2c6833b0-77e9-4a38-a9e6-8875b1bef33d diHITT - Notícias Sou Maluca Sim!
quinta-feira, 5 de abril de 2012 0 comentários

Três Tesouros Perdidos/conto


Uma tarde, eram quatro horas, o sr. X… voltava à sua casa para jantar. O apetite que levava não o fez reparar em um cabriolé que estava parado à sua porta. Entrou, subiu a escada, penetra na sala e… dá com os olhos em um homem que passeava a largos passos como agitado por uma interna aflição.

Cumprimentou-o polidamente; mas o homem lançou-se sobre ele e com uma voz alterada, diz-lhe:

— Senhor, eu sou F…, marido da senhora Dona E…

— Estimo muito conhecê-lo, responde o sr. X…; mas não tenho a honra de conhecer a senhora Dona E…

— Não a conhece! Não a conhece! … quer juntar a zombaria à infâmia?

— Senhor!…

E o sr. X… deu um passo para ele.

— Alto lá!

O sr. F… , tirando do bolso uma pistola, continuou:

— Ou o senhor há de deixar esta corte, ou vai morrer como um cão!

— Mas, senhor, disse o sr. X…, a quem a eloqüência do sr. F… tinha produzido um certo efeito, que motivo tem o senhor?…

— Que motivo! É boa! Pois não é um motivo andar o senhor fazendo a corte à minha mulher?

— A corte à sua mulher! não compreendo!

— Não compreende! oh! não me faça perder a estribeira.

— Creio que se engana…

— Enganar-me! É boa! … mas eu o vi… sair duas vezes de minha casa…

— Sua casa!

— No Andaraí… por uma porta secreta… Vamos! ou…

— Mas, senhor, há de ser outro, que se pareça comigo…

— Não; não; é o senhor mesmo… como escapar-me este ar de tolo que ressalta de toda a sua cara? Vamos, ou deixar a cidade, ou morrer… Escolha!

Era um dilema. O sr. X… compreendeu que estava metido entre um cavalo e uma pistola. Pois toda a sua paixão era ir a Minas, escolheu o cavalo.

Surgiu, porém, uma objeção.

— Mas, senhor, disse ele, os meus recursos…

— Os seus recursos! Ah! tudo previ… descanse… eu sou um marido previdente.

E tirando da algibeira da casaca uma linda carteira de couro da Rússia, diz-lhe:

— Aqui tem dois contos de réis para os gastos da viagem; vamos, parta! parta imediatamente. Para onde vai?

— Para Minas.

— Oh! a pátria do
fg(517,’Tiradentes’)
Tiradentes! Deus o leve a salvamento… Perdôo-lhe, mas não volte a esta corte… Boa viagem!

Dizendo isto, o sr. F… desceu precipitadamente a escada, e entrou no cabriolé, que desapareceu em uma nuvem de poeira.

O sr. X… ficou por alguns instantes pensativo. Não podia acreditar nos seus olhos e ouvidos; pensava sonhar. Um engano trazia-lhe dois contos de réis, e a realização de um dos seus mais caros sonhos. Jantou tranqüilamente, e daí a uma hora partia para a terra de
fg(167,’Gonzaga’)
Gonzaga, deixando em sua casa apenas um moleque encarregado de instruir, pelo espaço de oito dias, aos seus amigos sobre o seu destino.

No dia seguinte, pelas onze horas da manhã, voltava o sr. F… para a sua chácara de Andaraí, pois tinha passado a noite fora.

Entrou, penetrou na sala, e indo deixar o chapéu sobre uma mesa, viu ali o seguinte bilhete:

“Meu caro esposo! Parto no paquete em companhia do teu amigo P… Vou para a Europa. Desculpa a má companhia, pois melhor não podia ser. — Tua E…”

Desesperado, fora de si, o sr. F… lança-se a um jornal que perto estava: o paquete tinha partido às oito horas.

— Era P… que eu acreditava meu amigo… Ah! maldição! Ao menos não percamos os dois contos! Tornou a meter-se no cabriolé e dirigiu-se à casa do sr. X…, subiu; apareceu o moleque.

— Teu senhor?

— Partiu para Minas.

O sr. F… desmaiou.

Quando deu acordo de si estava louco… louco varrido!

Hoje, quando alguém o visita, diz ele com um tom lastimoso:

— Perdi três tesouros a um tempo: uma mulher sem igual, um amigo a toda prova, e uma linda carteira cheia de encantadoras notas… que bem podiam aquecer-me as algibeiras!…

Neste último ponto, o doido tem razão, e parece ser um doido com juízo.

