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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
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BOTAFOGO
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
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BANGU
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
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ANCHIETA (bairro)
Está localizado na Zona Norte da cidade. O nome deriva de uma homenagem ao padre jesuíta José de Anchieta.
Foi fundado em 1º de outubro de 1896, juntamente com a construção da sua estação de trem, que se tornou ponto de referência da região. Fazia parte da Estrada de Ferro Central do Brasil, a espinha dorsal de todo o seu sistema ferroviário da época. O primeiro trecho da ferrovia na qual o bairro está localizado ficava entre Belém, atual Japeri e a estação Dom Pedro II (Central do Brasil).
Antes da fundação, em 1896, as terras eram pertencentes às fazendas Sapopemba e Nazaré. No século XIX essas antigas e prósperas propriedades eram grandes produtoras de café e cana-de-açúcar.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
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CASCADURA (bairro)
A escritora britânica Maria Graham publicou em 1824, em Londres, um livro no qual relata um passeio a fazenda Santa Cruz e faz referência ao local de “Casca d’Ouro”, próximo ao Campinho. A partir daí o povo passara a expressão Casca d’Ouro para Cascadura.
Entretanto, o jornalista e historiador Max Vasconcellos, em seu trabalho “Vias Brasileiras de Comunicação”, atribui o nome do bairro ao fato de que por ocasião dos trabalhos de abertura da estrada de ferro os operários tiveram grandes dificuldades de remover com picaretas a pedreira (cascadura) próxima da estação de trem.
No entanto, uma outra versão é dada por antigos moradores, sendo o nome uma referência ao antigo Barão Tereré, da região de Minas Gerais, que fazendo uma visita à Fazenda, por sua natureza arrogante despertou repúdio dos moradores locais, os quais lhe atribuíram a designação de Casca Grossa, mais tarde sendo modificado para Cascadura.
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ÁGUA SANTA (bairro)
A origem do nome do bairro vem da descoberta, em 1888, de uma água mineral que jorrava de fonte localizada nessa área. Domingos Camões, "o descobridor", era um escravo recém-alforriado, que a partir de 1909, iniciou o engarrafamento desta água. A água da fonte era engarrafada e vendida a quem se interessasse. Aos poucos essa fonte d’água conhecida nos arredores como “Água Santa” passa a designar o próprio nome do bairro.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
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UMA VIAGEM AO CORAÇÃO DA FILOSOFIA
Tales de Mileto é considerado por muitos o pai da filosofia. Na sua frase “a água é o elemento e princípio das coisas” descobrimos que em seu pensamento estava o líquido elemento como coração da vida. Mas, será que também estava na sua mente a sua imagem como coração da filosofia? Ela realmente nasceu com ele?
Nesta viagem ao coração da filosofia proponho entrarmos nas escuras e vertiginosas cavernas de uma forma de pensamento que foi e ainda é a origem de uma infinidade de teorias. A felicidade, a tristeza, o ódio, a raiva, a compaixão… tudo está relacionado com nossas mentes e o exercício filosófico humano que procura dar respostas ao sentido da nossa existência.
“A filosofia é um silencioso diálogo da alma consigo mesma em torno do ser.”
Platão
Controvérsias sobre o coração da filosofia
Procurar a origem do pensamento filosófico não é nada fácil. De fato, é uma questão que levantou uma infinidade de controvérsias ao longo da história. Na verdade, os gregos consideraram Tales de Mileto o primeiro filósofo no século VII A.C., mas a questão não está tão evidente.Originalmente, os gregos consideraram a filosofia uma forma racional de pensamento. Desta forma, não necessita recorrer a elementos sobrenaturais que expliquem a realidade. Também apreciavam a rejeição de planejamento às contradições, colocando sempre como elemento principal a lógica.
Observando esta definição grega da filosofia, poderíamos dizer que Tales de Mileto foi o primeiro pensador da história? É possível que não houvesse outro ou outros antes dele ou simplesmente fala-se da sua pessoa porque não chegaram até seus dias os ensinamentos de outros mestres pensadores?
