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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016 0 comentários

ANTROPOFAGIA VIRTUAL





PORQUE MINHA VIDA NÃO É INTERESSANTE POSTO TUDO QUE FAÇO.
Se posto, logo existo. 
Se NÃO posto, nada sou. 

Por ser idiota faço da minha existência um diário online. Sou psicologicamente desequilibrada, passei da exposição saudável para o completo narcisismo. Sou dependente de likes, joinhas, comentários fúteis e afins. Somente dessa forma me sinto aprovada pelas outras pessoas.

Também gosto de frases feitas e fazer muito barulho por nada.

NÃO GUARDO MINHAS MÁGOAS PARA MIM, PRECISO PUBLICAR. 

Como uma mula dou coices cibernéticos em pessoas que não exponho os nomes nas postagens. Tudo para aumentar o mistério da minha ANTROPOFAGIA VIRTUAL.  



Ás vezes escrevo no Face: ‘estou triste’ ou ‘estou feliz’ abrindo um espaço para outros intervirem e interpretarem da maneira que bem entenderem". MAS NEM TODAS AS PESSOAS QUE TENHO NO FACEBOOK SÃO REALMENTE MINHAS AMIGAS.  

Hashtags resumem minha identidade pessoal, um elemento a mais para  hiperexposição sem graça. Minhas fotografias aparentemente espontâneas,de momentos de descontração, são na verdade a montagem do personagem perfeito, tornando minha vida um evento. Meu big brother. 

POR FIM APELO PARA SUA COMOÇÃO:tenham pena de mim, pois como um drogado inveterado preciso disso. Preciso que você me diga quem sou, já que meu maior envolvimento afetivo é com as redes sociais, o resto é fake.

JAQUELINE RAMIRO

sexta-feira, 11 de março de 2016 0 comentários

AQUI EU SOU NOTADO



AQUI EU SOU NOTADO


Tenho mil razões para não gostar de Facebook, mas a exposição não é uma delas. Quem frequenta as  ditas  redes sócias não está em busca de privacidade e sim de notoriedade. O sujeito quer mostrar ao mundo aquilo que todo nós temos - narcisismo. 

Muitos filósofos  falam sobre o período pós-moderno, o que estamos vivendo hoje, como sendo de incertezas e perda da identidade. Nada é sólido, nem os casamentos, nem nossos empregos, a religião. E teoricamente, por um outro lado  podemos ter tudo, mas se temos   nada é suficiente. Resultado: agitação e angústia, ambiguidade e contradição. 

Agora, onde podemos desabafar essas desagradáveis sensações que se acumulam? 

Muitos dirão automaticamente, no psicólogo, ou no psicanalista. E está certo, mas quantos dos mesmos terão grana e tempo  para pagar a ajuda de um profissional especializado? Poucos, acredito eu.   Mas facilmente temos acesso as redes sócias, hoje elas andam com a gente para todo canto na pequena tela de um celular. Com um click entramos em um ambiente mágico onde o ar parece menos denso, onde é mais fácil fingir ser o que gostaríamos de ser - FELIZES. 




Facebook, whatsapp... é o remédio barato que vai na bolsa. Ainda que não resolva meu problema de me sentir sozinho, triste, não notado, servirá como placebo. É a droga perfeita. E como toda droga quanto mais se usa, mas se quer. 

Foto de comida, foto na academia,  foto no banheiro nessa fantasia querem dizer: Vivo com fartura - sou bonito - não tenho medo da opinião alheia. 
SELF- SELF-  SELF: preciso ser amado, preciso ser notado, preciso que vocês  me digam quem eu sou. 

Agora você vai dizer: uhm tenho uma amiga que vive postando foto de comida, o fulano de academia...
Pois é, na defesa do ego segundo Freud  a primeira alternativa é negar e  outra é apontar o coleguinha ;  a isso chama-se "projeção" consiste em atribuir a outros as ideias e tendências que o sujeito não pode admitir como suas.

Minha gente o problema não é expor sua vida ou mesmos suas inquietações nas redes sócias, isso não fará de você um anormal (um louco) e sim o modo como se expõe e se você está apito à segurar as prováveis consequências que podem ser boas ou más. 

A grosso modo todos somos seres mal amados, Todos sofremos, sentimos medo e procuramos fugas de uma realidade extremamente dolorosa. Seja nas redes sociais ou na realidade. Uns postando foto de comida outro exibindo o corpo em profundos decotes.  Por isso as redes sócias são um sucesso. 

JAQUELINE  RAMIRO
domingo, 27 de abril de 2014 1 comentários

ERA DO PLACEBO



O perdão só é bonitinho nas histórias contadas sobre cristo.


As pessoas pensam estarem se curando de alguma coisa, mas não estão. Procuram remédio para: solidão, inveja, covardia, medo, ira...para o amor. Porém nada é suficiente. Inevitavelmente todos sentem alguma estranha ausência. Sempre falta algo.

Desejam demais o  poder, fazem qualquer coisa para consegui-lo. O problema é que elas querem alcançar o poder jogando MONOPOLY  e monopoly é apenas um jogo. Em qualquer canto dessa terra se houver dois seres humanos um irá se sobrepor ao outro. A maioria das pessoas não param para pensar nisso de forma intelectualizada, no entanto, parecem carregarem essas ações em seu DNA.

Todos sentem-se machucados, agredidos de algum modo e mesmo os que não admitem desejam vingança. É bem mais fácil retribuir à agressão com um machado. O perdão só é bonitinho nas histórias contadas sobre Cristo.

Para controlar os sintomas desse demônio chamado homem, as pessoas procuram antídotos incutidos na sociedade. Porções mágicas como: "consciência social", "crise sociais", "redes sociais" com suas frases feitas, músicas de uma frase só e com o mesmo ritmo. Acham que com tais atitudes passam a fazer parte do grupo. Acham-se curadas - que encontraram remédio para a solidão - o algo que falta.  Uma grande parte recorre não apenas ao remédio sistêmico, mas também à anestesias como: álcool e drogas sintéticas.

O grande mal dessa coisa toda é que infelizmente estão consumido placebo. Quando acordão a sensação é a mesma da manhã anterior. Sentem o mesmo vazio de sempre.

Por: Flávio Tavares




 
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