Machado de Assis
Conto originalmente publicado em A Marmota (1858)
************************************************
OBS: Machado de Assis escreveu esse texto quando ainda tinha apenas 19 anos de idade.
0 comentários
Reprodução de email enviado a mim pela Comissão de Controle do PCdoB. Observem:



A comissão de Controle do PCdoB do Municipal do Rio de Janeiro, comunica a Camarada Jaqueline da Silva Ramiro que tendo em vista que a mesma foi ouvida por essa comissão no último dia 30 de março sexta – feira; como rege o Estatuto do Partido Comunista do Brasil; artigo 40º, referente AO DE apresentação de sua DEFESA com apresentação de provas.

Tem um prazo de 7 (sete) dias contanto PARTIR do dia que a camarada foi ouvida pela comissão.

Visto que a camarada dispõe do DINHEIRO DA PASSAGEM cedido por esse organismo, no Dia 30/03/2012 está comissão aguarda até o termino do prazo para a finalização dos trabalhos.

Saudações Socialistas


Comissão de Controle


********************************************************

Vocês sabem meus amigos que sou péssima em língua portuguesa, porém o descuido do texto acima acabou me chamando a atenção.

- Já na primeira frase existe uma virgula separando sujeito do verbo, isso pode?

- ainda na mesma frase o uso do "que" completamente desnecessário.

- depois a pérola "referente ao de apresentação"???

- "apresentação de sua defesa" Sendo eu quem está fazendo a denúncia e a realização da comissão sendo para acolher as tais denúncias feitas por mim tenho de me defender? E de que?

- onde escreveram "contanto" acredito deva ser contando.

- "partir" deva ser a partir.

- a palavra "camarada" como está substituindo um nome não ficaria melhor escrita com letra maiúscula?

- no apelo jogam mais uma vez na minha cara o dinheiro da passagem " dispõe do dinheiro da passagem cedido por esse organismo" Como sendo essa a única razão para que eu deixa-se de ir a uma Comissão comprovadamente tão arbitrária.

- "Dia" com letra maiúscula deve ser um recurso para deixar em destaque a data.

- depois da saudação já que o documento foi escaneado deveria apresentar a assinatura dos responsáveis, ao menos os nomes desses.

Bem gente sou bem dizer uma analfabeta funcional e tenho todos aqueles déficits de quem estudou a vida inteira em escola pública, mas acredito que um documento de seriedade, representando a Comissão de Controle do PCdoB deveria ter sido escrito com mais cuidado. Porque isso está pior do que jogo dos 7 (sete) erros. E depois sou eu quem não é levada a sério!


Fonte das imagens: google imagens

Links indicados:

Cabo Eleitoral de Luxo

TRETRAS E FALCATRUAS

O Organizador era Deus!

Willy Wonka JC

É lobo velho essa Chapeuzinho Vermelho já não é ma...

"União de Mulheres" parte1

quarta-feira, 4 de abril de 2012 0 comentários

CARÊNCIA




Galerinha não pude me conter. Percebi que a pessoa meio que rimava as palavras nos comentários feitos no meu Facebook e acabei fazendo esse versinho:

Ando com carência de justiça
ando com carência de verdade
ando com carência de amizade
ando com carência de gente como a gente
carência de solidariedade

Ando aflita
carência de encontrar outros comunistas
ando com as carências do povo brasileiro
carência de dinheiro
carência de pão e de cidadania
Ando com carência de respeito
daqueles que deveriam dar o exemplo
mas roubam o país inteiro.

Há quem ache a roubalheira bonita
cada um defende a sua classe
Como negra e favelada fui para política
defender de verdade o interesse do pobre
e cai nema cilada

Ando com carência do tempo em que dignidade
não se resumia a números em uma conta bancária
pois a minha está zerada

Ando com carência de quase tudo
e deixando de lado a rima
só não tenho carência de homem
porque o *** do meu marido é novinho e grandão
Sra. Beth Rezende muito obrigada pela sua preocupação!


1 comentários

MADUREIRA, CAMPINHO, OSWALDO CRUZ



Oswaldo Cruz e Madureira são parte do que outrora se chamou Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, corruptela de termo tupi yra-yá, ou o "lugar de onde brota o mel". Criada em 1647, a freguesia compreendia boa parte das terras situadas no sertão carioca, na antiga sesmaria concedida inicialmente a Antônio de França, em 1568. Até a primeira metade do século XVIII, essas terras trocaram de mãos diversas vezes, sempre por meio de concessões reais, e desmembradas em fazendas menores. Nesse longo período, a produção de vastas lavouras movimentou os portos dos rios Meriti Pavuna, por onde passavam faluas carregadas com açúcar e aguardente. Sem as facilidades das freguesias situadas mais próximas à baía, o recôncavo foi sendo cortado por caminhos abertos pelas tropas de muares que viajavam regularmente pela região. Nas terras destinadas principalmente ao engenho de cana-de-açúcar, desenvolvia-se a cultura de milho, mandioca e feijão, e uma pequena criação animal. O movimento pelos sertões fluminenses garantiu ainda o surgimento de uma discreta indústria, representada por olarias e fundições.