Hipótese sobre a origem da filosofia
Atualmente existem duas correntes de pensamento na hora de estabelecer o verdadeiro coração da filosofia. Uma supõe que a origem pode ter tido seu ponto de inflexão no Oriente, embora outros continuem defendendo que isso aconteceu na antiga Grécia.A origem filosófica oriental
Para a corrente orientalista, as hipóteses estabelecem que os gregos foram meros transmissores da filosofia. Segundo este grupo de pensadores, os primeiros filósofos helênicos viajaram a Babilônia e Egito. Foi ali onde aprenderam matemática e astronomia, que logo perpetuaram na sua cultura.Contudo, esta corrente de pensamento foi sustentada pelos filósofos alexandrinos, nos tempos deste imperador. Tal corrente estava abertamente contrária à escola grega, de modo que parece na verdade uma forma de desacreditá-los.
Os apologistas cristãos também procuraram sustentar esta teoria, mas finalmente a escola ocidental descartou as hipóteses que na verdade só procuravam confronto.
Contudo, os estudos históricos mostram na sua maioria que a astronomia babilônica acabava geralmente em astrologia e adivinhação. Enquanto isso, a matemática egípcia carecia de um nível de abstração necessário, de modo que não deixou de ser um pensamento prático para medir terrenos.
A origem filosófica grega
Enquanto isso as correntes modernas, quase todas originadas no século XX, estabelecem o coração da filosofia no mundo helênico. De fato, existem várias vozes acreditadas que assim afirmam:Origem da filosofia segundo J. Burnet
Burnet estima que o pensamento filosófico aparece de forma radical, fruto da genialidade do povo helênico. Chama-o de o “milagre grego”. Para ele, são evidentes os antecedentes e os elementos conjunturais. É simplesmente uma civilização com grande talento.Origem da filosofia segundo F.M. Cornford
Cornford estabelece o nascimento da filosofia com base no pensamento religioso. Todo o aspecto mítico das suas crenças representa, na verdade, um mundo adaptado à especulação racional, de modo que é uma consequência.Origem da filosofia segundo J.P. Vernant
Por sua vez, Vernant estabelece os elementos conjunturais como básicos para o nascimento da racionalidade. A falta de castas sacerdotais, a presença do sábio, a busca pela liberdade, a escritura e o predomínio de uma constante necessidade de sabedoria levou ao nascimento da filosofia.“A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que tudo perderam ainda a possuem.”
Tales de Mileto
É complexo estabelecer o verdadeiro coração da filosofia, pois a civilização humana remete a milhares de anos. A falta de provas escritas faz com que este exercício seja realmente difícil, mas também apaixonante e maravilhoso. Seja como for, a razão e o pensamento são fundamentais na busca da nossa origem, nosso mundo e nossa verdade.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
ANTÓNIO DAMÁSIO,
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ORIGEM DA CONCIÊNCIA HUMANA
Entrevista com um dos maiores neurologistas da atualidade
No campus da Universidade de Iowa, Estados Unidos, o neurologista português António Damásio gasta boa parte do tempo tentando compreender uma das áreas mais nebulosas do conhecimento: a consciência humana. É difícil encontrar um desafio mais instigante para um cientista, diz Damásio. Afinal, o que poderia ser mais fascinante do que conhecer o modo como conhecemos?Em seus dois livros, O Erro de Descartes e O Mistério da Consciência (editados no Brasil pela Companhia das Letras), Damásio descreve como a consciência abriu caminho para uma verdadeira revolução na natureza, tornando possível o surgimento da religião, da moral, da organização social e política, das artes, da ciência e da tecnologia. Ele tenta encontrar as respostas para as questões mais antigas da filosofia pesquisando o que há de mais novo no conhecimento do cérebro. Depois da polêmica em torno da clonagem humana, ele prevê que os debates mais fervorosos da ciência estarão ligados à possibilidade de manipularmos nossas emoções por meio de uma melhor compreensão da mente.
Qual a origem da consciência humana?
A consciência é fruto da necessidade básica de nos mantermos vivos. É claro que, na natureza, existe uma série de organismos simples que vivem de uma forma basicamente automática. Desde que mantenham cuidados básicos, como evitar perigos e adquirir a energia por meio dos alimentos, a vida desses organismos pode ser preservada. Os seres humanos são mais complexos: além de precisarem manter a vida de uma forma simples, eles têm que se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter energia e se expõem a inúmeros perigos e oportunidades. Nesse ambiente que não é apenas físico, mas também cultural, precisamos de um sistema complexo de imaginação, criatividade e planejamento. A consciência surge dessa necessidade.
Existe uma primeira forma de consciência?
