2c6833b0-77e9-4a38-a9e6-8875b1bef33d diHITT - Notícias Sou Maluca Sim!: 2017
sexta-feira, 20 de outubro de 2017 0 comentários

RELIGIÃO X CIÊNCIA



Há muito poucas equações, gráficos e cálculos na Bíblia, no Corão, nos
Vedas ou nos clássicos confucionistas. Quando as mitologias e escrituras
tradicionais estabeleciam leis gerais, estas eram apresentadas em forma
narrativa, em vez de matemática. 


Desse modo, um princípio fundamental da religião maniqueísta afirmava que o mundo é um campo de batalha entre o bem e o mal. Uma força maligna criou a matéria, ao passo que uma força benigna criou o espírito. Os humanos estão presos entre essas duas forças e devem
escolher o bem em detrimento do mal. 


Contudo, o profeta Mani não fez qualquer
tentativa de oferecer uma fórmula matemática que pudesse ser usada para
prever escolhas humanas por meio da quantificação da força respectiva dessas
duas forças. 


Ele nunca calculou que “a força atuando sobre um homem é igual à
aceleração de seu espírito dividida pela massa de seu corpo”.
terça-feira, 17 de outubro de 2017 0 comentários

"O-" NEGATIVO DOAÇÃO DE SANGUE, URGENTE!

Gente por favor, vamos compartilhar no face, nos grupos, etc. Assim tem mais chance de encontrar doadores compatíveis.



terça-feira, 10 de outubro de 2017 0 comentários

DEFENDER TODAS AS CRIANÇAS...TODAS AS CRIANÇAS




Segue uma pequena sugestão de reflexão sobre o modo como estamos concebendo a infância nos últimos tempos.

Se você se incomodou e se indignou com a interação de uma criança com um homem nu naquela exposição em São Paulo, afirmando que aquilo era ""pedofilia"" e um ataque à dignidade daquela, ok, tudo bem, vamos lá.

Seria importante também orientar toda a indignação, se de fato houver uma preocupação com a dignidade das crianças em geral, com estas da Rocinha que foram obrigadas (provavelmente não pela primeira vez) a passar diante de dois corpos de pessoas assassinadas jogadas no chão quando iam (ou voltavam) da escola. Elas foram submetidas, forçadamente, a mais uma experiência de terror, que muito provavelmente marcará para sempre as suas vidas.

Estas crianças da Rocinha, em relação às quais há pouca ou nenhuma indignação, são jogadas, contra a vontade, no meio de uma guerra inventada, que não lhes diz respeito, mas que interfere enormemente em seu cotidiano. Uma guerra que limita seus horizontes de existência.

Se você se horrorizou mais no caso da interação artística e menos diante da exposição à morte cotidiana nas favelas, talvez seja porque você acredita que há crianças mais dignas de atenção e cuidado do que outras. Ou se defende todas ou... se defende todas!
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O BAIXIO DAS BESTAS CONTINUA


Os MORALISTAS de plantão não precisam se preocuparem: a cultura atual tem mostrado muito mais disposição para abraçar a ignorância do que qualquer cultura anterior.

É muita gente crendo e disseminando verdades absolutas enquanto o BAIXIO DAS BESTAS continua.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017 0 comentários

SABEDORIA ...



Hércules levanta a pele do mar e Vênus pára um instante de despertar amor, 1963: ARTISTA: SALVADOR DALI.


Sabedoria é ouvir a verdade do outro. Temos nossas diferenças, é claro. Cada um de nós tem seu próprio sistema de valores e seus pontos de vista. Cada um de nós é um ser único. Somos in-divíduos. Respondemos a estímulos iguais de formas diferentes.

Lembre-se: Hércules estrangulou a serpente horrorosa ainda no berço, enquanto Íficles, seu irmão gêmeo, fugia horrorizado.

Então, antes que o meu barco singre os mares desta vida, encho-o de coragem e de remos, iço as velas, desfaço todos os planos, jogo longe a bússola da normalidade, rasgo esses mapas que me deram, crio meu próprio Destino — e me afundo no desejo de amar.

Quero de novo criar uma tempestade no teu coração!
quinta-feira, 5 de outubro de 2017 0 comentários

O HOMEM NEGRO SENTE DOR?


quarta-feira, 4 de outubro de 2017 0 comentários

PINTO PEQUENO!



O pinto pequeno sempre foi 'apesar de'
Por exemplo: nunca, jamais, em nenhuma situação, conheci uma mulher que dissesse: "eu gosto de pinto pequeno" ou "eu prefiro pinto pequeno" ou "o que mais me atrai nele é aquele pinto pequeno". Nunca. Se essas mulheres existem, eu não conheço. Ou conheço, mas nunca ouvi essa confissão. O pinto pequeno, na relação entre gêneros, sempre foi "apesar de".

Pinto pequeno não é uma paixão feminina. Talvez seja, aliás, a característica masculina com maior índice de rejeição. Desconheço, no entanto, que mulheres andem pedindo ao namorado, que coloque "uma prótese pra aumentar isso aí". Nunca ouvi uma mulher brincar que ia trocar um marido de 10 por dois de 20cm, pra ser mais feliz. Não é comum que a gente diga: "isso é que é homem e não aquela coisinha miúda que tenho em casa", diante de um bom volume na calça do transeunte. Nem mesmo quando é o caso. Em geral, os corpos dos homens vivem em perfeita paz.

Fora o bullying dos amigos, a vida não é tão ruim, pros homens menos dotados. Certamente, mas confortável do que as das moças que, "por infelicidade", estão "fora do padrão". A maioria das mulheres sabe como agir ao se deparar com um tamanho P.  É o corpo do outro, afinal, e sabemos respeitar. Fora que, outras qualidades compensam, a depender do rapaz. Em qualquer situação, a generosidade feminina salva a pátria. Uma especialidade nossa sempre servida, em doses cavalares, a homens em situação de vulnerabilidade. Inclusive sexual.

Mesmo com esse tratamento elegante, os rapazes de menores dotes carregam uma certa vergonha. Todos, ou a grande maioria. E eu fico imaginando o que seria desses seres tão frágeis se passassem pela metade da exposição, se sofressem apenas uma parte das avaliações a que nós, mulheres, somos submetidas, desde sempre. Dos nossos corpos, das nossas roupas, do nosso jeito de ser. Principalmente por eles, que, no mínimo, acham normal. Sobreviveriam? Não sei. 

Nós continuamos aqui.
Tive um namorado que disse:"você faz academia pra ficar bonita pra mim". Deu pena, não vou mentir. Sacudi a cabeça fingindo concordar e pensando que aquele raciocínio torto era o começo do fim. Um incentivo, ele achou, coitado. Romântico, até. E, nos olhos dele, a ingenuidade de quem não viu o tempo passar, de quem não percebe a própria fragilidade. 

Estávamos em diferentes tempos, em flagrante descompasso. Meses depois, desisti.
Não é mais isso, amor. Não, não é mais assim. E muita coisa virou piada. "Depois que nosso filho nasceu, minha mulher ficou descuidada", reclama o marido que sequer corta as próprias unhas com uma periodicidade aceitável. "Toda gorda é carente", decreta o halterocopista do alto da própria barriga de chope, se sentindo desejado. Todos, todos eles, patéticos e deslocados. 

Todos viúvos do discurso que diz: é aos homens que servem os corpos femininos. São eles que precisam aprovar. Sério? A gente aprendeu a rir.
Sim, ainda é muito por eles que movimentamos milhões, em cirurgias plásticas. Ainda não é passado. Ainda é pelos carecas, barrigudos e ejaculadores precoces que, por essas naturalidades humanas, não costumam ser incomodados. Aqueles que sequer cuidam do ronco, mas nos exigem juventude e frescor, vaginas "rejuvenescidas" e depilações totais. Por eles, que tem seus corpos preservados enquanto vivemos em exposição. Autoestima aos pedaços. Bulimia, anorexia, depressão. Já deu. É impossível ser feliz com a referência fora de nós. Ninguém merece essa dor. E não estamos no mesmo lugar.

Vejo alguma subversão. Saltos baixos no tapete vermelho. Unhas ao natural. Gordas em mini biquínis. Peitos caídos sem sutiãs. Se não gosta, pra que vestir, pra que fazer, pra que usar? Faz se quiser, pelamor! Nada disso é obrigação. Já brincamos com o discurso padrão, aquele que diz: "mulher tem que ser vaidosa" ou "mulher pra mim tem que ser assim". Uma ova! "Não gosto de cabelo grisalho". Ok, mocinho. Então vai lá e pinta o seu.

Ombro a ombro, meu irmão. Em tudo e também nisso aí. Nossos corpos não precisam de ajustes. A gente faz, se quiser. Não carecemos de "consertos" muito mais do que vocês. Se não gostar, tem quem goste e espelho não é gabarito do que se espera de mim. O meu, aprendeu a dizer:"sua referência sou eu, você precisa agradar a você". A gente é que decide e o assunto morre assim.

(O resto é sociologia, antropologia e política)

(O que é feio hoje, quem sabe é bonito amanhã? Referências estéticas nascem de comportamentos e parece que essa nova liberdade, esse foda-se pro padrão, molda corpos e atitudes de beleza original. Acho lindo, veja aí)
(Eu escolho o meu olhar)

*Flavia Azevedo
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DEPRESSÃO. A DOR DE EXISTIR!


Todos podemos ficar depressivos. Somos humanos sofremos perdas, decepções, insatisfações, etc. Mas a religião, o meio social e agora até uma tal de Psicologia Positiva diz que você tem que mostrar estar sempre Bem. Mas por dentro tudo desmorona. 
Somos um acumulado de entulho. 

 Pessoas depressivas são chatas. Nos colocam para baixo. Acabam com nosso passeio de fim de semana. "Têm energia ruim". Então cada um vai sobrevivendo como dá. Mas o suicida nos lembra que há sempre aqueles que não suportam tanta dor.

Jaqueline Ramiro
segunda-feira, 2 de outubro de 2017 0 comentários

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA


Um artista nu permite que espectadores manipulem suas articulações. Uma criança, acompanhada da mãe, toca no seu pé.