O local onde hoje estão os bairros de Madureira e Oswaldo Cruz eram originalmente parte da Fazenda do Campinho, concedida a Dona Maria de Oliveira em 1617, e passaria às mãos do capitão Francisco Inácio do Canto, em 1800.
No local existiu o antigo Forte de Nossa Senhora da Glória do Campinho, erguido em 1822 e desativado em 1831. Surgido na mesma época de outras fortificações, a construção militar guardava a região contra possíveis ataques vindos pela Baía de Sepetiba. Com efeito, uma pequena guarnição permaneceu ali até 1851, incumbida de preservar o material aquartelado. Nesse mesmo ano, instalou-se no local a Fábrica de Artigos Pirotécnicos do Exército, que funcionou até 1900. A partir dessa data, o Quinto Regimento de Artilharia de Campanha ocupou o lugar, que teve várias denominações daí em diante. entre eles 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado, mas ficou  mais conhecido como o Quartel do Campinho.



(Forte Nossa Senhora da Glória do Campinho)


No vale do Rio das Pedras, mais a oeste da Freguesia do Irajá, situava-se a fazenda do português Miguel Gonçalves Portela - um grande engenho de cana-de-açúcar que produzia aguardente e rapadura. Conhecido como Engenho do Portela, a região passaria a chamar-se, já no século XVIII, Fazenda do Portela. O Engenho fazia limite com a propriedade de Lourenço Madureira, cujo nome seria escolhido para batizar o futuro bairro.
História curiosa a do boiadeiro Lourenço. Ele estabelecera ali uma roça de mandioca e milho, fazendo prosperar as terras que arrendou do Capitão Inácio do Canto, o poderoso proprietário da Fazenda do Campinho. Lourenço conquistou o respeito e a admiração da população local pelo grande desenvolvimento que levou para a região. A fama do boiadeiro também cresceu por conta do posterior litígio com a viúva de Inácio do Canto, Dona Rosa Maria dos Santos, falecida em 1846. A disputa transformou Lourenço no protagonista do primeiro processo legal por posse de terras no Rio de Janeiro, o que certamente granjeou alguma simpatia popular. Sua fazenda, dividida em glebas que, mais tarde, deram origem a Madureira, fora ocupada por muitas chácaras, situadas entre os Engenhos do Portela e o Engenho de Fora.

Justamente numa dessas chácaras, pertencente à Dona Clara, viúva de Domingos Lopes - político influente na então freguesia do Irajá - seria construída, em 1896, a estação de trem que recebeu o nome da benfeitora, pois Dona Clara cedera parte das terras para que se erguesse a estação, bem próxima da atual Estação Madureira. Com o progresso da localidade, a pequena parada de Dona Clara chegou a ser elevada à categoria de estação , mas funcionou por apenas um ano. Ali, os trens suburbanos passaram a fazer a volta, deixando de retornar ao antigo "giratório" de Cascadura, onde toda a composição,vagão por vagão, fazia lentamente o retorno. Em 1897, inaugurou-se o ramal circular dos subúrbios, extinguindo-se a antiga parada. Um trecho da linha férrea separava-se da linha um pouco antes da Estação Madureira e reencontrava o principal um pouco mais adiante. Nos vagões de madeira que ali faziam a volta até a chegada dos elétricos em 1937, conta o historiador 
Brasil Gerson, viajava-se de primeira e segunda classes:

"A primeira, ainda durante alguns anos neste século com poltronas de couro, e sendo a de segunda mais acessível que antes aos pobres, 200 réis até Cascadura, o dobro, contudo, do preço de um jornal, ao contrário dos 500 réis do século anterior."
(O ramal de Dona Clara fazia o percurso em azul mostrado acima.)

Até 1893, quem ia ao Campinho utilizava o lombo dos animais ou as carretas, os meios de transporte disponíveis. Por essa época, a Estrada de Ferro Central do Brasil chegava somente até Cascadura e, daí, fazia um desvio que conduzia à Fábrica de Artigos Pirotécnicos do Exército, no atual Largo do Campinho. A fábrica que chegara a ser composta de 40 edifícios, depósitos e oficinas, iria transferir-se para Realengo, e, adquirindo grandes proporções, passa a se chamar Fábrica de Cartuchos. A fábrica deu início a um certo desenvolvimento do lugar. Surgiram ali pequenas propriedades agrícolas: o que era produzido, era transportado até regiões mais urbanizadas em lombo de animais, ou, principalmente, usando a Estação Laboratório, como era conhecida então a parada da Fábrica do Exército. Mas, apesar da importância geográfica do Campinho, Cascadura foi a região escolhida para a instalação de uma das quatro primeiras estações da Estrada de Ferro Dom Pedro II da região, 1858.

