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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
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BLACK POWER
Black Power significa “poder negro” na tradução literal do inglês para o português, e ficou conhecido como um movimento que evidenciava a cultura e a resistência negra numa sociedade predominantemente racista.
O cabelo black power é um dos principais símbolos deste movimento cultural que começou a ganhar destaque nos anos 1960 e 1970, principalmente nos Estados Unidos.
A ideia era desconstruir a imagem do padrão de beleza eurocêntrico e promover a fortificação da identidade e raízes africanas da população negra estadunidense. Para isso, homens e mulheres de etnia negra começaram a abdicar das populares técnicas de alisamento capilar e passaram a usar os seus cabelos ao natural, estilo este que ganhou o nome de “cabelo black power”, pois era usado pelos ativistas deste movimento na tentativa de valorizar a estética negra (o "poder negro").
Atualmente, o cabelo black power é bastante popular, passando inclusive a ser apropriado por outras culturas. No entanto, é importante lembrar que o uso deste penteado representa muito mais do que uma tendência de moda, mas sim um poderoso símbolo de empoderamento que representa a luta contra o preconceito racial.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
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NÃO SE ENGANE COM OBÀ
Engana-se quem pensa que Obà vive de tristezas e frustrações...A tristeza e a frustração foram apenas os motivos que fizeram Obà a correr atrás da sua Liberdade, e é sendo Livre que Ela é Feliz!
Engana-se quem pensa que Obà não é mulher bonita...Não ser feminina não significa ser desprovida de beleza, tanto que no meio de centenas de mulheres ela foi uma das Rainhas escolhidas a sentar ao lado do seu Marido Sàngó para governar junto à Ele, foi a Guerreira que Ògún quis possuir a qualquer custo e foi também a Caçadora que ganhou o coração de Òsóòsì!
Engana-se quem pensa que Obà é tonta e ingênua...Ela é corajosa demais para fugir de desafios, ela gosta do risco, de correr perigo, de apostar tudo, ela não pensa, Obà é de agir pra depois ver os resultados. E mesmo quando não acontece o esperado, ela renasce das cinzas como uma Fênix!
Engana-se quem pensa que Obà nada sabe fazer...Ela é reconhecida na África como grande feiticeira, defensora dos direitos das Mulheres, guerreira destemida e violenta, aquela que não tem piedade dos inimigos nos campos de batalha. Obà é a mulher que caça, se embrenha no mato e só volta com a presa sobre seus ombros. Ela faz serviços ditos "masculinos" melhor do que muitos homens.
Engana-se quem pensa que Sàngó esqueceu Obà...Ela depois que foi humilhada pelo Rei por conta da sua prova de Amor se consumiu em orgulho e saiu do Reino de seu Marido chorosa, porém de cabeça erguida! Sàngó nunca a expulsou, Ela que deixou o seu amor para trás! Ele depois que soube da trapaça de Oxum se entristeceu, pois não havia esposa tão dedicada quanto Obà. O Rei sabia que Ela não mais voltaria e temia procurá-la, pois Ele sabia o quanto era poderosa a Ira de Obà!
Engana-se quem pensa que Obà não é vingativa...Oxum a fez cortar sua própria orelha, porém Obà se vingou de Oxum de várias formas, Oxum aprendeu na dor a respeitar Obà!
Engana-se quem pensa que Obà não sente amor...É o amor que a movimenta, ela sempre está envolvida no ciúme, na conquista, no cuidado, na dedicação e na privação pelo bem do próximo. Obà além de esposa é quase Mãe de seus amores, ela defende com unhas e dentes aqueles que possuem o seu amor.
Obà é a Força que existe dentro de toda Mulher! Ela se transforma de uma em mil se for preciso...Não se engane com Obà!
OBÀ SIRÉ!
quinta-feira, 30 de março de 2017
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OS HOMENS -ARO-AMERICANOS CONQUISTAM DIREITO A VOTO NOS EUA
No dia 30 de março de 1870 o direito a voto foi estendido aos negros nos EUA
A previsão do direito ao voto encontra-se estabelecida em diversos dispositivos da Constituição dos Estados Unidos, que foi promulgada em 1787. Logo no artigo VI, 3, da Carta Magna norte-americana, já se assegura que não poderá haver discriminação religiosa, ao estabelecer que
“nenhum requisito religioso poderá ser exigido como condição de elegibilidade”.
Posteriormente, em 1870, o direito de votar foi estendido aos negros com a vigência da 15ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Essa emenda veio a garantir que
“o direito de voto dos cidadãos dos Estados Unidos não poderia ser negado ou cerceado pelos Estados Unidos, nem por qualquer estado da federação, seja por motivo de raça, cor ou de prévio estado de servidão”.
domingo, 26 de março de 2017
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TRECHOS DE A 13ª EMENDA
"O FBI colocou a militante negra Angela Davis na lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados."