Sugiro às pessoas que viram erotismo nessa cena que procurem tratamento psicológico. Amigo, você sofre de alguma doença grave: ou tem tesão em crianças, ou tem tesão em pés, ou tem tesão em crianças tocando em pés. Ou é pedófilo, ou podófilo, ou pedopodófilo.

A cena em questão é tão erótica quanto o teto da Capela Sistina (em que Adão, vale lembrar, estava pelado) ou aquela cena do "E.T." em que a criança toca no dedo do extraterrestre (em que Adão, vale lembrar, estava pelado, vestindo apenas um cachecol). Deve ter gente que vê erotismo nisso. 

E deve ter gente que vê, inclusive, na extremidade vermelha do dedo do E.T. um símbolo fálico. Mas o problema é delas, e não do E.T.. O tesão é de quem vê. O mesmo vale para quem se escandaliza com o seio de uma mãe que amamenta. Isso é coisa de gente muito tarada. Por acaso, o Brasil tá cheio delas.

José Wilker contava que tinha um parente que se relacionava sexualmente com uma cabra, e todo o mundo sabia disso. O tal parente, quando viu "Dona Flor e seus Dois Maridos", ficou tão chocado com a cena da nudez que cortou relações com o Wilker. Brasil, o país em que só a nudez choca. Todo o resto é perdoável.

Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada. Um país em que uma exposição dita profana é cancelada, mas o mandato do Aécio segue firme e forte. O país em que o professor não pode ter partido, mas pode ter igreja, e fazer propaganda da igreja, mesmo na escola pública.

Sabe o que é um crime contra a infância? Ensinar criacionismo nas escolas. Crime contra a infância é a música gospel da Aline Barros que ensina as crianças a pagarem o dízimo: "Jesus se agrada, Jesus se agrada / da ofertinha da criançada / Tirilim, tim, tim / oferta vai caindo dentro da caixinha".

Brasileiro tem orgulho de dizer que adora crianças. Não sei de quais crianças a gente tá falando. Seis milhões de crianças no Brasil vivem em situação de extrema pobreza -muitas delas na rua. Ninguém parece tão chocado quanto com a exposição do MAM. Talvez essas crianças precisassem assistir a uma nudez indevida, talvez precisassem tocar no pé de um artista nu. Aí, sim, o Brasil ia rodar a baiana. "Miséria, desnutrição, analfabetismo, vá lá. O importante é que essa criançada não veja um pinto!"

Gregório Duvivier
sábado, 30 de setembro de 2017 0 comentários

QUANDO A MORAL CRUZA BRAÇOS COM A HIPOCRISIA



Odeio todos que não pensam como eu. Me inflama o ódio quando alguém exprime opinião divergente da minha. Chamo isso de DESRESPEITO. 

 A liberdade do outro me incomoda profundamente. Desejo castrar tudo aquilo que não consigo ser ou fazer. 
Assim fui criado, assim todos devem ser. 

Meu credo faz de mim uma pessoa superior. Errado são sempre os outros. 

De quase nada sei, mas tenho convicção de tudo. Não é preciso saber para dar opinião, basta escrever. E aqui estou. 

O uso da internet me deu super poderes. Falo muito, sem ter nada a dizer, mas há sempre mentes vazias dipostas a serem preenchidas com qualquer entulho. 

E Ignorantes a qualquer possível mal replicam minhas falas sem qualquer reflexão. São ECOS. É nesse coro que encontro minha razão. 

Sai da minha garganta e os meus seguidores acompanham: 

MORAL... moral, moral. Mas há sempre alguém para ser voz discordante a gritar, ainda que só,

HIPOCRISIA, HIPOCRISIA... HIPOCRISIA!
sexta-feira, 29 de setembro de 2017 0 comentários

PEDOFILIA EM EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE SÃO PAULO



Uma performance que ocorreu durante a abertura da 35ª Mostra Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), gerou polêmica na internet, mesmos depois do museu informar que a apresentação do coreografo Wagner Schwartz não tinha teor erótico. Em nota, o museu explica que tem o costume de sinalizar as exposições e performances com tema "sensível à restrição de público", 

Imagens mostram uma criança tocando um homem nu, com o pênis a mostra, durante o evento, passaram a circular nas redes sociais na noite de quinta-feira (28).

Pedofilia, putaria disfarçada de exposição artística e até mesmo pronunciamentos do tipo: essas coisas só acontecem no Brasil!

  
Bem. Na Europa uma apresentação dessas não farinha nem cosquinha no ego de ninguém. A maioria não vê pecado no corpo ou na nudez e sim nas intenções das pessoas. Acaba que a apresentação foi um estupro a mentalidade ideológica de alguns.

Terrível uma inocente criança tocar com naturalidade um outro corpo humano. Esse absurdo não pode acontecer, porque o humano é sujo, pecaminoso e algumas vezes se esconde atrás de "MORALIDADES" para que OS OUTROS não percebam as PERVERSÕES do seu pensamento.

Vamos mandar preder os poucos Índios que restam, pois seguindo a lógica dos internautas ultra moralizados, todos são pedófilos. 

Eu pergunto a você: a criança foi estuprada? Sofreu algum trauma? Algum tipo de violência? Pois o que vejo nas imagens é apenas o toque em um corpo humano. 

Todo meu apoio ao artista e idealizadores da exposição. Vejo que aqui a arte cumpriu sua função. Mexeu com os sentimentos, deixou muita gente em conflito interno. E sobre tudo abriu um importante espaço para discutirmos assuntos ligados a sexualidade, libido, etc. 

Obs. A MAIOR PARTE DA VIOLÊNCIA SEXUAL À CRIANÇAS E ADOLESCENTES ACONTECE NO AMBIENTE DO PRÓPRIO LAR, E POR PESSOAS ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA.
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O TEMPO PRESENTE E O TEMPO PASSADO



"O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível
O que podia ter sido é uma abstração
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação

O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral.
As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito...

Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa?
Não sei.
Vai, vai, vai, disse a ave;
O gênero humano não pode suportar tanta realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente."

T.S. Eliot
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NÃO SE ENGANE COM OBÀ




Engana-se quem pensa que Obà vive de tristezas e frustrações...A tristeza e a frustração foram apenas os motivos que fizeram Obà a correr atrás da sua Liberdade, e é sendo Livre que Ela é Feliz!

Engana-se quem pensa que Obà não é mulher bonita...Não ser feminina não significa ser desprovida de beleza, tanto que no meio de centenas de mulheres ela foi uma das Rainhas escolhidas a sentar ao lado do seu Marido Sàngó para governar junto à Ele, foi a Guerreira que Ògún quis possuir a qualquer custo e foi também a Caçadora que ganhou o coração de Òsóòsì!

Engana-se quem pensa que Obà é tonta e ingênua...Ela é corajosa demais para fugir de desafios, ela gosta do risco, de correr perigo, de apostar tudo, ela não pensa, Obà é de agir pra depois ver os resultados. E mesmo quando não acontece o esperado, ela renasce das cinzas como uma Fênix!

Engana-se quem pensa que Obà nada sabe fazer...Ela é reconhecida na África como grande feiticeira, defensora dos direitos das Mulheres, guerreira destemida e violenta, aquela que não tem piedade dos inimigos nos campos de batalha. Obà é a mulher que caça, se embrenha no mato e só volta com a presa sobre seus ombros. Ela faz serviços ditos "masculinos" melhor do que muitos homens.

Engana-se quem pensa que Sàngó esqueceu Obà...Ela depois que foi humilhada pelo Rei por conta da sua prova de Amor se consumiu em orgulho e saiu do Reino de seu Marido chorosa, porém de cabeça erguida! Sàngó nunca a expulsou, Ela que deixou o seu amor para trás! Ele depois que soube da trapaça de Oxum se entristeceu, pois não havia esposa tão dedicada quanto Obà. O Rei sabia que Ela não mais voltaria e temia procurá-la, pois Ele sabia o quanto era poderosa a Ira de Obà!

Engana-se quem pensa que Obà não é vingativa...Oxum a fez cortar sua própria orelha, porém Obà se vingou de Oxum de várias formas, Oxum aprendeu na dor a respeitar Obà!

Engana-se quem pensa que Obà não sente amor...É o amor que a movimenta, ela sempre está envolvida no ciúme, na conquista, no cuidado, na dedicação e na privação pelo bem do próximo. Obà além de esposa é quase Mãe de seus amores, ela defende com unhas e dentes aqueles que possuem o seu amor.

Obà é a Força que existe dentro de toda Mulher! Ela se transforma de uma em mil se for preciso...Não se engane com Obà!

OBÀ SIRÉ!
terça-feira, 29 de agosto de 2017 0 comentários

ENEM - Qual é o problema?

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segunda-feira, 28 de agosto de 2017 0 comentários

PESSOAS CRUÉIS DISFARÇADAS DE BOAS PESSOAS



São seres que machucam, que agridem por intermédio de uma chantagem emocional maquiavélica baseada no medo, na agressão e na culpa. Aparentam ser pessoas altruístas, mas na verdade escondem interesses ocultos e frustrações profundas.

Muitas vezes ouve-se dizer que “quem machuca o faz porque em algum momento da vida também já foi machucado”. Que quem foi magoado, magoa. No entanto, ainda que por trás destas ideias exista uma base verídica, existe outro aspecto que sempre nos custa admitir: A maldade existe. As pessoas cruéis, por vezes, dispõem de certos componentes biológicos que as empurram em direção a determinados comportamentos agressivos.

“Não há maldade mais cruel que a que nasce das sementes do bem.”
-Baldassare Castiglione-

O cientista e divulgador Marcelino Cereijudo nos assinala algo interessante. “Não existe o gene da maldade, porém há certos aspectos biológicos e culturais que a podem propiciar”.

A parte mais complexa deste tema é que muito frequentemente tendemos a buscar rótulos e patologias em comportamentos que simplesmente não entram dentro dos manuais de psicodiagnóstico.

Os atos maliciosos podem ocorrer sem que exista necessariamente uma doença psicológica subjacente. Todos nós, em algum momento da nossa vida, já conhecemos uma pessoa com este tipo de perfil. Seres que nos presenteiam com bajulação e atenção. Pessoas agradáveis, com êxito social, mas que em privado delineiam uma sombra obscura e alargada. Na profundeza dos seus corações respira a crueldade, a falta de empatia e até mesmo a agressividade.

