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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017 0 comentários

A IMPORTÂNCIA DAS AVÓS PARA AS FAMÍLIAS



 Vamos falar da importância das avós no desenvolvimento das crianças e das famílias: o homo sapiens vive mais do que os outros primatas graças às avós!

Há milhares de anos, elas passaram a ajudar na criação dos netos. Isso liberou as filhas para reproduzirem mais vezes, garantindo a supremacia do homem no planeta.

Casa de avó é recanto de carinho, muito carinho. A ideia é praticamente um consenso para a maioria das pessoas. Entretanto, o que pouca gente sabe é que os cuidados e a atenção das vovós pode ter sido muito mais importante do que se imagina.

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, pesquisam na tentativa de comprovar a “hipótese da avó”. É uma teoria existente desde 1997. Esta teoria defende que foi a presença das avós nas famílias que proporcionou uma situação favorável para que os seres humanos vivessem mais tempo do que os demais primatas.

“A função social da avó foi o primeiro passo para que nos tornássemos o que somos hoje”, defende a antropóloga Kristen Hawkes, uma das cientistas que propôs a tese há 15 anos.

De acordo com ela, o fato de adicionar os cuidados das avós ao grupo familiar foi o determinante para que a espécie humana conseguisse chegar ao tempo de vida humano atual.

Para se ter ideia da importância desse fato devemos pensar que, entre os primatas, as fêmeas de chimpanzés sobrevivem apenas mais 15 ou 16 anos após o início do período fértil (que acontece aos 13 anos). E as mulheres podem viver mais 60 anos após essa etapa, iniciada em torno dos 19 anos.

Famílias, aleitamento e desmame
De acordo com esta teoria, historicamente o aumento na expectativa de vida foi possível porque as matriarcas, a partir de um determinado ponto ainda impreciso no tempo, começaram a ajudar a alimentar os netos após o desmame.

Isso aliviou as mães, que puderam, então, interromper o aleitamento mais cedo e terem mais filhos em intervalos menores.

Quando os nossos ancestrais ainda viviam na floresta, após o desmame, os bebês encontravam opções de alimento por contra própria. “Quando a floresta começa a ficar mais escassa, eles migram para ambientes abertos, onde é mais difícil encontrar alimento”, explica Rosana Tidon, professora do Departamento de Genética e Morfologia da Universidade de Brasília (UnB).

As mães passaram, então, a gastar mais tempo e esforço para alimentar sua prole. Foi nesse momento que as avós surgiram como solução. Elas estavam por perto, já tinham passado da idade reprodutiva e passaram a atuar na alimentação dos netos. Nisso, elas liberaram suas filhas para terem mais filhos.

Além disso, as fêmeas ancestrais que viraram avós conseguiram passar adiante o patrimônio genético da longevidade para as gerações posteriores, o que contribuiu para que a expectativa de vida da espécie aumentasse.

Todos ganham
As duas ganham com isso: a mãe porque fica liberada para outras atividades e a avó porque, ao aumentar a capacidade de vida dos netos, acaba aumentando a sua própria aptidão de repassar as características da longevidade aos descendentes.

O outro fato maravilhoso, que tem ligação com este, e do qual falaremos depois, é que avós que se dedicam mais tempo aos netos têm menor incidência de doenças degenerativas da idade, como o Alzheimer! Aí são os netos cuidando dos avós!

 Dr. Fabio Ancona
sexta-feira, 17 de outubro de 2014 0 comentários

FIU-FIU




Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha?
 
Lançaram agora um celular à prova d’água, que você pode usar no chuveiro. Ou em qualquer outro lugar embaixo d’água. No mar, por exemplo.

— Bem, não me espere para o jantar...

— Onde você está?

— Sabe a nossa pesca submarina?

— O que houve?

— Pensei que fosse uma garoupa e era um tubarão. E ele está vindo na minha direção.

— Você ainda está embaixo d’água?!

— Estou.

— E o seu arpão?

— O tubarão engoliu!

— Ligue para a Guarda Costeira!

São cada vez mais raros os lugares em que você pode se ver livre de celulares, e agora nem as piscinas estão seguras.

