Se nossas galerias pluviais não são capazes de receber o papel de bala ou a bituca de cigarro, imagina os galhos e folhas de árvore, a lama que desce das encostas, os retos de obras inacabadas.
Talvez a culpa pelo que está acontecendo seja dos porcalhões e também de Deus por mandar tanta chuva para nossa cidade a qual esqueceram de fazer: drenagem dos rios, manutenção das bombas, construir novas barreiras para a água e manutenção das antigas, tomar medida para evitar a impermeabilização do solo, etc.
Então, só nos resta fazer preces para que nos próximos temporais as sirenes de alerta funcionem adequadamente, cumprindo a função de alertar aos moradores de áreas de rico a tempo de salvarem suas vidas. E que estejamos em lugar seguro.
A culpa pode ser minha. Ser sua ou quem sabe é de todos nós. Pois todos podemos nos sentir responsáveis de alguma forma pelas perdas e tristezas que nossa cidade vem passando, mas o prefeito não. Lembre-se: a culpa não é dele.
Estácio de Sá, ao demarcar os limites da Cidade, doou a área do bairro para o seu amigo Francisco Velho, que também tinha ajudado na fundação do Rio. Mas o bairro acabou sendo batizado em 1590, quando Antônio Francisco Velho vendeu suas terras para um amigo, João Pereira de Souza Botafogo.
Esse nome provém da expressão indígena "Andirá-y", que significa "Rio dos Morcegos", na linguagem dos índios tamoios que habitavam a região. O "Rio dos Morcegos" hoje é denominado Rio Joana.
Está localizado na Zona Norte da cidade. O nome deriva de uma homenagem ao padre jesuíta José de Anchieta. Foi fundado em 1º de outubro de 1896, juntamente com a construção da sua estação de trem, que se tornou ponto de referência da região. Fazia parte da Estrada de Ferro Central do Brasil, a espinha dorsal de todo o seu sistema ferroviário da época. O primeiro trecho da ferrovia na qual o bairro está localizado ficava entre Belém, atual Japeri e a estação Dom Pedro II (Central do Brasil). Antes da fundação, em 1896, as terras eram pertencentes às fazendas Sapopemba e Nazaré. No século XIX essas antigas e prósperas propriedades eram grandes produtoras de café e cana-de-açúcar.
A escritora britânica Maria Graham publicou em 1824, em Londres, um livro no qual relata um passeio a fazenda Santa Cruz e faz referência ao local de “Casca d’Ouro”, próximo ao Campinho. A partir daí o povo passara a expressão Casca d’Ouro para Cascadura. Entretanto, o jornalista e historiador Max Vasconcellos, em seu trabalho “Vias Brasileiras de Comunicação”, atribui o nome do bairro ao fato de que por ocasião dos trabalhos de abertura da estrada de ferro os operários tiveram grandes dificuldades de remover com picaretas a pedreira (cascadura) próxima da estação de trem. No entanto, uma outra versão é dada por antigos moradores, sendo o nome uma referência ao antigo Barão Tereré, da região de Minas Gerais, que fazendo uma visita à Fazenda, por sua natureza arrogante despertou repúdio dos moradores locais, os quais lhe atribuíram a designação de Casca Grossa, mais tarde sendo modificado para Cascadura.
A origem do nome do bairro vem da descoberta, em 1888, de uma água mineral que jorrava de fonte localizada nessa área. Domingos Camões, "o descobridor", era um escravo recém-alforriado, que a partir de 1909, iniciou o engarrafamento desta água. A água da fonte era engarrafada e vendida a quem se interessasse. Aos poucos essa fonte d’água conhecida nos arredores como “Água Santa” passa a designar o próprio nome do bairro.
Sinto por Lúcia um carinho imenso. E mais que gostar. Adoro sua pele clara, os cabelos compridos, a feminilidade em seus vestidos longos. Adoro essa mulher vivida, mas com rostinho de anjo. Como gostaria de abraca-la agora, olhar em seus olhos e dizer, que entendo sua dor, suas razoes e que tem em mim uma amiga. Algumas vezes ando pelo centro da cidade observando rostos anônimos na multidão, na espera de poder me encontrar com ela e, enfim, dizer todas as palavras as quais ensaio. Mas ela nunca está. Sempre passo os olhos detalhadamente em todos os sobradinhos e sacadas que a vista consegue alcançar, mas além da minha vontade, porque ela estaria ali? Ainda posso sentir seu cheiro, o perfume adocicado, nas folhas do livro que guardo com carinho na estante. O mesmo livro o qual me fez ter raiva de Paulo. Esse homem egoísta, miserável de afeto. Tem muita gente para defende-lo, mas Paulo e covarde, ninguém me convencera do contrário. E podem falar o que quiserem a respeito de Lúcia: chame-a de louca, passional, no entanto, ninguém pode acusa-la de não ser humana. E todos merecemos segunda chance da vida. Lúcia, Lúcia, Lúcia, o que sinto por você e amor. De todas és minha favorita. Bendito o dia que Alencar nos apresentou. Como gosto de você minha querida - LUCIOLA.