"Algo do qual temos que falar e com o que temos que lidar é a questão do crime.
O que significa ser um criminoso nessa sociedade? Isso teve que ser rompido. E, no meu caso, Ronald Reagan era o governador da Califórnia, Richard Nixon era o presidente dos EUA. Todo o aparato do Estado estava voltado contra mim e realmente queriam me mandar para a cadeira elétrica para mandar um recado."
"O sistema tentou colocar nossa irmã sob julgamento, e ela disse: 'Não, vamos colocar você'. Ela chegou com o cabelo afro, sem tê-lo alisado. Ela podia pegar uma pena longa. A maioria das pessoas teria alisado o cabelo. Teria ido para lá com luvas brancas, orando a Jesus. Ela chegou desse jeito. E ela acabou com os promotores e saiu de lá livre."
Trechos de A 13ª Emenda, dir. Ava Duvernay
sábado, 4 de março de 2017
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COR DA PELE NÃO DEFINE UM SER HUMANO
Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
quinta-feira, 2 de março de 2017
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OSCAR 2017
Além dos 6 atores,19 profissionais negros concorreram ao Oscar, como o diretor Barry Jenkins(Moonlight) e o roteirista August Wilson (um Limite entre Nós).
Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
#oscar #oscarblack
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#umquilomboprogressista#JaquelineRamiroAlém dos 6 atores,19 profissionais negros concorreram ao Oscar, como o diretor Barry Jenkins(Moonlight) e o roteirista August Wilson (um Limite entre Nós).
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Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
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OSCAR DE MELHOR FILME
O Oscar de melhor filme vai para a história de um jovem, negro e homossexual.
Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
#LGB
#Afrobrasileiros
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#umquilomboprogressista
Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
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quarta-feira, 1 de março de 2017
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ANIVERSÁRIO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
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NASCIMENTO DE ARLINDO VEIGA DOS SANTOS
NASCIMENTO DE ARLINDO VEIGA DOS SANTOS

FACEBOOK: PP AFRO RIO
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sábado, 11 de fevereiro de 2017
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LIBERTAÇÃO DE NELSON MANDELA (hoje na história)
O que é APARTHEID?
foi um regime de segregação racial adotado na Africa do Sul de 1948 a 1994, no qual a maioria branca eram os únicos com direito a voto e detinha todo poder político e econômico.
Proibia (os Negros) de adquirir terras na maior parte do país, obrigando-os a viver em zonas residenciais segregadas, uma espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos.
[apartáid] (pronúncia em africâner: [ɐˈpɐrtɦəit], significando "SEPARAÇÃO")
terça-feira, 27 de maio de 2014
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FILME-QUANTO VALE OU E POR QUILO,
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QUANTO VALE OU E POR QUILO?
O Brasil carrega até hoje a triste marca de ser o ultimo pais do mundo a abolir a escravidão.
Quanto vale ou e por quilo? Pergunta comum para quem frequenta o comércio varejista, mas para a nossa reflexão o produto referido aqui e, a carne humana e negra.
Na produção de Quanto Vale ou e por Quilo, apesar de longa, intercala momentos comuns vivenciados por pretos no passado de escravidão negra no Brasil e momentos do presente, o que da uma certa velocidade e leveza ao filme, principalmente para quem e jovem e não tem paciência para ver filmes de conteúdo histórico e filmagens contínuas.
No período escravista investir na aquisição de negros era um negócio caro, porém muito lucrativo. Por mais de três século o comércio de negros foi a base de sustentação do nosso país, não apenas pelo seu valor como peça, mas pelos serviços que esses realizavam; desde abertura de estradas, a limpeza de dejetos (fezes) dos homens brancos. Possuir muitos negros era um marcador de status social.
E no presente quem são os negros do Brasil? Onde estão e quanto valem para o mercado?
INDÚSTRIA DA SOLIDARIEDADE
Nesse sentido, o filme pega por base moradores de comunidade pobre que desenvolvem suas vidas normalmente, sendo a maioria mestiços, já que o negro brasileiro possui a peculiaridade de ter sofrido grande miscigenação com outros povos. Envolvidos nesse contexto de moradores de favela, vemos uma rede composta por empresários, políticos e outros representantes das classes sociais mais abastadas, fazendo proveito das misérias e necessidades dos moradores- utilizando-se de Ongs e projetos que seriam de cunho filantrópico para conseguirem verbas do governo, financiamentos, patrocínios de particulares e empresas, mão de obra barata (muitas vezes gratuita) e, é claro, realizar a boa e velha lavagem de dinheiro. Sendo que nesse caso o retorno desses empreendimentos é quase nulo para a comunidade que realmente precisa desses espaços.