Uma forma de consciência inicial aparece quando o homem sente que ele é um ser em si mesmo. É difícil encontrar uma palavra, em português, para definir o processo. Chamo essa consciência de self. É ela que faz que não sejamos um robô, uma máquina manipulável. Podemos guiar a imaginação e conduzir a criatividade por meio dessa consciência. Para compreendermos o que é a dor, o sofrimento, e também o prazer das outras pessoas, precisamos antes ter uma idéia de quem somos. E a consciência self é fundamental para que possamos respeitar os outros.
Como o estudo da consciência pode melhorar a vida das pessoas?
Grande parte do sofrimento humano é causado por conflitos das pessoas consigo mesmas. Quando conhecemos mais a natureza biológica do homem, encaramos esses problemas com outro olhar. Se conhecemos os mecanismos que acionam a ansiedade, a tristeza e a alegria, podemos entender melhor como cada pessoa é e evitar certos problemas. Pense nos conflitos religiosos, políticos e de grupos sociais. É claro que há bases econômicas para eles mas acredito que a compreensão das emoções pode ajudar a mudar a maneira pela qual as pessoas tentam resolver essas disputas. Entender a tendência para a violência, para a competição ou o funcionamento do medo é fundamental para o autocontrole. Posso soar otimista, mas acredito que, quando admitirmos que nossa razão é influenciada por essas emoções, o mundo poderá tornar-se melhor.
A compreensão detalhada da consciência não pode nos tornar mais céticos ao descobrirmos, por exemplo, que há, no cérebro, uma região responsável pelo amor ou outra pela fé?
Mesmo que venhamos a compreender a mente com mais profundidade, será muito difícil desvendar mistérios como a origem do universo ou o que faz com que nos apaixonemos por outra pessoa. É possível que nunca cheguemos a desvendar essas questões talvez nosso cérebro não tenha capacidade para compreender certos enigmas...
Como a crença em Deus...
Exatamente. Acho improvável que a neurociência consiga, um dia, apresentar razões para que as pessoas tenham ou deixem de ter fé numa inteligência superior. Elas podem até deixar de acreditar em milagres. Mas a ciência não tem como concluir que o Criador existe ou deixa de existir. A fé e a origem do universo não são problemas científicos passageiros. Mesmo assim, o conhecimento da mente pode mudar a forma como nos relacionamos com a vida. As pessoas tendem a aceitar a morte em função da complexidade do universo. Acho que deveria ser o contrário: constatando como a vida é frágil, podemos dar mais importância a ela e trabalhar para que seja a melhor possível enquanto dure.
A cada ano surgem um novo antidepressivo e drogas que provocam emoções artificiais.
Você acredita que, no futuro, teremos uma droga que possa acabar com as emoções ruins?
Acho que sim. É uma questão importante, que precisaremos discutir cada vez mais. Imagine uma superpopulação tomando Prozac diariamente. Esse grupo de pessoas alteraria um sistema natural e poderia causar diversos problemas é claro que alguns problemas seriam resolvidos, mas as consequências da proliferação dessa medicação poderiam levar à ruína de uma sociedade. Tem que haver mais investigação sobre como essas drogas serão usadas. É claro que as pessoas deprimidas devem ser tratadas, mas pode ser um erro tomar o medicamento apenas para inibir a timidez e impulsionar a vida social. A ciência precisa trazer mais informações para que esses temas não sejam discutidos pela simples opinião ou intuição de algumas pessoas.
Chegaremos, um dia, a manipular tão bem as áreas do cérebro que poderemos reproduzir com uma pílula a sensação de voar ou de passear numa montanha russa?
É bem provável que isso seja possível. E, sem dúvida, para a sociedade esse será um assunto tão polêmico quanto o da clonagem genética. Vamos ter que decidir o que deve e não deve ser permitido exatamente como na regulamentação da indústria do cinema e da televisão. Há um ponto em que tanto a criação artística quanto a científica precisam ser filtradas pela sociedade. Mas não podemos deixar que um burocrata decida isso. Quanto mais informações forem divulgadas no futuro, inclusive por meio desta revista, mais condições a sociedade terá para tomar suas decisões.
Que outro tipo de realidade virtual poderá ser criada, no futuro, manipulando o cérebro?
Prefiro não especular, tudo ainda não passa de teoria.
O estudo da consciência humana é um campo da ciência à espera de um novo Newton?
O problema da consciência é um tema complexo, que tem sido mal abordado. É evidente que é necessário avançar muito mais. Acho que meu livro O Mistério da Consciência traz alguns avanços importantes sobre o assunto, mas não devemos ter a ingenuidade de acreditar que tudo está resolvido. Há imensos problemas à espera de mais investigação e trabalho. Nos próximos dez ou 20 anos, talvez seja possível resolver boa parte deles.