A estação Dona Clara desapareceu, mas a antiga proprietária teve justa homenagem, batizando a rua que começa na Domingues Lopes e termina na Carlos Xavier. Não muito longe dali está a pequena Praça Inácio do Canto - lembrando o nome do primeiro proprietário daquelas terras, na confluência das ruas Tomé Alvarenga, Capitão Couto Mendes e Felipe Frutuoso.

O ramal de Dona Clara fazia o percurso em azul mostrado acima. A linha em vermelho é a linha do centro e a parte verde-escuro é o tamanho real da estação de Madureira, de onde saía o ramal de Dona Clara.

Sob a administração de Ricardo de Albuquerque o trem chegou em Madureira, em 1890. A ramificação ficou completa em 1898 com a inauguração da Linha Auxiliar, inicialmente chamada Inharajá e, hoje, a importante Estação de Magno, assim chamada em homenagem ao engenheiro Alfredo Magno de Carvalho.
Madureira foi se tornando um importante eixo ferroviário, fiel a uma vocação que remontava aos tempos em que fora também o mais importante ponto de convergência das estradas rurais, parada obrigatória dos viajantes. As modificações decorrentes dessas primeiras estações, contudo, ainda não eram suficientes para transformar a aparência do futuro bairro, ainda fracamente urbanizado nos primeiros anos do século XX.


(Estação de Madureira em 1909)

Parte do pátio da estação de Madureira em 1909. Reparar nas casas ao fundo, de construção bem típica da Central do Brasil nessa época. Alguma ainda existiria hoje? 

A partir da inauguração do mercado ao lado da Estação de Magno, em 1914, as mudanças deram início e Madureira firmou-se como principal centro para os comerciantes e lavradores das redondezas.
Nessa época, Madureira passou a ser servida pelo bonde puxado a burro, o que durou até 1929 quando a eletricidade chegou à linha que ia até Irajá.
Em 1937, com eletrificação dos trens suburbanos da Central, inaugurada pessoalmente elo presidente Vargas, Madureira consagrava-se a "capital do subúrbio" carioca, um destaque merecido que se mantém até hoje não só por sua posição geográfica privilegiada, comércio e transporte abundantes, como por suas tradições culturais.
Deixando pra trás a vocação rural, o bairro iniciava um processo de urbanização que o transformou no mais forte núcleo comercial e cultural da zona norte carioca. Se no Censo de 1920 Madureira sequer figurava como bairro, duas décadas mais tarde um novo Censo registraria expressivo crescimento: 111.300 habitantes onde antes se contavam somente 27.106.

Em 1950, de acordo com novo recenseamento, a população havia aumentado 41%, sendo bem menor a parcela de pessoas ligadas às atividades agropecuárias, o que atesta a crescente urbanização, determinada - é claro - pelo avanço das atividades industriais e comerciais em toda a região. A Fábrica de Biscoitos Piraquê, por exemplo, inaugurada em 1950 na região hoje denominada Turiaçu, deu grande impulso ao bairro.
A abertura da Avenida Brasil, ainda nos anos 1940 e, sobretudo, a inauguração do Viaduto Negrão de Lima, sobre os trilhos da estrada de ferro, em 1958, foram decisivas para o crescimento da região, que ainda no tempo do Estado da Guanabara possuía a maior densidade populacional do subúrbio e era a segunda em arrecadação de impostos do Estado.
O ritmo acelerado de crescimento se manteve: desde 1962, Madureira tornou-se a 15ª Região Administrativa, englobando os bairros vizinhos de Marechal Hermes, Bento Ribeiro, Honório Gurgel, Rocha Miranda, Vaz Lobo, Turiaçu, Cascadura, Quintino Bocaiúva, Engenheiro Leal, Cavalcanti, Oswaldo Cruz e Campinho.
Da freguesia aos fregueses

As mudanças que levariam a região a desfrutar tão proeminente posição entre os subúrbios do Rio obedeceram sobretudo à cadência do desenvolvimento do transporte ferroviário e dos bondes. Foi essencialmente por isso que a antiga região agrícola tornou-se uma zona residencial.
A partir da inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1858, à medida que novas estações ferroviárias iam surgindo, apareciam também loteamentos que atraíam uma classe média urbana que já não podia arcar com os custos habitacionais do centro.
Algumas estações de bondes também foram criadas para atender aos novos moradores, em iniciativas como a da Companhia Ferro Carril de Jacarepaguá, aberta em 1873 para ligar Cascadura a Jacarepaguá, passando pelo Campinho. Já tinha a Linha Circular Suburbana Tramways, inaugurada em 1905, com quase seis quilômetros de extensão, fazia a ligação entre Madureira e Irajá.