Desejo salientar outro aspecto tomado pelo filme- o negro como algoz do próprio povo. No passado mostra o preto, ou mestiço que chega a ter escravos para si. E aqueles que se associam aos brancos escravistas em troca de dinheiro ou favores, também assumindo papel de algozes- contradizendo a ideia de solidariedade existente entre os negros. No presente há aqueles que realizam o mesmo tipo de associação, mas por meio de milícias e justiceiros, partidos pólicos, e certos "centros comunitários", que de comunitários levam apenas o nome e a ilusão daqueles que por infortúnio os frequentem em meio a tantos jogos de interesses.
Muito bom o filme. Abrangente e polêmico na medida certa.
Como é dito em famoso refrão de musica interpretada por Elza Soares - A CARNE MAIS VENDIDA NO MERCADO E A CARNE NEGRA.
O vídeo algumas vezes demora um pouquinha para carregar (depende da sua internet). depois é só clicar no Play grande no centro da tela. Desculpem, mas foi o único lugar que consegui encontrar, completo e em perfeito estado para compartilhar com vocês. A Matrix não é brincadeira.
#ppafrorio
#ppafro
#umquilomboprogressista
#JaquelineRamiro
sexta-feira, 18 de abril de 2014
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OXUMARÉ - UM LINDO ITAN SOBRE ESSE GRANDE ORIXÁ
“A grande Divindade do Arco-Íris era um reconhecido Babalawo (Pai do Segredo). Diante de sua sapiência, prestava serviços somente ao Rei da cidade de Ifé, que de certa maneira o explorava de forma contumaz. Para o Rei de Ifé, o fato de Òsùmàrè ser o seu Babalawo pessoal já era o grande pagamento pelos serviços que ele lhe prestara, afinal ele era o Rei e, muitos queriam estar no lugar de Òsùmàrè, razão pela qual dava pequenas esmolas ao sábio Babalawo, que em nada ajudavam em seu sustento.
Assim, mesmo sendo o Babalawo do Rei, Òsùmàrè estava passando por grandes dificuldades e já não conseguia sustentar a sua família. Dessa forma, resolveu consultar Ifá (o oráculo sagrado) para outras pessoas e não somente para o Rei, assim ele conseguiria novamente poder oferecer uma vida melhor à sua esposa e filhos. Contudo, o Rei de Ifé não aprovou o que Òsùmàrè estava fazendo e, solicitou que fosse ao seu palácio. O Rei disse a Òsùmàrè que ele poderia estar feliz consultando Ifá para as outras pessoas, mas ele o Rei, estava insatisfeito e, por isso, não iria mais lhe “pagar” e não queria mais que ele fosse o seu Babalawo. Òsùmàrè ficou desesperado, pois ele sabia que bastava uma ordem do Rei e ninguém iria procurar pelos seus serviços.
No mesmo dia a Divindade da Riqueza e Prosperidade Olokun Seniade, ordenou que todos os Babalawos da cidade fossem até o seu reino, para saber o que deveria fazer para ter filhos. Apesar da grande experiência dos Babalawos que lá estavam, nenhum conseguiu responder à Olokun Seniade aquilo que tanto lhe tirava o sono. No entanto, alguém lhe disse que Òsùmàrè, o Babalawo pessoal do Rei de Ifé não estava presente, recomendando-lhe que procurasse a ajuda dele por desencargo de consciência.
Assim Olokun Seniade o fez, ordenou à um mensageiro que fosse buscar Òsùmàrè no palácio do Rei de Ifé. Chegando lá, o Rei afirmou que havia dispensado os serviços de Òsùmàrè, pois ele não lhe servia mais. O mensageiro de Olokun Seniade percorreu às ruas de Ifé, perguntando por Òsùmàrè, até que finalmente ele o encontrou, o levando até o palácio de Olokun.
Chegando lá, Òsùmàrè consultou Ifá e disse para Olokun que teria filhos bonitos e fortes, mas que para isso, seria necessário realizar uma determinada oferenda.Como forma de gratidão e agradecimento, Olokun convidou Òsùmàrè para ser o Babalawo do seu palácio, que ele seria reconhecido e valorizado pelo seu grande conhecimento. Olokun presenteou Òsùmàrè com aquilo que tinha de mais precioso, as sementes do dinheiro (Owo Eyo – Búzios) e com um pano colorido.
Olokun Seniade disse à Òsùmàrè que, sempre que ele usasse aquele pano, as suas cores refletiriam no céu, nascendo dessa forma, o Arco-Íris.
