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segunda-feira, 26 de agosto de 2013 0 comentários

A VOZ DO BRASIL




Como ignorar o que está a acontecer no Brasil? 
(Embora, realmente, a pergunta que se impõe seja: 
o que é que está a acontecer no Brasil?)

Tal como as autoridades brasileiras, fui apanhada de surpresa pelos protestos em São Paulo - e depois no Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, e por aí fora. Eu tenho desculpa: com dez dias de férias para gastar, pareceu-me boa ideia desligar do bulício da vida profissional e escapar às solicitações da cidade, e buscar refúgio no interior transmontano português, ver a sombra das nuvens nos montes, ler os meus livros ao som das andorinhas e do rego da aldeia, talvez pegar sinal no celular e talvez não... As autoridades brasileiras não têm desculpa nenhuma: desde o princípio, quase tudo o que disseram e fizeram merece crítica e censura.

Desprevenida, isolada, fui apanhando no noticiário nacional a descrição dos movimentos nas ruas, as manifestações, a repressão, os gritos, e cartazes, as declarações de dirigentes políticos e cartolas esportivos; fui procurando nas redes sociais as impressões, as anedotas, as denúncias, os manifestos, as opiniões, de quem está a viver in loco um momento que sem dúvida ficará registado como histórico na vida brasileira.

De longe, de fora, é difícil ter um retrato completo; é arriscado com informação tão limitada e desconecta consolidar uma posição, emitir uma opinião. Mas certas coisas parecem ser tão óbvias, tão do senso-comum, que é irresistível não as apontar: por exemplo, que o desenvolvimento da sociedade apela inevitavelmente a maior participação e mais democracia; que o exercício da cidadania, em defesa de uma causa justa, pode ser mais poderoso que a mera repetição do voto; que a crise da representação política é um perigoso salto no abismo; que quem se sente desapossado - do espaço público, do debate público, do orçamento público, do serviço público - acabará por fazer ouvir a sua voz e reclamar as suas queixas; que multidões desagregadas, descontroladas, facilmente podem ficar à mercê de interesses difusos...

Poderia continuar, mas não vem ao caso - estas são apenas generalidades; gente bastante mais habilitada do que eu poderá elaborar pensamento concreto que contextualize o fenómeno em curso no Brasil. Dos ecos que fui lendo, ouvindo, vendo, lá bem atrás dos montes, posso falar de uma sucessão de emoções em poucos dias: a surpresa inicial que deu lugar à incredulidade, a curiosidade, a admiração e o orgulho alheio que evoluíram para a dúvida, a desconfiança e a incompreensão. Resumindo, uma confusão.

Nesta altura, mesmo que as faixas digam que "um professor vale mais do que o Neymar" e que o pessoal faça as contas para comparar quantas escolas, quantos hospitais, quantos programas públicos poderiam ser financiados com o dinheiro aplicado nas grandes obras esportivas, quase já nem faz sentido associar o que se passa com o futebol - o da taça das Confederações ou o da Copa de 2014. Só o pessoal da Fifa parece não perceber nada do que está a acontecer: as declarações dos jogadores canarinhos só podem ser aplaudidas.

De resto, basta ver o arrepiante clip dos 60 mil na bancada da Arena Castelão a cantar o hino nacional (e já agora também o fenomenal drible de Neymar para o segundo golo do Brasil) para perceber que "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Se alguma coisa foi clara e cristalina esta semana foi que os brasileiros nunca deixarão de torcer pela sua selecção e que nunca deixarão de amar e sofrer pelo seu país. Querem ganhar a Copa mas, principalmente, querem um país melhor.

Rita Siza é jornalista do diário português "Público", onde acompanha temas de política internacional, com ênfase na América Latina.

RITA SIZA
domingo, 14 de julho de 2013 0 comentários

APRENDIZADO ESSENCIAL


Ninguém deveria estar surpreso, sabíamos que iria ocorrer. A internet ajuda a mudar tudo: a cultura, os negócios, as comunicações. Por que só a política não seria afetada?

