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domingo, 14 de janeiro de 2018 0 comentários

CASAIS DE FIM DE SEMANA: UM NOVO TIPO DE RELACIONAMENTO



Não estamos falando daquelas aventuras românticas dos casais nos fins de semana que servem para desconectar. Também não estamos falando de relacionamentos que duram 48 horas e depois desaparecem. Falamos dos casais de fim de semana, casais que se veem apenas aos sábados e domingos.


Mas essa história de viver para sempre em lua de mel realmente funciona?


Normalmente, as pessoas que formam esse tipo de casal estão no ápice das suas vidas profissionais. Elas costumam ter entre 25 e 35 anos e viajam com frequência. Por não terem muito tempo para dedicar ao parceiro ou à parceira ao longo da semana porque trabalham, decidem se encontrar apenas nos finais de semana.


A recompensa de um sacrifício diário

Muitos relacionamentos fracassam por causa da distância. Ao não renovar a paixão e o carinho de maneira contínua, os quilômetros acabam por ser uma fonte de conflito. Mas isso não seria um problema para os relacionamentos que mantêm viva a chama do amor, pelo menos durante os finais de semana. Esses casais sabem que esses dois dias são para eles. E servem como recompensa pelas duras jornadas de trabalho.

Eles sentem saudades um do outro durante a semana, mas sabem que no sábado e domingo vão se encontrar. Isso faz com que a fase da paixão se prolongue. Ou seja, ver um ao outro com menos frequência faz com que os reencontros sejam como se fosse a primeira vez. É um tipo de paixão constante que reforça os aspectos positivos do relacionamento.

Outra vantagem é que, por terem pouco tempo para dividir com o outro, cada um dá o melhor de si durante esses dias que passam juntos. Por isso, esses casais não costumam perder tempo em discussões absurdas. Eles resolvem os conflitos para poderem aproveitar o tempo juntos ao máximo. Ao mesmo tempo, isso permite que cada um se concentre no que o outro traz de bom e nas qualidades do parceiro ou da parceira.

Os contras também são grandes para os casais de fim de semana

Já destacamos que a distância física é um dos grandes desafios de qualquer namoro ou casamento. Os casais de fim de semana também podem ser vítimas dela. A insegurança criada sem o contato diário pode criar dúvidas e ciúmes para com o outro. Isso, se alimentado todos os dias, pode se tornar o motivo do término ou, até mesmo, de infidelidade.

Por outro lado, reviver todos os finais de semana esse amor não significa que o relacionamento vá seguir adiante. Essa maneira de se ver pode estagnar o relacionamento. É como se ambos estivessem confortáveis com a situação e ninguém pretendesse dar um passo além.

É uma sensação de impotência e conformismo das duas partes. Pode chegar a criar a sensação de viver em uma espiral de frustração, impaciência e, até mesmo, tédio.


Quanto mais duradouro, mais forte

Apesar de quantidade não ser sinônimo de qualidade, nesse caso parece ser. Quanto mais anos tiver o relacionamento, mais fortes são os vínculos e as bases sobre os quais se formou. Devido a esse fato, é menos provável que um relacionamento termine pela distância quanto maior for o tempo que o casal estiver junto.

Por exemplo, vamos pensar no caso de um relacionamento de anos no qual uma das duas partes vai trabalhar temporariamente em outro país. A distância pode, até mesmo, chegar a fortalecer os laços de união entre essas pessoas. A distância coloca a união à prova e, se o resultado for positivo, se transforma em mais um pilar da relação.

Por outro lado, se o relacionamento não fica bem, há grandes chances de que não exista compromisso suficiente para mantê-lo.


Será que sabem se são compatíveis?

Os casais de fim de semana convivem apenas algumas horas juntos. Sábado e domingo compartilham cama, refeições e momentos. Mas isso é comparável ao dia a dia de um casal que vive na mesma casa e tem que enfrentar responsabilidades compartilhadas?

Esse tipo de encontro esporádico não permite saber como o outro realiza, por exemplo, as tarefas de casa. Nem como reage quando algo está incomodando, quais manias tem, o que gosta de fazer quando chega em casa ou como cozinha. É um relacionamento um pouco superficial. Talvez percebam alguns desses detalhes, mas não é a mesma coisa.

Segredos de sucesso para casais

Em todo caso, os casais de fim de semana são uma realidade. Ninguém pode determinar a duração de um relacionamento com base em como se conheceram ou quais são os parâmetros do mesmo. Apenas os membros do relacionamento sabem o que se passa nas suas vidas.

No entanto, existem certas características que aparecem em todos os casais bem-sucedidos. Algumas delas são, por exemplo, a admiração, o respeito mútuo e a ausência de codependência. Além disso, as expectativas de ambos devem ser realistas e baseadas em uma escolha: amar o outro.

Certamente, a base deve ser a comunicação e a confiança. É preciso poder conversar sobre tudo e manifestar cada um seu ponto de vista, sem medo de ser julgado ou rejeitado. Os casais passam por momentos incríveis e felizes, mas quando os mais difíceis chegam, devem ser capazes de dizer o que sentem e no que acreditam um para o outro.