Essa linda história ilustra algumas importantes lições, seja sobre nossas vidas, seja sobe as Divindades. Mostra que apesar das dificuldades que parecem insolúveis, sempre existe a possibilidade de uma reviravolta em nossas vidas. Mostra ainda a razão de o Arco-Íris representar o nosso Pai Òsùmàrè, bem como, a razão da utilização dos búzios por ele e seus filhos, um grande presente de Olokun.”
segunda-feira, 7 de abril de 2014
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OKARAN MEJI
É o Odu que trouxe ao mundo as formas de comunicação, e nelas o poder da fonética onde através das palavras o ser humano se comunica, transmite o seu pensamento, suas idéias.
Pena que a palavra seja usada mais vezes para causar o mal do que para transmitir a verdade e a sabedoria da paz.
Um dia Olodunmare ( Deus ) Mandou que Exu ( Seu Mensageiro ) que viesse até a terra, encontra-se e leva-se para ele a melhor comida que existia. Exu vasculhou a terra e levou para Olodunmare uma língua em um prato Olodunmare comeu a língua e disse; Realmente esta é a melhor comida que já comi. Olodumare pediu a Exu então que voltasse e lhe trouxesse a pior comida que encontrasse na terra. Exu novamente vasculhou a terra e levou a Olodunmare uma língua em um prato. Olodunmare comeu a língua e disse; Realmente esta é a pior comida que já comi.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
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SOU MALUCA SIM POR UM BRASIL SEM PRECONCEITO
UM MENINO NEGRO ENTRA EM UM MERCADO.
UM HOMEM BRANCO DIZ: "NÃO PERMITO PESSOAS DE COR AQUI"
O MENINO NEGRO DIZ: "EU NASCI PRETO.
QUANDO EU ESTOU CONGELANDO, EU SOU NEGRO.
QUANDO ESTOU DOENTE, EU SOU NEGRO.
QUANDO EU ESTIVER MORTO, ESTAREI NEGRO.
QUANDO VOCÊ NASCE, VOCÊ É ROSA.
QUANDO VOCÊ ESTÁ CONGELANDO, VOCÊ É AZUL.
QUANDO VOCÊ SE SENTIR ENVERGONHADO, VOCÊ FICA
VERMELHO.
QUANDO VOCÊ ESTÁ MORTO, VOCÊ FICA ROXO...
E VOCÊ ESTÁ ME
CHAMANDO DE PESSOA DE COR?"
"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos ainda haverá Guerra"
(Bob Marley)
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
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COINCIDÊNCIA?
Ver um gato preto desperta uma sensação desagradável em muita gente;
estudos mostram por que a crença no sobrenatural é tão enraizada: supor
associações, inclusive onde elas não existem, pode ter suas vantagens
Nós vivemos em tempos de busca de comprovações. No entanto, a astrologia, a vidência e a magia não perderam sua atratividade. Pelo contrário: no Brasil não há levantamentosespecíficos sobre o tema, mas muita gente ainda bate três vezes na madeira para espantar o azar e certamente vai repetir a roupa que acredita lhe trazer sorte. Que o digam os jogadores da Seleção Brasileira. Entre os alemães, por exemplo, a crença em bons ou maus augúrios está hoje mais disseminada do que há um quarto de século, relatou o Instituto de Opinião Pública de Allensbach após uma enquete em 2005. 42% dos entrevistados consideravam, por exemplo, o trevo de quatro folhas um bom sinal. Segundo dados da National Science Foundation de 2002, mais de 40% dos americanos estão convencidos: o diabo, espíritos ou fenômenos sobrenaturais, como curas milagrosas, realmente existem.
Nem mesmo cientistas estão livres de superstições: em 2008, Richard Coll e seus colegas da Universidade de Waikato, em Hamilton, Nova Zelândia, entrevistaram 40 representantes de diversas disciplinas – entre eles, físicos, químicos e biólogos – sobre sua opinião a respeito de fenômenos sobrenaturais. Vários acreditavam no efeito curativo de pedras preciosas, outros, na existência de espíritos ou extraterrestres, e quase sempre com base em experiências pessoais ou em relatos convincentes. Alguns disseram que amigos e parentes teriam sido curados de graves doenças por meio de um apelo a um poder maior. Os céticos, por sua vez, justificavam quase sempre sua postura de rejeição com considerações teóricas.
Conclusão: a crença no sobrenatural não deixou de existir de forma alguma em tempos de ciência moderna. As pessoas tendem a imaginar que eventos concomitantes têm uma relação causal entre si, apesar de, na verdade, serem independentes. Quem experimenta o sucesso em diferentes situações e por fim percebe que esteve sempre usando a mesma jaqueta nesses momentos, provavelmente logo vai considerá-la o seu talismã pessoal – sem procurar as causas reais para o sucesso.