Como escrever sobre assuntos tão complexos para o público leigo?
Os temas sobre os quais escrevo são importantes demais para ficarem restritos aos cientistas. Escrever sobre o pâncreas ou o fígado pode ser atraente apenas para os médicos, mas o público tem interesse quando falamos da mente, do pensamento, da emoção e do sentimento. É fantástico o retorno que tenho recebido dos leitores dos meus livros em todo o mundo. Interessados em arte, literatura e cinema dizem que essa pesquisa os ajuda a compreender melhor o que fazem nas suas próprias áreas.
ANTÓNIO DAMÁSIO
quinta-feira, 21 de março de 2013
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O BOLO DE ANIVERSÁRIO UMA TRADIÇÃO PAGÃ
O bolo de aniversário tem sua provável origem na homenagem a deusa grega Ártemis. Ele não era muito parecido com o bolo de hoje, por ser uma simples mistura de massa de pão e mel que era levado ao templo da deusa em Éfeso, antiga colônia grega na atual Turquia tido como uma das 8 maravilhas da antiguidade.
Ártemis usava um arco que além de representar o símbolo da caça também faz referência a uma fase da lua. O bolo redondo era uma forma de representar a lua e as velas a luz dela.A fumaça produzida pelas velas representava os pedidos sendo levados até a deusa e uma forma de agradecer pela sua proteção.
Depois de algum tempo o bolo começou a ser usado na comemoração do aniversário das pessoas, Porém boa parte dos cristãos rejeitavam a comemoração de aniversários por ser um costume pagão e só depois de um bom tempo aderiram ao costume e o natal ajudou nisso.
Dizem que a tradição surgiu na Alemanha medieval, onde se costumava preparar uma massa de pão doce no formato do menino Jesus no Natal. Depois essa guloseima seria adaptada para a comemoração do aniversário. Nesse dia a criança era acordada para assoprar as velas do seu bolo, 1 para cada ano, representando a luz da vida.
Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas, embora não saibam exatamente quando a tradição de comemorá o aniversário surgiu no Ocidente, os historiadores sabem que a festa já era conhecida na Antiguidade. “Os romanos não apenas comemoravam o dia do nascimento como tinham um nome para a festa: dies sollemnis natalis”,
Por: Jaqueline Ramiro
Fonte: Brasil História
quarta-feira, 4 de abril de 2012
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MADUREIRA, CAMPINHO, OSWALDO CRUZ
Oswaldo Cruz e Madureira são parte do que outrora se chamou Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, corruptela de termo tupi yra-yá, ou o "lugar de onde brota o mel". Criada em 1647, a freguesia compreendia boa parte das terras situadas no sertão carioca, na antiga sesmaria concedida inicialmente a Antônio de França, em 1568. Até a primeira metade do século XVIII, essas terras trocaram de mãos diversas vezes, sempre por meio de concessões reais, e desmembradas em fazendas menores. Nesse longo período, a produção de vastas lavouras movimentou os portos dos rios Meriti Pavuna, por onde passavam faluas carregadas com açúcar e aguardente. Sem as facilidades das freguesias situadas mais próximas à baía, o recôncavo foi sendo cortado por caminhos abertos pelas tropas de muares que viajavam regularmente pela região. Nas terras destinadas principalmente ao engenho de cana-de-açúcar, desenvolvia-se a cultura de milho, mandioca e feijão, e uma pequena criação animal. O movimento pelos sertões fluminenses garantiu ainda o surgimento de uma discreta indústria, representada por olarias e fundições.
O local onde hoje estão os bairros de Madureira e Oswaldo Cruz eram originalmente parte da Fazenda do Campinho, concedida a Dona Maria de Oliveira em 1617, e passaria às mãos do capitão Francisco Inácio do Canto, em 1800.
No local existiu o antigo Forte de Nossa Senhora da Glória do Campinho, erguido em 1822 e desativado em 1831. Surgido na mesma época de outras fortificações, a construção militar guardava a região contra possíveis ataques vindos pela Baía de Sepetiba. Com efeito, uma pequena guarnição permaneceu ali até 1851, incumbida de preservar o material aquartelado. Nesse mesmo ano, instalou-se no local a Fábrica de Artigos Pirotécnicos do Exército, que funcionou até 1900. A partir dessa data, o Quinto Regimento de Artilharia de Campanha ocupou o lugar, que teve várias denominações daí em diante. entre eles 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado, mas ficou mais conhecido como o Quartel do Campinho.
