2c6833b0-77e9-4a38-a9e6-8875b1bef33d diHITT - Notícias Sou Maluca Sim!: Março 2017
terça-feira, 28 de março de 2017 0 comentários

GENTE COMPLICADA



Muitas vezes fugimos de quem sofre. Atrapalha nossos planos de fim de semana. E é verdade. Uma característica de quem sofre é ser repetitivo em sua dor. 
A repetição exala morte. Mas o sofrimento é mesmo uma fratura em nossos
planos de autonomia afetiva.


Bem, eu tenho a triste mania de gostar de gente complicada, talvez porque quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele sempre se encontra: 
meu coração. 

Jaqueline Ramiro
0 comentários

ESTE É UM MUNDO DOS HOMENS, DOS HOMENS, DOS HOMENS



Este é um mundo de homens, este é um mundo de homens
Mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma menina

Veja, o homem fez os carros para nos levar ao longo da estrada
O homem fez os trens para transportar cargas pesadas
O homem fez a luz elétrica para nos tirar da escuridão
O homem fez o barco para a água, como Noé fez a Arca

Este é um mundo dos homens, dos homens, dos homens
Mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma menina

Homem pensa sobre menininhas e menininhos
O homem os faz felizes porque o homem faz brinquedos para eles
E depois de o homem ter feito tudo, tudo que ele pode
Você sabe que o homem faz dinheiro para comprar de outro homem

Este é um mundo de homens
Mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma menina

Ele está perdido na selvageria
Ele está 
perdido na amargura

0 comentários

NÃO VIVA PARA TRABALHAR, TRABALHE PARA VIVER.



Existe um mito muito difundido segundo o qual “trabalhar mais cada dia contribui para forjar um melhor futuro profissional”. É um mito porque embora ter eventualmente longas jornadas profissionais possa contribuir para está comprovado que o excesso de trabalho leva a resultados mais pobres. melhorar os ganhos, com o tempo a única coisa que o excesso de trabalho faz é desenvolver uma fadiga profissional e um rendimento menor nas tarefas.

Trabalhar duro é visto por muitas pessoas como o caminho para o sucesso. Em parte elas têm razão: existem poucas possibilidades de triunfar realmente se não for a partir de um esforço contínuo. Elas se enganam, contudo, no fato de que o trabalho duro não é necessariamente “super-ocupação”.

De fato, está comprovado que o excesso de trabalho leva a resultados mais pobres.

“Uma máquina pode fazer o trabalho de 50 homens comuns. Mas não existe nenhuma máquina que possa fazer o trabalho de um homem extraordinário.”

O mais grave é que muitos descobrem estas grandes verdades quando já é tarde. Quando já adoeceram de estresse ou de qualquer outra patologia mental. Esta descoberta também acontece quando as pessoas percebem que pelo seu grau de exigência perderam momentos que já não poderão recuperar e aos quais nunca teriam renunciado racionalmente.

Encaram um divórcio pelo afastamento emocional dos seus cônjuges, ou percebem que seus filhos já são maiores e jamais compartilharam uma tarde de brincadeiras com eles. Acordam um dia e, ao abrir os olhos, são invadidos por uma profunda tristeza, uma dor que, por outro lado, o dinheiro ou o reconhecimento social dificilmente consolam.


Os efeitos de trabalhar em excesso


Quase todo mundo acha que deveria trabalhar o máximo quando é jovem, com o fim de garantir uma aposentadoria confortável. Contudo, logo percebem que depois de oito horas diárias dedicadas a uma atividade, a mente começa a divagar e a se dispersar. Dá muito trabalho se concentrar no que está fazendo e, às vezes, ter também um sono reparador.

Com o tempo, esses sintomas se transformam em um desânimo geral. Você se sente triste o tempo todo, com angústia de tentar cumprir totalmente com todas as suas obrigações e com sentimento de culpa por não conseguir que tudo seja perfeito.

É então quando você se torna irritadiço. Tudo, ou quase tudo, incomoda. Então, você justifica o seu mal-humor dizendo para si mesmo e para os outros que você é uma pessoa séria, que suas metas são muito altas e que você não pode passar o resto da vida sorrindo para tudo. “Para isso existem os perdedores idealistas”, você adiciona.

Você sente que logo haverá tempo para a sua vida pessoal. A oportunidade está aqui e agora e você não pode deixá-la passar. Claro que você tem que fazer alguns sacrifícios, mas em função dos seus objetivos, vale à pena.

Sem perceber, você está se transformando em uma peça dentro de uma engrenagem da produção e está trocando a sua saúde e a sua felicidade por dinheiro. Um dinheiro que você pensa em aproveitar quando já não tiver mais juventude para fazê-lo.

Não viva somente para trabalhar


Segundo uma pesquisa de Bannai e Tamakoshi, o excesso de trabalho está na base de quase todos os problemas de sono e das doenças coronárias. Também descobriu-se que aqueles que trabalham demais costumam se transformar em consumidores de álcool com mais facilidade, desenvolvem diabetes tipo 2 mais frequentemente e têm maior risco de sofrer da Síndrome de Burnout.

O excesso de trabalho não traz nada de bom, exceto algum dinheiro extra no fim do mês que, de qualquer forma, não é suficiente para pagar o que você está causando à sua saúde física e emocional.

A única saída para se afastar desse círculo carcerário é a mais óbvia: trabalhar menos. O limite de oito horas diárias, cinco dias na semana, está ok, embora existam trabalhos que peçam uma jornada menor.

Se o desgaste físico, mental ou emocional é muito elevado, vale a pena considerar 6 horas como o limite indicado.

Obviamente sabemos que isto não é fácil e que no caminho da mudança podem aparecer duas grandes barreiras. Primeiro: muitos chefes não vão querer que a pessoa trabalhe menos. E segundo que você precisa se persuadir a si mesmo de que trabalhar menos não é sinal de fraqueza e sim de inteligência.

Você pode driblar o primeiro problema organizando o seu trabalho de tal forma que cumpra com a sua jornada dedicando o número de horas indicado para trabalhos difíceis e deixando as outras para as atividades simples. Quanto à segunda, depende unicamente de você.


Três chaves para não trabalhar em excesso


Para evitar que o trabalho se transforme em uma atividade sem fim, que consuma os melhores momentos da sua vida e estrague a sua saúde, estas são três ideias que você pode aplicar:

É melhor economizar mais e trabalhar menos. Na maioria das vezes, quanto mais se ganha, mais se gasta. Por isso o dinheiro nunca alcança. Se, pelo contrário, você decide fomentar o hábito da economia contínua e consistente, poderá se surpreender com os resultados. Talvez você precise aprender a postergar o gosto de gastar e planejar melhor a sua economia.

Ouça o seu corpo. Nenhuma doença se apresenta de forma súbita; ela vai sendo cozinhada pouco a pouco e lança diversos avisos antes de aparecer. Não seja insensível ao que o seu organismo lhe diz. Reconheça os sinais de fadiga e preste atenção a eles.
Reconheça e aceite os seus limites.