Animais apresentam um comportamento semelhante – isso foi demonstrado pelo psicólogo americano Burrhus Skinner em 1948, em seus experimentos sobre o condicionamento operante, nos quais um comportamento que surge espontaneamente é reforçado pela recompensa. Em seu experimento que se tornou famoso como a “superstição entre as pombas”, os pássaros em uma gaiola tinham acesso à comida regularmente por um curto período de tempo.
Paulatinamente, eles começaram a repetir suas ações ocasionais imediatamente antes da liberação do alimento: saltitavam, bicavam ou se viravam. As pombas reforçaram o comportamento que haviam associado ao recebimento da ração – o que para Skinner era uma consequência inevitável do aprendizado pela recompensa.
Divulgação
Entre a realidade e a ficção: estudo feito na Nova Zelândia mostrou que mesmo sem provas cientistas acreditavam na existência de vida extraterrena SAPATO NA MÃO
Vários psicólogos tentaram transferir o experimento de Skinner com as pombas para os seres humanos. Em 1987, o pesquisador Koichi Ono, da Universidade de Komazawa em Tóquio, espalhou sobre uma mesa três caixas, cada uma com uma alavanca na parte superior. Um contador em uma lateral móvel saltava em intervalos aleatórios para o próximo número mais alto acompanhado de um zumbido e uma luz vermelha. Além disso, três lâmpadas sempre voltavam a se acender ao acaso. Os 20 voluntários que participaram do estudo deviam obter o
valor mais alto possível no contador por meio de qualquer comportamento, de preferência criativo.
Dois deles desenvolveram, no decorrer do experimento, algo semelhante a um comportamento supersticioso, um deles especialmente marcante: certa vez, o contador se moveu justamente quando a mulher estava pulando da mesa – em seguida, ela passou a saltitar incansavelmente para elevar de novo o resultado. Quando ela tocou o teto com o sapato na mão, a lâmpada também se acendeu, o zumbido soou e um ponto adicional surgiu no contador. Então a voluntária passou a se esticar, apontando o sapato para o teto ao pular até desistir antes do término do experimento – provavelmente por exaustão, como escreveu o coordenador do estudo.
Koichi Ono concluiu que um ritual pode reforçar a si mesmo quando a pessoa sempre volta a repeti-lo seguidamente, sem intervalo, já que nesses casos a probabilidade é maior de que ele ocorra, por coincidência, simultaneamente ao efeito desejado. Como em seu experimento apenas dois sujeitos desenvolveram rituais constantes, ao que tudo indica a “superstição pela recompensa” de Skinner não pode ser tão facilmente transferida de aves para pessoas. Diferentemente dos animais, o homem tem uma ideia bastante clara de como o mundo funciona, de forma que algumas associações lhe parecem plausíveis; outras, por sua vez, absurdas. Mas então, de onde vem nossa tendência a atribuir causas injustificadas a determinados acontecimentos?
Os biólogos Jan Beck e Wolfgang Forstmeier sugeriram em 2007 uma estratégia de aprendizagem simples na qual a superstição surge como produto secundário inevitável. Fundamentalmente, as pessoas supõem uma relação causal quando observam a realização simultânea (uma coincidência) de dois acontecimentos ou ações. Uma ou duas coincidências já bastam para uma suposição como essa. O comportamento supersticioso, portanto, surge de forma relativamente rápida. Inversamente, são necessárias várias repetições da não simultaneidade para destruir uma suspeita.
Na avaliação de coincidências surgem dois tipos de erros:1) Não existe nenhuma relação entre os fenômenos, mas a pessoa a presume mesmo assim. Os estatísticos designam este como
erro do primeiro tipo. 2) Existe realmente uma relação, mas a pessoa a descarta: um erro do segundo tipo. Decisivo para o balanço são os “custos” de cada erro. Por exemplo, um movimento em um capim alto poderia indicar a aproximação de um tigre. Então seria um erro do segundo tipo (ou seja, a ignorância) que traria consequências fatais. Um erro do primeiro tipo seria a fuga rápida, sem pensar muito na questão sobre o que realmente significam as folhas de grama balançando.
MELHOR NÃO CORRER RISCO
Beck e Forstmeier supõem que para seres humanos a visão de mundo e o conhecimento sobre relações causais também influenciam a forma como as coincidências são avaliadas. Quem, portanto, sabe que na região não há tigres naturalmente também não precisa fugir. Essa avaliação, por sua vez, exerce influência sobre o conhecimento de mundo e melhora os fundamentos para todos os julgamentos seguintes. Tais considerações ocorrem extensamente de forma inconsciente e são constantemente reajustadas.