As pessoas cruéis e a molécula da moral

Tal como dissemos anteriormente, até hoje ninguém conseguiu identificar a existência do gene da maldade. No entanto, nos últimos anos aumentaram os estudos sobre um aspecto fascinante: a denominada “molécula da moral”. Para compreender melhor o que é esta estrutura, iremos nos contextualizar a partir de uma história real. Uma história terrível, que lamentavelmente acontece com muita frequência.

Hans Reiser é um programador norte-americano famoso por ter criado os arquivos ReiserFS. Atualmente, e desde 2008, está na prisão de Mule Creek por ter assassinado sua esposa. Ele não teve problema em se declarar culpado e em revelar onde enterrou o corpo de Nina Reiser. Como dado curioso, vale a pena dizer que este especialista em programação dispõe de uma inteligência prodigiosa, ao ponto de ter iniciado os seus estudos universitários ainda adolescente.

Depois de um julgamento rápido e de ter ingressado na prisão de San Quintín, decidiu preparar ele próprio o seu recurso. Através de 5 folhas escritas à mão, argumentou  que o seu cérebro funcionava de maneira diferente. Reiser tinha conhecimento dos estudos que estavam a ser realizados sobre a oxitocina e a utilizou como argumento. Segundo ele, tinha nascido com o seguinte problema: o seu cérebro não produzia a chamada molécula da moral. 

Obviamente, e como era de se esperar, este argumento não o impediu de cumprir a pena perpétua. No entanto, o tema sobre a origem da maldade voltou a entrar em debate. Nos dias de hoje, dá-se pleno valor ao fato de que a oxitocina é o hormônio que faz de nós seres “humanos” na sua vertente mais autêntica. Pessoas educadas e preocupadas em ajudar, cuidar e empatizar com os nossos semelhantes.

Como se defender da crueldade camuflada

No nosso cotidiano, nem sempre nos relacionamos com pessoas tão cruéis como a anteriormente citada. Porém, somos vítimas de outro tipo de interações: as de falsa bondade, a agressividade encoberta, a manipulação, o egoísmo sutil, a ironia mais daninha, etc.

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, 
e sim por aquelas que permitem a maldade.”
-Albert Einstein-

Estes comportamentos podem ser resultado de vários aspetos. Carência de inteligência emocional, um ambiente pouco afetivo onde a pessoa cresceu ou até mesmo um déficit na liberação da oxitocina. Tudo isto talvez determinará essa agressividade mais ou menos encoberta. De qualquer forma, não podemos esquecer que quando falamos de agressividade, não estamos nos referindo exclusivamente ao dano físico.

A agressão emocional, a instrumental ou a verbal são feridas menos denunciáveis devido à necessidade de serem provadas, mas são mais corriqueiras e por isso temos que nos defender. Explicaremos como.

Pessoas cruéis: saber reconhecê-las e evitá-las

Todos podemos ser vítimas das pessoas cruéis. Não importa a idade, o status ou as nossas experiências anteriores. Este tipo de pessoa pode ser encontrado no meio da família, em ambientes de trabalho e em qualquer outro cenário. No entanto, podemos identificá-las de várias formas.

A pessoa de coração obscuro nos seduzirá com a mentira. Elas irão se camuflar por trás de palavras bonitas e atos nobres, mas pouco a pouco surgirá a chantagem. E mais tarde, a criação do medo, da culpa e da violência mental.

Perante estes mecanismos, cabe apenas uma opção: a não-tolerância. Não importa que seja a nossa irmã, nossa parceira ou um colega de trabalho. Os perturbadores da calma e do equilíbrio só buscam uma coisa: acabar com a nossa autoestima para ter o controle.

Teremos a sensação clara de que não há saída. De que elas nos têm sob suas redes. No entanto, vale recordar que “é mais poderoso aquele que é dono de si mesmo”.

Por isso, é importante acabar com o jogo da dominação e da agressividade com determinação.
Os jogos da dominação e da agressividade encoberta são muito complexos.


No entanto, é necessário agir com rapidez para remover armadilhas e reagir a ameaças veladas. No momento em que sentirmos desconforto ou preocupação em relação a certos comportamentos, só existe uma opção: a distância.

Valéria Amado
domingo, 27 de agosto de 2017 0 comentários

O LADO OBSCURO DA PALAVRA



Uma das mais fascinantes aquisições da nossa espécie foi a linguagem. Mesmo dispondo de um cérebro competente e da laringe, foram necessários vários milênios para que pudéssemos construir um conjunto de sons correspondentes a objetos, seus atributos e ações.

Depois, os sons tiveram de ser transformados em algum tipo de sinal, de desempenho – precursor das palavras e, finalmente, das letras que as compõem. O que cada criança demora poucos anos para aprender nos custou muito tempo e suor para construir.

Estabelecida a linguagem, passamos a experimentar um período de grande e rápida evolução, que correspondeu aos últimos 5 mil anos de nossa história.

A transferência de informações de uma geração para outra ficou muito mais fácil devido à existência da palavra, de modo que temos acumulado conhecimento a uma velocidade cada vez maior.

Como consequência, surgiram novos conceitos e ideias, e tudo isso acabou promovendo o progresso tecnológico de que tanto nos orgulhamos.

Nossa memória foi suficiente para armazenar todo o conjunto de dados necessários para a evolução em cada setor das atividades humanas.

Essa característica de nosso cérebro pode ser estimulada graças ao desenvolvimento da linguagem, pois é por meio das palavras que os fatos e os conceitos se fixam no sistema nervoso.

A comunicação entre as pessoas também experimentou grande avanço. A narrativa literária ficou cada vez mais sofisticada.

Usando a linguagem, sabemos expressar os mais diversos estados da alma. Podemos fazer perguntas sobre as sensações do outro. Podemos conhecer suas alegrias e a razão de suas amarguras, de forma fácil e direta.

Infelizmente, parece que tudo é uma faca de dois gumes. Até agora, falamos das impressionantes vantagens que obtivemos com a aquisição da linguagem. Mas existe também o lado negativo desse processo que nos permitiu um uso mais adequado da inteligência.

Por exemplo, uma pessoa, ao perceber que será punida se outras descobrirem determinado comportamento seu, poderá tentar esconder o fato por meio das palavras.

A mentira não deixa de ser uma utilização sofisticada da inteligência, mas também é um subproduto dela por seu caráter imediatista. Pode ajudar momentaneamente. A médio e a longo prazo, leva o mentiroso a se perder, afastando-o da realidade. Sim, porque ele passa a utilizar a razão de forma menos rigorosa e precisa.

A mentira é “coisa dos espertos”, dos que querem tirar vantagem sempre. Nunca aproximará alguém da verdadeira sabedoria e serenidade. A longo prazo, não há trambique no jogo da vida.

A linguagem se estabeleceu e com ela achamos os meios para uma comunicação interpessoal extraordinariamente fácil e direta. Por outro lado, os seres humanos aprenderam a usar a linguagem para afastar o interlocutor da verdade.

Por meio da mentira, as palavras ganharam peculiaridades muito negativas. Passaram a ser utilizadas para que uma pessoa consiga se impor indevidamente sobre outra.

A comunicação foi dando lugar ao jogo de poder, à dominação, ao desejo de enganar com o intuito de obter vantagens. Em vez de perseguir a verdade, a maioria costuma perseguir a vitória.

Como distinguir a verdade da mentira? Nem sempre é simples. Nem sempre é possível fazer essa separação. Muitas vezes, teremos de lançar mão da nossa sensibilidade para captar, nos gestos e nas atitudes do outro, suas intenções.

Mesmo assim, vale a seguinte regra geral: sempre que as palavras não estiverem de acordo com os fatos, prevalecem os fatos.

Se um homem diz a uma mulher que a ama muito e a maltrata o tempo todo, consideramos o tratamento e não a palavra.

Falar é fácil e, depois da invenção da mentira, só tem valor quando a palavra vem acompanhada de atitudes que confirmem o que está sendo dito.

 Flávio Gikovate
sexta-feira, 28 de julho de 2017 0 comentários

OKJA FILME



Vi o filme OKJA achando que seria um filme fofo para passar uma tarde tranquila, só que não! Após assistido ficou um sentimento de culpa e a vontade de nunca mais comer carne na minha vida.
QUE SAUDADE DO MEU FALECIDO CACHORRO!!!



AGORA PELO AMOR DE DEUS. O BICHO ALÉM DE FOFO É INTELIGENTE E TEM OLHOS HUMANOS. Isso acaba com o coração da gente. 


quinta-feira, 27 de julho de 2017 0 comentários

A REALIDADE TRANSFIGURADA



Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. O que te direi? te direi os instantes. Exorbito-me e só então é que existo e de um modo febril. Que febre: conseguirei um dia parar de viver? ai de mim, que tanto morro. Sigo o tortuoso caminho das raízes rebentando a terra, tenho por dom a paixão, na queimada de tronco seco contorço-me às labaredas. A duração de minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios. 
Para me interpretar e formular-me preciso de novos sinais e articulações novas em formas que se localizem aquém e além de minha história humana. Transfiguro a realidade e então outra realidade, sonhadora e sonâmbula, me cria. E eu inteira rolo e à medida que rolo no chão vou me acrescentando em folhas, eu, obra anônima de uma realidade anônima só justificável enquanto dura a minha vida. E depois? depois tudo o que vivi será de um pobre supérfluo. 
Mas por enquanto estou no meio do que grita e pulula. E é sutil como a realidade mais intangível. Por enquanto o tempo é quanto dura um pensamento. 

Clarice Lispector, in 'Água Viva' 
sexta-feira, 14 de julho de 2017 0 comentários

EU ENTENDO TODA A DEFESA QUE SE FAÇA DO LULA ...



Eu entendo toda a defesa que se faça do Lula, exceto ler gente inteligente dizendo que agora (e somente agora) nossa democracia é uma farsa, nossa justiça é classista, o sistema financeiro dá as cartas, a mídia é golpista, o STF é um escárnio, o Congresso é vendido e vivemos num estado de exceção.

Por que o STF não era um escárnio quando o PT indicou 7 dos 11 atuais ministros?
Por que a mídia não era golpista quando Hélio Costa era ministro das Comunicações e os governos petistas encharcavam a Globo de dinheiro?

