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segunda-feira, 3 de setembro de 2018 0 comentários

BOA VISTA



Enquanto todos queriam ir ao zoológico eu corria para o museu. Ensinei meus filhos a venerarem aquele espaço de história, cultura e ciências. Pelas barbas do imperador, estou muito triste.
O índio pelado não irá mais me receber, não poderei assombrar meus futuros netos na sala das múmias. Ninguém mais ouvirá aquela reprodução do canto de pássaros, que já não existem. Artrópodes...artrópodes, incríveis artrópodes.
Parece que de tanto, só nos restou aquele incrível meteorito que poucos sabem ser ele magnético.
Vou tentar não chorar, não fazer vergonha.

Ai, ai Maria Leopoldina. Ai, Ai D.Pedro II .Vocês foram imprescindíveis para o desenvolvimento científico da Terra Brasilis.
Peço, e envergonhada, desculpas á vossas memórias. É que no Brasil, sobre tudo a antiga corte, o ritual do beija mão continua, mas fatalmente nós tornamos uma república de espoliadores do povo.
O fogo enfim consumiu a casa do imperador!

Por: Jaqueline Ramiro
terça-feira, 25 de abril de 2017 0 comentários

MIGRAÇÃO E REFUGIADOS



 “Acontecerá algo terrível antes de se encontrar um equilíbrio.”

- Umberto Eco

A entrevista dele ao Expresso era sobre livros, mas Umberto Eco falou sobre mais - incluindo este tema que o preocupa há muito, o da migração e dos refugiados. Recuperamos o que ele enunciou em abril agora que estamos despertos para uma tragédia que se estende não há dias nem semanas, mas há meses e quase anos. É uma reflexão dura: “ A Europa irá mudar de cor. E isto é um processo que demorará muito tempo e custará imenso sangue”. Mas também com fé no outros homens - nos que estão e nos que vêm: “A migração produz a cor da Europa”

Entrevistámos Umberto Eco no seu apartamento em Milão. Atendeu o intercomunicador e abriu a porta de casa, revelando a sua alta figura e a cordialidade que seria uma constante durante a conversa. De eterno cigarro apagado entre os dedos - desistiu de fumar mas não se desfez do gesto - ofereceu café e sentou-se na sua poltrona de cabedal. Falámos da infância, da escrita, de jornalismo - central em "Número Zero", o novo romance que saiu em maio em Portugal. Mas falámos também da Europa e dos longos processos migratórios que a configuraram. Para Eco, estamos a atravessar um deles e não será um caminho fácil nem desprovido de desafios. Eis alguns excertos da entrevista.

1. CULTURA NÃO QUER DIZER ECONOMIA
"Desde a juventude que sou um apoiante da União Europeia. Acredito na unidade fundamental da cultura europeia, aquém das diferenças linguísticas. Percebemos que somos europeus quando estamos na América ou na China, vamos tomar um copo com os colegas e inconscientemente preferimos falar com o sueco do que com o norte-americano. Somos similares. Cultura não quer dizer economia e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural."

2. UM GRANDE ORGULHO
"Quando atravesso a fronteira sem mostrar o passaporte e sem ter de trocar dinheiro, sinto um grande orgulho. Durante dois mil anos, a Europa foi o cenário de massacres constantes. Agora, esperemos um bocado: mesmo que o mundo hoje seja mais veloz, não se pode fazer em 50 anos o que só fomos capazes de fazer em dois mil. E mesmo indo nessa direção, não sei como os países europeus poderão sobreviver: estão a tornar-se menos importantes do que a Coreia do Sul, e não apenas do ponto de vista industrial. Culturalmente, está-se a traduzir mais livros lá do que em França."

3. A COMISSÃO DAS PESSOAS SÁBIAS
"Entidades nacionais como Portugal ou Itália tornar-se-ão irrelevantes se não fizerem parte de uma unidade maior. Mas nada disto se constrói em pouco tempo. O problema da Europa é estar a ser governada por burocratas. Uma vez, uma instituição europeia - não me recordo qual - decidiu criar uma comissão de pessoas sábias. Estava lá Gabriel García Márquez, Michel Serres e eu próprio. Os outros convidados eram burocratas europeus. Cada reunião servia para discutir a ordem de trabalhos da reunião seguinte. Aquilo era o retrato da Europa: pessoas a governarem uma máquina autorreferencial. Porém, é o que temos. É como a democracia segundo Winston Churchill: um sistema horrível, mas melhor do que os outros."

4. UM PROCESSO QUE CUSTARÁ IMENSO SANGUE
"Estou muito preocupado, não por mim, mas pelos meus netos. Escrevi-o há 30 anos: o que se passa no mundo não é um fenómeno de imigração, mas de migração. A migração produz a cor da Europa. Quem aceitar esta ideia, muito bem. Quem não a aceitar, pode ir suicidar-se. A Europa irá mudar de cor, tal como os Estados Unidos. E isto é um processo que demorará muito tempo e custará imenso sangue. A migração dos alemães bárbaros para o Império Romano, que produziu os novos países da Europa, levou vários séculos. Portanto, vai acontecer algo terrível antes de se encontrar um novo equilíbrio. Há um ditado chinês que diz: 'Desejo-te que vivas numa era interessante'. Nós estamos a viver numa era interessante."