Se a tendência à superstição é uma vantagem para a sobrevivência, ela naturalmente também poderia ser hereditária. No início de 2009, os biólogos Kevin Foster e Hanna Kokko, da Universidade Harvard e da Universidade de Helsinque, respectivamente, publicaram um modelo matemático com o qual calcularam se a herança de comportamentos supersticiosos oferecia vantagens evolucionárias. “Supersticioso” significa aqui que os animais reagem a um estímulo ambíguo preferencialmente como se estivessem diante de um perigo real.
Os pesquisadores partiram do pressuposto de que indícios reais de uma ameaça nem sempre podem ser diferenciadosdos falsos. Um predador que se aproxima sorrateiro pela mata pode ser percebido pelo farfalhar dos ramos, então existe um grande perigo. Mas o vento também provoca o movimento das árvores – uma situação totalmente inofensiva. Se ambos os sons não podem ser diferenciados com certeza, a reação supersticiosa a qualquer farfalhar é a variante mais segura.Com isso, um comportamento aparentemente supersticioso, segundo os pesquisadores, seria uma parte inevitável da capacidade de adaptação de toda espécie animal, inclusive dos humanos.
Caso isso esteja correto, todos os homens deveriam ser supersticiosos na mesma medida, mas a maioria das pesquisas mostra o oposto: a tendência à superstição está distribuída de forma muito desigual e depende também da psique de cada um. Os psicólogos Marjaana Lindeman e Kia Aarnio, da Universidade de Helsinque, perguntaram em 2006 a mais de 200 pessoas se compreendiam afirmações como “móveis antigos conhecem o passado” ou “um pensamento malvado está contaminado” literal ou metaforicamente. Eles queriam, com isso, descobrir se os sujeitos misturavam categorias como “vivo”, “espiritual” ou “inanimado”, ou seja, se atribuíam características imateriais a objetos. Além disso, as pessoas testadas tinham de decidir se, em sua opinião, haveria um sentido por trás de acontecimentos casuais – como por exemplo “os freios do seu carro não funcionam e você bate no carro de um desconhecido, com quem você mais tarde se casa”.
© steve dininno/stock illustration source/getty images
Para muitas crianças costuma parecer estranho que pessoas não "caiam" da Terra, já que o planeta é redondo Resultado: os sujeitos supersticiosos tendiam a atribuir características ou pensamentos espirituais a fenômenos puramente psíquicos. Além disso, presumiam com mais frequência uma intenção em acontecimentos totalmente casuais. Nesses casos, confiavam mais na sua sensação e menos na lógica analítica do que os céticos. Segundo Lindeman e Aarnio, a essência da superstição poderia então consistir em que as pessoas confundam características fundamentais de objetos mentais, físicos e biológicos. Mas como crenças também se alimentam da experiência, a superstição poderia também estar associada às vivências que acumulamos desde nossos primeiros anos de vida.
Os psicólogos Paul Bloom e Deena Weisberg da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, resumiram, em um trabalho de 2007, como a intuição da primeira infância poderia bloquear a compreensão de explicações científicas até a idade adulta. Logo nos primeiros anos de vida, desenvolvemos uma série de ideias sobre o funcionamento do mundo e sobre o comportamento de nossos semelhantes. Crianças muito pequenas já sabem, por exemplo, que as coisas continuam existindo mesmo quando desaparecem de seu campo de visão. Às vezes esses saberes, porém, colidem com os conhecimentos científicos. Por exemplo: as crianças têm consciência de que os objetos caem no chão quando os soltamos, e portanto lhes parece estranho que a Terra possa ser uma esfera. Afinal, as pessoas do outro lado do globo deveriam perder o equilíbrio.
Crianças de 4 anos, por sua vez, procuram em todas as coisas um objetivo – elas perguntam sempre “por que” e “para quê”. Por isso, têm dificuldade de compreender um desenvolvimento evolucionário com base em tentativa e erro. Como concluíram Bloom e Weisberg, as ideias não científicas se mantêm mais provavelmente até a idade adulta quando duas condições são preenchidas: as ideias precisam ser intuitivamente compreensíveis e ter origem em fontes confiáveis. Os autores concluem, com isso, que ideias pseudocientíficas, como o criacionismo, se manterão enquanto autoridades políticas e religiosas as apoiarem.
Thomas Grüter
domingo, 8 de dezembro de 2013
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O NEGRO NA FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO / Darcy Ribeiro
Escravo sendo castigado Debret
O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem um perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso.
(Darcy Ribeiro)
Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia todos os dias do ano. No domingo, podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão.