Foi assim que passei essa manha - com helicópteros da policia voando baixo frente a minha janela.
Desde a madrugada muitos tiros na comunidade próxima. A chuva metálica parecia não querer acabar.
Na vizinhança nada da fofoca costumeira nos portões,
todos pareciam obedecer a mesma ordem invisível de recolhimento.
Exceto pelo som dos helicópteros e tiros o resto era silencio e olhares atentos com a universal expressão - MEDO.
Sou privilegiada, mas como deve ter sido a manha daqueles que moram nos morros e favelas da minha cidade?
Vejam a cidade maravilhosa onde helicópteros pairam a poucos metros de nossas cabeças como urubus O Cristo de bracos abertos no melódico rata-ta-ta-ta receptivo das metralhadoras E BOPE, policia, traficante La vem a Copa do Mundo O carioca refém do medo Eu acordando ao som de tiros Em toda parte famílias passivas a violência de sempre No morro ou no asfalto paira insegurança mas e preciso seguir a vida levar os filhos na escola trabalhar encenando ter paz que Paes finge na propaganda. Enquanto o governador da Rio de Janeiro com nomes infantis ou pés de gente grande anda de blindado e segurança na gerencia paraíso Na volta para casa drible o assalto, bala perdida, auto preço da alimentação Especulação imobiliária O salário de fome, mesadinha, De um governo que se diz mãe do povo
"Vivem nas praças, no Campo da Aclamação; dormem nos morros, nos subúrbios, passam à beira dos quiosques, na Saúde, em S. Diogo, nos grandes centros de multidões baixas, apanhando as migalhas dos pobres e olhando com avidez o café das companheiras. Eu encheria tiras de papel sem conta, só com o nome dessas desgraças a quem ninguém pergunta o nome, senão nas estações, entre cachações de soldados e a pose pantafaçuda[11] dos inspetores; e seria um livro horrendo, aquele que contasse com a simples verdade todas as vidas anônimas desses fantásticos seres de agonia e de miséria! Andam por aí ulceradas, sujas, desgrenhadas, com as faces intumescidas e as bocas arrebentadas pelos socos, corridas a varadas dos quiosques, vaia- das pela garotada.
Nas noites de chuva, sob os açoites da ventania, aconchegam-se pelos portais, metem-se pelos socavões, tiritando... Às vezes, para cúmulo de desgraça, aparecem grávidas, sem saber como, à mercê da horda de vagabundos que as viola, que as tortura, que as bate, sem lhes conceder ao menos a piedade do nojo; e os filhos morrem, desaparecem, levados na tristura do seu soluçante existir, estrangulados, talvez, nos inúmeros recantos que a milícia do nosso duplo policiamento ignora. "
Texto extraído do livro "A alma encantadora das ruas", João do Rio, 1908.
O trecho acima descreve situação passada por mulheres pobres e sobre tudo negras na virada do século XX. Sofridas, marginalizadas e sem qualquer proteção do Estado, 20 anos após a abolição da escravidão negra no Brasil.
Agora passado 125 anos podemos afirmar que os problemas aqui expostos não são mais vivenciados pelas mulheres?
A Fundação Oswaldo Cruz organizou uma série de curtas-metragens animados sobre a mais importante reforma urbano-sanitária pela qual a cidade do Rio de Janeiro passou, a conhecida Reforma Pereira Passos.
1904 marca o início dessa reforma urbano-sanitária implantada pelo prefeito Pereira Passos e pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Alta insalubridade, ruas estreitas, cortiços, a condição da cidade à época era de fato deplorável. Sua elevada concentração urbana, intrinsecamente ligada à transição da mão-de-obra no país, de uma recém abolida escravatura pra o trabalho assalariado dos imigrantes europeus. Libertamos mas não inserimos, não abrigamos. E sabemos também que a Reforma é feita em um momento de intensa turbulência social, percebida principalmente na eclosão da “Revolta da Vacina” (1904), movimento popular que surge em oposição à lei da vacinação obrigatória. Barricadas, ruas em conflito, repressão: era o povo contra o Estado. Venceu aquele que outro dia havia proclamado a República em silêncio, embora dessa vez não tenha encontrado o povo bestializado.
O que poucos sabem é que essa relação não foi em sua totalidade de beligerância (violenta). Na intenção de erradicar doenças como a devastadora peste bubônica (proveniente da pulga dos ratos), o governo encontrou uma solução um tanto curiosa: pagaria 300 réis por cada ratinho capturado e entregue aos sanitaristas!
Mas, espera aí: 300 réis era muito dinheiro? De acordo com algumas fontes, o valor daria para comprar 2 kg de feijão, ou 4 kg de farinha de mandioca. Pensando em uma população cada vez mais marginalizada após a demolição dos cortiços e sem colocação social bem definida após a abolição da escravidão, ou ainda estrangeiros que vinham para o Brasil atrás de oportunidades, pode ser sim um bom dinheiro. E pensem comigo: imagina capturar 40 ratinhos? Já paga as compras de um mês!