Carlos Nepomuceno diz que três fatores ajudaram a transformar o mundo: a impressão em papel, a Revolução Francesa e a independência dos EUA. Eles compuseram a realidade de dois séculos e nos trouxeram até aqui, mas são insuficientes para configurar um mundo com 7 bilhões de pessoas e uma ferramenta que quebra as estruturas convencionais para intermediar a informação, a internet.

Tenho falado, aqui mesmo na Folha, daquilo a que chamo movimentos de borda. Eles se afastam do centro político estagnado, das instituições enrijecidas, das disputas por dinheiro e poder. Neles predomina um ativismo autoral, não mais dirigido por partidos ou lideres carismáticos. A presença destes é residual e produz incômoda sensação de oportunismo. Não há comando único, há relação horizontal e lideranças móveis: hoje lidero, amanhã sou liderado; hoje sou arco, amanhã sou flecha.

Esse ativismo não tem porto, carrega sua âncora e estaciona onde quer. Basta ver quantos sites temporários há na internet, usados numa mobilização ou num momento.

O essencial é perceber o que está latente. Não são os 20 centavos no Brasil, as árvores da praça na Turquia, ou qualquer demanda simbólica visível. O que está em pauta é a democratização da democracia. As pessoas não querem ser meros espectadores, lugar em que foram colocadas pelos partidos que detêm o monopólio da política. Querem ser protagonistas, reconectar-se com a potência transformadora do ato político.

Deve-se reconhecer esse desejo e respeitar o sujeito político que surge. Muitos se apressaram em desqualificar os novos movimentos, os abaixo-assinados, a campanha de defesa das florestas, a solidariedade aos índios, o "Fora Renan". Agora se esforçam para descobrir uma forma de interlocução, mas mantendo a ansiedade de liderar, usurpar, controlar.

Não basta dar 20 centavos para tirar o incômodo da sala. O que está havendo é significativo: no país do futebol, durante a Copa das Confederações, as pessoas protestam contra o custo dos estádios e dizem que queremos nosso dinheiro em saúde e educação.

O Brasil pode aprender a fazer diferente: nem transição eterna e lenta nem ruptura brusca, mas o diálogo produtivo e criativo da democracia ampliada. Temor de vandalismo? Ora, cultivemos uma cultura de paz. Prefiro sentir-me representada pelas pessoas que estão nas ruas, dizendo o que não querem, a exigir que tenham projetos definidos.

Não há salvadores da pátria, há homens e mulheres que trabalham juntos. Que seja este nosso aprendizado essencial, nossa maior mudança.

MARINA SILVA
sábado, 6 de julho de 2013 0 comentários

O AUTOR DESSA PIADA DEVERIA GANHAR UM PRÊMIO!!!

- Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola! Posso te fazer uma pergunta?

- Claro, meu filho, qual é a pergunta?

- O que é política, pai?

- Bem, política envolve: Povo; Governo; Poder econômico; Classe trabalhadora; Futuro do país.

- Não entendi, dá para explicar?

- Bem, vou usar a nossa casa como exemplo: Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico. Sua mãe administra e gasta o dinheiro, então ela é o governo. Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. Seu irmãozinho é o futuro do país. A Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora. Entendeu, filho?

- Mais ou menos, pai vou pensar.

Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho o menino foi ver o que havia de errado. Descobriu que o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu através da fechadura o pai transando com ela... Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu. Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:

- Pai, agora acho que entendi o que é política...

- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.

- Bom pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!


              Mucamas do PCdoB

          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
quarta-feira, 6 de março de 2013 1 comentários

Um pouquinho só da cultura do Povo Cigano...