A maturidade começa quando você é capaz de reconhecer os limites da realidade, começando pelos seus próprios limites. Talvez você queira triunfar mais do que ninguém, mas você não pode fazer isso em troca da sua saúde e do seu bem-estar.

De fato, se você se dedicar com alegria ao que você faz, se você colocar um “até aqui” à sua jornada profissional, terá maiores probabilidades de alcançar a excelência naquilo que faz. O dinheiro, mesmo que demore um pouco mais, provavelmente virá depois.

Fonte: site A mente é maravilhosa

0 comentários

O NOSSO INFINITO



Há ou não um infinito fora de nós? É ou não único, imanente, permanente, esse infinito; necessariamente substancial pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a matéria, limitar-se-ia àquilo; necessariamente inteligente, pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a inteligência, acabaria ali? Desperta ou não em nós esse infinito a ideia de essência, ao passo que nós não podemos atribuir a nós mesmos senão a ideia de existência? Por outras palavras, não é ele o Absoluto, cujo relativo somos nós?

Ao mesmo tempo que fora de nós há um infinito não há outro dentro de nós? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) não se sobrepõem um ao outro? Não é o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? Não é o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo concêntrico a outro abismo? Este segundo infinito não é também inteligente? Não pensa? Não ama? Não tem vontade? Se os dois infinitos são inteligentes, cada um deles tem um princípio volante, há um eu no infinito de cima, do mesmo modo que o há no infinito de baixo. O eu de baixo é a alma; o eu de cima é Deus.



Pôr o infinito de baixo em contacto com o infinito de cima, por meio do pensamento, é o que se chama orar.

Não tiremos nada ao espírito humano; é mau suprimir. O que devemos é reformar e transformar. Certas faculdades do homem dirigem-se para o Incógnito, o pensamento, a meditação, a oração. O Incógnito é um oceano. Que é a consciência? É a bússola do Incógnito. O pensamento, a meditação, a oração são tudo grandes irradiações misteriosas. Respeitemo-las. Para onde vão essas majestosas irradiações da alma? Para a sombra, quer dizer, para a luz.

A grandeza da democracia consiste em não negar, nem renegar nada da humanidade. Ao pé do direito do homem, pelo menos ao lado, há o direito da alma.

A lei é esmagar os fanatismos e venerar o infinito. Não nos limitemos a prostrar-nos debaixo da árvore da Criação e a contemplar os seus imensos ramos cheios de astros. Temos um dever: trabalhar para a alma humana, defender o mistério contra o milagre, adorar o incompreensível e rejeitar o absurdo, não admitindo em coisas inexplicáveis senão o necessário, tornando sã a crença, tirando as superstições de cima da religião, catando as lagartas de Deus

Victor Hugo

in 'Os Miseráveis'


0 comentários

REGISTRAR SEUS SONHOS PODE AJUDAR VOCÊ A SE ENTENDER MELHOR



Pesquisadores recomendam registrar sonhos para exercitar a memória e interpretar sua própria realidade.


Alguns casos famosos de pessoas inspiradas em seus próprios sonhos já renderam obras marcantes: muitas das poesias de Edgar Allan Poe foram baseadas em seus sonhos e a letra de “Yesterday”, de Paul McCartney, também surgiu enquanto o Beatle dormia.

Apesar disso, nem todos têm a sorte de lembrar detalhes de seus sonhos. Quantas ideias podem ter se perdido por causa disso? Esse é apenas um dos vários argumentos a favor de registrar no papel esses momentos.

Lembrar dos sonhos e poder interpretá-los serve como método para entender a si mesmo. Jayne Gackenbach, pesquisadora de sonhos da Universidade MacEwan, no Canadá, explica em entrevista ao Science of Us que, ao relembrá-los, você começa a notar certos padrões e anormalidades. Com o tempo, é possível usar essa noção para determinar quando estamos sonhando ou não.

O processo de descrever os sonhos em palavras também nos força a pensar mais ativamente sobre eles. Após a infância, é comum perdermos a habilidade de memorizar sonhos, mas tomar notas acaba funcionando como um exercício mental.

“Diários de sonhos também o ajudam a entender alguns sentidos da ‘vida acordado’”, disse Gackenbach. Os sonhos frequentemente oferecem um olhar sem filtros da sua própria realidade e são um tipo de paralelo da consciência de cada pessoa, como afirmou também o psicólogo Dylan Selterman. Mesmo assim, a memória humana muitas vezes é falha e essas lembranças podem variar com o passar do tempo.

“No período do sono, o cérebro vai fazer aquilo que sempre faz”, explicou Gackenbach. “Ele fornece inspiração criativa, regula as emoções negativas e, se conseguirmos acompanhar este processo, será mais fácil administrar essas sensações quando estivermos acordados.”

A pesquisadora observa que, para algumas pessoas, desenhar os sonhos pode ser um método mais fácil. Ela também recomenda dar títulos para cada sonho, o que “nos força a capturar a ideia essencial de cada um deles”.

Fora isso, não existem regras diretas para organizar seu próprio diário, mas o experimento é uma prática capaz de conectá-lo à própria psique e traduzir parte do que se passa dentro dela.

Fonte: Revista Science of Us
segunda-feira, 27 de março de 2017 0 comentários

SEPARAÇÃO DE BENS




Você fica com a lucidez.

Eu fico com a desmemória
com a lembrança pairada
com um pé de vento amanhecido no poema que te fiz embolada de carinho
e aquele papel esquisito que não poderá mais nunca ser.

Você fica com os discos
Eu fico com a melodia inacabada.
Posso também ficar com todas as letras que contavam uma rima nossa.
Fico também com um vinil arranhado e esburacado
contando uma aventura
e uma história que era dócil.

Você fica com o anel.
Eu fico com o laço;
fico também com um abraço
inviolado
Fico com aquele beijo maroto
E com a saudade de um enrosco.

Você fica com o sol
Eu permaneço entre estrelas e a lua,
bêbada e atrapalhada,
com os lençóis mostos,
com uma lágrima desvairada
E uma desvantagem.

Você fica com as jóias
Eu fico com os copos
as garrafas vazias
fico com a dor no peito
fico com a hemorragia.

Você fica com a verdade
Eu continuo com a desrazão
a incompletude
o vazio e o leite entornado.
Fico com a pele arrepiada
com os lábios cansados
com a explicação que não coube
com a palavra sussurrada.
Fico com a náusea,
fico com o cabelo despenteado,
Fico com uma angústia a mais.

Você fica com a certeza
Eu permaneço com a dúvida
com a ausência
Com o desacato.

Você fica com tudo.
E eu parto sem nada do que te dei.
Levo comigo meus comigos
E aquele pedaço que você nunca entrou,
intacto.
Você leva tudo, meu amor,
Mas quem vai agora, sou eu…

 Keila Mattioli, poeta sul-matogrossense.


0 comentários

A CAMINHO DO BREJO




Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos.

Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.
Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais. 

Córa Rónai
domingo, 26 de março de 2017 0 comentários

O BRASIL TEM MOSTRADO SUA CARA?



