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quarta-feira, 21 de novembro de 2012 0 comentários

Consciência Negra


Tive a impressão que nesse ano as pessoas de modo geral interagiram mais com as comemorações do dia da consciência negra. Nesse dia 20 de novembro de 2012, acompanhei diversas discussões  ligadas a os negros, principalmente nas redes sociais. Porém a maioria era formada por comentários superficiais.

Em resumo: de um lado negros exaltando o quanto são negros e as mazelas sofridas nos tempos da escravidão que não viveram. Do outro aqueles que acreditam serem brancos se posicionando contra a existência dessa data comemorativa, pois todas as pessoas devem ser tratadas com igualdade.

Qual dos lados está com a razão?
Digo que ambos.

A pesar do mito das três raças constituintes da nação brasileira: índio, branco europeu e negro, ao longo da história as comunidades indígenas foram dizimadas, restando pouquíssimos representantes. E os negros mesmo com o fim da escravidão  por inúmeras razões continuaram renegados e marginalizados.Algo que impediu por muito tempo qualquer mobilidade social real, salvo raríssimas exceções.
A falta de oportunidades somadas ao subjugue do homem branco europeu com suas teorias e superioridade racial; pontuando os negros como vadios, ignorantes e outras qualificações pejorativas deixaram sequelas de preconceito presentes até os dias atuais.

É de conhecimento amplo  os sofrimentos físicos e morais impostos a o negros escravos e nada mais justo que tentemos sanar de algum modo essa vergonhosa mancha em nossa história. E nesse propósito o governo tem se esforçado adotando leis e políticas que favorecem a negros e afrodescendentes, no entanto, essa atitude tem causado polemicas até mesmo entre os próprios negros. Á exemplo a adoção de cotas para negros nas universidades públicas e a existência de um feriado nacional dedicado  a consciência negra.
Longe de chegarmos ao fim do debate, muitos defendem que esse tipo de política ressalta ainda mais as disparidades entre negros e brancos e menospreza a capacidade do negro como cidadão e individuo,podendo gerar mais racismo, só que agora em desfavorecimento as pessoas brancas.

O antropólogo Claude Levi Strauss realizou extenso estudo sobre as raças humanas e nos transmite que as diferenças entre nós estão nas diferentes culturas, quanto a raça todos pertencemos a uma só: a raça humana. Mas ainda que concordemos com a sentença acima o preconceito racial é uma realidade e ainda encontrasse enraizado no brasileiro.

Se pergunto onde estão os negros, no mínimo dirão que estão nas favelas.

Mas agora pergunto: EM UM PAÍS DE MISCIGENAÇÃO TÃO GRANDE COMO O BRASIL ONDE ESTÃO OS BRANCOS?

Nesse dia de Zumbi talvez meus antepassados ficassem orgulhosos se pudessem ter visto. Presenciei nas ruas pessoas parabenizando outras em razão de serem negras, no entanto achei constrangedor. Pois dada a nossa mistura étnica o feriado de 20 de novembro deveria ser comemorado por todos os brasileiros, afinal é o dia da CONSCIÊNCIA NEGRA. |Infelizmente isso nos prova que o dia em que não precisaremos de leis de caráter racista ainda é uma utopia, porém limitar as comemorações como sendo o dia dos pretos é prova de ignorância e desconhecimento da própria história.



Biografia: LÉVI-STRAUSS, C. Raça e História. Raça e Ciência I. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1970
Menezes, Adolfo Bezerra de, A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a nação. 1831-1900.
Roberto Damatta, O Que Faz o Brasil, Brasil? Rio de Janeiro, Ed. Rocco. 1984.
Emilia Viotti, Da Senzala a Colônia, São Paulo,Ed. UNESP.1997.
terça-feira, 8 de maio de 2012 0 comentários

Retrato de Claudia parte 5



Pela primeira vez pode soltar seus cabelos sem culpa, usá-los bem cheios, propositadamente para o alto.
A principio não se agradou muito, mas foi preciso assumir integralmente esse papel, já que agora, assumia a liderança de um movimento negro.
Alguém que jamais assumira sua negritude passou a ser responsável por defender os direitos e integridade dos negros.
Claudia a muito tempo perdera sua personalidade, apenas interpretava o papel que se fizesse preciso.
Não conseguia ser gente.Não conseguia se aceitar como negra, mas também, não conseguia ser branca.
Envolvida por seus complexos, tornou-se uma pessoa de interesses fúteis e amargurada, preocupada apenas consigo mesmo.
Necessitava se fazer notar, assumiu um estilo espalhafatoso, unhas compridas. O sorriso que já era forçoso, passou a transparecer cinismo.
Frequentava festas, comprava roupas caras, viajava. Porém, nada foi capaz de trazer de volta sua humanidade.
Claudia era uma mulher seca. Dona de uma secura profunda, que vinha do útero. Estéreo não se permitia a compaixões.
Quem teve a oportunidade de conhecer melhor a pobre Claudia só descobriu vazio.
O trabalho que se confundia com as suas atividades políticas tornara-se seu refugio.
As amigas de trabalho a tratavam bem, algumas até a bajulavam, mas bastava dar-lhes as costas e os murmúrios começavam.
Quando tentava ser simpática acabava tendo o seu nome envolvido em alguma fofoca. Ninguém gostava verdadeiramente de Caudia, apenas a toleravam.
Defendia-se dizendo para si mesma e para quem quisesse ouvir que não se importava. Fingia acreditar que tudo não passava de inveja.
Porém, muitas noites chorou, agarrada ao travesseiro, cansada e sentindo-se profundamente sozinha.
Fazia-se de forte mais tinha muitos medos. Deu para pensar em morte. Sentia-se velha e passou a esconder a idade.
Havia uma espécie de relógio cuco em sua cabeça dizendo:
Tempo, tempo... tempo!
Claudia agora revoltava-se contra a vida!


Lins indicados:


 
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