(Forte Nossa Senhora da Glória do Campinho)
No vale do Rio das Pedras, mais a oeste da Freguesia do Irajá, situava-se a fazenda do português Miguel Gonçalves Portela - um grande engenho de cana-de-açúcar que produzia aguardente e rapadura. Conhecido como Engenho do Portela, a região passaria a chamar-se, já no século XVIII, Fazenda do Portela. O Engenho fazia limite com a propriedade de Lourenço Madureira, cujo nome seria escolhido para batizar o futuro bairro.
História curiosa a do boiadeiro Lourenço. Ele estabelecera ali uma roça de mandioca e milho, fazendo prosperar as terras que arrendou do Capitão Inácio do Canto, o poderoso proprietário da Fazenda do Campinho. Lourenço conquistou o respeito e a admiração da população local pelo grande desenvolvimento que levou para a região. A fama do boiadeiro também cresceu por conta do posterior litígio com a viúva de Inácio do Canto, Dona Rosa Maria dos Santos, falecida em 1846. A disputa transformou Lourenço no protagonista do primeiro processo legal por posse de terras no Rio de Janeiro, o que certamente granjeou alguma simpatia popular. Sua fazenda, dividida em glebas que, mais tarde, deram origem a Madureira, fora ocupada por muitas chácaras, situadas entre os Engenhos do Portela e o Engenho de Fora.
Justamente numa dessas chácaras, pertencente à Dona Clara, viúva de Domingos Lopes - político influente na então freguesia do Irajá - seria construída, em 1896, a estação de trem que recebeu o nome da benfeitora, pois Dona Clara cedera parte das terras para que se erguesse a estação, bem próxima da atual Estação Madureira. Com o progresso da localidade, a pequena parada de Dona Clara chegou a ser elevada à categoria de estação , mas funcionou por apenas um ano. Ali, os trens suburbanos passaram a fazer a volta, deixando de retornar ao antigo "giratório" de Cascadura, onde toda a composição,vagão por vagão, fazia lentamente o retorno. Em 1897, inaugurou-se o ramal circular dos subúrbios, extinguindo-se a antiga parada. Um trecho da linha férrea separava-se da linha um pouco antes da Estação Madureira e reencontrava o principal um pouco mais adiante. Nos vagões de madeira que ali faziam a volta até a chegada dos elétricos em 1937, conta o historiador
Brasil Gerson, viajava-se de primeira e segunda classes:
"A primeira, ainda durante alguns anos neste século com poltronas de couro, e sendo a de segunda mais acessível que antes aos pobres, 200 réis até Cascadura, o dobro, contudo, do preço de um jornal, ao contrário dos 500 réis do século anterior."
(O ramal de Dona Clara fazia o percurso em azul mostrado acima.)
Até 1893, quem ia ao Campinho utilizava o lombo dos animais ou as carretas, os meios de transporte disponíveis. Por essa época, a Estrada de Ferro Central do Brasil chegava somente até Cascadura e, daí, fazia um desvio que conduzia à Fábrica de Artigos Pirotécnicos do Exército, no atual Largo do Campinho. A fábrica que chegara a ser composta de 40 edifícios, depósitos e oficinas, iria transferir-se para Realengo, e, adquirindo grandes proporções, passa a se chamar Fábrica de Cartuchos. A fábrica deu início a um certo desenvolvimento do lugar. Surgiram ali pequenas propriedades agrícolas: o que era produzido, era transportado até regiões mais urbanizadas em lombo de animais, ou, principalmente, usando a Estação Laboratório, como era conhecida então a parada da Fábrica do Exército. Mas, apesar da importância geográfica do Campinho, Cascadura foi a região escolhida para a instalação de uma das quatro primeiras estações da Estrada de Ferro Dom Pedro II da região, 1858.
A estação Dona Clara desapareceu, mas a antiga proprietária teve justa homenagem, batizando a rua que começa na Domingues Lopes e termina na Carlos Xavier. Não muito longe dali está a pequena Praça Inácio do Canto - lembrando o nome do primeiro proprietário daquelas terras, na confluência das ruas Tomé Alvarenga, Capitão Couto Mendes e Felipe Frutuoso.