A população que ocupava as terras da antiga freguesia era até então formada sobretudo por ex-escravos e seus descendentes, provenientes das fazendas da região do Vale do Paraíba, do interior de Minas Gerais, e de fazendas do interior do próprio Rio de Janeiro. A vida, naquela época, era marcadamente rural, organizada em torno das festas religiosas, da música e da dança de origem africana, ainda que com alguma influência portuguesa.
Em 1898, quando a Estrada de Ferro Dom Pedro II passou a chamar-se Central do Brasil, foi inaugurada a estação Rio das Pedras, atual Oswaldo Cruz. Mas a ocupação do bairro por remodelado pela prefeitura de Pereira Passos - só ganharia força entre os anos de 1905 e 1920. Paulo Benjamin de Oliveira, um menino negro que deixara a Saúde para morar com a família em Oswaldo Cruz, chegou em 1920. Ele, o legendário Paulo da Portela, seria uma das mais importantes lideranças da região e personagem fundamental na história do samba carioca.

Paulo da Portela


Ainda nessa época, Madureira e Oswaldo Cruz eram localidades bucólicas, com propriedades simples e acolhedoras, enfeitadas por mangueiras e abacateiros. Aquelas vielas, abertas ao longo da Estrada da Portela em direção à Estrada do Sapê, quase em Rocha Miranda, só iriam tornar-se logradouros públicos, reconhecidos pela edilidade, em 1917. A vida da comunidade ia, aos poucos, organizando-se mesmo em torno dos hábitos religiosos, das festas, da música e do futebol.

Ao contrário de Oswaldo Cruz, Madureira ganhou formidável impulso com a chegada dos trilhos da estrada de ferro, no final do século XIX. A Linha Auxiliar da Central do Brasil garantia a facilidade de acesso à região. A inauguração da Estação de Magno assegurou a independência do bairro com relação ao Centro da cidade. Mas não só a malha ferroviária traria esse progresso. Décadas mais tarde, o Mercadão tornou-se o agente fundamental de uma nova onda de desenvolvimento de Madureira.
Ao menos é o que se comprova pela leitura da mensagem dirigida à Câmara de Deputados em 1929 pelo prefeito Prado Júnior. Assim o líder do Distrito Federal anunciava a importância do Mercado, prestes a ser inaugurado:
"Será dotado dos melhores requisitos, constituindo um tipo de modelo, a servir de paradigma, quer para a melhoria e aperfeiçoamento dos demais já existentes, quer para orientar a construção de futuros mercados."