O Brasil é um país de mal educados. Um país de ignorantes. Somos um povo que, por esses motivos, é muito fácil de ser enganado e conduzido, como o admirável gado novo da poesia de Zé Ramalho.

Nada disso que vemos hoje é novidade. Nada.

A diferença, atualmente, é que, graças à internet, estamos descobrindo que existe muita coisa podre no reino do Brasil.

O descaramento e falta de vergonha na cara dos políticos, de todos os partidos, é uma coisa inacreditável! Da vontade de dar um soco na cara deles!

A população, em sua maioria, está atordoada sem saber o que pensar a respeito de uma quantidade enorme de denúncias que se sucedem diariamente há mais de dois anos, ininterruptamente.

Uma quantidade gigantesca de informações e contra-informações impossível de ser processada pela maioria da população.

Mais ainda para uma população que, em sua maioria, não tem esclarecimento básico (educação formal) mínimo para compreender onde aqueles fatos impactam na sua vida diária.

Ou seja, nosso povo sequer está preparado para entender onde, quando e como está sendo roubado.

Desvio de verba, propina, caixa dois, superfaturamento em obras e mais uma dezena de nomes para designar uma coisa só: roubo!

E, que ninguém venha dizer que é furto, apropriação indébita ou qualquer outro termo que só alguns entendem. Ninguém está interessado em definições técnicas, deixemos isso para os advogados de acusação.

Se querem realmente que todos entendam o que está acontecendo é necessário desenvolver uma comunicação à altura do vocabulário do brasileiro médio, que é paupérrimo, restrito a algumas centenas de palavras. Mesmo assim, grande parte da população continuará sem compreender por se tratar de analfabetos funcionais.

O déficit educacional do país é gigantesco. A dívida social, nesse setor, que todos os mandatários, em todos os níveis e em todos os tempos,  tem com o povo brasileiro, é impagável!

Hoje, ficou extremamente fácil compreender porque grandes mentes nacionais sempre afirmaram que só a educação de qualidade tiraria o país de um destino de república de bananas. Hoje, me dei conta que as bananas somos nós. Sempre fomos uns bananas. Principalmente, por não termos dado a devida importância às palavras de Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Rubem Alves e tantos outros educadores.

Vejam como custou, custa e continuará custando caro ao país negar aos jovens uma educação com uma qualidade mínima que os permita entender a própria vida e o funcionamento de seu país.

O Brasil está num estágio tão confuso e perdido que se faz necessária a presença de todos na busca de caminhos. Porque não precisamos de UM caminho. Precisamos de 200 milhões de caminhos. Todos os brasileiros estão sem direção no momento. Até os que achavam que mandavam no timão dessa nau dos insensatos.  

É tanta mentira, tanta desonestidade, por todos os lados da vida cotidiana de todos nós que não é exagero falar que todo brasileiro está se sentindo com o rabo preso nesse momento. Não pela lava-jato (nessa só os milionários), mas pela própria consciência.

Ficou claro que a complascência excessiva e a aceitação de aparentes pequenas deturpações do tipo “levar vantagem em tudo, certo?” ou “Jeitinho brasileiro” foram degenerando e se expandindo para todas as camadas da população, indistintamente. Uma decadência moral invisível, lenta e quase imperceptível a olho nu. Mas que, como bola de neve, foi acelerando e ganhando cada vez mais volume até se tornar uma catástrofe, arrastando tudo e todos pela frente.

No momento, nos falta crença em nós mesmos. Estamos envergonhados de quem elegemos para nos representar. Estamos envergonhados do que estávamos nos tornando como povo. Um país que dá um passo pra frente e dois pra trás.

Todos estamos exaustos com os acontecimentos desses últimos anos. Não estávamos acostumados a lutar por nada.

Não lutamos por nossa independência, não lutamos para libertar os escravos, não lutamos para impor a república. Agora, Estamos vendo como é difícil se construir um país digno e justo esperando que tudo nos seja concedido como benevolência de uma instância superior.

Esses políticos são ardilosos, tentam impor suas vontades de milhares de maneiras, milhões se necessário. Tentarão nos vencer pelo cansaço, podem ter certeza.

A maioria ali troca de voto, de partido e até de mãe muito mais fácil do que de cuecas.

No Brasil não existem partidos políticos, existem quadrilhas que atuam na política. Como no antigo jogo do bicho ou no tráfico de drogas, cada um tem seus pontos de exploração. Empreiteiras, petróleo, exportação de carnes, e, muito provavelmente toda a cadeia produtiva nacional. Porque quem não participa está acabado. Muitos dos empresários que serão presos na lava jato não tiveram muita escolha. Ou alguém tem dúvida disso?

Nesse ambiente completamente prostituído e corrompido quem não entra na dança está fora da festa...

Essas práticas se repetem em todos os níveis da vida brasileira. Uns achacando outros quando podem. Governadores, prefeitos, juízes, Fiscais, superintendentes, diretores, gerentes...

Todos achacando e despejando seus recalques em quem vem, supostamente, abaixo hierarquicamente. E, assim, estamos construindo um país muito feio. Muito feio.

Mas, que ainda teima em acreditar que pode ser feliz.

 Edmir Silveira
0 comentários

TREM BALA - ANA VILELA E LUAN SANTANA - LEGENDADO



Não é sobre ter
Todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar
Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar
Mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida
Que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E, então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorrindo a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir
0 comentários

TRECHOS DE A 13ª EMENDA



"O FBI colocou a militante negra Angela Davis na lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados."
"Algo do qual temos que falar e com o que temos que lidar é a questão do crime. 

O que significa ser um criminoso nessa sociedade? Isso teve que ser rompido. E, no meu caso, Ronald Reagan era o governador da Califórnia, Richard Nixon era o presidente dos EUA. Todo o aparato do Estado estava voltado contra mim e realmente queriam me mandar para a cadeira elétrica para mandar um recado."


"O sistema tentou colocar nossa irmã sob julgamento, e ela disse: 'Não, vamos colocar você'. Ela chegou com o cabelo afro, sem tê-lo alisado. Ela podia pegar uma pena longa. A maioria das pessoas teria alisado o cabelo. Teria ido para lá com luvas brancas, orando a Jesus. Ela chegou desse jeito. E ela acabou com os promotores e saiu de lá livre."

Trechos de A 13ª Emenda, dir. Ava Duvernay
0 comentários

VIAJAR TORNA VOCÊ MAIS INTELIGENTE E SAUDÁVEL



 ESTUDOS REVELAM: Viajar pode melhorar sua saúde como um todo e aumentar sua inteligência.


Poucos percebem, mas a verdade é que umas boas férias podem te fazer trabalhar muito melhor. Com elas, você ganha disposição mental e física, além de impulsionar seu lado criativo, resolvendo mais problemas no dia a dia.

Entenda, a partir de agora, como uma viagem pode melhorar a saúde do seu cérebro, do seu coração e até dos seus músculos.


Viajar pode destravar sua criatividade


Você já percebeu que a criatividade nasce das novas experiências?