Por que a nossa justiça não era classista quando, durante os governos petistas, o número de presos aumentou enormemente, sendo a maioria de pretos e pobres e 41% em prisão preventiva?

Por que o sistema financeiro passou a dar as cartas agora, com Meirelles na Fazenda, e não dava as cartas antes, com Meirelles no Banco Central?

Por que o Congresso passou a ser vendido agora e não era nos tempos da "governabilidade"?
Defender Lula é uma coisa. Ignorar nossa história como se as injustiças sociais começassem ontem com a sentença de Lula é outra coisa bem diferente.

Por Gustavo Gindre
domingo, 9 de julho de 2017 0 comentários

EM QUE CONSISTE A INTIMIDADE?



A intimidade consiste em uma adorável sensação de proximidade e cumplicidade com uma pessoa especial: um amigo sincero, um parente, um parceiro sentimental. Ela só se constrói em determinadas condições especiais, sendo que a mais importante delas tem a ver com o modo como se constituiu nosso modo de pensar.

Cada um de nós desenvolveu um jeito de correlacionar as palavras e os pensamentos que é mais original do que pensamos. Apesar de todos falarmos a mesma língua, nem sempre o que dizemos corresponde exatamente ao que o outro ouve; e, o que é o principal, muitas vezes não está em sintonia com aquilo que estava em nossa mente. Ou seja, como cada cérebro é único, não é raro que aquilo que estou escrevendo aqui agora – e que é o fruto de um esforço de transformar em palavras o que se passa em minha mente – não corresponda ao que você, leitor, estará entendendo. Isso não se deve apenas à uma eventual dificuldade minha de me comunicar e sim a diferenças relevantes entre os nossos modos de pensar.

Em contrapartida, há vezes em que o que falamos ou escrevemos parece corresponder exatamente ao que nosso interlocutor entendeu. A sensação é extremamente agradável, uma vez que nos sentimos devidamente entendidos e isso define uma importante afinidade no sistema de pensar, condição indispensável para que se constitua um relacionamento íntimo. Quando ocorre essa comunicação bem sucedida nossa sensação é de aconchego, de não estarmos tão sozinhos nesse mundo.



Ao longo do convívio com alguém cujo modo de pensar é suficiente parecido com o nosso, é claro que podem surgir divergências de pontos de vista e mesmo de atitudes diante das várias condições objetivas da vida de cada um dos que são íntimos.

É indispensável que esse canal fluente e fácil de comunicação não se feche, o que exige certos cuidados muito relevantes. O primeiro deles diz respeito ao modo como colocamos nossas diferenças: o melhor caminho consiste no uso da primeira pessoa do singular e não a terceira pessoa, uma vez ela que pode facilmente provocar a sensação de cobrança, crítica ou acusação.

Se algo me desagrada no outro, posso dizer a ele que “eu fico triste quando acontece isso ou aquilo entre nós” em vez de “não acho que você deveria fazer isso ou aquilo”; ou pior ainda: “não aceito – não admito – que você faça isso ou aquilo”.

Ninguém tem o direito de exigir nada de ninguém, muito menos dos mais íntimos. Temos o direito e mesmo o dever de informá-los sobre os desdobramentos de seus atos: “quando você age dessa ou daquela maneira, isso provoca em mim tantas e tais sensações e emoções”. Se o outro quiser nos agradar certamente tenderá a evitar as condutas que nos entristecem. Se não for esse o caso, cabe a nós decidir se aceitamos ou não o convívio com essa pessoa.

Outro ingrediente que considero fundamental para a continuidade dos relacionamentos baseados em respeito e intimidade é a ausência de críticas.

Quando uma pessoa relevante nos censura, nossa sensação é muito desagradável; e é especialmente ruim se esperávamos algum tipo de compreensão ou alívio de um desconforto que nós mesmos estejamos sentindo por termos cometido algum erro.

Quando esperamos colo e recebemos uma reprimenda, tendemos a nos calar; e não só naquela dada situação específica, mas também em qualquer outra que venha a ser passível de algum tipo de reprimenda.

Um exemplo: se eu contar para o meu parceiro sentimental algo no qual eu tenha falhado – ou algum sonho ou pensamento não muito abonador – eu não gostaria de ouvir algo do tipo “nossa, nunca pensei que você fosse fazer essa bobagem ou ter tal tipo de pensamento”. É claro que da próxima vez que eu fizer algo que possa ser censurável ou pensar algo não tão agradável não mais contarei o que se passou comigo.

Assim, o que mais comumente interrompe a comunicação e impede a intimidade são atitudes críticas e reprovadoras vindas de parceiros cuja aceitação nos é tão importante.

Se ao invés de críticas ouvirmos algo do tipo “você sabe que em uma dada ocasião fiz algo parecido e sei muito bem como é chato errar e imagino como você deva estar se sentindo; mas não se aflija, pois isso logo passa”, é claro que a intimidade cresce e se fortalece.


Em síntese, as boas relações de companheirismo acontecem entre aqueles que possuem modos de ser e de pensar assemelhados, que sejam muito cautelosos ao colocar suas divergências – sempre dando prioridade para a descrição da repercussão das ações do outro sobre si mesmo – e, mais que tudo, entre pessoas que não se arvorem em juízes e que sejam acima de tudo cúmplices.

 Flávio Gikovate
quinta-feira, 8 de junho de 2017 0 comentários

PREGUIÇA: UMA DAS MÁSCARAS FAVORITAS DO MEDO



Hoje em dia quando ouvimos alguém dizer que alguma coisa lhe dá preguiça levamos as mãos à cabeça. Uma pessoa preguiçosa não é digna de aprovação do sistema social, já que é vista como alguém folgado que não é capaz de cumprir suas obrigações, e até chegamos a considerá-la como alguém inferior. Uma pessoa frágil carente de vontade.

Obviamente, todos os seres humanos sentem preguiça em maior ou menor grau, e as razões por trás disso são evolutivas. Como todas as nossas emoções, a preguiça também tem uma função: reduzir o nosso gasto de energia, de forma que sempre tenhamos reservas em caso de necessidade.

Os hominídeos assumem a alternativa de exercer a preguiça durante o tempo em que não é conveniente desperdiçar a própria glicose cerebral.

A preguiça implicava uma economia de energia, pois nem sempre existia excesso de nutrientes. Então, deixar-se dominar por ela em determinados momentos podia ser uma medida bastante adequada em prol da nossa sobrevivência. Atualmente esta preguiça já não é tão útil, mas ainda assim muitos de nós continuamos desenvolvendo-a para posteriormente nos sentirmos culpados.

A sociedade nos incutiu a ideia de que ser preguiçoso nos transforma em seres inferiores, que merecem as críticas e os olhares depreciativos do restante do grupo social. É por isso que logo nos sentimos culpados.

Quando usamos a preguiça para justificar nossos medos

Muitas vezes achamos que estamos com preguiça e deixamos de realizar certas atividades que nós mesmos tínhamos decidido empreender. Nos justificamos dizendo a nós mesmos que faremos em outro momento em que tivermos mais vontade ou energia. Contudo, finalmente percebemos que isso não irá acontecer.

Os medos podem ser mascarados de diversas formas e a preguiça costuma ser uma das máscaras mais favoritas do temor de realizar alguma coisa e de que as coisas não saiam perfeitas, ou de empreender o que tínhamos pendente e que talvez não seja aprovado pelo nosso entorno. Neste sentido, a preguiça age como uma ferramenta de fuga da realidade.

“Se percebermos que isso acontece com certa frequência, será preciso tirar a máscara desses medos e tomar uma atitude, independentemente de gostarmos ou não.”

Acontece que a preguiça chama a preguiça. Isso é, quanto mais peso damos a este estado de indolência, mais sem vontade nos sentiremos e menos força de vontade teremos para sair da inatividade. Isso irá repercutir negativamente em nossos medos, que crescerão com mais força, agarrados à racionalização do conceito de “farei isto amanhã” ou “quando tiver vontade e motivação”.

É por esta razão que é tão importante identificar se realmente temos vontade de parar um pouco, tirar as exigências e obrigações autoimpostas e retomar à nossa própria homeostase interior, ou se temos medo de empreender coisas que sabemos que são importantes para nós.

O medo alimentado cresce e se generaliza: traz mais medos, que acabam nos aprisionando quase totalmente.

Ativação longe das obrigações

Deixar de manter a preguiça não significa ir de um extremo ao outro e começar a encher a nossa agenda de obrigações desnecessárias. Não só isso, ter tantas obrigações pode incrementar de tal modo a força da preguiça que pode acabar nos vencendo quando menos gostaríamos.

Está certo, e é totalmente válido, não ser tão extremista e criar um espaço para o nosso deleite pessoal, muito além do que devemos ou não fazer.

Para isso, é conveniente abandonar o sofá e a televisão que nos aprisionam à inanição mais profunda e não nos ajudam a nos sentirmos plenos nem realizados. O ideal seria usar essa preguiça para fazer atividades de lazer e ócio.

O ócio não é a mesma coisa que a preguiça. Os romanos introduziram este termo para diferenciá-lo de negócio – a negação do ócio, isto é, aquilo que se realiza para obter renda e poder viver. Com o ócio, a pessoa realiza aquelas atividades que lhe agradam de forma profunda, aquilo que leva no seu interior de forma mais natural.

Se é o caso de podermos unir negócio e ócio, então seremos pessoas muito privilegiadas, já que obteremos ganhos pelo fato de nos divertirmos ou realizarmos uma atividade prazerosa.

A preguiça, por sua vez, é entendida como a não realização nem de atividades de negócio, nem de ócio, e portanto semeia a semente do desleixo, o cansaço sustentado e inclusive a depressão, já que não produz mais retroalimentação do que a culpa.

Por isso, o mais conveniente é se manter sempre no ponto médio, que como dizia Aristóteles, é onde está a virtude: não se deixar levar pelas obrigações absolutistas de nossa era, nem abandonar o nosso próprio eu à preguiça.

O sensato é caminhar em direção ao lugar onde estivermos ativos, nos sentirmos úteis e tivermos objetivos e, além disso, tivermos tempo para dedicá-lo a nós mesmos, à família, aos amigos e a gozar a vida.

 A mente é maravilhosa.
domingo, 4 de junho de 2017 0 comentários

POR QUE REPETIMOS OS MESMOS ERROS?