Os celulares são práticos e se tornaram indispensáveis, eu sei, mas empobreceram a vida social. Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha? Ou um casal em outra mesa, os dois mergulhados nos respectivos celulares sem nem se olharem, o que dirá se falarem — a não ser que estejam trocando mensagens silenciosas entre si, o que é ainda mais triste?

Os celulares podem ser perigosos de várias maneiras, mesmo que não derretam o cérebro, como se andou espalhando há algum tempo. Imagino uma velhinha que ganhou um celular dos netos sem que estes se dessem ao trabalho de explicar seu funcionamento para a vovó. Não contaram, por exemplo, que o celular dado assobia quando recebe uma mensagem. É um assovio humano, um nítido fiu-fiu avisando que alguém ligou, e que pode soar a qualquer hora do dia ou da noite. E imagino a vovó, que mora sozinha, dormindo e, de repente, acordando com o assovio. Um fiu-fiu no meio da noite! A vovó, se não morrer imediatamente do coração, pode ficar apavorada. Quem está lá? Um ladrão ou um fantasma assoviador? E o assovio tem algo de galante. A vovó pode muito bem sair da cama, sem saber se está acordada ou sonhando, e caminhar na direção do fiu-fiu sedutor, como se tivessem vindo buscá-la. Alguém pensou nas vovós solitárias quando inventou o assovio?

O fato é que não há mais refúgio. Nem castelos anti-smartphones com um fosso em volta. Eles agora podem atravessar o fosso.

LUÍS FERNANDO VERISSIMO
sábado, 21 de junho de 2014 0 comentários

VÓ THEREZA



Vez por outra falo com vocês sobre minha avó paterna, essa nega flamenguista e chamada Thereza. Tento sempre expor minha admiração em razão das inúmeras atrocidades que ela passou ao longo da vida e mesmo assim manteve-se de pé. Educou, de acordo com as suas limitadíssimas possibilidades, filhos e netos.

Mulher negra, extremamente pobre, mas que me passou preciosos conhecimentos. 

Estou muito feliz por ter conseguido por meio de terceiros essa imagem dela, já de cabelinhos brancos e um bom copo de cerveja na mão.

Vó, saudades eternas. 


terça-feira, 3 de setembro de 2013 0 comentários

OS TRÊS RATOS SONHO


Diversos sonhos, diversos alertas e eu sobrevivendo tentando fingir que o mundo é azul. 

Em um dos últimos sonhos eu estava caminhado com minha mãe na rua, ela esta me levando para algum lugar. Chegamos diante de um paredão branco e ela apontado dizia: olha Jaqueline.

Eu só via parede e mais uma vez ela apontou. 
Olhei para o chão e vi três ratazanas emboladas uma nas outras. Elas pareciam querer se esconder da luz. 

- está vendo minha filha? são três ratazanas. 

Pois bem, por coincidência ou não estou tendo problemas com três familiares para fazer valer os meus direitos de herdeira. Entre eles a minha avó que eu pensei que nem fosse interferir nisso, mas...

Meu irmão e o ultimo ex marido da minha mãe se intitularam donos de todos os pertences da minha mãe. Colocaram uma das casas do terreno( a mais cara) para vender sem me comunicar ou tentar qualquer acordo enquanto afirmam que as outras casa minha mãe passou em vida para terceiros e por isso eu não tenho direito a nada, mas sem apresentarem qualquer documentação.

Pertences como móveis, aparelhos eletrônicos, roupas eles alegam ter dado tudo para a caridade. 
E foi para a caridade mesmo... televisão na sala de um, geladeira na cozinha de outro e por ai vai. 
Conta bancária tudo mexido

sem me comunicar e para eles está tudo bem. 

Misteriosamente meu irmão passou a ser um homem bem sucedido. Com apartamento próprio, terreno em Angra dos Reis, carro novo tração 4x4 e por ai vai...