Quando a parte mais empolgante do seu dia é ficar sentado em frente ao computador ou tomar um café enquanto fala de trabalho, você está impedindo sua mente de buscar inspiração.

O professor e autor Adam Galinsky diz que:
Experiências em países estrangeiros aumentam a flexibilidade cognitiva, a profundidade e a integração dos pensamentos.

E destaca:
Isso melhora nossa capacidade de fazer novas conexões entre assuntos diferentes.

Isto significa basicamente que novos sons, cheiros e paisagens ativam sinapses criativas no cérebro.

E como você pode despertar tudo isso? Simples: viajando.

Muitas pessoas criativas, como os escritores Ernest Hemingway e Mark Twain, utilizaram suas experiências internacionais para aprimorar o seu trabalho.

Os romances de Hemingway são fortemente inspirados pelo tempo que ele passou na França e na Espanha, por exemplo. Sua exposição a novas e diferentes culturas permitiu que ele escrevesse alguns dos seus melhores trabalhos.

Se não é possível sair para outro país, não tem problema, tente ao menos sair para outro estado ou para uma cidade que possua uma cultura um pouco diferente da sua. Isso ajudará abrir sua mente, pois saindo você poderá experimentar outros tipos de comidas, visitar monumentos históricos, fazer amizade com os moradores locais ou mesmo caminhar por outras ruas.

Enfim, conviver um pouco em um ambiente diferente por alguns dias pode inspirar fortemente suas habilidades criativas. E você não só terá mais criatividade, mas também será mais saudável e mais feliz.


Viajar impulsiona sua capacidade cerebral


Saiba que entre os benefícios da viagem, como mencionamos acima, está uma boa saúde mental. Uma pesquisa realizada pela Associação de Viagem dos EUA mostrou que as viagens, especialmente para os aposentados, evitam a demência e o mal de Alzheimer.

A pesquisa também revelou que 86% das pessoas que viajam estão satisfeitas com a sua vida, em comparação com 75% das pessoas que não viajam.


Viajar torna seu coração mais forte


E os benefícios não param, saiba que viajar, além de enriquecer sua capacidade cerebral, também reforça a sua saúde cardíaca.

De acordo com a associação Framingham Heart Study, as pessoas que não tiram férias durante vários anos são mais propensas a sofrer ataques cardíacos do que aquelas que viajam anualmente.

Isso acontece porque pessoas que viajam anualmente diminuem o estresse e ansiedade, reduzindo por consequência, a pressão cardíaca. Os viajantes também informaram que os sentimentos de relaxamento e felicidade continuaram por diversas semanas, mesmo depois de voltar das férias.


Viajar também mantem você em forma


Neste ponto, com tantos benefícios, você já está quase achando que viajar faz milagres, não é? Pois é, mas saiba que sim, a viagem pode te ajudar a emagrecer.

O motivo é que quando você está de férias, seu corpo tende a ficar mais ativo: você explora novos lugares, passeia pelas lojas da cidade, faz trilhas e caminhadas, nada no mar ou piscina e por aí vai.

E mesmo que, porventura, você fique sentado por algumas horas fazendo um tour em um ônibus, ainda assim você ainda estará se movimentando mais do que se estivesse preso no escritório ou assistindo TV em casa.

Em suma, viajar irá te fazer feliz, até mesmo antes da viagem acontecer


De acordo com um estudo da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, as pessoas que sabem que vão sair de férias se sentem mais felizes do que as pessoas que estão indo comprar algum bem material.

Outra pesquisa feita na Universidade de Surrey também revelou que as pessoas são mais felizes quando sabem que têm uma viagem chegando. Ou seja, apenas o ato de planejar uma viagem de férias já melhora significativamente o seu humor e bem-estar.

Imagine você tirando férias, pense em como é divertido fazer o roteiro, arrumar a mala, contar para os seus amigos e família sobre a viagem. Todas essas coisas impactam positivamente o seu estado de espírito.

Então, aproveite. Deixe para comprar um novo celular em outro momento e planeje sua próxima folga, compre a passagem para o destino que você quer conhecer e deixe sua mente e seu corpo aproveitaram todas as vantagens que uma viagem traz. Se estiver com bastante tempo e saúde, nem compre a passagem, vá em seu carro ou moto, curta também o trajeto.

Artigo traduzido e adaptado, do original “Studies Show How Travel Can Make You Smarter And Healthier” publicado no site americano, Life Hack.
0 comentários

O QUE É SER INTELIGENTE?



Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos.

A média era 100.

Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.

(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)

Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.

Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.

No fim, ele sempre consertava meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico.

Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.

Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.

Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.

A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.

Ele adorava contar piadas.

Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:

“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”

Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.

“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”

Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou:

“Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah é? Por quê?”
“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”

E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.

 Isaac Asimov
sábado, 25 de março de 2017 0 comentários

A DOUTRINA DA HUMANIDADE



Ter suficiente domínio sobre si mesmo para julgar os outros em comparação consigo e agir em relação a eles como nós quereríamos que eles agissem para conosco é o que se pode chamar a doutrina da humanidade; nada há mais para além disso.

Se não se tem um coração misericordioso e compassivo, não se é um homem; se não se têm os sentimentos da vergonha e da aversão, não se é um homem; se não se têm os sentimentos da abnegação e da cortesia, não se é um homem; se não se tem o sentimento da verdade e do falso ou do justo e do injusto, não se é um homem.

Um coração misericordioso e compassivo é o princípio da humanidade; o sentimento da vergonha e da aversão é o princípio da equidade e da justiça; o sentimento da abnegação e da cortesia é o princípio do convívio social; o sentimento do verdadeiro e do falso ou do justo e injusto é o princípio da sabedoria.

Os homens têm estes quatro princípios, do mesmo modo que têm quatro membros.


 Confúcio
sexta-feira, 24 de março de 2017 0 comentários

TODO MUNDO TEM O PREÇO

Todo mundo tem um preço, menos os que não valem nada.

quinta-feira, 23 de março de 2017 0 comentários

3 EFEITOS BIZARROS DA CULTURA DO STATUS



Uma reflexão sobre a perversidade dessa cultura do 'fazer/ter para o mundo ver' e as aberrações que ela está trazendo ao mundo.


Não é nenhuma novidade o fato de que estamos vivendo e alimentando constantemente a cultura do status - isto é, uma cultura que preza as aparências, mesmo que as aparências não representem muito bem a realidade. Diabos, basta acessar a sua conta do Facebook para observar boa parte dos seus amigos e conhecidos em uma competição acirrada em forma de atualizações de status sobre quem tem o melhor emprego, a melhor família, o melhor namorado, as melhores noitadas, os melhores amigos, o melhor destino de férias, a melhor vida.

“ Agora só falta Melhor Bíceps e Melhor Abdômen. Academia e posts sobre academia: aqui vou eu!”


