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terça-feira, 13 de maio de 2014 0 comentários

LIXO E LUXO



Por que cargas d'água uma grande empreiteira, com obras milionárias em todo o Brasil, especializada em construção civil e sem nenhum know how ou experiência no ramo, vai se interessar em recolher o lixo de uma cidade? Por que tanta voracidade para abocanhar um trabalho tão sujo? Claro, feito pelos lixeiros e varredores que eles alugam para as prefeituras e limpam a sujeira alheia. Ganhar o contrato é o trabalho deles, sujo também, mas os lixos são diferentes: um é físico, o outro moral.

Nos contratos da Delta para limpar Brasília e Anápolis, nas sujeiras da coleta de lixo em Santo André que podem ter levado ao assassinato do prefeito Celso Daniel, nos rolos da Leão & Leão com a Prefeitura de Ribeirão Preto na administração de Palocci, o metafórico se mistura ao explícito e se espalha, pestilento e insalubre, pelas prefeituras do Brasil. Paradoxal e ironicamente, há cada vez mais sujeira na limpeza pública, com o lixo urbano pagando o luxo mundano de empresários, políticos e funcionários. Mas só Freud pode explicar por que, com tantas formas mais fáceis de roubar dinheiro público, como obras, aditivos e convênios, a opção preferencial deles, a atração fatal, é logo pelo lixo.

Não por acaso, durante décadas, tanto em prefeituras democratas como republicanas, a coleta do lixo de Nova York foi um monopólio da máfia. Em 2011, na Itália, um confronto entre a Camorra napolitana e o Estado deixou montanhas de lixo apodrecendo durante meses nas ruas de Nápoles, em imagens fétidas que correram o mundo.

Falando em lixo, há um bom tempo não se via uma novela tão boa como Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, que tem um de seus principais núcleos no mundo dos lixões, com os que vivem dos restos e dejetos da sociedade consumista em contraste com uma nova classe popular que começa a consumir.

Entre o lixo material que os catadores vendem para viver e o lixo moral que a sociedade rejeita para conviver, a novela recicla e atualiza ancestrais paixões humanas no dilema da protagonista: viver o luxo do grande amor, ou o lixo da grande vingança.

NELSON MOTTA 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014 4 comentários

GOLPE EM PEDESTRES NO CENTRO DO RIO

Atenção: agentes da COMLURB junto a um GUARDA MUNICIPAL estão aproveitando-se da lei que proíbe jogar lixo no chão das ruas para fazerem falsos flagrantes e depois pedirem propina para não aplicarem a suposta multa de R$157.00. 


No dia 14/01/14, por volta das 11:20 a.m eu e meu esposo enquanto víamos uma capa de revista na banca que fica na AV.PRESIDENTE VARGAS , entre o banco Itaú e o hotel Windsor Guanabara fomos abordados por um agente da COMLURB de estatura média, branco, cabeça raspada, malhado(bombado) e tatuagens nos braços que nos acusou de jogar lixo no chão exigindo nossos documentos.

Recusei a entrega-los e quis explicações sobre o que estava acontecendo , pois nem eu, nem meu esposo jogamos lixo algum, estávamos apenas olhando a revista.

Foi quando o rapaz branco de tatuagem nos braços disse que seriamos presos e chamou um guarda municipal que disse:

- Senhora nós estamos tentando fazer do jeito mais fácil e deixar essa multa mais barata, mas a senhora está dificultando as coisas.

-Deixar a multa mais barata como?
-A senhora não tem ai uns 50,00 Reais pra gente liberar vocês. Se não tiver pode ser menos.

- Não, não tenho e mesmo que tivesse não estou aqui para dar dinheiro para malandro.

Então a senhora e seu marido vão ser presos.

O guarda municipal pegou o telefone como quem vai chamar o auxilio policial. Algumas pessoas que já se acumulavam a nossa volta e outras que acompanharam a conversinha torta ficaram indignadas (já conhecem o golpe) com a situação e manifestaram apoio a mim e meu esposo.