NOS SONHOS MINHA MÃE ME APONTA RATOS ENQUANTO AQUI MINHA FAMÍLIA ME COLOCA EM RATOEIRA.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013 0 comentários

COBRA AMARELA / SONHO

Estava tudo muito errado, mas eu não estava disposta a me aborrecer ainda mais e eu ainda mantenho o conceito de não responder a minha avó e esse tipo de coisa e do jeito que ela falou comigo eu ia acabar falando algumas coisas que vem sendo guardadas a anos em um bau empoeirado.

Mas depois de algum tempo tive um outro sonho que me deixou impressionada mesmo não tendo a presença da minha mãe.

Sonhei que estava na antiga casa da minha avó e que eu queria passar da varanda para a cozinha, mas no chão tinha uma cobra amarela no caminho. Como eu nunca tive medo de cobra no sonho eu me agachava para apanhar a cobra pela cabeça e tira-la do caminho. A pesar de ter agarrado a danada pela caça eu senti uma fisgada muito forte na parte de cima da minha mão e o sangue escorrendo. E eu olhava para a cobra e me perguntava como ela tinha conseguido me morder se eu a segurava pela cabeça. Para piorar a situação quando eu olhava de novo para a cobra ela era de plástico. Não era real.
De qualquer forma, apanhei a bicha e coloquei no quintal de onde ela sumiu rapidamente da minha vista e sem deixar rastro.

Minha avo estava com um avental branco embaixo da goiabeira e me perguntava raivosa:
- Jaqueline onde está a cobra?
- Não sei vó, ela me mordeu.Eu a coloquei aqui no quintal, mas não sei onde está.

E minha avó queria que eu desse conta da cobra de qualquer jeito como se fosse eu quem tivesse feito algum mal.

quando entrei na casa a cobra estava refastelada comodamente encima do sofá e minha vó diante da minha surpresa disse:
- foi eu que coloquei ela ai.

Três dias depois passei por situação bem parecida. Meu irmão sentindo-se seguro por ter conseguido um bom dinheiro por meio de acordo com ex marido da minha mãe não tinha mais a necessidade me me tratar bem. Praticamente do nada me colocou a baixo de cachorro. Disse que eu era uma passa fome, que meus filhos eram um piolhentos, favelados, que eu não ia receber nada porque a herança era dele.
Quando falei que iria entrar na justiça ele me ameaçou dizendo que ia encher a minha cara de tiros.
Como meu irmão é DESIPE e só anda armado o negócio foi engolir o sapo e ainda ouvir minha avó dizendo na minha cara que eu não presto, pois meu irmão é um menino muito bom. E que deus iria me castigar por não dá valor.
Quando eu tentava argumentar o que ele tinha feito (o indefensável) ela disse, mas isso ´coisa de irmão.
Se eu por alguma razão contrariar as ordens da minha avó deu vai me castigar, mas se meu irmão diz que vai encher minha cara de tiro por causa de dinheiro de herança ai é coisa de irmão.
Eu sempre amei tato minha avó e meu irmão e isso é muita decepção, mas não é o inesperado.
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REGADOR O SONHO


Quando viva eu quase não sonhava com a minha mãe, mas depois da morte ela tem sido presença contante em meus sonhos e sempre com algum alerta o que me causa muita estranheza, já que nunca foi minha amiga. 

sonhei que estava muito cansada subindo com meu marido a estrada do lugar onde ela morava quando era viva.No meio do caminho eu a encontrei vestida com uma camisa de malha rosa e uma bota branca igual a dos açougueiros. Eu ia passar direto para não ter qualquer pertubação nem para ela, nem para mim, mas ela parou de regar as plantas e me chamou como um grito.

Então disse: 
- minha filha eu deixei uma coisa para você e as crianças lá na casa da sua vò você buscou? 

- Não, não busquei nada. Não estou sabendo de nada. 

_ Como não buscou Jaqueline? Eu deixei na casa da sua avó. Era para você ter apanhado ontem, agora quando você chegar não vai ter mais nada. Sua avó e seu irmão já devem ter acabado com tudo. Corre minha filha o que você está esperando vai lá buscar enquanto ainda te sobra alguma coisa.  

Fiquei pensando sobrar o que? No meu sonho continuei andando pela estrada com o meu marido e logo acordei.


