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domingo, 9 de setembro de 2012 0 comentários

Arte de amar



Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.

(Thiago de Mello)
sexta-feira, 7 de setembro de 2012 0 comentários

O ser humano está pelo que faz



O que o homem faz
O ser humano está pelo que faz.
Mas o que é o fazer, a essencial
virtude de quem vive? me pergunto.
Não me sei responder, só me indagar.
(...)

Ainda que me indague mal e pouco
a respeito de mim, depois da morte,
onde fazer é verbo inconjugável.
E se indago apenas sei dizer
o que é o fazer aqui e que me faz
ser um homem compondo a minha vida
de sono e sonho, prêmio e desvario,
eu com os outros (eu para eles, outro)
a quem me dou querendo me saber.
O homem vale só pelo que faz.

(Thiago de Mello)
 
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