Mercadão de Madureira


O Mercado de Madureira, mais conhecido como o Mercadão, começa sua história em 1914, com as concessões dadas pelo então prefeito Bento Ribeiro para que os diversos bairros instalassem seus próprios mercados. Madureira também teve seu espaço inicialmente ocupado por mercadores do próprio bairro e de Cascadura, numa soma de esforços. Por conta da fusão, foi necessário ampliar. A Light cedeu então um terreno na Rua Oliveira Maia, onde se inaugurou o empreendimento, já na gestão do prefeito Amaro Cavalcanti.
Com a duplicação da Linha Auxiliar e a abertura da Estação Magno, o terreno foi requisitado pela Central do Brasil, transferindo-se o Mercadão, em 1916, para a Avenida Ministro Edgard Romero. Em 1929, com o apoio do prefeito Prado Júnior, iniciam-se as obras de ampliação daquele que seria o maior centro de distribuição de alentos da região. Vinte anos mais tarde, o prefeito Mendes de Morais promoveu importante melhoria ao implantar 26 boxes no centro do mercado para que fossem utilizados pelos próprios produtores, acabando com a ação dos intermediários que encareciam as mercadorias. Em 1959, o Mercadão é reinaugurado, em grande estilo, por Juscelino Kubistchek no atual endereço da Edgard Romero.
O surgimento da Ceasa em Irajá, em 1974, forçou o Mercadão a diversificar seus artigos, de modo a fazer frente à concorrência. Surgiram, assim, lojas e boxes com artigos religiosos. Isso, contudo, não alterou o perfil do mercado, reforçando, ao contrário, sua importância não só para a população da zona norte, bem como atraindo comerciantes e clientes das zonas centro e sul da cidade.
Em janeiro de 2000, um incêndio destruiu todas as instalações do Mercadão, deixando a população e as autoridades municipais consternadas. A comoção demonstrou a importância do Mercadão para Madureira e para o Rio - uma referência comercial e um elemento de identificação cultural da cidade. Hoje, após um esforço coletivo de reconstrução, o Mercadão está modernizado. Cerca de 70 mil pessoas por dia circulam por suas galerias climatizadas, servidas por escadas rolantes, onde se destacam as inúmeras lojas de artigos de umbanda e candomblé, que transformaram o Mercadão no principal centro de comércio de ferramentas e paramentos rituais. Mesmo depois de tantas mudanças, o Mercadão mantém a mesma atmosfera simpática e popular que garantiu seu lugar no coração carioca.
Madureira e Oswaldo Cruz, celeiro de bambas e de craques
"Para sambar em Madureira, vem gente até de Bangu". Os versos de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, no clássico Vou sambar em Madureira, de 1946, atestam a importância do bairro na história do samba. Ao lado da consagração de Madureira como pólo comercial do Rio, surge a grandiosa vocação do bairro para a arte popular. Madureira e Oswaldo Cruz são o berço de três grandes escolas do Rio de Janeiro: a Portela e o Império Serrano e, mais tarde, a Tradição, de Campinho.
A Escola de Samba Portela, de Oswaldo Cruz, nasceu do bloco Vai como Pode, em 1923. Ela introduziu nos desfiles as alegorias, em 1929, e o samba de enredo em 1931, além de outras inovações na bateria e nos passos, muitos até incorporados por outras escolas. A azul-e-branca é a escola que possui mais títulos de campeã dos desfiles. Entre 1941 e 1947, obteve sete títulos consecutivos, voltando a ser campeã em 1953, e entre 1957 e 1960. Vitoriosa ainda em 1962, 1964, 1966 e 1970. Nos anos 1980 e 1984, dividiu o primeiro lugar com outras agremiações. Outro gigante do carnaval carioca, a Império Serrano, nas cores verde e branco, fundada em março de 1947 por um grupo dissidente da extinta Escola de Samba Prazer da Serrinha, campeã logo nos quatro primeiros anos em que participou dos desfiles, de 1948 a 1951. Voltou ao primeiro lugar em 1955, 1956, 1972 e, em 1982, consagrou-se com o antológico enredo Bum Bum Paticumbum Prugurundum. Já a Tradição surgiu de uma dissidência da Portela em 1984, fundada por Nésio Nascimento, filho de Natal da Portela, e pai da não menos famosa porta-bandeira Vilma.
Mas não só o samba garante a fama de Madureira. Por iniciativa de vários comerciantes locais surgiu o Madureira Atlético Clube, substituindo o Fidalgo Atlético Clube. Como data de fundação, consta 08 de agosto de 1914, que era o dia do surgimento do Fidalgo. Mas a nova agremiação nasceu mesmo em 16 de fevereiro de 1933. No emblema e nos uniformes, a agremiação adotou, além do amarelo, a cor azul do Magno Futebol Clube e o grená, do Fidalgo Futebol Clube. A combinação inspirou os versos criados por Lamartine Babo para o Hino do clube:
"És Madureira, nosso castelo,
a nossa Catedral, ideal
sol de muitos anos
dos tricolores suburbanos."

(Madureira Esporte Club e Che Guevara)

Quem poderia imaginar que, em 1963, o revolucionário Ernesto Che Guevara, na época Ministro da Indústria de Cuba, foi assistir a uma partida do Madureira Esporte Clube. A fotografia acima foi tirada na ilha de Fidel quando o tricolor do subúrbio carioca fazia uma excursão mundial. O clube aproveitava a valorização do Brasil depois da conquista da Copa do Mundo de Futebol de 1962. O Madureira participou de cinco jogos em Cuba, aplicando goleadas. Apesar das derrotas, os cubanos apreciaram a visita dos brasileiros à Havana. Um belo relato do fascínio gerado pelo futebol.

Com o objetivo de ampliar a atividade esportiva do clube, em outubro de 1971 foi criado o Madureira Esporte Clube, resultado da fusão entre o Madureira Atlético Clube, Madureira Tênis Clube e Imperial Basquete Clube. Ao longo de sua história, o Madureira sempre foi considerado um celeiro de craques, formando profissionais que chegaram até a integrar a Seleção Brasileira. Dali saíram, entre outros, Didi - o inventor da folha-seca, Evaristo, Jair da Rosa Pinto, Isaías, Lelé, Nair e Nelsinho. Mais recentemente, o tricolor suburbano deu novas crias, como os jogadores Marcelinho Carioca e Iranildo.


Este texto é parte do guia Madureira e Oswaldo Cruz, pertencente à coleção Bairros do Rio, publicado pela Editora Fraiha [ fraiha.@dh.com.br ]
terça-feira, 3 de abril de 2012 0 comentários

Méier- bairro



As terras do atual bairro do Méier faziam parte do Engenho Novo dos Jesuítas, que abrigava, no início do século XIX, a extensa “Quinta dos Duques”, de José Paulo da Mata Duque Estrada e Dulce de Castro Azambuja. A filha do casal, Jerônima Duque Estrada, casou-se com o “guarda roupas do Paço”, Comendador Miguel João Meyer, descendente de alemães, e tiveram nove filhos. O primogênito, Augusto Duque Estrada Meyer, se destacou como acompanhante do Imperador Dom Pedro II, recebendo o título de “Camarista” e extensas terras abrangendo desde a Estrada Grande (atual Dias da Cruz) até a Serra dos Pretos Forros, em cujo sopé ficava a sede de sua Fazenda São Francisco (no final da atual Rua Camarista Méier).