Eu sei que minha mãe deixou herança, mas essas coisas são muito complicadas. Eu não queria saber disso, mas na noite seguinte tive outro sonho similar com ela brigando comigo  e dizendo que eu tinha pegar alguma coisa com a minha avó. 

Pois bem, liguei para a minha avó que me contou mil ladainhas e quando perguntei sobre as casas da minha mãe ela respondeu que minha mãe doou todo o restante do terreno sobrando apenas a casa de frente para a rua a qual meu irmão colocou para a  venda. 

Perguntei:
Mas vó, meu irmão colocou a casa a venda sem falar comigo antes? E a minha parte? Pela lei eu também sou herdeira. 

- Minha filha disso eu não sei, mas seu irmão é um homem muito bom e assim que a casa for vendida vai escolher uma quantia que vai ser depositada em uma conta para  os meninos(meus filhos).

Mas vó eu acho que não é assim. Se eu sou a herdeira o dinheiro tem que vir para a minha conta e não uma conta para duas crianças e não é o meu irmão que tem de determinar a quantia, não é assim. Sinceramente acho que ele nem pode por a venda algo que não é só dele. 

Minha avó ficou enfurecida. 

- Saiba que seu irmão é um ótimo menino, tem o coração muito bom...

QUER DIZER É ISSO QUE MINHA MÃE QUERIA QUE EU VISSE? ERA ESSA A
VONTADE DELA? Eu estou igual ao Caqui do desenho do Fudencio: Só me F... nessa merda. 
sábado, 8 de setembro de 2012 0 comentários

Vó Mocinha, Vó Thereza


Por: Jaqueline Ramiro

A casa da Vó Moçinha era muito diferente da Vó Maria Thereza. Ampla, arejada, varanda e quintal. A casa da Vó Maria Thereza tinha só um cômodo, paredes de madeira e telhado baixo com goteira.

Na vó mocinha tinham 2 salas, mesa na cozinha e outra de jantar.

Comida!

Carne todos os dias, suco ou refrigerante para acompanhar. Na Vó Maria Thereza não tinha banheiro, nem mesa. A janta eram os restos deixados no fim da feira popular.

Na Vó Mocinha fim de ano alegria. A bebida: vinho ou champanhe. Na Vó Thereza, tristeza e pinga comprada fiado no bar em frete.

Como foi diferente a vida e a casa dessas minhas avós.

Oh, Deus. Valores tão desiguais! E meu amor por elas o mesmo.

Vó Mocinha usava salto, branca, altiva batia as tamancas. Vó Maria Thereza negrinha dos chinelos gastos. Talvez por isso olhasse sempre para o chão.

Na casa de ambas aprendi grandes lições, para uma vida inteira e a de meus descendentes:

Com Vó Mocinha aprendi que o dinheiro traz poder, portanto justifica tudo. Mas com Vó Thereza aprendi que por amor a tudo se suporta.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011 0 comentários

MINHA AVÓ DE NOME THEREZA


























Minha vó Theresa era mineira não me recordo de qual cidade o que sei é que o nome começava com três. Não sei quais as razões a trouxeram ao Rio de Janeiro ainda mocinha. Aos treze anos de idade morava com condições precárias em uma comunidade que prefiro não mencionar o nome. Todos os dias subia e descia essa comunidade acompanhada da mãe para ire junto a essa trabalhar de domestica no que chamamos casa de família.
Imagino que até os dias de hoje muitas moças ainda façam o mesmo.

O problema é que nessas idas e vindas um rapaz mais velho se engraçou por ela e mesmo sem que ela mostrasse qualquer interesse ele estava decidido a obtê-la a qualquer custo. Dizem que minha bisavó ( mãe da menina) pediu a esse rapaz que tivesse respeito. já que, se tratava de uma moça de família. O pedido foi entendido como  desafio  e o rapaz era um dos "cabeças" dessa comunidade, portanto, escolhia a mulher que quisesse ter. 
Nesse caso ele escolheu a mais bonita: minha avó quando menina.