5. A ÉTICA DA REPÚBLICA
"Não se deve perguntar porque haverá derramamento de sangue: é um facto. Vejamos a França. É o caso típico de um país que acreditou poder absorver a migração. Porém, por um lado, impôs logo aos migrantes a ética da República; e, por outro, arrumou-os nos bairros remotos. É muito raro encontrar um migrante a viver ao lado de Notre-Dame."

6. INTEGRAÇÃO E ÓDIO
"Porque é que um muçulmano em França se torna fundamentalista? Acha que isso aconteceria se vivesse num apartamento perto de Notre-Dame? A sua integração não foi completa nem poderia ser. De novo, é um facto. A migração a longo prazo pode produzir integração mas a curto prazo não, e a não-integração produz uma reação, que pode ser de ódio."

7. NO SENTIDO EM QUE HITLER NÃO ERA A CRISTANDADE
"O inimigo é sempre inventado, construído. Precisamos dele para definir a nossa identidade. A extrema-direita italiana acredita que são os ciganos ou os migrantes pobres, ou o Islão em geral, ainda que o Islão possa assumir muitas formas. Ora, o Estado Islâmico não é o Islão, no sentido em que Hitler não era a cristandade."

8. RESPOSTA: NÃO
"A Idade Média não existe, porque tem dez séculos. É uma construção artificial. De qualquer forma, vemos que é uma época de transição entre dois tipos de civilização. E provavelmente - falávamos de migração - estamos numa era de transição, que é sempre difícil. A questão é: houve alguma era que não fosse de transição? Resposta: não. Mas houve momentos em que cada um vivendo no seu país não se apercebia de que havia uma transição a acontecer no mundo."

9. CHAMA OS BOMBEIROS
"Qual o papel do intelectual hoje? Não dar muitas entrevistas! [risos] Falando a sério, penso que é duplo. Primeiro, é dizer o que as outras pessoas não dizem. Não é dizer que há desemprego em Itália. Segundo, não é resolver os problemas imediatos, é olhar para a frente. Se um poeta está num teatro e há um incêndio, não se põe a recitar poemas: chama os bombeiros. Pode é escrever sobre incêndios futuros."

10. PERDA DO PASSADO
"É impossível pensar o futuro se não nos lembrarmos do passado. Da mesma forma, é impossível saltar para a frente se não se der alguns passos atrás. Um dos problemas da atual civilização - da civilização da internet - é a perda do passado."

Fonte: Expresso/sapo.pt (2015).  Entrevista com UMBERTO ECO
quarta-feira, 29 de março de 2017 0 comentários

SOMOS MULHERES APENAS QUANDO JOVENS?

Nós mulheres associamos velhice a perda da beleza e feminilidade. Somos mulheres apenas quando jovens? 



sexta-feira, 23 de setembro de 2016 0 comentários

EU TAMBÉM SOU VÍTIMA DOS SONHOS ADIADOS...



Eu também sou vítima de sonhos adiados, 
de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, 
eu ainda tenho um sonho, porque a gente não 
pode desistir da vida.

(Martin Luther King)
segunda-feira, 6 de maio de 2013 0 comentários

TEMPO PASSAGEIRO




Tempo passageiro...
É o tempo passa lentamente e eu já não sei quem sou.
Minhas ideias mudaram minha vida mudou,
O que eu era antes já não sou mais hoje
E o que eu sou hoje não serei amanhã.

Qual certeza eu tenho de não ser viver?
Viver a vida caminhando por noite tenebrosas
Dias acalorados de calor humano, decisões e indecisões...
Busco um ideal nessa vida surreal,
E um amor que me ame sem pudor!

Vejo as barbáries da sociedade e isso me enfurece
Mas o que devo fazer sou um meres ser humano
Vivendo a vida sem pudor em busca de um amor...
Amor que me arranque a roupa na calada da noite!

É o tempo passa ronceiramente e eu já nem sei quem sou.
Mas lutarei pelo o que serei e o que posso ser
Pois não sei mais se tenho forças; minhas forças se esvaem em meia multidão...
Meus olhos gritam e minha alma debruça seu pranto pelos poros de meu corpo.

Nem sei mais se tenho tempo a perder
Entretanto vamos viver como a fênix que ressurgir do pó...
Assim como o vento que passa sem rumo nas vielas da vida.

E eu irei vivendo dia após dia lutando por um mundo melhor
Com mais igualdade;
Mais amor;
Prosperidade;
E um amor sincero e acalentador...
No escuro da noite.

Kelven de castro (Rio, maio de 2013)


              Mucamas do PCdoB
          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013 1 comentários

EU APRENDI...





"Eu aprendi...
...que ignorar os fatos não os altera;

Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;

Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;

Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu;

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;

Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.
(
Boa noite , Amor )"
Autor: William Shakespeare



              Mucamas do PCdoB
          PROSTITUIÇÃO NO PCdoB
sábado, 24 de março de 2012 0 comentários

Aprendizado


Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

que a vida só consome
o que a
alimenta.

(Ferreira Gullar, de barulhos,1980-1987)
 
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