Todas essas características podem estar perfeitamente presentes nos casais de fim de semana. Só é preciso saber o que cada um pode contribuir para o outro, como esse relacionamento vive, como a distância afeta e se a situação faz ambos serem felizes.

Se ambos estiverem de acordo, então pode ser um relacionamento muito saudável e duradouro!
domingo, 9 de julho de 2017 0 comentários

EM QUE CONSISTE A INTIMIDADE?



A intimidade consiste em uma adorável sensação de proximidade e cumplicidade com uma pessoa especial: um amigo sincero, um parente, um parceiro sentimental. Ela só se constrói em determinadas condições especiais, sendo que a mais importante delas tem a ver com o modo como se constituiu nosso modo de pensar.

Cada um de nós desenvolveu um jeito de correlacionar as palavras e os pensamentos que é mais original do que pensamos. Apesar de todos falarmos a mesma língua, nem sempre o que dizemos corresponde exatamente ao que o outro ouve; e, o que é o principal, muitas vezes não está em sintonia com aquilo que estava em nossa mente. Ou seja, como cada cérebro é único, não é raro que aquilo que estou escrevendo aqui agora – e que é o fruto de um esforço de transformar em palavras o que se passa em minha mente – não corresponda ao que você, leitor, estará entendendo. Isso não se deve apenas à uma eventual dificuldade minha de me comunicar e sim a diferenças relevantes entre os nossos modos de pensar.

Em contrapartida, há vezes em que o que falamos ou escrevemos parece corresponder exatamente ao que nosso interlocutor entendeu. A sensação é extremamente agradável, uma vez que nos sentimos devidamente entendidos e isso define uma importante afinidade no sistema de pensar, condição indispensável para que se constitua um relacionamento íntimo. Quando ocorre essa comunicação bem sucedida nossa sensação é de aconchego, de não estarmos tão sozinhos nesse mundo.



Ao longo do convívio com alguém cujo modo de pensar é suficiente parecido com o nosso, é claro que podem surgir divergências de pontos de vista e mesmo de atitudes diante das várias condições objetivas da vida de cada um dos que são íntimos.

É indispensável que esse canal fluente e fácil de comunicação não se feche, o que exige certos cuidados muito relevantes. O primeiro deles diz respeito ao modo como colocamos nossas diferenças: o melhor caminho consiste no uso da primeira pessoa do singular e não a terceira pessoa, uma vez ela que pode facilmente provocar a sensação de cobrança, crítica ou acusação.

Se algo me desagrada no outro, posso dizer a ele que “eu fico triste quando acontece isso ou aquilo entre nós” em vez de “não acho que você deveria fazer isso ou aquilo”; ou pior ainda: “não aceito – não admito – que você faça isso ou aquilo”.

Ninguém tem o direito de exigir nada de ninguém, muito menos dos mais íntimos. Temos o direito e mesmo o dever de informá-los sobre os desdobramentos de seus atos: “quando você age dessa ou daquela maneira, isso provoca em mim tantas e tais sensações e emoções”. Se o outro quiser nos agradar certamente tenderá a evitar as condutas que nos entristecem. Se não for esse o caso, cabe a nós decidir se aceitamos ou não o convívio com essa pessoa.

Outro ingrediente que considero fundamental para a continuidade dos relacionamentos baseados em respeito e intimidade é a ausência de críticas.

Quando uma pessoa relevante nos censura, nossa sensação é muito desagradável; e é especialmente ruim se esperávamos algum tipo de compreensão ou alívio de um desconforto que nós mesmos estejamos sentindo por termos cometido algum erro.

Quando esperamos colo e recebemos uma reprimenda, tendemos a nos calar; e não só naquela dada situação específica, mas também em qualquer outra que venha a ser passível de algum tipo de reprimenda.

Um exemplo: se eu contar para o meu parceiro sentimental algo no qual eu tenha falhado – ou algum sonho ou pensamento não muito abonador – eu não gostaria de ouvir algo do tipo “nossa, nunca pensei que você fosse fazer essa bobagem ou ter tal tipo de pensamento”. É claro que da próxima vez que eu fizer algo que possa ser censurável ou pensar algo não tão agradável não mais contarei o que se passou comigo.

Assim, o que mais comumente interrompe a comunicação e impede a intimidade são atitudes críticas e reprovadoras vindas de parceiros cuja aceitação nos é tão importante.

Se ao invés de críticas ouvirmos algo do tipo “você sabe que em uma dada ocasião fiz algo parecido e sei muito bem como é chato errar e imagino como você deva estar se sentindo; mas não se aflija, pois isso logo passa”, é claro que a intimidade cresce e se fortalece.


Em síntese, as boas relações de companheirismo acontecem entre aqueles que possuem modos de ser e de pensar assemelhados, que sejam muito cautelosos ao colocar suas divergências – sempre dando prioridade para a descrição da repercussão das ações do outro sobre si mesmo – e, mais que tudo, entre pessoas que não se arvorem em juízes e que sejam acima de tudo cúmplices.

 Flávio Gikovate
 
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