O ramal de Dona Clara fazia o percurso em azul mostrado acima. A linha em vermelho é a linha do centro e a parte verde-escuro é o tamanho real da estação de Madureira, de onde saía o ramal de Dona Clara.
Sob a administração de Ricardo de Albuquerque o trem chegou em Madureira, em 1890. A ramificação ficou completa em 1898 com a inauguração da Linha Auxiliar, inicialmente chamada Inharajá e, hoje, a importante Estação de Magno, assim chamada em homenagem ao engenheiro Alfredo Magno de Carvalho.
Madureira foi se tornando um importante eixo ferroviário, fiel a uma vocação que remontava aos tempos em que fora também o mais importante ponto de convergência das estradas rurais, parada obrigatória dos viajantes. As modificações decorrentes dessas primeiras estações, contudo, ainda não eram suficientes para transformar a aparência do futuro bairro, ainda fracamente urbanizado nos primeiros anos do século XX.
(Estação de Madureira em 1909)
Parte do pátio da estação de Madureira em 1909. Reparar nas casas ao fundo, de construção bem típica da Central do Brasil nessa época. Alguma ainda existiria hoje?
A partir da inauguração do mercado ao lado da Estação de Magno, em 1914, as mudanças deram início e Madureira firmou-se como principal centro para os comerciantes e lavradores das redondezas.
Nessa época, Madureira passou a ser servida pelo bonde puxado a burro, o que durou até 1929 quando a eletricidade chegou à linha que ia até Irajá.
Em 1937, com eletrificação dos trens suburbanos da Central, inaugurada pessoalmente elo presidente Vargas, Madureira consagrava-se a "capital do subúrbio" carioca, um destaque merecido que se mantém até hoje não só por sua posição geográfica privilegiada, comércio e transporte abundantes, como por suas tradições culturais.
Deixando pra trás a vocação rural, o bairro iniciava um processo de urbanização que o transformou no mais forte núcleo comercial e cultural da zona norte carioca. Se no Censo de 1920 Madureira sequer figurava como bairro, duas décadas mais tarde um novo Censo registraria expressivo crescimento: 111.300 habitantes onde antes se contavam somente 27.106.
Em 1950, de acordo com novo recenseamento, a população havia aumentado 41%, sendo bem menor a parcela de pessoas ligadas às atividades agropecuárias, o que atesta a crescente urbanização, determinada - é claro - pelo avanço das atividades industriais e comerciais em toda a região. A Fábrica de Biscoitos Piraquê, por exemplo, inaugurada em 1950 na região hoje denominada Turiaçu, deu grande impulso ao bairro.
A abertura da Avenida Brasil, ainda nos anos 1940 e, sobretudo, a inauguração do Viaduto Negrão de Lima, sobre os trilhos da estrada de ferro, em 1958, foram decisivas para o crescimento da região, que ainda no tempo do Estado da Guanabara possuía a maior densidade populacional do subúrbio e era a segunda em arrecadação de impostos do Estado.
O ritmo acelerado de crescimento se manteve: desde 1962, Madureira tornou-se a 15ª Região Administrativa, englobando os bairros vizinhos de Marechal Hermes, Bento Ribeiro, Honório Gurgel, Rocha Miranda, Vaz Lobo, Turiaçu, Cascadura, Quintino Bocaiúva, Engenheiro Leal, Cavalcanti, Oswaldo Cruz e Campinho.
Da freguesia aos fregueses
As mudanças que levariam a região a desfrutar tão proeminente posição entre os subúrbios do Rio obedeceram sobretudo à cadência do desenvolvimento do transporte ferroviário e dos bondes. Foi essencialmente por isso que a antiga região agrícola tornou-se uma zona residencial.
A partir da inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1858, à medida que novas estações ferroviárias iam surgindo, apareciam também loteamentos que atraíam uma classe média urbana que já não podia arcar com os custos habitacionais do centro.
Algumas estações de bondes também foram criadas para atender aos novos moradores, em iniciativas como a da Companhia Ferro Carril de Jacarepaguá, aberta em 1873 para ligar Cascadura a Jacarepaguá, passando pelo Campinho. Já tinha a Linha Circular Suburbana Tramways, inaugurada em 1905, com quase seis quilômetros de extensão, fazia a ligação entre Madureira e Irajá.
A população que ocupava as terras da antiga freguesia era até então formada sobretudo por ex-escravos e seus descendentes, provenientes das fazendas da região do Vale do Paraíba, do interior de Minas Gerais, e de fazendas do interior do próprio Rio de Janeiro. A vida, naquela época, era marcadamente rural, organizada em torno das festas religiosas, da música e da dança de origem africana, ainda que com alguma influência portuguesa.