Ao voltarem já ao anoitecer para casa as duas foram apanhadas em emboscada. O rapaz violentou minha vó na frete da própria mãe. Era uma menina de com apenas 13 anos. A partir desse dia minha avó passou a ser posse dele. Poucos meses depois minha bisavó faleceu. Dizem que foi do coração, mas prefiro dizer que foi de desgosto. 

Não sei como as coisas se deram, mas sem pai, mãe ou qualquer parente próximo, minha avó ficou com esse homem até o último dia de vida dele. Minha vó engravidou e seu primeiro filho nasceu com sérios problemas físicos e mentais, morrendo mais ou menos aos 10 anos de idade. O segundo filho veio logo, pois o resguardo não foi respeitado. Esse se tornou meu pai biológico. Dando um total de 9 filhos vivos.

Minha avó apanhava muito do marido e apanhavam também as criança. 

Algo que ainda não comentei: minha avó a pesar de linda tinha duas finas cicatrizes que lhe atravessavam o rosto. Essa foram feitas a corte de navalha pelo meu avô por ele ter se sentido contrariado por ela. Dizem que meu avô era muito ciumento. tinha raiva da beleza de Thereza que não se apagava nem com o sofrimento. 

Minha avó só se livrou do suplicio em que vivia quando meu avô entrou para a igreja e resolveu abandonar a comunidade migrando para uma menor. Viveu quase dois anos assim até que um dia por volta da meia noite, sabe-se lá o que ele estava fazendo em um bairro muito distante do que morava foi reconhecido por alguém que atirou nele. Baleado correu até a porta de um hospital que ficava próximo vindo a falecer na entrada.

Acho que foi a primeira vez que minha parentela paterna apareceu nos jornais. 


quarta-feira, 23 de novembro de 2011 0 comentários

BARRACO DE MADEIRA, GENTE DORMINDO NO CHÃO



Continuação...

No fundo vi uma cama de casal cheia de crianças e nela também tinha uma senhora mulata de olhos vivos e bem castanhos. Ela se inclinou e pediu para que eu fosse até ela. Tive dificuldade de passar por entre as pessoas que estavam no chão e todas apesar de caladas me espiavam. Ela me abraçou, me beijou e sorrindo dizendo:
- essa é a minha neta, minha netinha querida. Eu sabia que ela viria.

Tirou minha sandália e me deitou na cama junto com ela. Não tinha sono, mas como de costume fiquei o mais quieta que podia até o sono chegar. Senti saudade da minha outra avó, mas não chorei. Desde sempre a vida me ensinou a ser forte. 

A parti daqui sinto-me obrigada a falar de Theresa minha querida avó. Hoje  falecida, mas foi uma das pessoas que Deus colocou no meu destino para me dar e mostrar grandes lições. Poucas pessoas conheci que sofreram tanto como essa mulher, mas ela era de um dignidade sem comparação. Nem o sofrimento, nem a pobreza extrema, ou mesmo os problemas causados pelo alcoolismo do fim de sua vida, foram capazes de anular sua beleza.

Minha vó foi muito querida por todos. Quase nada tinha de seu, mas nuca se negava a prestar ajuda a quem a pedisse. Pouco pude conhecer de seu passado, porém o que pude ficar sabendo me gela o coração. E mesmo assim ela sempre sorria, sempre tinha um abraço, um carinho. E o mais importante para mim. Foi uma das poucas pessoas que tiveram convivência comigo e nunca tentou de alguma forma me prejudicar, me humilhar ou tirar vantagem disso. Acho que minha avó realmente acreditava que eu era uma princesa. Bom, se eu era uma princesa ela era uma rainha.

Na minha próxima passagem contarei o pouco que sei sobre ela.
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O HOMEM NEGRO NO PORTÃO DISSE QUE ERA MEU PAI






Era noite e um homem alto e negro chamou no portão da varanda. Me afastei e chamei a minha vó como era de meu costume fazer quando chegava algum estranho. O homem perguntou se eu não o conhecia, se eu não lembrava dele. Disse imediatamente que não e fiquei um pouco assustada. Ele disse que era o meu pai.

Pensei: ????????????
Se fosse hoje o pensamento seria algo como: que Porra é essa?
Bom, era do meu conhecimento que eu tinha um pai, só não entendia muito o que era, e para que servia isso.