Eu não digo isso para criticar quem se gaba (sutilmente ou não) da vida que tem no Facebook, até porque eu mesma não posso dizer que nunca caí nessa: por mais atenta e cuidadosa que a pessoa seja, hora ou outra todo mundo escorrega e cai de cara na perversidade da prática do ‘fazer para o mundo ver’. Mas vale, sim, refletir sobre o quanto esta obsessão que leva ao maqueamento da realidade está permeando as nossas vidas e até que ponto as pessoas estão dispostas a ir para cumprir um determinado papel aos olhos dos outros. Eu posso estar errada - e, por favor, se você discorda, é bem-vindo para se manifestar nos comentários -, mas me parece que algumas bizarrices da vida moderna são consequência dessa cultura do status, em que as coisas, experiências e sentimentos têm que ser validados constantemente em praça pública. Bizarrices como...

Grandes gestos de amor


Eu posso estar errada, mas grandes gestos de amor são uma coisa relativamente recente, certo? Estou falando de gestos como descer de helicóptero na casa da amada para pedi-la em casamento; ou fazer o pedido na frente de uma multidão em um jogo de basquete; ou fazer uma serenata romântica em pleno parque do Ibirapuera - e, claro, gravar tudo para colocar no YouTube e até aparecer no programa da Ana Maria Braga, se tiver sorte (ou azar. Depende do ponto de vista).

Com exceção de uma pequena parcela da internet que está começando a ver esses grandes gestos como uma forma de coerção amorosa, grande parte das pessoas fica babando quando vê um grande gesto de amor em ação (quando é correspondido, claro. Quando não é, ela é uma vadia mal-agradecida aos olhos dessas pessoas, mas isso é tema para outro texto). “Eles devem se amar muito!”, é a ideia que perpassa a multidão que assiste, junto com uma boa quantidade de admiração e inveja em doses iguais. Para o casal fica o grande prêmio - não o amor do parceiro, mas sim o troféu que garante o status de casal perfeito, amado e invejado pelas massas. Um troféu cuja prateleira é uma seleção de redes sociais diversas a seu dispor, que garantem a máxima divulgação do status recém-adquirido. Mesmo quando o amor não é tão certo, ou tão verdadeiro quanto deveria, o grande gesto aparece como uma forma de arrebatamento e de conclusão definitiva que convence até o mais incerto dos amantes. Quem valida o amor, nesses casos, é a multidão, mesmo que ele não tenha amadurecido ainda ou nunca venha a amadurecer.

Não que todos os grandes gestos de amor sejam farsas. Acredito que 99.9% das pessoas que se engajam em um grande gesto de amor o fazem com sinceridade, ou pelo menos pensam assim. Mas cabe a essas pessoas pensar por que sentem a necessidade de incluir e de ter a validação de uma terceira parte - a multidão, no caso - em uma coisa tão privada? Será que elas estão fazendo isso pelo amor ou pelo espetáculo? Quantos relacionamentos se arrastam e quantos casamentos se concretizam para logo se desfazer em nome do espetáculo?


Filhos decorativos


Eu e meu marido somos casados há um ano, cinco meses, três dias e seis horas e há pelo menos um ano, cinco meses, três dias, cinco horas e quarenta e cinco minutos somos perguntados constantemente sobre quando teremos filhos.

É natural, claro, e eu entendo completamente. O próximo passo depois do casamento é ter filhos, sempre foi assim. Mesmo assim, me incomoda um pouco o fato de que se nós resolvermos que vamos ter um filho agora eu tenho certeza que as pessoas vão comemorar ao invés de se preocupar com o fato de que nós não temos condições financeiras de criar um filho no momento. Como pode uma decisão tão irresponsável ser celebrada?

Isso mostra como é forte a visão de que família só é uma família (e, portanto, só pode ser perfeita) com um ou dois pimpolhos populando as fotografias e o fato de eu achar isso normal nos mostra como é forte a programação martelada em nossas cabeças desde a infância - casar e ter filhos. E mesmo que existam milhares de motivos diferentes para uma pessoa querer ter um filho, para algumas delas essa trajetória pré-definida deve ser seguida para que o status chamado de Família Perfeita possa ser alcançado. É desse desejo por um determinado status associado à expectativa social mencionada acima que nasce a bizarrice que eu apelidei de Filhos Decorativos.

Filhos Decorativos são aquelas crianças que nasceram para enfeitar uma família e torná-la digna de ser chamada de Família (com F maiúsculo mesmo) e apresentada na igreja ou na confraternização de fim ano da empresa. Filhos Decorativos geralmente são criados por babás ou por avós e vêem muito pouco dos pais. Como qualquer peça de decoração, Filhos Decorativos têm que ter algum atrativo.

Enquanto são pequenos, a sua existência por si só é o suficiente, com suas mãozinhas e pezinhos lindos e rechonchudos, mas conforme crescem precisam aprender algumas habilidades que os pais possam exibir para o mundo. Por isso não é incomum descobrir que raramente os Filhos Decorativos têm uma tarde livre - eles estão sempre ocupados com aulas de ballet, inglês, piano, mandarim, futebol, basquete, francês, etc, etc, etc, etc. Basicamente, filhos Decorativos são mais uma extensão da vida perfeita que os pais criaram - não necessariamente a que eles vivem, mas a vida perfeita que eles mostram para o mundo. Vale lembrar, no entanto, que os Filhos Decorativos crescem e nem sempre se tornam o que os pais esperavam.

Não quero alarmar ninguém, mas Filhos Altamente Decorativos sempre estão envolvidos em orgias violentas ou são os próprios assassinos em episódios de Law&Order.

Distração Generalizada


Olhe em volta. A cada dia que passa nós parecemos mais e mais como baratas tontas, olhando o celular ao invés de conversar com a pessoa ao nosso lado, tirando fotos loucamente ao invés de olhar a paisagem e listando conquistas ao invés de conhecer novas pessoas. Nossos celulares e redes sociais se tornaram poderosos demais e tomaram controle de nossas vidas como um parasita espertalhão e letal, como aqueles que aparecem naquele programa horroroso da Discovery - Parasitas Assassinos ou algo tenebroso desse tipo.
Mas não tão nojento.

No caso, nós estamos sempre grudados nas nossas redes sociais porque elas são as vitrines de nossas vidas e, através de um raciocínio absolutamente maluco, nós achamos que a vitrine é mais importante do que viver a droga da vida anunciada na vitrine. (Ok, eu perdi completamente o controle dessa analogia da vitrine, mas você entendeu). Isso leva a uma grande ansiedade por status, obviamente, mas também a uma distração generalizada, em que a vida e as pessoas passam como um pano de fundo enquanto você obsessivamente atualiza o seu Twitter.

Nada é realmente aproveitado e absorvido pela pessoa que sofre de distração generalizada. Uma paisagem é admirada por três segundos, que é o tempo de ela tirar o celular do bolso e tirar a foto para postar no Instagram. Uma conversa dura alguns minutos até que alguém solta uma frase muito espirituosa e ela sente a vontade de interromper o papo para postar a “citação” no Facebook. Tudo gira em torno do status divulgado, da própria imagem que vai sendo montada atualização após atualização, como um Frankenstein virtual que nunca vai ganhar vida, porque não é real. Isso sem contar que o interesse que a pessoa acometida de distração generalizada tem pelos outros vai até o momento em que ela avalia se os outros estão melhor ou pior que ela no grande jogo da vida - e normalmente essa avaliação dura uma olhada de dois minutos no Facebook. Depois disso, esquece, amigo. Ela já está tirando fotos. De novo.