O Camarista Meyer abriu várias ruas em suas propriedades, dando a elas nomes de seus familiares –Carolina Meyer, Frederico Meyer, Joaquim Meyer etc - e formando o novo bairro, já então conhecido como Meyer. Em 1879, por iniciativa de Lucídio Lago, a Companhia Ferro-Carril, com tração animal, cruzou o Meyer. Somente em 1907 chegaria a tração elétrica, com a linha Engenho de Dentro - Largo de São Francisco.

Em 13 de maio de 1889, foi inaugurada, na Estrada de Ferro Dom Pedro II (Central do Brasil), a Estação do Meyer, devido ao aumento da população e dos loteamentos recém abertos. O bairro crescia de forma precária – chegou a sofrer duas epidemias de cólera – e, com o tempo, seu nome foi aportuguesado para “Méier”. À medida que era saneado, mais moradores chegavam, de tal maneira que as autoridades o elevaram a 18° Distrito da Cidade do Rio de Janeiro. Daí para frente progrediu rapidamente e vários estabelecimentos surgiram.

O comércio deu vida própria ao Méier com grandes lojas, casas tradicionais e magazines. A Rua Dias da Cruz tornou-se o principal eixo do bairro que, com a abertura do Shopping Center do Méier, consolidou-se como importante centro dos subúrbios adjacentes, abrigando o Hospital Salgado Filho, o Colégio Metropolitano, a Biblioteca Municipal Agripino Grieco, o Sport Clube Mackenzie, a Igreja Batista do Méier, a Igreja Sagrado Coração de Jesus, a União Espírita Suburbana e o “Baixo Méier”, local de concentração de bares com intenso movimento noturno.


Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280 de 23 de agosto de 1985.

.* Resumo da história dos 159 bairros existentes na cidade do Rio de Janeiro, segundo levantamento realizado pelo Instituto Pereira Passos, vinculado à Prefeitura do Rio e à Secretaria Municipal de Urbanismo.
0 comentários

CONCURSO PÚBLICO PARA A PRF



Essa postagem é especialmente para você que gastou aquela grana preta   pagando cursinho preparatório
e morreu em mais uma grana para pagar a prova da PRF.

Não quero faltar com respeito a você, só estou contando que a gente vê na política enquanto os meros mortais apenas desconfiam, falo da certeza daquilo que os outros só ouvem falar ou suspeitam.

Vamos a nossa "estória" de hoje:

Era uma vez uma instituição localizada em Botafogo, cidade do Rio de Janeiro responsável pela elaboração e distribuição de gabaritos das principais provas dos concursos públicos. Não preciso dizer que os dirigentes dessa instituição por coincidência pertencem ao um mesmo partido político.

O PCdeB (Partido Corrupto de Bosta).

Diferente de você ou eu,
muitas pessoas trabalham nessa instituição sem nunca terem passado por um concurso público.
Elas são agraciadas com essa regalia pelo que o partido em questão chama de cargo de confiança.

O problema é que tem gente que por ocupar cargo de confiança acredita ter ganhado super poderes,
se empolga e acaba fazendo besteira.

Uma senhora a qual aqui chamarei de M... ocupava um desses cargos de confiança e em meio ao seu trabalho encontrou um chamativo envelope pardo contendo os gabaritos das provas para a PRF.

Foi um grande achado e a Sra.M... se sentiu muito feliz e resolveu compartilhar as informações daquele envelope com outros coleguinhas.

Ai foi um tal de liga para um, liga para outro... até que começaram a aparecer reportes na porta dessa instituição, que fica enfrente ao shopping da torre, querendo maiores esclarecimentos sobre um suposto gabarito de uma prova tão importante que teria vazado.

Coitada da Sr. M... ela não sabia que o conteúdo daquele envelope deveria chegar primeiro nas mãos de figurões os quais já tinham previamente pagado pelas informações ali contidas.

Óbvio que os dirigentes dessa instituição, em especial o senhor JCdeC  depois de ter um monte de reportes perturbando a ordem natural das coisas teve de tomar uma decisão enérgica. Dá um cala boca nos reportes com o conhecido  "Faz-me rir" . Apelar para a influências dos contatos do partido junto a ABI Manter a prova e despedir a infeliz da Sra.M...