POR QUE REPETIMOS OS MESMOS ERROS? 



De novo, de novo e de novo...
Quando conteúdos recalcados irrompem como sintoma,
sobrevém o sofrimento, mas também o alívio.

Em seu novo livro, o psicanalista e psiquiatra J.-D. Nasio parte de um questionamento comum, aparentemente comum, que a maioria das pessoas já fez em algum momento. A banalidade, porém, é mesmo só aparente: o tema é profundo, relacionado à constituição do sujeito e da subjetividade, ao determinismo psíquico – e arraigados sofrimentos que levam as pessoas a acreditar que são vítimas de um princípio “demoníaco”, como escreveu Sigmund Freud.

Por que repetimos os mesmo erros parte da noção de inconsciente, essa “força soberana que nos confere identidade social e nos impele a escolher a mulher ou o homem com quem compartilhamos a vida, a escolher a profissão que exercemos, a cidade ou a casa onde moramos – escolhas que julgamos deliberadas ou fortuitas ao passo que, na verdade, nos foram sutilmente ditadas pelo inconsciente”.

É essa instância que nos impele a repetir tanto o que nos faz bem, de forma sadia, quanto comportamentos que nos prejudicam.

Nasio reflete sobre essa ambivalência psíquica tomando como ponto de partida casos que fazem parte de sua experiência clínica. Destaca três leis que regem o processo repetitivo:
1. lei do mesmo e do diferente (algo jamais se repete de maneira absolutamente idêntica, aparece sempre um pouco diverso);
2. lei da alternância da presença e da ausência (a repetição não acontece todo o tempo);
3. lei da intervenção de um observador que enumera a repetição (só existe o fenômeno porque o contabilizamos, nomeamos e apontamos o número de vezes que ele se reproduz).

Embora muitos se deem conta do quanto são presas fáceis de cenários de fracasso que se reeditam levemente modificados, nem toda repetição é, necessariamente, prejudicial. Um dos pontos destacados no livro é seu efeito benéfico, quando associada à autopreservação, ao desenvolvimento e à formação da própria identidade – e sem caráter compulsivo.

Segundo Nasio, que durante 30 anos lecionou na Universidade de Paris VII, do ponto de vista psíquico é possível destacar três pontos de retorno ao próprio passado: por meio da consciência (marcada por recordações na maioria das vezes visuais, mas também táteis, gustativas ou olfativas ao que esteve esquecido, como Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust); em atos sadios (retorno, por meio dos comportamentos, a um passado conturbado e recalcado); e em atos patológicos (retorno compulsivo a um passado traumático e recalcado por meio de comportamentos).

As duas primeiras situações são qualificadas como sadias. A última, entretanto, tem caráter patológico.

É justamente a volta ao trauma que incomoda as pessoas que buscam atendimento psicológico ao perceberem, no presente, a eclosão do sintoma ou da ação impulsiva, também chamada de passagem ao ato. Sigmund Freud escreveu: “Os abalos inconscientes não querem ser rememorados, mas aspiram a reproduzir-se; o doente quer agir suas paixões”.

Nasio se encarregou dos grifos, ao definir a repetição patológica como uma série de pelo menos três ocorrências, na qual “uma emoção infantil, violenta, forcluída e recalcada aparece, desaparece, reaparece e reaparece novamente alguns anos mais tarde, na idade adulta, sob a forma de uma experiência perturbadora cujos paradigmas são o sintoma e a passagem ao ato”.

O autor destaca ainda duas formas básicas de repetição patológica: temporal e tópica. A temporal é facilmente detectada e o paciente sente que “faz parte dela”, é protagonista do sintoma, volta e meia se vê tragado por situações nas quais reconhece o sintoma. Já a repetição tópica ou espacial não é reconhecida pela pessoa, mas deduzida pelo analista.

Em Além do princípio do prazer, de 1920, Freud escreve que a criança nunca se cansa de repetir uma brincadeira ou ouvir uma história, é o adulto que lhe impõe o limite. Fica claro para qualquer um que tenha vivido diretamente ou presenciado esse tipo de situação que o prazer provocado pela repetição pode estar associado à compulsão pela gratificação. Mas quando conteúdos recalcados irrompem subitamente, transmutados em sintoma, o que sobrevém é o sofrimento. Ao mesmo tempo, porém, esse movimento permite uma descarga de tensão que, em algum nível, proporciona alívio.

Para dar conta dessa aparente contradição, Nasio recorre à teoria lacaniana, segundo a qual o gozo oferece dor e prazer, simultaneamente. O autor chama a atenção para o fato de que somos tanto atores quanto espectadores das repetições.

No momento em que retoma uma emoção traumática, a pessoa em análise é, simultaneamente, aquela que revive o trauma e que se observa revivendo essa experiência – e aí está uma porta possível para a ressignificação da repetição, da tentativa de controlar o que foi vivido passivamente. É um aspecto do que Nasio chama de “revivescência”, que se constitui ao longo de várias sessões psicanalíticas, indo muito além da rememoração.

O autor escreve: “Convém ao mesmo tempo sentir e ter consciência de sentir, dissociar-se entre aquele que revive o trauma e aquele que se vê revivendo o trauma”. Um processo árduo, delicado e em geral doloroso – mas felizmente possível e libertador.

Maria Maura Fadel
terça-feira, 25 de abril de 2017 1 comentários

SINCRONICIDADE: A CIÊNCIA DAS COINCIDÊNCIAS



 “O mundo é um ovo” ou “Que mundo pequeno!” são expressões que certamente você já usou ou ouviu em algum momento. Essas expressões são usadas quando uma situação de coincidência acontece. Um encontro de surpresa com alguém que você conhece em uma cidade diferente da sua pode ser um exemplo de  coincidência. Mas o que aconteceria se soubéssemos que, na verdade, isso tem a ver com uma ciência chamada “sincronicidade”?

Mesma que pareça incrível, importantes pesquisadores estudaram e tentaram identificar as relações que podem existir entre dois fenômenos taxados como muito improváveis ou que parecem não ter conexão alguma. E não foram nomes muito desconhecidos os que tentaram dar alguma explicação para estes acontecimentos. Podemos falar de gente de renome, como Carl Jung, por exemplo, que inventou o termo “sincronicidade”.

“Uma vez é acidente, duas é coincidência, e três é ação do inimigo”.
– Ian Fleming –

O que é a sincronicidade?

Às vezes pensamos que o universo está nos enviando sinais quando acontecem coincidências que são muito surpreendentes. No entanto, para Jung, era simplesmente a sincronicidade, que poderia ser definida como a simultaneidade de diferentes eventos vinculados por um sentido que não é o da coincidência.

Ou seja, podemos resumir esta singular ciência em uma coincidência temporal de uma série de eventos (dois ou mais), que apesar de estarem relacionados entre si, não são influenciados um pelo outro. No entanto, existe uma relação de conteúdo.

Para tentar tornar isso mais fácil, imagine que você tem um bom amigo. Um dia, conversando com o seu pai, você fala para ele sobre essa amizade e comenta seu nome com ele, quem são seus familiares, etc. Assim, do nada, seu pai percebe que seu amigo tem uma relação familiar distante com a sua, porque o avô de seu amigo e a sua avó eram primos de segundo grau.

Observemos no exemplo que o fato de você e do seu amigo serem parentes distantes não tem nada a ver com a sua amizade e nem com como ela aconteceu. No entanto, há uma relação de conteúdo, mas não de coincidência.

Mais detalhes curiosos sobre a sincronicidade

Muitos autores estudaram ou falaram, inclusive sem saber, sobre essa peculiar ciência. Para Friedrich Schiller, por exemplo, o acaso surge de fontes profundas, por isso a coincidência não existe. No entanto, o surrealista André Bretón considerava a existência do acaso objetivo, quando seus desejos convergem com o que o mundo oferece.

Porém, de acordo com Jung, quando falamos de sincronicidade, nos referimos à união de acontecimentos internos e externos. Sendo assim, o indivíduo que vive determinados acontecimentos encontra sentido na unificação de ambos.

Apesar de acudirmos à metafísica para justificar estes acontecimentos, como pode ser o acaso ou a sorte, inclusive a magia, na realidade aconteceriam em forma de atração inconsciente. Uma atração inconsciente que faz com que as coisas aconteçam, pelo menos de acordo com o que Jung considera. Isso nos leva ao reconhecimento de padrões.

É por isso que esta teoria do autor, que nasce da psicanálise, choca-se com movimentos racionalistas e materialistas. Entretanto, o famoso psicólogo estabelecia épocas mais ou menos propícias para o aparecimento das sincronicidades..

O reconhecimento de padrões

Cabe destacar que Jung estabelecia a sincronicidade ou ocorrência como uma busca de padrões reconhecíveis. Por essa razão, segundo o psicanalista, fases após a morte de pessoas queridas ou mudanças no trabalho provocam uma maior energia para a coincidência. Tudo isso se deve às mudanças provocadas em nós após essas situações, que nos levam a buscar padrões reconhecíveis que deem sentido a nossa busca. Assim, este impulso de reconhecimento que parece que todos nós temos, é a base da sincronicidade.

De acordo com alguns estudos, em momentos de elevada quantidade de dopamina no cérebro, caso de situações estressantes ou de grande profundidade emocional, nós tendemos ao pensamento mágico. Porém, essa magia, que seria a coincidência, é na realidade a sincronicidade.

No entanto, não se deve desprezar a necessidade de busca por padrões. Isso é algo natural que temos na mente humana desde o tempo das cavernas. E mais, este tipo de pensamento está ligado à anedonia, cuja inexistência poderia provocar a incapacidade de sentir prazer. Ou seja, essa é, na realidade, uma habilidade que nos ajudou a sobreviver durante milhares de anos.

“Não acredito na coincidência nem na necessidade. Minha vontade é o destino”.
– John Milton

Então não pense na loucura da coincidência e do acidente. Somos propensos a procurar padrões e, em muitas ocasiões, nosso cérebro lida com essa informação de forma inconsciente. Entretanto, é um mecanismo valioso que nos ajuda a tomar decisões. Talvez a magia da coincidência não exista, mas pode ser bonito e útil pensar que sim.
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MIGRAÇÃO E REFUGIADOS



 “Acontecerá algo terrível antes de se encontrar um equilíbrio.”