Lara Vascouto
0 comentários

O EGOÍSMO PESSOAL TAPA TODOS OS HORIZONTES


 O mal e o remédio estão em nós. A mesma espécie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-á amanhã.

Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido cívico, que não deve confundir-se nunca com a caridade.

É um tempo escuro, mas chegará, certamente, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra.

Talvez estejamos a percorrer um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser.

Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada... alguma coisa não funciona. Talvez um dia!

José Saramago
quarta-feira, 22 de março de 2017 0 comentários

QUANTA GENTE METIDA



Quanta gente metida a besta Não é á atoa que a vaidade é o pecado favorito do capeta. 

Todos são preocupados em construir um mundo melhor e suas carreiras
profissionais. E como quase todas são pessoas feias, fracas e pobres, sem ideias e sem
espírito inquieto, nada nelas brota de grandioso, corajoso ou humilde.
0 comentários

A PELE - FILME



Vez por outra acabo sugerindo para vocês filmes de conteúdo mais erotizado. Como sabem gosto de provocar. Mas não precisa se preocupar que esse é bem light,  meu interesse aqui são as contrariedades vividas pelas personagens, foco no emocional.   

Obs.: O filme é bem conceitual e mais uma produção que vem com o dizer, baseado em fatos reais. Bem, para mim valeu muito a pena ter visto. 

O que temos para hoje é:

A PELE

dirigido por Steven Shainberg e no elenco, nada mais nada menos, que Robert Downey Jr. ( O carinha do Homem de Ferro) 

SINOPSE

Em 1958 a nova-iorquina Diane Arbus é uma dona de casa e mãe que trabalha como assistente de seu marido, um fotógrafo contratado por seus pais ricos. Apesar de levar uma vida respeitável, ela não consegue sentir-se confortável em seu mundo privilegiado. Uma noite, um novo vizinho chama a atenção de Diane. Este enigmático homem oferece-lhe inspiração para a descoberta de sua própria arte.

BOM FILME!
0 comentários

SOLIDÃO A DOIS





Sobre uma geração que insiste em não ouvir, em não falar e em não aprender


Com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão Vermelho.

São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.

O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.

Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.

Elas se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.

Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. "Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será", concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.

E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros.

O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.

Bruno Inácio
terça-feira, 21 de março de 2017 0 comentários

FILOSOFIA PARA CORAJOSOS



SINOPSE

O objetivo deste livro é ajudar o leitor a pensar com a sua própria cabeça. Para tal, o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, autor de vários best-sellers, se apoia na história da filosofia para apresentar argumentos para quem quer discutir todo e qualquer tipo de assunto com embasamento. 

Afinal, os grandes filósofos estudaram, pensaram e escreveram sobre os temas essenciais com os quais ainda lidamos no mundo contemporâneo. O livro está dividido em três partes-  Uma filosofia em primeira pessoa , onde o autor conta como ele entende a filosofia; 

 Grandes tópicos da filosofia ao longo do tempo , que traz um repertório básico dos temas que todo mundo precisa conhecer mais a fundo; e  Por que acho o mundo contemporâneo ridículo? , uma análise ferina da sociedade atual.
0 comentários

A FILOSOFIA DA ADULTERA: ENSAIOS SELVAGENS - LIVRO



SINOPSE

Pondé evoca Nelson Rodrigues para traduzir as mazelas do cotidiano.

Neste livro, Luiz Felipe Pondé reúne reflexões e provocações sobre a condição humana e os diversos tipos sociais. Inspirado na obra de Nelson Rodrigues, toma como fio condutor a adúltera, o arquétipo representativo da tragédia humana.

Em capítulos curtos, ácidos e bem-humorados, o autor discorre não apenas sobre o cotidiano, mas também - e principalmente - sobre aquilo que escorre pelo ralo. O cotidiano do qual fala Nelson Rodrigues, do qual não queremos saber. Aquele que colocamos embaixo do tapete, ou no quartinho dos fundos. Nesse cenário, ninguém escapa. Nem você, leitor ou leitora, que certamente odiará este livro do começo ao fim.

É inevitável, mas preciso. Como nos provoca Pondé, 'só uma filosofia selvagem se dá ao luxo de dizer a vida como ela é.
0 comentários

CONTRA UM MUNDO MELHOR - LIVRO


"Contra um mundo que mente sobre si mesmo.”

Luiz Felipe Pondé tem sido destaque não apenas no meio acadêmico, mas também, pela popularização da filosofia. Quase sempre abordando temas do cotidiano de forma simples e direta o autor tem chacoalhado as mentes de seus leitores e admiradores. Não foi à toa que se  tornou responsável pelo primeiro best-seller brasileiro de filosofia com o livro GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA FILOSOFIA.

Tratando-se de Contra um Mundo Melhor-Ensaios do Afeto, Pondé não deixa a desejar.  Livro curto, pequenos ensaios sobre nosso cotidiano, fácil leitura. Indico principalmente para aqueles que têm interesse por filosofia, mas ainda estão iniciando nessa disciplina.  

Mas não se deixe afetar por um certo pessimismo e as ironias no melhor do estilo Nelson Rodrigues 


"Sem hipocrisia não há civilização, e isso é a prova de que somos desgraçados: precisamos da falta de caráter como cimento da vida coletiva." (Luiz Felipe Pondé)


É uma ótima leitura para aqueles que acreditam não ter medo de si mesmo. 




segunda-feira, 20 de março de 2017 0 comentários

Michelangelo Antonioni sobre a consternação em "A Aventura"



"Alguns filmes são agradáveis e alguns filmes são amargos; alguns filmes são leves e alguns são dolorosos. 'A Aventura' é um filme amargo e muitas vezes doloroso. É a dor dos sentimentos que acabam tendo um fim, ou dos sentimentos que você consegue vislumbrar o fim no mesmo momento em que eles nascem. Tudo isso é contado em uma língua que eu tentei manter livre de efeitos.

 Eles dizem que um filme é 'articulado em um ritmo dilatado, em relações de espaço e tempo que aderem à realidade." Essas palavras não são minhas. Eu tenho poucas palavras ao meu dispor para dizer tais coisas. Eu darei um exemplo.

Depois de assistir ao filme todos se perguntam: O que terá acontecido a Anna? Havia uma cena no roteiro - que mais tarde foi cortada, não me lembro porque - na qual Claudia, uma amiga de Anna, está com outros amigos na ilha. Eles estão fazendo todas as especulações possíveis sobre o desaparecimento da garota. Mas não existem respostas. Depois de um momento de silêncio, um deles diz: 'Talvez ela simplesmente tenha se afogado'. Claudia bruscamente se vira para ele e diz: 'Simplesmente?'