E no Brasil essa prática foi bem sucedida? Foi sim. Conseguimos erradicar a peste, só não conseguimos erradicar a malandragem carioca: que tendo em vista a elevada concorrência nesse novo mercado de trabalho e a consequente falta de mercadoria, passam a capturar ratos da cidade vizinha Niterói, ou, os mais empreendedores, trazendo ratos estrangeiros para a cidade. É…viva nossa cidade, que sobrevive em sua malandragem até mesmo nos momentos de mais dificuldade.
Enquanto pensamos, podemos acompanhar a trajetória do pequeno Heitor, um estrangeiro nem tão malandro e nem tão hábil caçador de rato:
Nesta cidade quatro mulheres estão no cárcere. Apenas quatro. Uma na cela que dá para o rio, outra na cela que dá para o monte, outra na cela que dá para a igreja e a última na do cemitério ali embaixo. Apenas quatro. Quarenta mulheres noutra cidade, quarenta, ao menos, estão no cárcere. Dez voltadas para as espumas, dez para a lua movediça, dez para pedras sem resposta, dez para espelhos enganosos. Em celas de ar, de água, de vidro estão presas quarenta mulheres, quarenta ao menos, naquela cidade. Quatrocentas mulheres quatrocentas, digo, estão presas: cem por ódio, cem por amor, cem por orgulho, cem por desprezo em celas de ferro, em celas de fogo, em celas sem ferro nem fogo, somente de dor e silêncio, quatrocentas mulheres, numa outra cidade, quatrocentas, digo, estão presas. Quatro mil mulheres, no cárcere, e quatro milhões – e já nem sei a conta, em cidades que não se dizem, em lugares que ninguém sabe, estão presas, estão para sempre - sem janela e sem esperança, umas voltadas para o presente, outras para o passado, e as outras para o futuro, e o resto – o resto, sem futuro, passado ou presente, presas em prisão giratória, presas em delírio, na sombra, presas por outros e por si mesmas, tão presas que ninguém as solta, e nem o rubro galo do sol nem a andorinha azul da lua podem levar qualquer recado à prisão por onde as mulheres se convertem em sal e muro.
As terras do atual bairro do Méier faziam parte do Engenho Novo dos Jesuítas, que abrigava, no início do século XIX, a extensa “Quinta dos Duques”, de José Paulo da Mata Duque Estrada e Dulce de Castro Azambuja. A filha do casal, Jerônima Duque Estrada, casou-se com o “guarda roupas do Paço”, Comendador Miguel João Meyer, descendente de alemães, e tiveram nove filhos. O primogênito, Augusto Duque Estrada Meyer, se destacou como acompanhante do Imperador Dom Pedro II, recebendo o título de “Camarista” e extensas terras abrangendo desde a Estrada Grande (atual Dias da Cruz) até a Serra dos Pretos Forros, em cujo sopé ficava a sede de sua Fazenda São Francisco (no final da atual Rua Camarista Méier).
O Camarista Meyer abriu várias ruas em suas propriedades, dando a elas nomes de seus familiares –Carolina Meyer, Frederico Meyer, Joaquim Meyer etc - e formando o novo bairro, já então conhecido como Meyer. Em 1879, por iniciativa de Lucídio Lago, a Companhia Ferro-Carril, com tração animal, cruzou o Meyer. Somente em 1907 chegaria a tração elétrica, com a linha Engenho de Dentro - Largo de São Francisco.
Em 13 de maio de 1889, foi inaugurada, na Estrada de Ferro Dom Pedro II (Central do Brasil), a Estação do Meyer, devido ao aumento da população e dos loteamentos recém abertos. O bairro crescia de forma precária – chegou a sofrer duas epidemias de cólera – e, com o tempo, seu nome foi aportuguesado para “Méier”. À medida que era saneado, mais moradores chegavam, de tal maneira que as autoridades o elevaram a 18° Distrito da Cidade do Rio de Janeiro. Daí para frente progrediu rapidamente e vários estabelecimentos surgiram.
O comércio deu vida própria ao Méier com grandes lojas, casas tradicionais e magazines. A Rua Dias da Cruz tornou-se o principal eixo do bairro que, com a abertura do Shopping Center do Méier, consolidou-se como importante centro dos subúrbios adjacentes, abrigando o Hospital Salgado Filho, o Colégio Metropolitano, a Biblioteca Municipal Agripino Grieco, o Sport Clube Mackenzie, a Igreja Batista do Méier, a Igreja Sagrado Coração de Jesus, a União Espírita Suburbana e o “Baixo Méier”, local de concentração de bares com intenso movimento noturno.
Nota: A denominação; delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280 de 23 de agosto de 1985.
.* Resumo da história dos 159 bairros existentes na cidade do Rio de Janeiro, segundo levantamento realizado pelo Instituto Pereira Passos, vinculado à Prefeitura do Rio e à Secretaria Municipal de Urbanismo.
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