Sem amor de ninguém, sem família, sem sexo que não fosse a masturbação, sem nenhuma identificação possível com ninguém – seu capataz podia ser um negro, seus companheiros de infortúnio, inimigos –, maltrapilho e sujo, feio e fedido, perebento e enfermo, sem qualquer gozo ou orgulho do corpo, vivia a sua rotina. Esta era sofrer todo o dia o castigo diário das chicotadas soltas para trabalhar atento e tenso. Semanalmente, vinha um castigo preventivo, pedagógico, para não pensar em fuga, e, quando chamava atenção, recaía sobre ele um castigo exemplar, na forma de mutilação de dedos, do furo de seio, de queimaduras com tição, de ter todos os dentes quebrados criteriosamente, ou dos açoites no pelourinho, sob 300 chicotadas de uma vez, para matar, ou 50 chicotadas diárias, para sobreviver. Se fugia e era apanhado, podia ser marcado com ferro em brasa, tendo um tendão cortado, viver peado com uma bola de ferro, ser queimado vivo, em dias de agonia, na boca da fornalha ou, de uma vez só, jogado nela para arder como um graveto oleoso.
Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida através de séculos sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós, brasileiros, somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal que também somos. Descendentes de escravos e senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.
A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os possessos e criar aqui uma sociedade solidária.
(Do livro “O povo brasileiro”, Darcy Ribeiro, editora Companhia das Letras, 1995)
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
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O PASSADO NÃO PODE SER IGNORADO
Observem atentamente e desenvolvam suas próprias críticas.
O filme "Preto Velho - Dona Creuza" mostra um pouco do legado da oralidade na difusão da memória e do conhecimento deixado pelo povo africano e incorporado à cultura brasileira. A narrativa é conduzida pelo empoderamento da palavra de anciões presentes em espaços populares do Rio de Janeiro, principal destino de africanos escravizados na diáspora.
Trabalho Colaborativo
Equipe Canal Molambo: Letícia Santanna, Leonardo Harim, Renan Silva, JV Santos, Gê Vasconcelos, Wagner Novais, Gustavo Guimarães, Eduardo Santos, Jonas Rosa, Marcelo Scofield, Leo Lima, Felipe Vianna, Micael Hocherman, Rafael Martineau, Ciro Mello, Victor Domingues
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
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DEIXAR DE SER RACISTA, MEU AMOR, NÃO É COMER UMA MULATA!
Considerações sobre elogios racistas
Elogio racista é toda demonstração de admiração, afetividade ou carinho que se concretiza por meio de ideias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais conhecidos é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados tanto ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem muito bem os elogios racistas. Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses pequenos monstrinhos, usados inadvertidamente por amigos, familiares. Muitas vezes até por nossos parceiros.
Decidi fazer uma lista com 5 elogios racistas (e sexistas, diga-se de passagem) que muitas de nós escutamos quase que diariamente. Alguns são consenso, acredito. Outros nem tanto. Fico aguardando ansiosa para que você, mulher negra, deixe seu comentário dizendo se também acontece com você. Se concorda, se discorda. E sobretudo, o que você faz para deixar bem claro que o elogio racista pode ser tudo, menos bem-vindo e apreciado.
Adriana Alves é atriz e frequentemente é chamada de morena
01. “Você é uma morena muito bonita”
Esse é o elogio racista que mais escutei em toda minha vida. Minhas primeiras lembranças são do tempo da escolinha. Mesmo mulheres como Adriana Alves ainda são chamadas de morenas, pois se acredita que chamar alguém de negra é uma ofensa racial. Se você precisa se expressar, tente um simples “você é bonita ou atraente”. Ou ainda “você é uma negra linda”, o que, dependendo do contexto pode ser tão ruim quanto.
Mas em hipótese alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Que não é negra. Isto sim é racismo dos graúdos, pura e simplesmente. Quando acontece comigo, digo que não sou morena e nem moreninha, sou n.e.g.r.a. O bom é que, dependendo de como essa resposta é dada, a pessoa já se toca que ela não deveria ter começado o conversê, que simplesmente não estou disponível para esse tipo de diálogo. Nem com conhecidos, muito menos com estranhos.
meu cabelo. Foto Afrobella.
02. “Seu cabelo é muito bonito, posso pegar?”
Há alguns anos atrás, uma senhora ultrapassou todos os limites de uma convivência pacífica ao se aproximar de mim, cheia de dedos, me tocando sem permissão e dizendo que eu tinha uma “peruca muito bonita”. Não retruquei de caso pensado, antecipando seu constrangimento por jamais ter cogitado que uma mulher negra pudesse ter um cabelo comprido, ao natural. Minha vingancinha, e sou dessas, foi olhar aquela expressão de arrependimento por ter percebido o que fez.
Entendo que simples visão de uma negra com cabelo natural pode ser inebriante. Que persiste a completa desinformação sobre o nosso cabelo. Porém, isso não justifica o toque sem permissão. Não importa se é cabelo natural ou não. A menos que você conheça muito bem a pessoa, não toque em seu cabelo sem consentimento. Eu iria mais longe. Para mim a boa etiqueta simplesmente reza que não se deve nem mesmo pedir para tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida.