Todos se entreolham, consternados.
É isso. Essa consternação é o significado do filme"

Michelangelo Antonioni no texto "Le Avventure dell'Avventura", publicado no jornal Corriere della Sera, em 31 de maio de 1976
sexta-feira, 17 de março de 2017 0 comentários

“AS REDES SOCIAIS SÃO UMA ARMADILHA" - ZYGMUNT BAUMAN




Desde que colocou, em 1999, sua ideia da “modernidade líquida” – uma etapa na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso” –, Bauman se tornou uma figura de referência da sociologia. Suas denúncias sobre a crescente desigualdade, sua análise do descrédito da política e sua visão nada idealista do que trouxe a revolução digital o transformaram também em um farol para o movimento global dos indignados, apesar de que não hesita em pontuar suas debilidades.

O polonês (Poznan, 1925) era criança quando sua família, judia, fugiu para a União Soviética para escapar do nazismo, e, em 1968, teve que abandonar seu próprio país, desempossado de seu posto de professor e expulso do Partido Comunista em um expurgo marcado pelo antissemitismo após a guerra árabe-israelense. Renunciou à sua nacionalidade, emigrou a Tel Aviv e se instalou, depois, na Universidade de Leeds (Inglaterra), onde desenvolveu a maior parte de sua carreira.

Sua obra, que arranca nos anos 1960, foi reconhecida com prêmios como o Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades de 2010, que recebeu junto com Alain Touraine.

Bauman é considerado um pessimista. Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros é sumamente crítico. Em A riqueza de poucos beneficia todos nós?, explica o alto preço que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos 80 e a “trintena opulenta” que veio em seguida. Sua conclusão: a promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo chegaria aos que se encontram mais abaixo é uma grande mentira. Em Cegueira moral, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a perda do sentido de comunidade em um mundo individualista.

Em seu ensaio, Estado de crise, um diálogo com o sociólogo italiano Carlo Bordoni, volta a se destacar. O livro da editora Zahar, que já está disponível para pré-venda no Brasil, trata de um momento histórico de grande incerteza.

Bauman volta a seu hotel junto com o filósofo espanhol Javier Gomá, com quem debateu no Fórum da Cultura, evento que terá sua segunda edição realizada em novembro e que traz a Burgos os grandes pensadores mundiais. Bauman é um deles.

Pergunta. Você vê a desigualdade como uma “metástase”. A democracia está em perigo?

Resposta. O que está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes. Para atuar, é necessário poder: ser capaz de fazer coisas; e política: a habilidade de decidir quais são as coisas que têm ser feitas. A questão é que esse casamento entre poder e política nas mãos do Estado-nação acabou. O poder se globalizou, mas as políticas são tão locais quanto antes.

A política tem as mãos cortadas. As pessoas já não acreditam no sistema democrático porque ele não cumpre suas promessas. É o que está evidenciando, por exemplo, a crise de migração. O fenômeno é global, mas atuamos em termos paroquianos. As instituições democráticas não foram estruturadas para conduzir situações de interdependência. A crise contemporânea da democracia é uma crise das instituições democráticas.

“Foi uma catástrofe arrastar a classe media ao precariat. O conflito já não é entre classes, mas de cada um com a sociedade”

P. Para que lado tende o pêndulo que oscila entre liberdade e segurança?

R. São dois valores extremamente difíceis de conciliar. Para ter mais segurança é preciso renunciar a certa liberdade, se você quer mais liberdade tem que renunciar à segurança. Esse dilema vai continuar para sempre. Há 40 anos, achamos que a liberdade tinha triunfado e que estávamos em meio a uma orgia consumista. Tudo parecia possível mediante a concessão de crédito: se você quer uma casa, um carro… pode pagar depois. Foi um despertar muito amargo o de 2008, quando o crédito fácil acabou. A catástrofe que veio, o colapso social, foi para a classe média, que foi arrastada rapidamente ao que chamamos de precariat (termo que substitui, ao mesmo tempo, proletariado e classe média). Essa é a categoria dos que vivem em uma precariedade contínua: não saber se suas empresas vão se fundir ou comprar outras, ou se vão ficar desempregados, não saber se o que custou tanto esforço lhes pertence… O conflito, o antagonismo, já não é entre classes, mas de cada pessoa com a sociedade. Não é só uma falta de segurança, também é uma falta de liberdade.

P. Você afirma que a ideia de progresso é um mito. Por que, no passado, as pessoas acreditavam em um futuro melhor e agora não?

R. Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas. Não sou capaz de profetizar. Estamos experimentando novas formas de fazer coisas. A Espanha foi um exemplo com aquela famosa iniciativa de maio (o 15-M), em que essa gente tomou as praças, discutindo, tratando de substituir os procedimentos parlamentares por algum tipo de democracia direta. Isso provou ter vida curta. As políticas de austeridade vão continuar, não podiam pará-las, mas podem ser relativamente efetivos em introduzir novas formas de fazer as coisas.

P. Você sustenta que o movimento dos indignados “sabe como preparar o terreno, mas não como construir algo sólido”.

R. O povo esqueceu suas diferenças por um tempo, reunido na praça por um propósito comum. Se a razão é negativa, como se indispor com alguém, as possibilidades de êxito são mais altas. De certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são muito potentes e muito breves.

P. E você também lamenta que, por sua natureza “arco íris”, o movimento não possa estabelecer uma liderança sólida.

R. Os líderes são tipos duros, que têm ideias e ideologias, o que faria desaparecer a visibilidade e a esperança de unidade. Precisamente porque não tem líderes o movimento pode sobreviver. Mas precisamente porque não tem líderes não podem transformar sua unidade em uma ação prática.

P. Na Espanha, as consequências do 15-M chegaram à política. Novos partidos emergiram com força.

“O 15-M, de certa forma, foi uma explosão de solidariedade, mas as explosões são potentes e breves”

R. A mudança de um partido por outro não vai a resolver o problema. O problema hoje não é que os partidos estejam equivocados, e sim o fato de que não controlam os instrumentos. Os problemas dos espanhóis não estão restritos ao território nacional, são globais. A presunção de que se pode resolver a situação partindo de dentro é errônea.

P. Você analisa a crise do Estado-nação. Qual é a sua opinião sobre as aspirações independentistas da Catalunha?

R. Penso que continuamos com os princípios de Versalhes, quando se estabeleceu o direito de cada nação baseado na autodeterminação. Mas isso, hoje, é uma ficção porque não existem territórios homogêneos. Atualmente, todas as sociedades são uma coleção de diásporas. As pessoas se unem a uma sociedade à qual são leais, e pagam impostos, mas, ao mesmo tempo, não querem abrir mão de suas identidades. A conexão entre o local e a identidade se rompeu. A situação na Catalunha, como na Escócia ou na Lombardia, é uma contradição entre a identidade tribal e a cidadania de um país. Eles são europeus, mas não querem ir a Bruxelas por Madri, mas via Barcelona. A mesma lógica está emergindo em quase todos os países. Mantemos os princípios estabelecidos no final da Primeira Guerra Mundial, mas o mundo mudou muito.