Em 1898, quando a Estrada de Ferro Dom Pedro II passou a chamar-se Central do Brasil, foi inaugurada a estação Rio das Pedras, atual Oswaldo Cruz. Mas a ocupação do bairro por remodelado pela prefeitura de Pereira Passos - só ganharia força entre os anos de 1905 e 1920. Paulo Benjamin de Oliveira, um menino negro que deixara a Saúde para morar com a família em Oswaldo Cruz, chegou em 1920. Ele, o legendário Paulo da Portela, seria uma das mais importantes lideranças da região e personagem fundamental na história do samba carioca.
Paulo da Portela
Ainda nessa época, Madureira e Oswaldo Cruz eram localidades bucólicas, com propriedades simples e acolhedoras, enfeitadas por mangueiras e abacateiros. Aquelas vielas, abertas ao longo da Estrada da Portela em direção à Estrada do Sapê, quase em Rocha Miranda, só iriam tornar-se logradouros públicos, reconhecidos pela edilidade, em 1917. A vida da comunidade ia, aos poucos, organizando-se mesmo em torno dos hábitos religiosos, das festas, da música e do futebol.
Ao contrário de Oswaldo Cruz, Madureira ganhou formidável impulso com a chegada dos trilhos da estrada de ferro, no final do século XIX. A Linha Auxiliar da Central do Brasil garantia a facilidade de acesso à região. A inauguração da Estação de Magno assegurou a independência do bairro com relação ao Centro da cidade. Mas não só a malha ferroviária traria esse progresso. Décadas mais tarde, o Mercadão tornou-se o agente fundamental de uma nova onda de desenvolvimento de Madureira.
Ao menos é o que se comprova pela leitura da mensagem dirigida à Câmara de Deputados em 1929 pelo prefeito Prado Júnior. Assim o líder do Distrito Federal anunciava a importância do Mercado, prestes a ser inaugurado:
"Será dotado dos melhores requisitos, constituindo um tipo de modelo, a servir de paradigma, quer para a melhoria e aperfeiçoamento dos demais já existentes, quer para orientar a construção de futuros mercados."
Mercadão de Madureira
O Mercado de Madureira, mais conhecido como o Mercadão, começa sua história em 1914, com as concessões dadas pelo então prefeito Bento Ribeiro para que os diversos bairros instalassem seus próprios mercados. Madureira também teve seu espaço inicialmente ocupado por mercadores do próprio bairro e de Cascadura, numa soma de esforços. Por conta da fusão, foi necessário ampliar. A Light cedeu então um terreno na Rua Oliveira Maia, onde se inaugurou o empreendimento, já na gestão do prefeito Amaro Cavalcanti.
Com a duplicação da Linha Auxiliar e a abertura da Estação Magno, o terreno foi requisitado pela Central do Brasil, transferindo-se o Mercadão, em 1916, para a Avenida Ministro Edgard Romero. Em 1929, com o apoio do prefeito Prado Júnior, iniciam-se as obras de ampliação daquele que seria o maior centro de distribuição de alentos da região. Vinte anos mais tarde, o prefeito Mendes de Morais promoveu importante melhoria ao implantar 26 boxes no centro do mercado para que fossem utilizados pelos próprios produtores, acabando com a ação dos intermediários que encareciam as mercadorias. Em 1959, o Mercadão é reinaugurado, em grande estilo, por Juscelino Kubistchek no atual endereço da Edgard Romero.
O surgimento da Ceasa em Irajá, em 1974, forçou o Mercadão a diversificar seus artigos, de modo a fazer frente à concorrência. Surgiram, assim, lojas e boxes com artigos religiosos. Isso, contudo, não alterou o perfil do mercado, reforçando, ao contrário, sua importância não só para a população da zona norte, bem como atraindo comerciantes e clientes das zonas centro e sul da cidade.
Em janeiro de 2000, um incêndio destruiu todas as instalações do Mercadão, deixando a população e as autoridades municipais consternadas. A comoção demonstrou a importância do Mercadão para Madureira e para o Rio - uma referência comercial e um elemento de identificação cultural da cidade. Hoje, após um esforço coletivo de reconstrução, o Mercadão está modernizado. Cerca de 70 mil pessoas por dia circulam por suas galerias climatizadas, servidas por escadas rolantes, onde se destacam as inúmeras lojas de artigos de umbanda e candomblé, que transformaram o Mercadão no principal centro de comércio de ferramentas e paramentos rituais. Mesmo depois de tantas mudanças, o Mercadão mantém a mesma atmosfera simpática e popular que garantiu seu lugar no coração carioca.