Pedi a identificação deles. O rapaz da COMLURB, antes cheio de autoridade escondeu o crachá com a alça da bolsa e depois o retirou. O guarda municipal se fingiu de surdo enquanto as pessoas envolta gravavam com celular o que estava acontecendo.

Fiz um escândalo.

Gritei para todo mundo ouvir o absurdo pelo qual estava passando.Pois agora temos que pagar suborno até para a COMLURB. E choveu voz de protesto e mais denuncias contra os mesmos.

FIQUEM ATENTOS AO CAMINHAREM PELO CENTRO DO RIO. ESTAMOS REFÉM DE MARGINAS DISFARÇADOS DE SERVIDORES PÚBLICOS CUMPRINDO SEUS SERVIÇOS.

Quem me conhece sabe que a chata aqui não jogo lixo no chão e minha bolsa muitas vezes parece uma lixeira por causa disso. Diante do apoio de todos, inclusive de quem já passou por essa situação escabrosa os agentes corruptos se virão obrigados a nos liberar do falso flagrante.
segunda-feira, 26 de março de 2012 0 comentários

Realidade X Surrealismo


É estranho começar o seu dia fazendo visita a uma comunidade extremamente carente. Conversar com crianças na sua maioria magras, tendo por seu o único alimento do dia o que é oferecido com precariedade pela creche improvisada.
Ainda não esqueci aqueles sorrisos, os olhinhos brilhantes, as pequenas mãos me tocando e fazendo festa para mim.

Me choco com essa realidade, não porque sou humana, ou porque seja muito triste. Já estive no lugar daquelas crianças algumas vezes em minha vida.
E como chorei nesse dia. Observando a tudo acabei me  sentindo tão indigna que não consegui comer. 

Como eu queria alguma forma de poder ajudar. Deus, como eu ainda quero poder ajudar!

A vida é completamente louca.
Na tarde desse mesmo dia tive outro grande choque no meu mundo.

Eu me vi diante de uma mesa repleta de pacotes de dinheiro, era muiiiiito dinheiro.
Eu não sou pessoa de me abalar com isso, dana-se que é dinheiro, mas em quantidade assim eu só tinha visto em filme.
Eram montes e montes de pacotinhos azuis enrolados com fita branca. Era tanto dinheiro, que a sala ficou com cheiro de dinheiro novo, mas aquilo ali minha gente, não era uma instituição bancária. 

E toda aquela grana foi apenas para pagar meia dúzia de gente. Nessa altura das coisas eu já estava me sentindo um lixo, pois só consegui  R$ 100,00 para ajudar na festinha das crianças da comunidade! Quanto dinheiro será que tinha em um único pacotinho daqueles? 

O João Carlos de Carvalho falou que tinham case 1MILHÃO de Reais ali encima daquela mesa. 

Como eu fui me enfiar nisso? Porque aquele babaca me mostrou isso? Porque me fez entrar naquela maldita sala? Para demonstrar poder?

É surreal. Eu não queria ter visto todas as coisas que vi. São lembranças ruins.
A gente ouve uma série de coisas por ai sobre política, mas ver com os próprios olhos trouxe-me uma decepção insuperável, um descontentamento. Alguma coisa no meu mundo ruiu e agora não sei como colar.

Se eu pudesse adivinhar todas as consequências que aqueles malditos dias iriam me trazer eu teria caído fora e sem exitar. Mas agora já cai e rolei nessa lama. Tenho de me levantar, lavar a alma dessa sujeira fétida.

Por que esse babaca me enfiou nesse lixo? O que ele pretendia de fato? Por que simplesmente não me deixou no meu canto vivendo a minha vida? Ao invés disso, ao final desse processo que parece não acabar, não sinto ter ganhado nada. A sessação e de terem me levado até o que eu não tinha.




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