- Umberto Eco

A entrevista dele ao Expresso era sobre livros, mas Umberto Eco falou sobre mais - incluindo este tema que o preocupa há muito, o da migração e dos refugiados. Recuperamos o que ele enunciou em abril agora que estamos despertos para uma tragédia que se estende não há dias nem semanas, mas há meses e quase anos. É uma reflexão dura: “ A Europa irá mudar de cor. E isto é um processo que demorará muito tempo e custará imenso sangue”. Mas também com fé no outros homens - nos que estão e nos que vêm: “A migração produz a cor da Europa”

Entrevistámos Umberto Eco no seu apartamento em Milão. Atendeu o intercomunicador e abriu a porta de casa, revelando a sua alta figura e a cordialidade que seria uma constante durante a conversa. De eterno cigarro apagado entre os dedos - desistiu de fumar mas não se desfez do gesto - ofereceu café e sentou-se na sua poltrona de cabedal. Falámos da infância, da escrita, de jornalismo - central em "Número Zero", o novo romance que saiu em maio em Portugal. Mas falámos também da Europa e dos longos processos migratórios que a configuraram. Para Eco, estamos a atravessar um deles e não será um caminho fácil nem desprovido de desafios. Eis alguns excertos da entrevista.

1. CULTURA NÃO QUER DIZER ECONOMIA
"Desde a juventude que sou um apoiante da União Europeia. Acredito na unidade fundamental da cultura europeia, aquém das diferenças linguísticas. Percebemos que somos europeus quando estamos na América ou na China, vamos tomar um copo com os colegas e inconscientemente preferimos falar com o sueco do que com o norte-americano. Somos similares. Cultura não quer dizer economia e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural."

2. UM GRANDE ORGULHO
"Quando atravesso a fronteira sem mostrar o passaporte e sem ter de trocar dinheiro, sinto um grande orgulho. Durante dois mil anos, a Europa foi o cenário de massacres constantes. Agora, esperemos um bocado: mesmo que o mundo hoje seja mais veloz, não se pode fazer em 50 anos o que só fomos capazes de fazer em dois mil. E mesmo indo nessa direção, não sei como os países europeus poderão sobreviver: estão a tornar-se menos importantes do que a Coreia do Sul, e não apenas do ponto de vista industrial. Culturalmente, está-se a traduzir mais livros lá do que em França."

3. A COMISSÃO DAS PESSOAS SÁBIAS
"Entidades nacionais como Portugal ou Itália tornar-se-ão irrelevantes se não fizerem parte de uma unidade maior. Mas nada disto se constrói em pouco tempo. O problema da Europa é estar a ser governada por burocratas. Uma vez, uma instituição europeia - não me recordo qual - decidiu criar uma comissão de pessoas sábias. Estava lá Gabriel García Márquez, Michel Serres e eu próprio. Os outros convidados eram burocratas europeus. Cada reunião servia para discutir a ordem de trabalhos da reunião seguinte. Aquilo era o retrato da Europa: pessoas a governarem uma máquina autorreferencial. Porém, é o que temos. É como a democracia segundo Winston Churchill: um sistema horrível, mas melhor do que os outros."

4. UM PROCESSO QUE CUSTARÁ IMENSO SANGUE
"Estou muito preocupado, não por mim, mas pelos meus netos. Escrevi-o há 30 anos: o que se passa no mundo não é um fenómeno de imigração, mas de migração. A migração produz a cor da Europa. Quem aceitar esta ideia, muito bem. Quem não a aceitar, pode ir suicidar-se. A Europa irá mudar de cor, tal como os Estados Unidos. E isto é um processo que demorará muito tempo e custará imenso sangue. A migração dos alemães bárbaros para o Império Romano, que produziu os novos países da Europa, levou vários séculos. Portanto, vai acontecer algo terrível antes de se encontrar um novo equilíbrio. Há um ditado chinês que diz: 'Desejo-te que vivas numa era interessante'. Nós estamos a viver numa era interessante."

5. A ÉTICA DA REPÚBLICA
"Não se deve perguntar porque haverá derramamento de sangue: é um facto. Vejamos a França. É o caso típico de um país que acreditou poder absorver a migração. Porém, por um lado, impôs logo aos migrantes a ética da República; e, por outro, arrumou-os nos bairros remotos. É muito raro encontrar um migrante a viver ao lado de Notre-Dame."

6. INTEGRAÇÃO E ÓDIO
"Porque é que um muçulmano em França se torna fundamentalista? Acha que isso aconteceria se vivesse num apartamento perto de Notre-Dame? A sua integração não foi completa nem poderia ser. De novo, é um facto. A migração a longo prazo pode produzir integração mas a curto prazo não, e a não-integração produz uma reação, que pode ser de ódio."

7. NO SENTIDO EM QUE HITLER NÃO ERA A CRISTANDADE
"O inimigo é sempre inventado, construído. Precisamos dele para definir a nossa identidade. A extrema-direita italiana acredita que são os ciganos ou os migrantes pobres, ou o Islão em geral, ainda que o Islão possa assumir muitas formas. Ora, o Estado Islâmico não é o Islão, no sentido em que Hitler não era a cristandade."

8. RESPOSTA: NÃO
"A Idade Média não existe, porque tem dez séculos. É uma construção artificial. De qualquer forma, vemos que é uma época de transição entre dois tipos de civilização. E provavelmente - falávamos de migração - estamos numa era de transição, que é sempre difícil. A questão é: houve alguma era que não fosse de transição? Resposta: não. Mas houve momentos em que cada um vivendo no seu país não se apercebia de que havia uma transição a acontecer no mundo."

9. CHAMA OS BOMBEIROS
"Qual o papel do intelectual hoje? Não dar muitas entrevistas! [risos] Falando a sério, penso que é duplo. Primeiro, é dizer o que as outras pessoas não dizem. Não é dizer que há desemprego em Itália. Segundo, não é resolver os problemas imediatos, é olhar para a frente. Se um poeta está num teatro e há um incêndio, não se põe a recitar poemas: chama os bombeiros. Pode é escrever sobre incêndios futuros."

10. PERDA DO PASSADO
"É impossível pensar o futuro se não nos lembrarmos do passado. Da mesma forma, é impossível saltar para a frente se não se der alguns passos atrás. Um dos problemas da atual civilização - da civilização da internet - é a perda do passado."

Fonte: Expresso/sapo.pt (2015).  Entrevista com UMBERTO ECO
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“O PORTUGUÊS DO BRASIL VAI DOMINAR”



O romancista moçambicano afirma que o poder que o país tem deexportar cultura está contagiando todos os países de língua portuguesa


A língua portuguesa está se transformando, muito por causa do papel das nações emergentes lusófonas da África. Nesta entrevista a Luís Antônio Giron da revista Época, concedida em São Paulo, o escritor moçambicano Mia Couto, diz que, apesar da renovação de linguagem que a África apresenta hoje, o Brasil reúne condições para se tornar a nação dominante do ponto de vista cultural e linguística. Em relação aos países africanos, Couto diz que é preciso distinguir entre independência e descolonização – e que a África ainda não enfrentou o segundo termo.

Para ele, o Brasil serviu como modelo para a formação da identidade nacional das nascentes nacos lusófonas da África, mas pelo lado da mistificação, o que se esgotou rapidamente. Ele afirma que o Brasil virou as costas para a África.

Luís Antônio Giron – O uso do português em várias nações gerou diferenças de vocabulário e uso. O português está se transformando a ponto de se desfigurar?

Mia Couto – O português é uma língua viva, não porque ela seja especialmente diferente. Mas ela viveu essa coisa que se chama Brasil. Vive a África que está se apropriando dela com cinco países africanos que o fazem de modo diverso. É evidente que é preciso um cuidado para que a língua continue com uma identidade e um fundamento. As diferenças do português em vários países não são sentidas como um problema. Salvo alguns intelectuais conservadores do Brasil e de Portugal, que têm um certo gosto de se apropriar da pureza da língua. De resto, existe nos países lusófonos até um gosto de visitar essas diferenças. O que está acontecendo de forma inelutável é que a variante brasileira será dominante. O português do Brasil vai dominar.

Luís Antônio Giron – Por quê?

Couto – Por causa do tamanho do Brasil e da capacidade que o país tem de exportar a si próprio, por via da novela de televisão. Há coisas que estamos pegando de vocês brasileiros que vocês nem notam. É o caso da expressão “todo mundo”. É uma expressão típica brasileira. Nos outros países dizemos “toda gente”. Mas hoje “todo mundo” é comum em Moçambique. Outra palavra é cambalacho... Deve ser uma expressão africana.

Luís Antônio Giron – “Cambalacho” é um termo do lunfardo, da gíria portenha, que incorporamos... É como “bacana’, do lunfardo argentino. Há uma troca. Eu lamento que não saibamos mais sobre as formas de falar da África. O Brasil exporta, mas não sabe absorver o que vem de fora.

Couto – O Brasil quis fazer uma batalha dentro da própria língua para se tornar independente de Portugal. Houve a afirmação de uma identidade própria que se expressa na língua. O Brasil sofre do peso de seu próprio tamanho. Sofreu um processo autocêntrico, que agora está sendo repensado e está mais propenso a escutar aquilo que vem de Moçambique, Angola e Timor Leste.  Ele tem muita coisa da África, mas é antigo. Agora o país importa o vocabulário do Brasil. Nós africanos temos que ser mais ativos e mais criativos nessa troca com o Brasil.

Luís Antônio Giron – Na palestra que o senhor fará no Brasil, o senhor chama atenção para o perigo de o pensamento se fechar em si mesmo. Como mantê-lo aberto?

Couto – As fronteiras são vitais, todo organismo cria seus próprios limites. As fronteiras na natureza são feitas para intercambiar. Mas na civilização as fronteiras são feitas para fechar, para enclausurar. A grande aprendizagem nossa é se mantiver em uma fronteira que crie pontes. O grande problema hoje é que as fronteiras criadas entre culturas, civilizações e povos nascem para fechar. As fronteiras são construídas a partir do medo do outro, do desconhecido. O outro é apresentado como uma ameaça, aquele que tem uma outra política, uma outra religião.