Madureira e Oswaldo Cruz, celeiro de bambas e de craques
"Para sambar em Madureira, vem gente até de Bangu". Os versos de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, no clássico Vou sambar em Madureira, de 1946, atestam a importância do bairro na história do samba. Ao lado da consagração de Madureira como pólo comercial do Rio, surge a grandiosa vocação do bairro para a arte popular. Madureira e Oswaldo Cruz são o berço de três grandes escolas do Rio de Janeiro: a Portela e o Império Serrano e, mais tarde, a Tradição, de Campinho.
A Escola de Samba Portela, de Oswaldo Cruz, nasceu do bloco Vai como Pode, em 1923. Ela introduziu nos desfiles as alegorias, em 1929, e o samba de enredo em 1931, além de outras inovações na bateria e nos passos, muitos até incorporados por outras escolas. A azul-e-branca é a escola que possui mais títulos de campeã dos desfiles. Entre 1941 e 1947, obteve sete títulos consecutivos, voltando a ser campeã em 1953, e entre 1957 e 1960. Vitoriosa ainda em 1962, 1964, 1966 e 1970. Nos anos 1980 e 1984, dividiu o primeiro lugar com outras agremiações. Outro gigante do carnaval carioca, a Império Serrano, nas cores verde e branco, fundada em março de 1947 por um grupo dissidente da extinta Escola de Samba Prazer da Serrinha, campeã logo nos quatro primeiros anos em que participou dos desfiles, de 1948 a 1951. Voltou ao primeiro lugar em 1955, 1956, 1972 e, em 1982, consagrou-se com o antológico enredo Bum Bum Paticumbum Prugurundum. Já a Tradição surgiu de uma dissidência da Portela em 1984, fundada por Nésio Nascimento, filho de Natal da Portela, e pai da não menos famosa porta-bandeira Vilma.
Mas não só o samba garante a fama de Madureira. Por iniciativa de vários comerciantes locais surgiu o Madureira Atlético Clube, substituindo o Fidalgo Atlético Clube. Como data de fundação, consta 08 de agosto de 1914, que era o dia do surgimento do Fidalgo. Mas a nova agremiação nasceu mesmo em 16 de fevereiro de 1933. No emblema e nos uniformes, a agremiação adotou, além do amarelo, a cor azul do Magno Futebol Clube e o grená, do Fidalgo Futebol Clube. A combinação inspirou os versos criados por Lamartine Babo para o Hino do clube:
"És Madureira, nosso castelo,
a nossa Catedral, ideal
sol de muitos anos
dos tricolores suburbanos."
(Madureira Esporte Club e Che Guevara)
Quem poderia imaginar que, em 1963, o revolucionário Ernesto Che Guevara, na época Ministro da Indústria de Cuba, foi assistir a uma partida do Madureira Esporte Clube. A fotografia acima foi tirada na ilha de Fidel quando o tricolor do subúrbio carioca fazia uma excursão mundial. O clube aproveitava a valorização do Brasil depois da conquista da Copa do Mundo de Futebol de 1962. O Madureira participou de cinco jogos em Cuba, aplicando goleadas. Apesar das derrotas, os cubanos apreciaram a visita dos brasileiros à Havana. Um belo relato do fascínio gerado pelo futebol.
Com o objetivo de ampliar a atividade esportiva do clube, em outubro de 1971 foi criado o Madureira Esporte Clube, resultado da fusão entre o Madureira Atlético Clube, Madureira Tênis Clube e Imperial Basquete Clube. Ao longo de sua história, o Madureira sempre foi considerado um celeiro de craques, formando profissionais que chegaram até a integrar a Seleção Brasileira. Dali saíram, entre outros, Didi - o inventor da folha-seca, Evaristo, Jair da Rosa Pinto, Isaías, Lelé, Nair e Nelsinho. Mais recentemente, o tricolor suburbano deu novas crias, como os jogadores Marcelinho Carioca e Iranildo.
Este texto é parte do guia Madureira e Oswaldo Cruz, pertencente à coleção Bairros do Rio, publicado pela Editora Fraiha [ fraiha.@dh.com.br ]
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