Mas ninguém precisa ficar triste com a demissão da Sra.M... tá. Como eu tinha dito antes. Os dirigentes dessa instituição por "coincidência" pertencem a o mesmo partido e os seus indicados a cargos de confiança também são do PCdeB (Partido Corrupto de Bosta).
Então Sra. M... tirou apenas uma pequena e merecida férias antes de ser indicada para outro cargo em outra instituição favorecida pelo partido, é cloro.

Enquanto isso gente como eu e você ficamos aqui pagando cursinhos, pagando provas, nos matando de estudar, ralando como filhos da P*** sonhando com a merecida estabilidade financeira, etc. Para no final não conseguir passar nem para merendeira e nem para gari.

Mas vou deixar uma dica para facilitar sua vida . Filie-se ao tal partido. Quem sabe você não tenha mais sorte que a mim. A final, o Brasil precisa mudar e para valer!

segunda-feira, 2 de abril de 2012 0 comentários

OBRIGADA POR TUDO KIQUE CARVALHO E JOÃO CARVALHO (PCdoB)



Quando coloco o meu nome na pesquisa de internet além das redes sociais as quais participo meu nome está correlacionado ao do ex candidato a dep. Federal Kique Carvalho.

Consultando a internet vocês poderão ver videos, fotos e textos sobre a minha campanha de 2010, junto ao Kique Carvalho. É até engraçado algumas situações.

Ontem ao entrar no Facebook tinha uma imagem bem legal, sabe! Uma foto enviada por carregamento móvel, provavelmente tirada de um celular de ultimo tipo. Era a imagem provavelmente do filinho do Kique cortando o próprio bolo de aniversário. lindo!
Desejo muitas felicidades ao pequeno e que Deus o abençoe muito.
Mas ver aquela foto fez meu coração sangrar.
Ontem foi aniversário do filho do Kique carvalho com direito a festinha e bolo. Dia 15/03 foi o do meu filho e não teve nada. Graças a Deus tivemos comida em casa.
O que pude dar ao meu filho foi um grande abraço carregado com o mais forte amor que existe: o meu de mãe.


Gostaria de lembra ou comunicar aqueles que não o sabem que Kique Carvalho além de advogado (ou seja, defende o direito das pessoas), foi vice presidente da comissão de direitos humanos da OAB, e é irmão do João Carlos de Carvalho o organizador da campanha (PCdoB) que me deu descaradamente o golpe. Me deixando sem emprego e meios de sustentar a minha familia, ou seja roubando a minha dignidade.

Assim como João Carvalho, Kique Carvalho tem filhos e está ciente da minha situação, mas parece não se importar. Imagino que ele e o irmão deviam está muitos felizes comemorando o aniversário desse inocente que apenas inicia a vida. Quem sabe entre uma guloseima e outra tomando uma cervejinha e assistindo tranquilamente o jogo de futebol de domingo.

Enquanto isso eu estava tentando garantir o direito humano de meus filhos sobreviverem.
O bonito e sorridente candidato a dep. Federal Kique Carvalho (PCdoB) que defendi e pedi que vocês votassem nele. Sabendo da minha humilhação, da minha precariedade e do meu pedido desesperado de ajuda me virou as costas, como fazem muitos outros políticos que tem por ai.

Na campanha era beijinhos, abraços, olá minha querida agora talvez finja que nem me conhece.
Essas são pessoas dignas! Mas dignidade nesse meio corresponde a números em uma conta bancária ou a quantas pessoas você possa manipular. Quanto a direitos humanos... quem sabe João Carvalho e seu irmão  tenham uma boa definição didática e para fazer conversinha política, mas na prática é o que vocês estão vendo.  

Obrigada por tudo que minha família está sendo obrigada a passar Kique Carvalho e João Carvalho. Vem ai o feriado de páscoa. Que os filhinhos de vocês possam ganhar muitos chocolates e as barriguinhas estejam bem cheias.

Todo mundo comete erros na vida. Ter acreditado em Kique Carvalho e João Carlos de carvalho foi para mim um grande erro. Negro e pobre no PCdoB não tem vez. Para o PCdoB somos apenas massa de manobra. Gado, nada mais!



Essas imagens foram feitas no Fundição Progresso diante de mais de mil pessoas. Pena que não tem a continuidade onde Kique Carvalho destaca a importância do meu trabalho para aquela campanha. Depois de ter conseguido por uma faixa de 2 metros na comunidade do Santa Marta sem que eles tivessem de gastar um único centavo. A colocação de uma faixa dessas no mesmo local não sai a menos de 50 mil Reais.
Mas agora Kique Carvalho e seu querido irmão, como todo politico canalha finge que não me conhece.

Parabéns PCdoB pelos seus 90 anos ao "lado" do povo brasileiro!

Links indicados:
 
;