Luís Antônio Giron – O medo é também um problema político?  Erguer fronteiras – políticas, culturais, linguísticas e espirituais – é uma necessidade humana?

Couto – É uma necessidade humana, mas não da maneira como fazemos. Tivemos outras maneiras. Há culturas de hoje que são abertas, feitas para o convívio, para a partilha. Na África, muitas dessas fronteiras são vivas. As fronteiras se fecham às vezes. O fato de serem países em que o Estado homogêneo e todo-poderoso não existe tornam as fronteiras ávidas de deixarem de ser fronteiras. É uma condição diferente da dos países europeus, árabes, asiáticos e nos Estados Unidos. O medo hoje é bem distribuído, numa narrativa que contaminou tudo.

Luís Antônio Giron – Por que a Europa está caminhando na direção da exclusão do imigrante e de sua transformação em mão de obra.

Couto – Isso acontece como uma maneira de ocultar os problemas internos que essas sociedades têm. É uma forma de escamotear os conflitos internos desses universos. Existem razões que tendem a culpar o outro, sempre o estranho.   É como as famílias que recomendam às crianças que não falem com estranhos. Quando, na realidade, as grandes violências são cometidas dentro da casa. Essa versão começa a ser inculcada desde a infância.

Luís Antônio Giron – Como o senhor analisa a tribalização do mundo?

Couto – A tribalização da Europa acontece ao contrário do que aconteceu na África. Noto isso em Moçambique, que se manteve isolado por longo tempo. Mas era um país sentado à beira da praia, esperando pelos navios.  Tudo se deve à enfermidade dos mecanismos de pensamento, que tendem a criar essências, como algo que está fora da história, que faz parte da natureza. Assim, criam-se os estereótipos, como se dá no Brasil: os brasileiros do Sul são trabalhadores por natureza, os do Nordeste são menos trabalhadores, como se fosse uma coisa que está na massa do sangue. Como se tivéssemos que arrumar o mundo em um monte de gavetas, em vez de compreender que cada pessoa é uma pessoa e temos de procurar uma identidade.

Luís Antônio Giron – O senhor tem uma expressão que pode soar politicamente incorreta: “Eu sou mulato não das raças, mas de existências”.

Couto – É difícil de conviver com a complexidade que cada um tem dentro de si e o que cada outro é. Apesar da tendência de categorizar e simplificar, há qualquer coisa que escapa à categorização. É esta coisa que escapa que é o mais bonito, é o que quero fixar.

Luís Antônio Giron – O senhor afirma que a atitude politicamente correta é prejudicial às sociedades pós-coloniais como Brasil e Moçambique. Por quê?

Couto – Porque a mentalidade politicamente correta nasce de uma atitude religiosa do norte da Europa, da procura daquilo que é puro do ponto de vista moral, liberto de outras contaminações. Ela tenta resolver o mundo pela palavra. Pode soar poética, mas é uma coisa da religião protestante, que apoiava tudo na palavra divina, no poder do livro. É uma operação que obriga a pessoa a pensar duas vezes antes de dizer “favela” ou “comunidade” – um eufemismo que também tem origem religiosa. Tenho de policiar minha expressão de maneira que ela pareça certa. No fundo, não se resolve aquilo que é mais importante: mudar a realidade para que eu não tenha medo das palavras nem ter de pensar cinco vezes se eu devo dizer “negro” ou “preto” ou “afrodescendente”. O engraçado é que isso varia. Nosso foco tem que ser outro. É preciso deixar de pensar no vestuário superficial da palavra e ir mais fundo, investigar o próprio pensamento.

Luís Antônio Giron – O senhor não acha que, mesmo assim, em nome da ética e do respeito, algumas palavras precisam ser substituídas?

Couto – Há casos em que é preciso alterar o uso das palavras. A conotação que liga o negro ao negativo, ao sinistro.

Luís Antônio Giron – Como é a mentalidade politicamente correta na África?

Couto – Na África, essas coisas quase não existem, e quando ocorrem é por influência dos Estados Unidos. Essa coisa da afirmação positiva, das costas, nunca existiu. Mas agora já começa a haver um movimento a favor de introduzir um mecanismo de acerto por imposição de uma cota.

Luís Antônio Giron – O senhor é a favor das cotas?

Couto – Não tenho simpática nenhuma pelas cotas. A cota avilta quem recebe e não diz nada de quem a dá. É preciso que não haja cotas, e sim que se resolvam os problemas radicalmente.

Luís Antônio Giron – Como seria resolver esses problemas em um mundo regido pelo mercado?

Couto – Não sei se é tão inviável assim. Por que não fazemos outra vez uma revolução? Não sei como. Para já o que é preciso não aceitar as cotas. Parecem soluções, são panaceias. Na África, as elites reproduziram o discurso do orgulho nacionalista e acabaram por reproduzir também os mecanismos de repressão a seu próprio povo. Em relação à realidade anterior, colonial, nada mudou. Processou-se apenas uma mudança de turno, as elites substituíram o antigo poder colonial europeu. As elites africanas indigenizaram o próprio colonialismo. É um sistema. É como se o oprimido se tornasse rapidamente opressor.

Luís Antônio Giron – Os países europeus experimentam hoje uma situação que África e Brasil já lidam há séculos: a da identidade múltipla. Com tantas identidades, a tendência não é a diluição? Ou o multiculturalismo é a solução para um mundo em crescente diversidade?

Couto – Não gosto do conceito e da palavra multiculturalismo. É preciso considerar o que cada um de nós tem por dentro. Ninguém é feito de uma cultura só. Isso não existe hoje. Eu dei aulas como biólogo e eu mostrava aos meus alunos que eles não são um indivíduo, mas uma simbiose de indivíduos com identidades completamente diversas, como bactérias, fungos e vírus que não estão vivendo com eles, mas são eles. A aceitação de que somos tão diversos é difícil. Aí os alunos achavam estranho e diziam: “Bactérias? Então eu sou bactéria?” Gosto de tudo o que a ciência propunha para derrubar a ideia de que somos um produto divino e puro foi absorvida. Quanto aos europeus, eles acreditam que defendem uma fortaleza, que é o centro histórico da civilização. Isso foi manipulado para que eles pudessem conviver com outras culturas, aí o multicultralismo. Mas a verdade é a convivência é pacífica, mas cada um tem a sua cultura separadamente.  Quando o ponto é que as culturas têm que se misturar e se tornar uma simbiose. Um pouco como aquilo que o Brasil fez: incorporar suas diferentes matrizes.
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Luís Antônio Giron – No Brasil isso acontece em um plano mais ideal que real.

Couto – Sim, é mais o que o Brasil gostaria que acontecesse do que acontece. Os brasileiros conseguiram ir mais longe que quaisquer outros povos em fundir as religiões, fazer sincretismos, absorver as coisas que vieram da África e da Europa. Mas a sociedade brasileira é muito estratificada, é muito hierarquizada. E hoje acontece no Brasil um discurso de afirmação que dita que se sentir superior é se sentir europeu. O processo de imposição da língua, por exemplo, se deu pela violência. No Brasil ou em Moçambique, a língua portuguesa foi imposta. Há mais de 20 línguas diferentes em Moçambique. Todo mundo pode hoje falar sua língua, mas não é uma língua de prestígio, que pode chegar ao livro, como o português. O português é uma violência sutil hoje, mas continua presente.

Luís Antônio Giron – O poder do pensamento sistemático ocidental é arrasador. O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss veio ao Brasil e descreveu a complexidade do pensamento selvagem. Mas esse pensamento é reduzido a um objeto de estudo antropológico. O que seria uma redução.

Couto – O problema é que as pessoas que vivem esse pensamento aprendem rapidamente a se envergonhar do que elas pensam e praticam o suicídio epistemológico. Eles se encarregam eles próprios de matar os fundamentos de seu pensamento. Quando é objeto de uma coisa exótica, com sua graça, que serve a uma disciplina de etnografia e antropologia, mas não de alguma coisa que pode ser incorporada na modernidade. E aí o pensamento selvagem não tem lugar. Só tem lugar como objeto de museu.

Luís Antônio Giron – Os artistas tentaram alterar a imagem da África, não? É o caso de Picasso e sua tela Les Demoiselles d’Avignon...

Couto – A arte vai à frente, tentando abrir um caminho, de uma maneira muito modesta. Mas isso depois tem consequências. A arte e a literatura podem criar um desejo de que o mundo pode ser diverso. É um trabalho quase psiquiátrico o do artista, o de fazer as pessoas perderem o medo do outro e do desconhecido. Não só isso, mostrar que aqueles que a gente tema podem manter conosco uma relação de solução e de enriquecimento. A arte pode propor uma relação de namoro.

Luís Antônio Giron – Como enfrentar os problemas culturais e educacionais nos países africanos?

Couto – Hoje há muito mais gente em escola. Não são escolas que pensem seu próprio perfil e no sentido da utilidade. Estamos defasados em relação às grandes demandas do mundo. Falta qualificação em áreas no domínio técnico. Portanto, estamos criando uma situação em que há muita gente escolarizada e pouca preparada para enfrentar o mundo. A apreciação da África tem que mudar, e ler literatura contemporânea da África ajuda nisso. A África não exporta só jogador de futebol e dançarino. Exporta pensamento, a capacidade de produzir beleza.

Luís Antônio Giron – O Brasil hoje voltou a ser modelo para a África?

Couto – O presidente Lula torou o Brasil mais próximo. Até então o Brasil estava de costas viradas para a África. Na relação entre o Brasil e África, pode-se dizer que há um pré-Lula e um pós-Lula. Com Dilma, existe uma continuação. As empresas brasileiras foram levadas para a África e nossa relação se libertou do laço político. A Odebrecht, a Vale e Andrade Gutierrez estão presentes na África e estabeleceram uma relação que não depende mais da política. São empresas que criam relações. A Vale tem milhares de funcionários brasileiros que vivem em Moçambique, nas mais diferentes cidades. E isso cria qualquer coisa próxima. Eu lembro que anos atrás eu cheguei a um hotel, os moçambicanos se cumprimentavam à maneira indiana, com “Nemastê”. Eu não via televisão e achei tudo estranho. Só depois que soube que era por causa de uma novela, O caminho das Índias, que os brasileiros estavam vendo no hotel, e que contaminaram todos. Ali eu vi a globalização: os africanos se cumprimentando à maneira indiano por causa de uma novela brasileira.

