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sexta-feira, 23 de maio de 2014 0 comentários

A SOMBRA E PARA QUEM PODE


A propriedade privada introduz a desigualdade entre os homens, a diferença entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a predominância do mais forte. O homem é corrompido pelo poder e esmagado pela violência.
(Jean-Jacques Rousseau)

Ao longo da minha vida tenho me projetado como defensora da igualdade racial e de gênero. E conheço de perto as desigualdades exorbitantes existentes entre os mais ricos e os mais pobres do meu país.

Sei que o ingresso, ainda hoje, de negros nas universidades é minoria, mas isto não se da em razão da preguiça, falta de esforço, ou mal caráter  dos negros como alguns podem vir a pensar - E sim, pelo descaso  e preconceitos, os quais foram direcionados ao longo de nossa história como nação.

Não quero fazer a linha do ódio aos brancos ou aos ricos. A questão não é quem é branco e tem dinheiro, mas sim porque temos tantos miseráveis, principalmente sendo esses em maioria negros ou afrodescendentes.  

Negros no período escravista (1500/1888) sequer eram visto como seres humanos, pela mentalidade da época, eram apenas peças e seus  * martírios começavam:  já em suas capturas ainda nas terras africanas. Sendo **escravos não possuíam direitos, nem mesmo sobre a própria vida. Eram contingente muito superior aos dos brancos na maioria das províncias, porém isso  não lhes atribuíram vantagens, ou  os fizeram  integrantes da sociedade. A "forcada" assinatura da *** Lei Áurea em 1888 libertou os escravos remanescentes, porém não deu aos libertos condições para que ocupassem  lugar nessa sociedade excludente, logo; a população negra e oprimida, foi jogada a rua sem proteção, trabalho digno, sem saúde e sem auto-estima. sobrando-lhe apenas o estigma de marginal.


Quanto a situação das mulheres muita coisa mudou, mas temos ainda muito por melhorar. O que explica a baixa quantidade de mulheres ocupando cargos de chefia? Estudos apontam que apenas **** 23% ocupam cargo de chefia ou similares e os números são bem menores quando direcionados a mulheres negras. E essas poucas que conseguem ultrapassar as fronteiras da misoginia; ainda tem de se vê às voltas com o assédio moral, sexual e discriminação.

É fácil ostentar  frases como, a  sombra é para quem pode, quando se teve por herança a casa grande. Mas não é o mesmo para que teve de herança a senzala ou as periferias.

A respeito a discrepância entre as diferentes classes sociais, geradoras de inúmeros problemas e conflitos, repondo com o vídeo abaixo:

 Pensem:  Legitimando a ideia de manter o status quo das classes mais ricas, frases feitas como - A sombra e para quem pode - são propagadas indiscriminadamente pelas redes sociais e podem até parecerem bonitinhas, no entanto, nelas estão embutidas - preconceitos, discriminação e falta de consciência  daqueles que as compartilham. Agora, assistam ao premiado documentário ILHA DAS FLORES E ME RESPONDAM: A SOMBRA E PARA QUEM PODE? E POR QUÊ?

   

 * Filme Amistad, de steven Spielberg. Estados Unidos, 1997.
**LOPES, Jose reinaldo de Lima, O direito na historia, Sao Paulo, Max limonad.
*** Lei Áurea. Imperial n 3.353 de 13 de maio de 1888. ]
**** Segundo a ong Comtra (Casa das Mulheres trabalhadoras)


terça-feira, 14 de maio de 2013 0 comentários

O SILÊNCIO DOS AMANTES-Ed. Record



Marca a volta da escritora LYA LUFT à literatura de ficção depois de quase dez anos. O tema do livro é a dor gerada pela ausência de comunicação entre pessoas em relacionamentos amorosos e familiares.

As histórias são pontuadas por conflitos familiares, solidão, a busca de um sentido da vida, rancores, incompreensão, mas também magia e amor nos relacionamentos.

A incomunicabilidade entre pessoas que se amam resulta em tragédias e vidas assombradas pela culpa, mas também faz com que se abram os olhos para novos caminhos possíveis. “Aqui sim, é a linha que une as narrativas. A incomunicabilidade, o silêncio quando deveríamos falar e a palavra quando deveríamos ter calado: mas a gente não sabia. É parte do drama humano”, explica a autora.

Um casal supera as dores do passado e encontra um novo caminho bastante singular; a rotina não permite enxergar o drama de quem está ao nosso lado; a mágoa e a revolta explodem numa libertação violenta; o preconceito em relação ao diferente pode ser mortal; a superficialidade impede de viver um verdadeiro amor; a morte revela o valor da vida: todos somos tocados pelo mistério. “É um livro também cheio de um fluxo poético, muito simbolismo, sempre a busca da beleza e do mistério, mesmo contando historias humanas. Porque é assim que eu vejo a vida”, diz.

Com coragem e delicadeza, Lya Luft nos provoca a vermos sob um novo prisma o nosso cotidiano, pressentindo a imprevisibilidade, que o torna mais rico. “Ser humano, com toda a miséria e grandeza que isso significa, não é apenas precisar de amparo e consolo, mas também enxergar, abaixo da superfície e atrás das paredes, novas possibilidades de viver e se relacionar”, diz Lya.


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 1 comentários

184 DIAS NÃO SOU ESCRITORA



Não sou escritora. Não sei jogar com as palavras, muito menos uso palavras difíceis que levam as pessoas a procurarem o seu significado. Não faço rimas, cometo erros de português e concordância, uso abreviações, e coloco vírgulas onde não precisa. Não procuro me inspirar pra escrever e pra quem não sabe, todos os dias eu escrevo pouco antes antes de postar. Admiro os grandes construtores de versos e frases bonitas que eu tive o prazer de conhecer desde que comecei a contar os meus dias sem ele.

Deixo o meu sentimento guiar os meus dedos pelas teclas do meu computador. Um desabafo, só. Sem grandes obras de arte. Um alívio que eu procuro. Calmaria pro coração. Companhia na solidão. Uma busca inconsciente de entender o que acontece comigo, de conhecer aquela que sorri, chora, ama e sente saudades todos os dias.

Eu que escrevo o que sinto, sinto o que escrevo e não sou escritora. Não por falta de um dom, ou talento. Mas talvez por muitas vezes perceber que eu não escrevo pra ninguém além de mim mesma. Eu registro pensamentos e sentimentos meus. Para que eles não se percam nesta grande complexidade que sou. Eu que já fui tantas e das tantas hoje me lembro tão pouco. Eu que já tive tantos e desses tantos lembro quase nada.

Esta que em metamorfose me tornei, me lembro tanto. Percebo finalmente que não quero ser outra além desta e que não quero mais tantos esquecíveis porque finalmente eu encontrei aquele que não se esquece. E escrevo, para que nada seja esquecido, mesmo que se vá. Escrevo um diário de bordo, não um romance, nem uma poesia.

Os dias sem ele. Só um registro de uma não escritora.




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          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
 
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