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domingo, 18 de maio de 2014 0 comentários

CHUVA METALICA


Rio de Janeiro, 15 de maio de maio de 2014.
 
Foi assim que passei essa manha - com helicópteros da policia voando baixo frente  a minha janela.
Desde a madrugada muitos tiros na comunidade próxima. A chuva metálica parecia não querer acabar.
Na vizinhança nada da fofoca costumeira nos portões,
 todos pareciam obedecer a mesma ordem invisível de recolhimento.
 Exceto pelo som dos helicópteros e tiros o resto era silencio e olhares atentos com a universal expressão -  MEDO.
 Sou privilegiada, mas como deve ter sido a manha daqueles que moram nos morros e favelas da minha  cidade?

Links indicados: http://jeckmaluca.blogspot.com/2014/05/sobre-guanabara.html

quarta-feira, 1 de maio de 2013 0 comentários

REFORMA PEREIRA PASSOS (curiosidade)


A Fundação Oswaldo Cruz organizou uma série de curtas-metragens animados sobre a mais importante reforma urbano-sanitária pela qual a cidade do Rio de Janeiro passou, a conhecida Reforma Pereira Passos.

1904 marca o início dessa reforma urbano-sanitária implantada pelo prefeito Pereira Passos e pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Alta insalubridade, ruas estreitas, cortiços, a condição da cidade à época era de fato deplorável. Sua elevada concentração urbana, intrinsecamente ligada à transição da mão-de-obra no país, de uma recém abolida escravatura pra o trabalho assalariado dos imigrantes europeus. Libertamos mas não inserimos, não abrigamos. E sabemos também que a Reforma é feita em um momento de intensa turbulência social, percebida principalmente na eclosão da “Revolta da Vacina” (1904), movimento popular que surge em oposição à lei da vacinação obrigatória. Barricadas, ruas em conflito, repressão: era o povo contra o Estado. Venceu aquele que outro dia havia proclamado a República em silêncio, embora dessa vez não tenha encontrado o povo bestializado.

O que poucos sabem é que essa relação não foi em sua totalidade de beligerância (violenta). Na intenção de erradicar doenças como a devastadora peste bubônica (proveniente da pulga dos ratos), o governo encontrou uma solução um tanto curiosa: pagaria 300 réis por cada ratinho capturado e entregue aos sanitaristas!

Mas, espera aí: 300 réis era muito dinheiro? De acordo com algumas fontes, o valor daria para comprar 2 kg de feijão, ou 4 kg de farinha de mandioca. Pensando em uma população cada vez mais marginalizada após a demolição dos cortiços e sem colocação social bem definida após a abolição da escravidão, ou ainda estrangeiros que vinham para o Brasil atrás de oportunidades, pode ser sim um bom dinheiro. E pensem comigo: imagina capturar 40 ratinhos? Já paga as compras de um mês!

E no Brasil essa prática foi bem sucedida? Foi sim. Conseguimos erradicar a peste, só não conseguimos erradicar a malandragem carioca: que tendo em vista a elevada concorrência nesse novo mercado de trabalho e a consequente falta de mercadoria, passam a capturar ratos da cidade vizinha Niterói, ou, os mais empreendedores, trazendo ratos estrangeiros para a cidade. É…viva nossa cidade, que sobrevive em sua malandragem até mesmo nos momentos de mais dificuldade.

Enquanto pensamos, podemos acompanhar a trajetória do pequeno Heitor, um estrangeiro nem tão malandro e nem tão hábil caçador de rato:





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sábado, 30 de março de 2013 1 comentários

O MESTRE-SALA DOS MARES




De  João Bosco e Aldir Blanc
Interpretação: Elis Regina

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e 

chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então

Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias

Glória à farofa
à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos 

jamais

Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do 

cais

Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do 

cais

Mas faz muito tempo






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