Luís Antônio Giron – Como está a literatura moçambicana hoje?

Couto – Há uns cinco escritores interessantes e que se projetam mundialmente. O fato é que vivemos uma estagnação durante a guerra civil, de 1977 a 1992. A escola que ainda cultivava a literatura morreu. Hoje assistimos aos meninos que estão abraçando a poesia e o conto, e estou muito otimista.

Luís Antônio Giron – Por que o senhor nunca saiu de Moçambique e trocou Maputo por Lisboa?

Couto – Isso acontece mais com os africanos de língua inglesa do que os lusófonos. Lisboa é uma capital atraente mas não é Londres nem Paris. Nunca me ocorreu fazer isso. Não era um opção. Se eu tivesse de sair de Moçambique, eu carregaria Moçambique comigo. Minha família era muito nuclear. Fui visitar Lisboa quando adulto. Meus pais e meus irmãos estão lá. É como se Adão e Eva estivessem nascido em Moçambique.  Outro mundo era coisa estranha. O Brasil sofreu um processo autocêntrico, que agora está sendo repensado.

Luís Antônio Giron – O senhor diz que a literatura brasileira não é conhecida na África.  Como o senhor faz para tomar contato com ela?

Couto – Quando estou no Brasil faço minhas incursões. Gosto de algumas coisas que estão sendo feitos, como o Milton Hatoun, que é uma referência para mim. Um livro que me marcou foi O leite derramado. Porque eu queria ter feito esse livro, a memória de um velho que está no limite do que podemos acreditar, contando sua história e a de seu país. Era o meu projeto. Eu me reconheci no livro. Estou tentando encontrar uma maneira que seja minha.

Luís Antônio Giron – O senhor está escrevendo um romance?

Couto – Sim, ainda não tem título. É a história de um imperador, Gungunyana, um resistente contra a ocupação colônia, ele reinou de 1870 a 1895. Portugal precisava de capturá-lo para manter seu território colonial. Eu quero contar a história dele, mas não como um romance histórico, mas através de uma tradutora, como um elo entre o poder colonial e a resistência. Ela foi levada a Lisboa com Gungunyana. Ele morreu nos Açores, enterrado no mar como diz a personagem. É uma tentativa de reabilitar um personagem de um tempo que foi mistificado.

Luís Antônio Giron – O que o senhor aprendeu com os escritores brasileiros?

Couto – Eu vim beber no Brasil. Sou mais influenciado pelos poetas brasileiros, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. A minha casa vivia cheia de poesia, porque meu pai, Fernando Couto, era vidrado em poesia brasileira e francesa. Eu tinha discos da poesia jogral de São Paulo, que hoje ninguém mais conhece. Mas me marcou escutar poemas como “Essa nega fulô”, de Jorge de Lima. Poesia era mais som do que leitura para mim. Em minha casa viviam essas vozes. Eu nem me dava conta de que poesia vinha do livro. Comecei a ouvir música brasileira na nossa varanda. Meu pai ouvia também as canções praieiras do Dorival Caymmi e aquele jeito doce de cantar me marcou desde menino. Depois vieram João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa. Quando publiquei Vozes amanhecidas, em 1987, eu sofria influência do Guimarães Rosa, embora nunca o tinha lido. Depois o escritor Luandino Vieira, que transgredia a norma incorporando os sotaques de Luanda, chamou atenção em um entrevista que era influenciada por  Guimarães Rosa. Eu consegui uma fotocópia do conto “A terceira margem do Rio” e finalmente li. Quando escrevi o segundo livro de contos, Cada homem é uma raça, aí já era totalmente influenciado em Guimarães Rosa. Os contos dele são romances condensados.

Luís Antônio Giron – O senhor se encantou com Rosa pelo fato de ele experimentar e manipular a linguagem?

Couto – Sim. E era uma coisa que fazíamos intuitivamente em Moçambique, como deve ser quando incorporamos uma língua. Precisamos torná-la íntima, namorar com ela no chão e criar um novo ser.  O Rosa faz parte de um contexto histórico em que havia a necessidade de criar o sertão, uma fronteira pura em que o mundo não chegava para contaminar. É a construção do território da palavra, contra a lógica do tempo, isso me parecia importante.

Luís Antônio Giron – Qual a sua principal influência literária?

Couto – Venho da poesia. Li poesia francesa, como os surrealistas Paul Éluard e Jacques Prévert,  os petistas da resistência espanhola como Miguel Hernandez ou García Lorca. Vivíamos como se a poesia fosse um habitante da casa.  Fernando Pessoa é impossível de contornar. Ele é infinito. Na adolescência ele era o meu guia. Ele é o maior. Ele me ajudou a me resolver internamente, naquele momento que temos de nos confrontar com escolhas e criar uma identidade reconhecível, simples e única. Ele foi mais que uma influência literária. Foi filosófica.  Ele me ensinou a ser múltiplo e plural. Ele é o verdadeiro autor de autoajuda. 

Luís Antônio Giron – O quanto de poesia tem a sua obra de ficção? Há diferença para o senhor entre poesia e prosa?

Couto – Eu estou sempre lá na poesia. Não vejo diferença, faço prosa e poesia. Quando decido contar uma história, romance ou conto, acontece em poesia, só. É um estorvo. Quero contar uma história e ter a disciplina de romancista e lá está a poesia. Agora, olhando para a chuva na janela, a poesia é uma chuva que limpa o céu e torna a alma limpa. Vou para o romance sem saber como vai ser a história. É como se a poesia me ajudasse de olhar a história.

Luís Antônio Giron – De onde o senhor tira suas histórias? E como as compõe?

Couto – Conto uma história a partir da sugestão do real. Mas tenho um pudor que me faz não reproduzir uma história real. Tiro de conversas de pessoa. Isso vem da capacidade de escutar os outros, há sempre uma história que está oculta. É um exercício que faço desde menino. Eu me sentava diante da casa e os meus pais me chamavam de muito devagar. Eu era muito sossegado. E assim eu observava.  Contar história é uma coisa que parte do não saber. É uma ignorância intencional. Ela me torna disponível para escutar vozes dos personagens. O que eu gosto é criar personagens. Eles têm de ser suficientemente sedutores para que eles possam me escutar também. É um jogo. Eu sei que é romântico o modo como olho o meu próprio modo de produção. Mas é assim que funciona.

Luís Antônio Giron – O senhor é romântico, não?

Couto – Sou um romântico que briga com a realidade, mas não lhe dá tanta importância assim como os românticos do passado. É que é um modo de subverter as coisas que eu aprendi do [líder revolucionário] vietnamita Ho Chi Minh. Ele escreveu uma poesia delicadíssima quando estava na cadeia. Perguntaram a ele como era possível ele ter escrito poesia tão singela numa posição tão dura. A resposta dele é um lema para mim: “Eu desvalorizei as paredes”. No fundo ele nunca esteve preso. Estamos presos a esta coisa que chamamos realidade, há uma ditadura que diz que o mundo tem que ser assim. Mas o mundo não é assim. Há outros mundos possíveis.

Luís Antônio Giron – Qual o seu método de trabalho?

Couto – Estou sempre anotando. Meus bolsos estão cheios de papéis e isso me atrapalha. É um caos permanente que depois pede que eu tenha um retiro para eu poder dar uma ordem a isso. Escrevo com a mão. Anoto em cinco, seis cadernos que perco, e depois escrevo no computador. O caos faz parte de mim.

Luís Antônio Giron – Que conselhos o senhor daria a um escritor jovem ou iniciante?

Couto – Meu conselho é que ele não fique intimidado pelo desejo de escrever bem. O escritor não é aquele que escreve bem só. Estiver bem escrevem muitos. É que ele procure a história, aquilo que é único, que ele deixe se surpreender com a permanência da infância nele. Não ter medo da infância.

Luís Antônio Giron – Experimentar a linguagem não está fora de moda?

Couto – Eu mesmo não me contento mais com isso. Estou buscando uma via, quero me surpreender, quero ousar. Por via da poesia quero manter uma relação de surpresa com a linguagem. Mas a busca da palavra transgredida estou abandonando. Há uma diferença em relação a isso com o tempo. Minha literatura ficou mais contida.

Luís Antônio Giron – O senhor enxerga alguma coisa boa na literatura de entretenimento?

Couto – Eu não gosto disso. Livros de aeroporto eu raramente compro. Eles são anunciados como os mais vendidos. Não é um estigma, mas eu procuro aquilo que é mais experimental e feito com um propósito que não seja de venda.

Luís Antônio Giron – É difícil ser escritor sem marketing, seja o pessoal, seja os das agências literárias e editoras. É possível viver sem isso?

Couto – A negocia ação que você pode fazer com o mercado é no sentido de não alterar o território impoluto da produção artística. Há um território que tem que ser preservado. No meu caso, tenho sido capaz de manter isso. Não faço por cálculo nem administro o que eu sou ou o que eu faço que não seja pelo trabalho artístico.

Luís Antônio Giron – As mudanças tecnológicas – como internet, e-books e tablets – estão alterando a forma de fazer literatura – e seu estilo?

Couto – Não sou muito capaz de entrar nesse mundo. Mas entrei o suficiente para que ele me ajudam. As tecnologias são escravas, ferramentas que eu uso, mas mantenho o meu universo interior.

Luís Antônio Giron – Os blogs provocaram uma renovação literária significativa ou repetem chavões?

Couto – Sim, a literatura se tornou mais acessível, aberta e imediata. Democratizar os autores é um universo completamente novo.

Luís Antônio Giron – Qual o futuro da ficção num mundo cada vez mais fascinado por produtos de alta tecnologia? A leitura não está prejudicada? A atenção não se dispersa?

Couto – A tecnologia não é ameaça. O pior é a incapacidade dos jovens de produzir histórias. Ele precisam ser capazes de ser autores das próprias histórias. Meu medo é que os jovens passem a ser grandes consumidores e não autores de um narrativa das suas próprias fantasias.  E isso começa na linguagem funcional e utilitária. Aquilo que está na língua e é fonte de enorme prazer e invenção da pessoa, essa parte está muito esquecida.

Entrevista - MIA COUTO:
 
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