ganância está contida na avareza; a humilhação dos outros na soberba; os vícios na gula; a maledicência na inveja; o estupro na luxúria e assim por diante.

E a maldade das crianças, onde reside? Numa tira de quadrinhos (C. Schulz), o pequeno Linus, no recreio, fica fascinado com uma coleguinha linda, vai se aproximando dela devagar e finalmente, quando está junto a ela, não se contém e... Dá-lhe um soco no nariz! Maldade?

Não. Falta de instrumentos adequados para expressar a intensidade dos sentimentos que lhe assoberbavam. Como um bebê que chora por não saber falar.

Sou fascinado pela afirmação de Sócrates de que "ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis."

Ela sugere que poderíamos prevenir o mal através do cultivo de instrumentos de expressão mais eficientes de nossos desejos e insatisfações. Do maior conhecimento de si mesmo e do outro. De maior sabedoria, que leva à consideração e à compaixão.

Sem excluir as leis e a cadeia, claro.

FRANCISCO DAUDT

 
;