Assim que chegou, minha avó mandou ele entrar. Conversaram um pouco sem qualquer sobressalto e depois de algum tempo minha vó materna me arrumou com o melhor vestido, penteou meus cabelos, passou perfume e disse para eu sair com aquele homem. Não teve santo para me convencer a sair dali, até hoje não sei se foi por medo do estranho ou por presságio. Porém não teve jeito, minha avó me obrigou a ir.

O homem de cabeça baixa e sem graça disse mais uma vez que era meu pai. Perguntei o nome dele, tive por resposta o nome Carlos. Perguntei a onde estávamos indo, respondeu que iriamos tomar sorvete.
Passamos pela padaria e nada de sorvete. Continuamos a andar.

Ele carregava uma bolsa grande e pesada de duas alças e camuflada hoje sei que era uma bolsa de quartel (militar).
Apanhamos um ônibus. Tive ainda mais medo. Sempre associei ônibus a longas distâncias. Quis chorar e perguntei mais uma vez para onde íamos. Ele disse que estava me levado para conhecer minha outra avó. 

Dessemos do ônibus em um lugar que eu não conhecia e andamos muito. Fiquei cansada. O homem parecia cansado também e trocava a bolsa de um lado para o outro do ombro, a toda hora, mas mesmo assim me carregou no colo por algumas partes do nosso trajeto.

Entramos em uma rua de pessoas muito pobres, cortada transversalmente por um rio e cheia de barracos, muita agitação, muitas pessoas. Entramo em uma viela que ficava de frente para um boteco cheio de bêbados. Fiquei ainda mais assustada. No chão havia algumas tabuas e corria uma água preta e fedida. Até hoje quando passo por esgoto aberto recordo imediatamente desse lugar.

Naquele lugar estreito e fedorento caminhamos até o ultimo barraco que era feito apenas de telha e madeiras.
O homem bateu na porta improvisada, quando essa foi aberta, para a minha surpresa estava cheia de gente, deitadas umas amontoadas sobre as outras e alguns tiveram de se levantar para que eu e o homem pudéssemos entrar.

links indicados: BARRACO DE MADEIRA, GENTE DO

sábado, 10 de setembro de 2011 0 comentários

Fim de Tarde



Novos elementos...

Fim de semana, final de tarde e lá estava ela. Sempre apressada com ares de madame. sempre com nojo de tudo e de todos. Aquela figura branca,
cabelos negros e magra, andava apressadamente pela casa, falava alto, sobre um salto alto e cigarro nas mãos.

O tempo de ir ao banheiro era o de discultir as mesmas coisas de sempre. Aquela casa tão calma se transformava completamente quando ela aparecia.

Me apanhava pela mão e descia a rua que me parecia extremamente comprida, e falava, falava e falava. Reclamava d tudo e de todos, mas Ela tinha predileção por alguns assuntos e certas introduções.

Maldita a hora que te pus no mundo, você é uma neguinha ordinária como aquele filho da p*** do seu pai. Porque você não morreu no parto desgraçada.
É porque você é uma diaba que veio para acabar com a minha vida. E a base de solavancos eu ia sendo muitas vezes arrastada até o ponto de ônibus.

A distancia já ela longa, mais ainda tínhamos de apanhar outra condução no bairro de Bangu. O ônibus vermelho, vermelho, só de olhar para ele eu ficava enjoada. Sempre tinha fila, o ônibus sempre muito cheio, a distancia era grande e eu acabava ficando enjoada e vomitando.
No começo isso gerou algumas surras, mas ela acabou desistindo de me bater porque mesmo apanhando eu vomitava.

Chegando na casa, fruto e resquicio do casamento dela (casamento oficial) com o pai do meu irmão mais velho, era uma obra inacabada em uma rua que não possuia asfalto no bairro de Nova Iguaçu. Lá fui apresentada a um homem que a parti de então fui orientada a chamar de pai. O nome dele era Mário.