O flerte é uma prática comum em qualquer cultura, pois antecede ao namoro, que também é uma situação normal. Para um casal de ciganos, porém, na idade de se apaixonar, isso pode não ser tão simples, principalmente se já estiverem prometidos para outras pessoas, dentro do espírito que norteia os casamentos ciganos.

Tem se tornado muito comum atualmente que esses compromissos acabem sendo quebrados. Em muitas tribos, eles já nem são mais realizados, o que significa um avanço, mas um abandono da antiga tradição.

Quando um casal de ciganos comprometidos se olhavam e se gostavam, costumavam chamar a atenção um do outro entregando-lhe furtivamente um anel ou uma pulseira feita com uma fita colorida, com alguns nós.

Tanto as cores da fita quanto a quantidade de nós tinham seus objetivos, a saber:

FITAS:

Fita vermelha: Estou apaixonado(a).

Fita verde: Você me encantou.

Fita azul: Meu amor só aumenta.

Fita laranja: Meu coração é todo seu.


NÓS:

Um nó: Quero conhecê-lo melhor.

Dois nós: Quero me encontrar com você.

Três nós: Quero me dar a você.

Quatro nós: Quero ter você.

Cinco nós: Não posso mais esperar.

Seis nós: Estou louco(a) de amor.

Sete nós: Fujamos!

Dessa prática antiga restou hoje o hábito dos namorados trocarem pulseiras nas cores e com o número nós que melhor interpreta seus anseios.

Segundo os mais jovens, a troca de anéis ou pulseiras dá muita sorte aos enamorados, que sempre acabam ficando juntos.


Fonte: Eu Sou uma Bruxa



              Mucamas do PCdoB
          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
quarta-feira, 28 de novembro de 2012 0 comentários

Ideologias partidárias, elas existem?!



Ao observar pessoas aderindo às legendas partidárias como um mecanismo de uma utópica vertente da mudança organizacional e estrutural de um país, tendo a refletir para a nocividade deste desproposito filosófico, pois que independentemente do partido político – PT, PSDB, PMDB, DEM e etc...

Ambos são coesos à manutenção do universo sócio-político medíocre e usurpador do idealismo da república com a inversão dos ditos constantes à “Ordem e Progresso”, então, acredito que o PT (tomado por exemplo) - apesar de pregar populismo ocioso, é igualmente pífio como PSDB (privatizador e elitista) e qualquer outro partido político.

 Afinal, independentemente da "ideologia partidária" ou, sobretudo, do caráter do político, todos quando eleitos, por deverem favores aos financiadores de campanhas políticas, sucumbem à submissão de vontades alheias ao progresso social, econômico e educacional no país...Aliás, adentrando nas vísceras do sistema político mundial, percebemos que os políticos são marionetes nas mãos do poder exercido pelo capitalismo...Ou seja, somos "governados" para cumprir metas designadas por multinacionais, banqueiros e para auto-afirmar o poderio imperialista americano - sob a influência Britânica.

Particularmente, somos uma COLÔNIA da família de banqueiros Rothschild, desde 1824, quando fizemos um empréstimo denominado "empréstimo da Independência", destinado a cobrir dívidas do período colonial e que na prática significava um pagamento a Portugal pelo reconhecimento da nossa independência - ou alguém acredita naquela história de Independência ou Morte, contada nos livros escolares?!...

Por isso, hoje, pagamos a maior carga tributária do mundo, para quitar dívidas e juros exorbitantes à esta dita família acima (talvez vc nunca se tenha perguntado o porquê de pagar-se tantos tributos neste país, não é verdade?!)...O Brasil, nunca foi dos brasileiros e sim uma colônia particular da casa Rothschild. 