P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

R. A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade, você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas.

Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado.

Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.
Entrevista ao Jornal El País - Ricardo de Querol
0 comentários

VIA-LÁCTEA




“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Olavo Bilac
0 comentários

A LOUCURA CHAMADA AFIRMAR, A DOENÇA CHAMADA CRER, A INFÂMIA…



A loucura chamada afirmar, a doença chamada crer, a infâmia chamada ser feliz — tudo isto cheira a mundo, sabe à triste coisa que é a terra.

Sê indiferente. Ama o poente e o amanhecer, porque não há utilidade, nem para ti, em amá-los.

Veste teu ser do ouro da tarde morta, como um rei deposto numa manhã de rosas, com Março nas nuvens brancas e o sorriso das virgens nas quintas afastadas. Tua ânsia morra entre mirtos, teu tédio cesse então…

E o som da água acompanhe tudo isto como um entardecer ao pé de margens, e o rio, sem sentido salvo correr, eterno, para marés longínquas. O resto é a vida que nos deixa, a chama que morre no nosso olhar, a púrpura gasta antes de a vestirmos, a lua que vela o nosso abandono, as estrelas que estendem o seu silêncio sobre a nossa hora de desengano. Assídua a mágoa estéril e amiga que nos aperta ao peito com amor.

(Meu destino é a decadência.)

Meu destino foi outrora em vales fundos. O som de águas que nunca sentiram sangue rega o modo dos meus sonhos. O copado das árvores que esquece a vida era verde sempre nos nossos esquecimentos. A Lua era fluida como água entre pedras. O amor nunca veio àquele vale e por isso tudo ali era feliz. Nem sonho, nem amor, nem deuses em templo, passando entre a brisa e a hora…


– Bernardo Soares (Fernando Pessoa)

domingo, 12 de março de 2017 0 comentários

HORA DA MEDITAÇÃO... PENSE COMIGO



Outro dia acabei discutindo com um amigo enquanto as pessoas a nossa volta desfrutavam momentos de festa. Que babaquice a minha.

Falávamos de política e filosofia. Ele disse a mim que nunca irá gostar da esquerda, mas em seguida  disparou sobre o único jeito de se resolver os problemas do mundo: DAR FIM AO CAPITALISMO e também, sobre a necessidade de alcançarmos a igualdade social. E por fim desembocou em uma burguesia que não existe desde a transição do período moderno para o contemporâneo. 

Nossa, como estou saturada desse discurso que muitas vezes eu mesma preguei. Porém da adolescência até o dia de hoje me foi tempo suficiente para amadurecer certas ideias e me aborrecer infinitamente com as incongruências dessa religião de fanáticos tolos ou comprados. 

Fui enfática, NÃO ACREDITO EM IGUALDADE SOCIAL. Ele arregalou os olhos e parecia que eu tinha dito a pior das heresias. Bem,  graças a Deus ele não pode ler pensamentos, pois se tivesse acesso ainda que uma pequena pate das coisas que realmente penso, mas me calo por não encontrar interlocutor adequado, ele teria saído correndo da sala gritando: 

- Morte a essa infiel. 

Obrigatoriamente todos temos de acreditar em Liberdade, democracia, igualdade... o que tem muitas interpretações  e daria embasamento para prosseguir nossa conversa, no enanto, quebrei o argumento. E como já esperava o danado disparou um monte de palavras técnicas do meio das ciências humanas. 

O uso de palavras como dicotomia, ao invés de divergência ou simplesmente o bom e velho " O santo não bateu". sempre dão uma valorizada no discurso, melhor ainda, se podemos entrar no campo Marxista das superestruturas, infraestruturas, etc. 

Já gostei muito dessas coisas que aprendemos na faculdade e depois só conseguimos agir assim, mas não tenho mais muito  interesse em afetações acadêmicas.
Infelizmente esse tipo de discurso permeia um roteiro, aquele que estou fatigada, sei como começa e acaba. Não quero mais perder tempo. 

Capitalismo, Socialismo, Utopia, Ideologia, Terra do Nunca  para mim dá tudo no mesmo. 
Igualdade social é o caramba. Conversa para boi dormir, marketing do politicamente correto, terra do nunca de novo. Somos pessoas diferentes, com necessidades diferentes; o que é bom para mim, não necessariamente será bom para você, independentemente de super estruturas e tudo mais. Tudo parte do INDIVÍDUO. 

Será que ninguém leu a historinha de Robson Crusoé e seu "amiguinho" Sexta-feira, não ouviram à famosa expressão de Thomas Hobbes " O homem é lobo do Homem". 
Será que só eu acho que a maior razão para a DESIGUALDADE,  no fundo,
trata-se apenas do orgulho humano em querer ser mais do que é.

sábado, 11 de março de 2017 0 comentários

AS RELAÇÕES MUDAM SEMPRE



“Que dura profissão fui escolher! Viajando todo santo dia. É muito pior do que quando se está no escritório, pois, quando viajo, não posso descuidar dos horários dos trens, as refeições são ruins, feitas fora de hora; os relacionamentos mudam sempre, nunca são os mesmos, nunca possibilitam uma autêntica amizade” (KAFKA, 2001, p. 12).

terça-feira, 7 de março de 2017 0 comentários

SIMPATIA PARA CORTAR, AFASTA, ELIMINAR, COMBATER INVEJA E OLHO GORDO

Resultado de imagem para sal grosso

Simpatia para cortar , afastar, eliminar, combater inveja, olho gordo, pertubações, energias ruins de sua casa ou comércio


 

Esta simpatia poderosa protege sua casa ou comércio de todo tipo de energia ruim.


Pegar um copo e colocar 3 punhados e sal grosso, três pedras pequenas de carvão, 3 dentes de alho roxo com casca e tudo. completar com água, colocando sobre o copo uma tesoura afiada aberta ( direcionando as pontas da tesoura em direção a rua). Este copo eve ser colocado, bem próximo a entrada principal.

Trocar os ingredientes a cada 15 dias ( limpando bem a tesoura com água, vinagre e sal.

  Jogar os outros ingredientes bem longe do local, ou no vaso sanitário, dando-se descarga em seguida.
sábado, 4 de março de 2017 0 comentários

COR DA PELE NÃO DEFINE UM SER HUMANO


Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO

quinta-feira, 2 de março de 2017 0 comentários

OSCAR 2017


Além dos 6 atores,19 profissionais negros concorreram ao Oscar, como o diretor Barry Jenkins(Moonlight) e o roteirista August Wilson (um Limite entre Nós).

Por: Jaqueline Ramiro / Coordenadora Estadual PP AFRO RIO
#oscar #oscarblack
#ppafrorio
#ppafro
#umquilomboprogressista
#JaquelineRamiroAlém dos 6 atores,19 profissionais negros concorreram ao Oscar, como o diretor Barry Jenkins(Moonlight) e o roteirista August Wilson (um Limite entre Nós).

P
 
;