Alek Wek também é uma modelo de traços delicados
03. “Você tem os traços delicados”
Dizer que uma negra tem traços “delicados” muitas vezes tem a ver com a ideia de que será bonita se tiver uma expressão “fina”, leia-se semelhante a de uma pessoa branca. Como se determinado tipo de nariz (ou bochechas) fosse exclusivamente dessa ou daquela etnia. Uma de suas variantes é outra expressão igualmente racista – “você é uma mulher negra bonita” – algo que ao meu ver é a mesma coisa de dizer que “você é bonita para uma negra”.
Afinal, qual a dificuldade de dizer que uma mulher negra simplesmente é… Uma mulher bonita? Porque Alek Wek tem de ser descrita como uma “mulher negra bonita” enquanto as mulheres brancas são apenas “mulheres bonitas”? Mais uma vez, toda a sutileza do elogio racista. Ele reconhece que você é uma pessoa admirável, mas sempre fazendo questão de te colocar “no seu lugar”, como se algumas fronteiras jamais pudessem ser cruzadas.
Cena de Vênus Negra, de Abdellatif Kechiche
04. “Você tem a bunda linda”
Essa é uma opinião que certamente não é unânime. Faço questão de expressá-la como uma provocação que representa o pensamento de uma parcela significativa de mulheres negras. Para muitas de nós, esse comentário expressa a hipersexualização a que somos historicamente submetidas como exemplifica a triste biografia de Saartjie, denominada a Vênus Hotentote, exposta como atração circense em função da admiração que suas nádegas causaram na Europa do século XIX.Apesar de todo respeito que tenho por tudo aquilo que acontece entre duas pessoas, preciso considerar a tradição racista secular desse tipo de discurso. Trata-se de reduzir a mulher a um pedacinho do seu corpo, desconsiderar sua humanidade, transformá-la num pedaço de carne exposto no açougue como aconteceu e acontece diariamente. Meu conselho é pergunte antes se a mulher a quem você pretende cumprimentar tem a mesma leitura desse tipo de elogio.
Mulata do Leandro de Itaquera
05. “Você é uma mulata tipo exportação!”
Esse elogio ainda o tratamento dispensado à mulher negra no seio da senzala, da casa grande. O pensamento que nos reduz em brinquedos sexuais. Dizer que uma mulher negra é uma “mulata tipo exportação” é esquecer uma tradição escravocrata secular, que transforma a mulher negra em “peça” que alcançará boa cotação no mercado onde a carne mais barata é a nossa. O nome desse mercado é exotificação. Em alguns casos, hiperssexualização.
Infelizmente também estamos falando sobre o modo racista com que as mulatas de escola de samba, mulheres que respeito e admiro, são mostradas e consumidas. Mulheres que levam o samba no pé, no sorriso, na raça. Que, ao invés de serem uma referência de beleza, são vendidas como frutas exóticas na temporada do carnaval. Mulheres que recentemente tem sido preteridas por “personalidades da mídia” em nome de uma pretensa “democracia racial” e muitas vezes com a anuências de algumas agremiações.
____________________________________________________________________________Qual é a sua opinião?
Porém, preciso dizer que os elogio racistas podem (e devem) subvertidos. Quando o assunto são as mulatas de quem já falei aqui, isso é bastante evidente. Ser uma mulata exportação também atesta um padrão de excelência e traduz qualidades como perseverança, força. Minha professora de dança adora dizer que a graça de uma bailarina é diretamente proporcional à sua força. Mulatas são a expressão mais concreta desse enunciado.Por isso fiz questão de usar como título desse post, um trecho do poema de Elisa Lucinda, Mulata Exportação, que resume tudo o que tentei dizer até aqui: “deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata” como muita gente gosta de pensar. E acrescento, “opressão, barbaridade, genocídio, nada disso se cura trepando com uma escura!”. Muito menos tecendo elogios racistas, diga-se de passagem. Quem o diz é a mulata exportação do poema. Sou eu, somos todas nós que já ouvimos essas porcarias.
Confesso que essa lista tem algo de muito pessoal, cujas entrelinhas tem muitas dedicatórias alimentadas por ironia. Nem por isso menos pertinente. Por isso adoraria ouvir a opinião de vocês. Esqueci algum elogio racista que te incomoda? Que te fez espumar de ódio, revirar os zóios e dizer algumas verdades? Você também acredita que esse tipo de comentário, como tudo aquilo que é racista e preconceituoso, diz muito sobre a pessoa que o faz do que sobre a pessoa a quem se destina?
Me conta!
Por Charô Nunes
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