Gotei muito de conhecer Mario, ele era carinhoso, nunca me bateu, trazia doces e até mesmo lembrancinhas. Me chamava de filha quem quer que perguntasse e não permetia de jeito algum que minha mãe me batesse.
Não e difícil deduzir que minha progenitora não ficou muito tempo com este amor, aliais, ela não ficava muito tempo era com ninguém.

Já adolecente fiquei sabendo que Mário que eu tanto gostava na infância teria ficado alejado de uma das pernas,e anteriormente teria sido preso acusado de estrupo a uma menor de idade, e que teria morri de cirrose.


Mario foi embora, senti falta dele, mas outros e outros vinheram em seu lugar. Desses não me recordo os nomes e tão pouco dos seus muitos rostos. Graças a Deus passava apenas os fins de semana com aquela mulher.

Aprendi a ter muito medo de falar sobre qualquer coisa, mas certa vez sendo interrogada pela minha avó acabei falando sobre um dos homens que minha mãezinha recebia. Minha progenitora como castigo pela malcriação me deixou da manhã até a noite sem poder comer absolutamente nada, passando de um dia para o outro com apenas água.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011 0 comentários

15° dia





Quando alcanceio meu 15° dia de nascida minha progenitora decidiu que já havia sustentado a incomoda situação por muito tempo e resolvendo o problema me deixando caridosamente com minha avó materna.





Minha avó





Minha vó erá uma mulher baixinha, branca e cheia de sardas. Sempre mantive grande afeto por ela, ao longo dos anos tornou-se minha melhor referência ao que compreendi por sendo família. Minha avó nunca foi mulher de muitos abraços, desmonstração de carinho, o que salientava nela era a idéia de força. Acredito que essa seja uma caracteristicas da maioria das mulheres nordestinas, sobre tudo as experimentadas na seca. Minha avó assume muito bem o papel de matriarca.

Lembro-me de dormi no canto da cama junto dela e de meu avô, da mamadeira quentinha pela manhã, do cuidado que ela tinha todos os dias de pentear meu cabelo. Ficando muito satisfeita quando alguém elogiava como eu estava bem cuidada. Sou muito grata por isso.

Minha vó cuidava de mim, mas sempre deixando claro que isso não era a sua responsábilidade, que eu tinha uma mãe e essa deveria assumir as despesas e todos os encargos financeiros e morais que acarreta a cração de uma criança. Já stava criando um outro filho (meu irmão mais velho) não tinha obrigação de criar mais um. Eu nada disso entendia ia vivendo e crescendo.

Passa o tempo...
Depois de uma certa idade minha progenitora passou a aparecer em minha vida. Lembro-me perfeitamente dessa fase, mas dizem para mim que isso é impossível já que eu era muito pequena.

Mamãe tinha se separado de mais um dos seus inumeros amores,
passando por grande dificuldade financeira e doente veio buscar abrigo no unico lugar que restava, casa dos pais.

A partir dai por ordem de minha avó passei a dormir com a mulher que eu mal conhecia. Dormiamos no chão de uma sala secundária da casa enfrente a porta do quarto de um dos meus tios.

Minha querida progenitora na frente dos outros me chamava de filha (sempre evitando isso quando possível),e principalmente a noite tratava-me carinhosamente pelo apelido de peste.

Quando por alguma razão eu me mexia na "cama" ela me acutuvelava e outras vezes dava doloridos beliscões que ficavam doendo até o dia seguinte, a ponto de deixarem marcas.

E eu que experimentasse falar a quem quer que seja sobre a maravilhosa e acolhedora noite. O jeito era ficar quietinha o máximo que podia.

Depois de algum tempo ( que me pareceu longo) ela arrumou um lugar para morar e com isso um novo amor. Confesso ter ficado feliz. Nada dizia até por medo, mas era horrível as ameaças e ela me culpando o tempo todo por todas as desgraças que se abatiam sobre a vida dela. O quando a minha gestação foi indesejada.

Minha felicidade durou pouco, minha avó decidiu que a partir daquele momento eu teria de passar ao menos os fins de semana com ela e assim era feito, mesmo com ela não aceitando, minha vó impos a situação.
Mas Deus é junto ela demorava muitos fins de semana para aparecer.

Novos elementos...



















 
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