Nada é feito neste país sem o consentimento deles. Então, qual o sentido de exercer uma escolha através da “pseudo” concepção democrática de votar?! Apenas para intencionalmente, induzir as pessoas a crendice de que escolhem seus governantes quando vos designam: “Todo poder emana do povo”, quando jamais o fizeram em qualquer época da República! E não esqueça-se: A imprensa e todos os veículos de comunicação perfazem o vasto aglomerado de "riquezas" pertencentes a esta aludida família elitista do mundo!
quarta-feira, 21 de novembro de 2012 0 comentários

Consciência Negra


Tive a impressão que nesse ano as pessoas de modo geral interagiram mais com as comemorações do dia da consciência negra. Nesse dia 20 de novembro de 2012, acompanhei diversas discussões  ligadas a os negros, principalmente nas redes sociais. Porém a maioria era formada por comentários superficiais.

Em resumo: de um lado negros exaltando o quanto são negros e as mazelas sofridas nos tempos da escravidão que não viveram. Do outro aqueles que acreditam serem brancos se posicionando contra a existência dessa data comemorativa, pois todas as pessoas devem ser tratadas com igualdade.

Qual dos lados está com a razão?
Digo que ambos.

A pesar do mito das três raças constituintes da nação brasileira: índio, branco europeu e negro, ao longo da história as comunidades indígenas foram dizimadas, restando pouquíssimos representantes. E os negros mesmo com o fim da escravidão  por inúmeras razões continuaram renegados e marginalizados.Algo que impediu por muito tempo qualquer mobilidade social real, salvo raríssimas exceções.
A falta de oportunidades somadas ao subjugue do homem branco europeu com suas teorias e superioridade racial; pontuando os negros como vadios, ignorantes e outras qualificações pejorativas deixaram sequelas de preconceito presentes até os dias atuais.

É de conhecimento amplo  os sofrimentos físicos e morais impostos a o negros escravos e nada mais justo que tentemos sanar de algum modo essa vergonhosa mancha em nossa história. E nesse propósito o governo tem se esforçado adotando leis e políticas que favorecem a negros e afrodescendentes, no entanto, essa atitude tem causado polemicas até mesmo entre os próprios negros. Á exemplo a adoção de cotas para negros nas universidades públicas e a existência de um feriado nacional dedicado  a consciência negra.
Longe de chegarmos ao fim do debate, muitos defendem que esse tipo de política ressalta ainda mais as disparidades entre negros e brancos e menospreza a capacidade do negro como cidadão e individuo,podendo gerar mais racismo, só que agora em desfavorecimento as pessoas brancas.

O antropólogo Claude Levi Strauss realizou extenso estudo sobre as raças humanas e nos transmite que as diferenças entre nós estão nas diferentes culturas, quanto a raça todos pertencemos a uma só: a raça humana. Mas ainda que concordemos com a sentença acima o preconceito racial é uma realidade e ainda encontrasse enraizado no brasileiro.

Se pergunto onde estão os negros, no mínimo dirão que estão nas favelas.

Mas agora pergunto: EM UM PAÍS DE MISCIGENAÇÃO TÃO GRANDE COMO O BRASIL ONDE ESTÃO OS BRANCOS?

Nesse dia de Zumbi talvez meus antepassados ficassem orgulhosos se pudessem ter visto. Presenciei nas ruas pessoas parabenizando outras em razão de serem negras, no entanto achei constrangedor. Pois dada a nossa mistura étnica o feriado de 20 de novembro deveria ser comemorado por todos os brasileiros, afinal é o dia da CONSCIÊNCIA NEGRA. |Infelizmente isso nos prova que o dia em que não precisaremos de leis de caráter racista ainda é uma utopia, porém limitar as comemorações como sendo o dia dos pretos é prova de ignorância e desconhecimento da própria história.



Biografia: LÉVI-STRAUSS, C. Raça e História. Raça e Ciência I. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1970
Menezes, Adolfo Bezerra de, A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a nação. 1831-1900.
Roberto Damatta, O Que Faz o Brasil, Brasil? Rio de Janeiro, Ed. Rocco. 1984.
Emilia Viotti, Da Senzala a Colônia, São Paulo,Ed. UNESP.1997.
 
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